BA 163 | Como os fabricantes de autopeças se adaptaram à pandemia

 
No relacionamento com os clientes, o virtual não substituirá o contato presencial, mas haverá mudanças
 
Com a pandemia do novo coronavírus, as indústrias do setor de autopeças fizeram adequações, departamentos que não requerem a necessidade de presença física para a produção estão em home office, o abastecimento continua e muitos apostam que haverá mudanças na forma de se relacionarem com os seus clientes. O mundo será diferente após a pandemia.
 
Começando pela logística de distribuição, na Delphi Technologies, Amaury Oliveira, diretor executivo de Aftermarket para a América do Sul, conta que por serem uma empresa multinacional foi possível aprender as melhores práticas dos colegas da China, o que lhes permitiu uma preparação melhor para o que estava por vir. “No momento que a situação começou a abranger outras partes do mundo, focamos os esforços em aumentar a produção para garantir o nosso nível de estoque e impedir qualquer problema de abastecimento da cadeia”.
 
Marcelo Sanches, aftermarket Director – LATAM Dayco, comenta que a presença global da companhia facilitou a disponibilidade de produtos, eliminando grandes faltas. “Enquanto a Ásia já estava vivendo o que à época ainda se tratava de uma epidemia, as demais plantas puderam suprir as necessidades da China, e o mesmo ocorreu quando o vírus avançou pela Europa e as Américas ainda estavam em pleno funcionamento. Um dos nossos grandes diferenciais sempre foi uma entrega ágil e bastante completa aos nossos clientes. Infelizmente, não conseguimos manter este mesmo nível, mas estamos muito próximo e a cada dia aprimorando este trabalho”.
 
Colaboração e interdependência têm sido as palavras de ordem na Nakata. “Estreitamos a comunicação entre o cliente com as demais áreas de operação da empresa. Assim, graças ao excelente trabalho integrado dos times de vendas, finanças e logística, cada ponto de entrega tem sido tratado de forma única e exclusiva, monitorando em tempo real informações por estado e cidades para que a mercadoria possa chegar em tempo ao cliente”, afirma o diretor de Vendas e Marketing, Sergio Montagnoli.
 
Na Bosch América Latina, a palavra-chave é sinergia. “As áreas de vendas e de trade marketing estão trabalhando ainda mais próximas, com atualização diária da situação mercadológica e também dos clientes. Além disso, mantivemos contato constante com nossos fornecedores, tanto internamente, na própria Bosch, quanto externamente, com o objetivo de priorizar os pedidos dos produtos, especialmente os mais críticos, para garantir que não falte nada no mercado”, informa Carlos Abdalla, gerente de Marketing e Comunicação.
 
Amaury Oliveira, diretor executivo de Aftermarket Delphi para a América do Sul – Foto: Divulgação
 
Entre as medidas adotadas na ZF, o estoque foi reforçado, processos foram automatizados e toda a operação foi digitalizada para conferir agilidade e, após breve parada, a operação foi posta em funcionamento. “Com isso, estamos prontos para atender nossos clientes”, enfatiza João Lopes, diretor da ZF Aftermarket América do Sul.
 
Também foram reforçadas inciativas estratégicas, como a já conhecida plataforma gratuita de formação de profissionais mecânicos e vendedores de autopeças, o Amigo Bom de Peça e o Amigo Bom de Vendas. E uma parceria foi fechada com a Aleph, empresa parceira do Mercado Livre, para disponibilizar aos vendedores da plataforma todos os dados para anunciar os produtos das marcas ZF.
 
Para complementar, Lopes informa que “promoveremos treinamentos para varejistas que queiram iniciar negócios no MarketPlace da plataforma, através de webinars no programa Amigo Bom de Venda. Além do suporte à venda de produtos online, também estamos acelerando o suporte digital às oficinas com o ZF [pro]Tech”, acrescenta Lopes.
 
Rubens Campos, vice-presidente Sênior Aftermarket Automotivo – Schaeffler América do Sul, conta que houve bastante dificuldade na distribuição de produtos entre a segunda quinzena de março e primeira quinzena de abril. “Muitos de nossos clientes estavam com seus depósitos fechados devido às quarentenas impostas pelas prefeituras e governos estaduais”.
 
