Veja: Anfavea e Sindipeças estão otimistas com o mercado automotivo de 2022

Montadoras e autopeças projetam futuro positivo considerando estabilidade no fornecimento de chips

Do Automotive Business

As fabricantes de veículos e seus fornecedores enxergam um horizonte melhor no ano que vem, considerando um cenário de estabilização do ciclo logístico no setor automotivo e, principalmente, de equilíbrio no abastecimento de semicondutores no mercado global. O ponto de vista foi apresentado durante o ABPlan 2021, realizado por Automotive Business na terça-feira, 3, em ambiente online.

“Vemos um segundo semestre com mais otimismo, ainda que os problemas de produção provocados pelos semicondutores sigam presentes de alguma forma”, disse Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. “Passamos pela fase mais difícil e o ano que vem deverá ser melhor em termos de produção com a normalização do cenário.”

Pelo lado das fabricantes de autopeças, Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, disse que o setor vem de um 2020 desafiador em termos produtivos e de oscilação da demanda. Este ano e em 2022, por outro lado, a expectativa é de retomada para níveis próximos àqueles registrados pelo setor em 2019, no período pré-pandêmico.

“O segundo trimestre de 2020 foi muito desafiador, quando o setor acordava e não tinha demanda e nem condições de produzir. Por outro lado, a reação foi surpreendente em termos de demanda e capacidade de enfrentar a pandemia. Resolvendo a questão dos semicondutores podemos voltar ao nível de produção de 2019”, disse o presidente do Sindipeças.

Revisões dos resultados de 2021

A falta de chips levou a Anfavea a reajustar suas projeções acerca da produção para este ano. Em janeiro, a entidade tinha expectativa de que os emplacamentos de carros iriam crescer cerca de 15% sobre 2020, chegado a algo próximo de 1,8 milhão de unidades no fim de 2021. Agora a associação projeta alta de 7%, totalizando 1,73 milhão de unidades.

A crise dos chips, que paralisa parte das linhas produtivas instaladas no País, derrubou o nível de produção em junho em 13,4%, na comparação com o nível de produção registrado em maio.

No caso das fabricantes de autopeças, a expectativa é a de que o faturamento este ano seja 21% maior do que aquele registrado no ano passado. Caso se confirme a projeção, o setor terá faturado até dezembro US$ 25,8 bilhões.

Incertezas na capacidade produtiva

Quando o assunto é capacidade ocupada nas fábricas, tanto as montadoras quanto o setor de autopeças compartilham o ponto de vista da incerteza. Ambos os lados concordam que a retomada de maiores níveis de produção será viabilizada no ano que vem uma vez estabilizado o fornecimento de componentes.

“O nível de capacidade dos fornecedores está entre 70% e 80% sustentado pela reposição e pelas exportações. A falta de componente na cadeia queima a capacidade que temos para atender às OEMs”, contou Dan Ioschpe.

“Só vamos ter um cenário claro em termos de produtividade quando se estabilizar o fluxo logístico na cadeia”, disse Luiz Carlos Moraes, da Anfavea.

Compartilhe