O executivo diz que agora a situação está melhor e mais controlada. “A maioria de nossos clientes está trabalhando, entretanto faturamos e enviamos nossos produtos somente para clientes e regiões que temos confirmação que estão liberadas para o recebimento. Estamos bastante atentos às notícias sobre possíveis bloqueios ou lockdown de qualquer região atendida por nossa rede logística”.
 
Marcelo Sanches, Aftermarket Director – LATAM Dayco – Foto: Divulgação
 
Alexandre Zen, CEO da ZM, também relata que a logística de distribuição depende muito dos governos estaduais, por determinarem a atuação da economia em cada Estado da federação. “Com base nisso, nós decidimos não interromper as atividades da empresa, apenas reduzimos o ritmo de produção para adequar-se à nova demanda. É muito importante que nossos clientes encontrem a empresa em atividade, pois enquanto um Estado fecha, outro abre. Se depender da ZM, não haverá desabastecimento em nenhum momento e nossos distribuidores poderão ficar tranquilos quanto a isso”.
 
Mais ações
 
Na avaliação de Edison Vieira, gerente de Vendas & Marketing – Aftermarket DRiV (amortecedores Monroe), levará um tempo para todos os ajustes necessários. “A empresa tem realizado constantes análises das vendas de seus clientes e seus inventários, cruzando com o estoque da empresa e produção. Em casos específicos, poderá faltar algum produto, uma vez que a DRiV também depende dos fornecedores de matérias primas. Com o cenário do coronavírus, toda a cadeia foi afetada. Dessa forma, levará um tempo para que todos os ajustes necessários sejam finalizados”.
 
“A nossa logística de distribuição não sofreu grandes impactos ou mudanças em função da crise da Covid-19. As principais adaptações ligadas à logística foram na área de expedição, onde implementamos, como no restante da fábrica, medidas rigorosas de proteção aos nossos colaboradores, envolvendo uso de máscaras, luvas, procedimentos de higienização, entre outros”, afirma David Catasiner, diretor de Vendas e Marketing da Zen.
 
Na Wega, Cesar Costa, diretor de Vendas e Marketing, conta que os recebimentos de material estão normais, bem como as entregas para os seus clientes. “Estamos liberando só com autorização de clientes e das orientações de cada estado, conforme funcionamento. Não corremos riscos de desabastecimento, pois trabalhamos com estoques para 6 meses, hoje nosso índice de entrega está perto de 100%”.
 
“O nosso sistema de logística foi adaptado de acordo com as recomendações dos órgãos de saúde, garantindo o mesmo nível de excelência de entrega que temos”, afirma Wagner Vieira, diretor Comercial da Tecfil. Na CVN AutoParts (Corven), o gerente Comercial, Ricardo Cesar de Abreu, informa que eles estão revezando as equipes e “como o volume de vendas está bem abaixo, estamos atendendo adequadamente nossos clientes”.
 
Rubens Campos, vice-presidente Sênior Aftermarket Automotivo – Schaeffler América do Sul – Foto: Divulgação
 
Na Nidec, Daniel Rio, Managing Director, explica que quando eles tiveram notícias dos problemas na China, eles iniciaram a aquisição de mais componentes e dispararam à procura de fornecedores locais. “Com o intuito de aumentarmos o nosso estoque de peças, valorizar a nossa indústria, bem como a redução do lead time nas entregas, nos possibilitando uma maior agilidade na retomada breve do nosso mercado. Estamos produzindo bombas e estocando para garantir o atendimento no momento do pedido”.
 
Em nota, as Empresas Randon informam que são dois focos primordiais neste momento: a preservação da saúde da população e a sustentabilidade da economia local e global. Seguindo todas as recomendações de saúde e segurança da Organização Mundial da Saúde (OMS), a empresa busca alternativas para seguir preservando ao máximo o seu quadro de pessoal até a estabilidade do cenário.
 
Para isso, diversas iniciativas de prevenção foram adotadas e os aprendizados com a unidade da Fras-le na China possibilitaram a tomada de decisões mais rápidas em outras empresas do grupo no Brasil. Dentro das medidas implementadas para a garantia da saúde dos colaboradores e manutenção das atividades da companhia, um projeto piloto de trabalho na modalidade home office acabou sendo antecipado e ampliado para toda a empresa.
 
E para garantir a sustentabilidade de todas as cadeias de negócios em que as suas unidades estão inseridas, as Empresas Randon buscaram manter a disponibilidade de peças em toda a rede de distribuidores de implementos e autopeças. Dentro das determinações legais dos governos regionais, foi priorizada a logística de pós-vendas com a finalidade de manter a rede abastecida.
 
Edison Vieira, gerente de Vendas & Marketing da Aftermarket DRiV – Foto: Divulgação
 
Medidas econômicas
 
Sobre as medidas econômicas anunciadas pelo Governo Federal, Rubens Campos diz que o aftermarket automotivo não sofre grandes interferências em crises. “Porém, estamos passando por uma situação bastante complexa dessa vez. O coronavírus surpreendeu o mundo todo, pessoas e empresas, e com isso houve retração no consumo e também uma grande mudança de comportamento. Tem sido necessário mudar paradigmas para enfrentar esse período”.
 
Para Ricardo Cesar de Abreu, as medidas econômicas não afetam diretamente o setor de reposição. “Mas segundo nossos clientes, as linhas de crédito baratas estão muito difíceis de se conseguir. A nossa sensação é que bem pouco destas medidas chegou a quem precisa, e não tenha um cadastro ou um lastro de no mínimo 101% dos valores que irão solicitar”.
 
Já os executivos da Tecfil e da Bosch comentam que foi positiva a Medida Provisória 936, que definiu regras de flexibilização da jornada e a concessão de crédito para pequenas e médias empresas, a redução das exigências para contratação de empréstimos, entre outras. “Agora, é preciso avaliar a evolução do cenário para se definir se outras medidas serão necessárias, inclusive linhas de crédito para as grandes empresas”, relata Wagner Vieira.
 
“A Bosch aderiu à Medida Provisória 936, que permite a redução de jornada de trabalho e redução de salário por três meses e a suspensão de contrato de trabalho por dois meses. Também estamos revendo custos fixos e investimentos como forma de manter a sustentabilidade do Grupo Bosch”, coloca Carlos Abdalla.
 
Para Alexandre Zen, as medidas econômicas em nível federal foram importantíssimas para esse momento. “Incrivelmente, o Poder Executivo, juntamente com o Legislativo, tomou decisões que em ritmo normal de trabalho poderiam levar anos para serem anunciadas. Quem dera tivéssemos no Brasil, em épocas normais, a mesma agilidade que houve agora, principalmente quanto à flexibilização dos acordos de trabalho, a qual foi importantíssima para a manutenção dos empregos”.
 
Nas palavras de Cesar Costa, “entendemos que o governo está trabalhando para ajudar a economia a não parar e a preservar os empregos, mas sabemos que não podemos depender só das ações do governo. Cada empresa tem um plano para passar pela crise e depois voltar ao crescimento sustentável”.
 
Cesar Costa, diretor de Vendas e Marketing da Wega – Foto: Divulgação
 
Na visão de Edison Vieira, nós estamos vivendo uma crise sem precedentes e com mudanças muito dinâmicas. “Assim como as empresas estão avaliando regularmente o cenário e introduzindo as melhores soluções, acreditamos que na esfera política os desafios são muitos e os esforços são com foco na busca de novos caminhos, com aprendizados para superar essa fase”.
 
Para Amaury Oliveira, “essa crise é algo que nunca vivenciamos e que traz um cenário nebuloso e desconhecido em que se torna muito difícil equilibrar todas as necessidades. Com isso, entendemos que todos estão aprendendo juntos a melhor forma de encarar esse novo desafio”.
 
“Foram medidas importantes e essenciais para o momento que vivemos. Livres de quaisquer paixões, cuidar da saúde das pessoas e das empresas não deve ser ação excludente”, defende Sergio Montagnoli. “Essas ações têm ajudado a minimizar as perdas de caixa que estamos enfrentando, porém acredito que poderia ter sido flexibilizado o pagamento de alguns impostos, principalmente sobre a folha e para os impostos estaduais”, especifica Daniel Rio.
 
Marcelo Sanches revela que desde o início da pandemia uma das grandes preocupações foi preservar o time e as medidas econômicas os ajudaram muito nesse sentido. “Dentre as MPs e Portarias utilizadas pela Dayco estão a postergação dos vencimentos do FGTS, redução de jornada de trabalho e salários, utilizadas apenas a partir dos cargos gerenciais, concessão de férias, postergação do vencimento das contribuições previdenciárias, entre outras”.
 
David Catasiner avalia que as medidas adotadas pelo governo federal estão indo na direção correta, ao apoiar tanto as empresas como os trabalhadores. “Porém algumas ações, principalmente as relacionadas ao crédito, estão demorando para chegar até a ponta. A grande maioria das empresas ainda não conseguiu acessar essas linhas de crédito”.
 
Na visão de João Lopes, qualquer ação que os governos tomem, que vise ajudar as empresas a passar por esse período de turbulência, é bem-vinda. “Medidas como a MP 936, que permitiu a suspensão temporária de contratos de trabalho, e a redução de jornada e salários com uma ajuda financeira do governo aos funcionários afetados da inciativa privada são regras que ajudam as empresas a passar por este período difícil”.
 
Ricardo Cesar de Abreu, gerente Comercial da CVN AutoParts (Corven) – Foto: Divulgação
 
Segundo ele, tudo depende, no entanto, da duração da pandemia e mais precisamente das restrições de funcionamento da economia. “Temos que pensar na segurança das pessoas em primeiro lugar, mas esperamos que essa situação de emergência passe o mais rápido possível para que a economia volte a funcionar normalmente”.
 
Pós-pandemia
 
No dia 4 de maio, a Bosch deu início ao retorno gradativo das suas operações em linha com as demandas de seus clientes. “Para os colaboradores que estão trabalhando nas plantas, garantimos a adoção de todos os protocolos de segurança conforme determinam os órgãos oficiais de saúde e também da própria Bosch. O plano de contenção estabelecido vai desde a saída do colaborador de sua casa, o transporte e entrada na empresa e, posteriormente, o retorno à residência”, informa Carlos Abdalla.
 
Entre as medidas adotadas, ele comenta sobre o uso obrigatório de máscaras, medição de temperatura a distância e o distanciamento social, seja nos fretados, nas mesas dos refeitórios e até mesmo enquanto caminha dentro da fábrica. “Para que o colaborador se sinta ainda mais acolhido e protegido, fizemos uma comunicação em massa com informações didáticas a respeito dessas ações e os cuidados necessários em toda a fábrica”.
 
Na Dayco, os projetos previstos para este ano estão sendo mantidos, alguns apenas com postergação ou pequenas adaptações. “A Dayco está investindo fortemente em suas operações no Brasil, região que tem se tornado cada vez mais importante para a companhia. O projeto da nova planta, em Indaiatuba (SP), onde unificaremos as linhas de produção, logística, desenvolvimento, comercial e todas as demais área de suporte ao OE e aftermarket, continua a todo vapor. Assim que o período de quarentena acabar, efetivaremos a mudança e, muito em breve, a inauguração”, antecipa Marcelo Sanches.
 
David Catasiner, diretor de Vendas e Marketing da Zen – Foto: Divulgação
 
Conforme especifica Sergio Montagnoli, na Nakata pontes são construídas. “A primeira dá um norte para os agentes envolvidos: nosso propósito em ter a peça certa, na hora e local certos, com diagnóstico e serviços de reparação executados corretamente, o que dá segurança ao transporte de pessoas e bens. Esses agentes serão os construtores das demais pontes, que alcancem clientes, entendendo a necessidade de cada um e levando soluções únicas, bem como pontes com nossos fornecedores e demais parceiros de negócio, orquestrando movimentos sincronizados. É com esse sistema de pontes que conectamos um rol de diferentes soluções, mas que, em seu conjunto, estejam em uma só direção e garantam força de tração a todos no momento da retomada”.
 
Também a todo o vapor está a Wega. “Reforçamos nossos estoques, aceleramos nossos lançamentos de produtos, ampliamos nossa linha pesada, atualizamos todos os nossos catálogos, informações e treinamentos técnicos, pois assim que passar esse período, nossa meta é visitar nossos clientes e aplicadores restabelecendo nosso relacionamento presencial, ponto forte da Wega junto a toda a cadeia”, define Cesar Costa.
 
Mais proximidade
 
Rubens Campos conta que pela forma de trabalho ter mudado, eles estão buscando diversificar os canais para chegar até os seus clientes e colaboradores. “Recentemente, a Schaeffler lançou uma campanha chamada Super Dicas para Super Mecânicos, com vídeos feitos pelos nossos técnicos dando orientações e tirando dúvidas sobre produtos. Fizemos algumas lives também, para não deixar o mecânico e o reparador sem informação. Internamente, lançamos um aplicativo para que os colaboradores recebam notícias da empresa com mais agilidade. É a tecnologia ajudando. O que antes estava em murais hoje está ao alcance das mãos das pessoas”.
 
O uso da tecnologia que também se faz presente na Delphi Technologies. “A Delphi Technologies compreende que o momento é de união e que para superar esse período precisamos trabalhar juntos. Com isso, com o apoio das ferramentas tecnológicas, estamos muito próximos dos nossos clientes para alinhar e ajustar os objetivos, mantendo a empresa saudável. Permanecemos otimistas e seguimos trabalhando para que assim que o mercado demandar uma retomada, a Delphi esteja pronta”, afirma Amaury Oliveira.
 
João Lopes, diretor da ZF Aftermarket América do Sul – Foto: Divulgação
 
Na Nidec, foco também em ferramentas digitais. “Estamos trabalhando para melhorar as ferramentas digitais e procedimentos, visto que a utilização do home office será cada vez mais frequente. Deveremos melhorar ou atualizar os meios digitais para facilitar cada vez mais o contato com clientes e fornecedores, e incentivar cada vez mais o trabalho em grupo, mas não necessariamente presencial. Definitivamente, a indústria 4.0 estará mais presente, a fim de garantir o melhor controle e melhor informação a respeito do meio fabril”, prevê Daniel Rio.
 
Conforme as palavras de Edison Vieira, esse é um momento de muito aprendizado e adaptações. “Estamos utilizando muito a tecnologia para nos mantermos próximos de nossos clientes no AM. Certamente, com o uso mais frequente da tecnologia em nosso trabalho, estaremos prontos para continuar atendendo ao mercado no momento em que iniciar a retomada”.
 
O mesmo se dá na CVN AutoParts. “Estamos nos preparando, nos atualizando e investindo nos meios e mídias digitais/eletrônicas. Estamos adequando nossos estoques, pois acreditamos em um bom crescimento pós-quarentena. Procuraremos também dar continuidade às medidas básicas de higiene na empresa e pessoal em nossos colaboradores”, diz Ricardo Cesar de Abreu.
 
João Lopes informa que na ZF o objetivo é continuar atendendo o cliente com a mais ampla cobertura para o segmento de leves em freios, direção, suspensão, embreagens, bem como para transmissões e eixos no caso de pesados e veículos fora de estrada. “Por isso, neste ano teremos muitos outros lançamentos. Mantivemos intacta nossa estratégia de apresentação de novos produtos e serviços e teremos mais de 700 lançamentos para o mercado em 2020, que contemplam todas as linhas de produtos da gama da ZF Aftermarket”.
 
Nas palavras de Alexandre Zen, a ZM está bem preparada para atravessar esse momento e o pós-pandemia. “Nossa empresa sempre foi muito bem estruturada para atravessar turbulências. A nossa verticalização dos processos produtivos é um dos grandes pontos-chave da nossa empresa, os quais nos permitem uma independência produtiva de fácil adaptação em diferentes cenários. Já houve outras crises, claro que menores, mas de todas elas nós saímos tão fortes quanto estávamos antes”.
 
Daniel Rio, managing director da Nidec – Foto: Divulgação
 
Wagner Vieira conta que a Tecfil está pronta para retomar a capacidade a pleno ritmo, no momento em que a situação de saúde do País permitir, mas mantendo as medidas de segurança até que os riscos de contaminação sejam superados ou se encontre uma cura para o vírus. “Em termos de mercado, apesar da atual paralisação ou queda nas vendas em geral, temos um diferencial que nos assegura forte competitividade, que é a nossa grande base local de produção (98% dos itens são feitos no Brasil), o que nos permite assegurar o fornecimento dos produtos a preços competitivos”, comenta Vieira.
 
Também a Zen está se preparando para uma rápida retomada do mercado de peças de reposição, com uma oferta cada vez maior e diversificada de produtos de qualidade original fabricados em nosso País. “Com a alta do dólar, o produto importado, inclusive o chinês, se tornou mais caro, e isto abre oportunidades para empresas como a Zen, que tem origem nacional e que emprega mão de obra brasileira qualificada. Acreditamos que a nossa relação com o mercado sairá reforçada dessa crise e que o nosso setor de reposição automotiva terá vários ventos a favor no final dessa pandemia”, conclui David Catasiner.
 
Adequações e preparos para a retomada
 
Na Aplic Resolit, “logo no início da quarentena, mantivemos a produção normal, tomando os cuidados necessários para com a saúde de todos. Em abril, antecipamos as férias coletivas por 14 dias para a grande maioria dos funcionários, mantendo apenas plantão comercial e situações pontuais. No retorno das férias, entramos no processo de redução de jornada de trabalho conforme Plano do Governo. Pela característica da nossa atividade, em casos pontuais adotamos o Home Office. Entretanto, na fábrica e administrativo, estamos trabalhando em conformidade com as Orientações dos Órgãos Oficiais”, diz Marcos Aurélio Antinori Peres, diretor.
 
Já na Viemar, “o primeiro movimento feito foi a consolidação de um Comitê de Crise que desenvolveu um plano de gerenciamento para tratar cada uma das partes interessadas, fornecedores, funcionários, sócios, órgãos governamentais, sindicatos, entre outras. Adequamos rapidamente as nossas instalações e operações de acordo com os decretos emitidos, aplicando todos os cuidados e recomendações de saúde e segurança. Implantamos o trabalho remoto com a utilização e adaptação de ferramentas que a Viemar Automotive já dispunha, garantindo que o trabalho em Home Office seja executado com agilidade”, conta a Governança Corporativa, Juliana Toniolo Vieira Salis.
 
Marcos Aurélio Peres, diretor da Aplic Resolit – Foto: Divulgação
 
Logística de distribuição
 
Sobre qual tem sido a logística de distribuição de peças (adaptações) para não haver desabastecimento, o que poderia causar um sério problema no mercado, na Aplic Resolit, “até o momento, não encontramos dificuldade, ou necessidade de alteração significativa na nossa logística para o envio de mercadorias. Trabalhamos com o envio normal para todos os Municípios e Estados que estão ‘abertos’”, fala o diretor da indústria.
 
Na Viemar Automotive, “dentre nossos projetos estratégicos, o amadurecimento do nosso Sistema de Gerenciamento de Transporte (conhecido como TMS – Transportation Management System) era um dos nossos esforços desde de 2019. Para o cenário atual, intensificamos ainda mais nossas parcerias logísticas e o gerenciamento de cada carga embarcada e com a implementação de um serviço de entrega ponto-a-ponto para algumas regiões específicas”, descreve a governança corporativa.
 
Medidas econômicas
 
Com relação às medidas adotadas pelo governo federal para ajudar as empresas, para a Aplic Resolit, “o governo federal tenta ajudar da melhor forma as indústrias, propondo auxílio salarial, postergando impostos, etc. Entretanto, hoje é difícil uma avaliação mais complexa do resultado disso, uma avaliação só poderá ser feita quando do retorno do comércio e fim das restrições impostas por estados e municípios”, diz Peres.
 
Já na Viemar Automotive, “dentre as principais medidas econômicas editadas pelo governo federal, nós destacamos: 1) Benefício emergencial de emprego e renda, que permitiu a flexibilização da jornada de trabalho, evitando demissões; 2) Diferimento dos pagamentos de FGTS e Impostos Federais; 3) Medidas de Crédito através do BNDES, pelo aumento da liquidez para os Bancos Comerciais e redução de custos financeiros para Empresas”, conta Juliana.
 
Juliana Toniolo Vieira Salis, Governança Corporativa da Viemar Automotive – Foto: Divulgação
 
Pós-pandemia
 
A respeito de como estão se preparando para o pós-pandemia, “a Viemar Automotive tem uma característica muito forte de acreditar na capacidade econômica nacional e neste momento não será diferente: seguiremos com nossas convicções e estratégias. Somos uma indústria brasileira e globalmente competitiva, temos foco em soluções completas e de qualidade, atuando desde o projeto, desenvolvimento e fabricação dos nossos produtos”, fala a governança corporativa.
 
“Acreditando que toda a nossa equipe será extremamente necessária quando a retomada do mercado de fato acontecer, tomamos diversas medidas para não precisar demitir nenhum funcionário, essa tem sido nossa maior preocupação. Entretanto, para com outros preparos e planos, precisamos ainda esperar, temos que aguardar uma previsão de término da atual situação, para aí sim nos organizarmos melhor estrategicamente”, descreve o diretor da Aplic Resolit.
 
Relacionamento com o mercado
 
Sobre o que pode mudar no relacionamento com o mercado, na Aplic Resolit, “nosso segmento é muito específico, mas também mudará! Principalmente no início da retomada pós-pandemia. Aglomerações de feiras e eventos terão redução significativa. Teremos um aumento no contato ‘a distância’ do que presencial, entretanto, alguns de nossos clientes e parceiros demandam nossa presença física, e nós sempre estaremos lá para eles”, diz Peres.
 
Já na Viemar Automotive, relacionamento segue sendo o grande motor dos negócios. “Acreditamos que levaremos aprendizados importantes desta pandemia, a tecnologia está nos suportando e propiciando fazer mais com menos, e certamente isso irá gerar novas oportunidades. Estar junto não dependerá somente da forma física, mas colaborar com suporte estratégico em dados e elementos para avaliações e construção de previsões e novos cenários”, finaliza Juliana.
 
O que mudará no relacionamento
 
Carlos Abdalla, gerente de Marketing e Comunicação da Bosch América Latina – Foto: Divulgação
 
Edison Vieira, DRiV: “Independentemente de todas as ferramentas e tecnologias, o contato presencial é fundamental e determinante em muitas ocasiões. No entanto, acredito que teremos uma nova realidade, alternando formatos virtuais, com mais treinamentos online e lives, por exemplo, e, claro, encontros presenciais quando for necessário compartilhar as informações mais estratégicas para os nossos clientes”.
 
Amaury Oliveira, Delphi Technologies: “A Delphi Technologies está implementando outras possibilidades de encontros, de soluções digitais, encontrando meios de nos manter próximos mesmo que distantes. É claro que o virtual não vai substituir o contato presencial, mas, com certeza, descobrimos novas possibilidades que pretendemos manter, principalmente nas maneiras de levar informação para os nossos clientes”.
 
David Catasiner, Zen: “O contato direto e presencial entre os players do mercado vai ser retomado, mas a pandemia nos fez enxergar que, muitas vezes, é possível ter reuniões produtivas usando meios de comunicação virtual. Bem antes da pandemia, a Zen já tinha entendido que a digitalização das vendas e do relacionamento com o mercado era uma tendência clara e irreversível, e já vínhamos nos relacionando de forma digital através de nossas redes sociais. A pandemia está provocando uma aceleração da digitalização dos negócios e isto não será revertido após o término dessa crise”.
 
Alexandre Zen, ZM: “Percebemos que por força do distanciamento social, criamos novas rotinas de comunicação que poderão ser em parte mantidas para o futuro. As reuniões virtuais, por exemplo, economizam tempo e recursos, podendo ser uma nova forma de contato com os nossos parceiros. Claro que o contato pessoal ainda é indispensável, pois nada substituirá o calor humano e o “olho no olho”, sendo assim feiras e eventos ainda continuarão por muito tempo, sendo importantíssimos, principalmente para os novos negócios e produtos que as empresas pretendem disponibilizar ao mercado”.
 
Cesar Costa, Wega: “Estamos passando por um processo novo, de aprendizagem, mas nada vai tirar o contato físico, a visita presencial aos clientes, aos reparadores, aos varejos, mas acredito que o número de reuniões e trabalhos por vídeo vai permanecer, pois assim ganhamos velocidade e encurtamos distâncias. Queremos que tudo isso passe o quanto antes e que todos possam voltar às suas vidas em família, amigos e trabalho”.
 
Alexandre Zen, CEO da ZM – Foto: Divulgação
 
Sergio Montagnoli, Nakata: “Acreditamos que, além de novas formas de usar e mais soluções de tecnologia que serão ainda incorporadas ao nosso dia a dia, agora de forma muita mais rápida e intensa, também mudanças de hábito e maneiras de fazer acontecerão, garantindo maior consciência de interdependência e colaboração. Assim, poderemos sair mais rápido e de forma consistente desta crise. Afinal, somos mantenedores da cadeia de transporte, importantíssima para o atual momento e para a retomada de toda a atividade econômica no País”.
 
Wagner Vieira, Tecfil: “A mudança na rotina das empresas imposta pela COVID-19 certamente vai promover transformações na forma como as pessoas fazem negócios e se relacionam. O uso da tecnologia para promover essas interações será mais intenso, bem como os treinamentos online, mas, no momento em que a pandemia estiver superada, os encontros presenciais deverão ser retomados, bem como os eventos e convenções de vendas com as medidas de segurança devidamente implementadas”.
 
Carlos Abdalla, Bosch América Latina: “Apesar de todos os desafios que estamos vivenciando, é importante destacar também que enxergamos que esse momento é um grande divisor de águas no que se refere à aceleração da transformação digital da indústria e de toda a cadeia automotiva. O que aconteceria daqui há alguns anos, começa a se tornar realidade: os varejos mais tradicionais – com atendimento exclusivo nos balcões – terão que se adaptar a essa nova realidade, as oficinas mecânicas deverão trilhar um caminho com foco no atendimento/ agendamento online, além de passarem a comprar mais através dos e-commerces dos distribuidores, por exemplo”.
 
Marcelo Sanches, Dayco: “Agregaremos soluções. Nós prezamos e gostamos do contato pessoal, não vemos a hora de poder reencontrar os nossos clientes, sejam nas visitas diárias, nos grandes eventos, ou no ciclo de palestras que havíamos programado por todo o Brasil. O “lado bom” dessa pandemia é que quebramos barreiras e preconceitos. Começamos a utilizar recursos que pouco dávamos atenção e percebemos ainda mais o quanto a tecnologia está aí para nos ajudar. Com certeza, o mundo será outro quando tudo isso passar e eu acredito que será muito melhor, pois estaremos mais conectados e, ao mesmo tempo, valorizando muito mais os laços familiares e de amizade”.
 
Wagner Vieira, diretor Comercial da Tecfil – Foto: Divulgação
 
Daniel Rio, Nidec: “Após este período de quarentena, nós teremos cada vez mais a utilização de atendimentos virtuais, reuniões virtuais e a utilização de vídeos aula. Com relação aos eventos e convenções, penso que num primeiro momento serão cancelados ou postergados, mas isso será momentâneo, retornando a ocorrer em 8, 12 meses após o final da quarentena”.
 
Ricardo Cesar de Abreu, CVN AutoParts: “Acredito que por um período de curto e médio prazos evitaremos eventos e aglomerações. O relacionamento pessoal com os clientes, creio que tem que existir, “o olho no olho” jamais será substituído por qualquer meio digital, virtual ou eletrônico. Claro que seremos menos assíduos em um primeiro momento por cautela e medo, e descobrimos que podemos fazer muito remotamente. Mas nada irá substituir o relacionamento pessoal, que hoje é o que todos nós mais estamos sentindo com a quarentena da Covid19: o distanciamento social”.
 
João Lopes, ZF Aftermarket América do Sul: “Durante esse difícil período, pudemos também perceber que muitas atividades são possíveis de ser realizadas virtualmente sem prejuízo de qualidade alguma. Nesse aspecto é positivo, tanto para nós como para nossos clientes, perceber que se pode dar uma atenção eficiente para certas funções mesmo estando em home office. Isso talvez leve a uma revisão conjunta da forma de interação com os próprios clientes utilizando mais reuniões por meio digital. Porém, não podemos abrir mão da realização de eventos e contatos presenciais. Eles são fundamentais nas ações de qualquer empresa. Para a ZF, é imprescindível sempre ouvir os clientes e estar ao lado deles”.
 
Rubens Campos, Schaeffler América do Sul: “O comportamento e a maneira de se relacionar sem dúvida vão se transformar, mas acredito que somos flexíveis e podemos sim nos adaptar. É preciso conseguir enxergar oportunidades em situações como essa. Na Schaeffler, acreditamos que manter a comunicação entre as empresas é fundamental. As visitas que fazíamos com frequência aos clientes estão acontecendo pelo computador. Apesar de não estarmos fisicamente perto, estamos juntos. Acho que nossa cadeia de distribuição tem bastante experiência e vai conseguir passar por essa adversidade”.
 
Sergio Montagnoli, diretor de Vendas e Marketing da Nakata – Foto: Divulgação
 
 
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