BA 177 | Comportamento: Uma viagem no tempo, “da carroça ao carro elétrico”

O condutor dessa viagem no tempo deu uma forte acelerada e chegou ao ano de 2035. Lá, percebeu e ficou surpreso sobre o quanto o mercado automotivo evoluiu no Brasil, principalmente em relação à frota de veículos elétricos.

A data é 17 de julho de 1935: um final de semana de muita alegria para a família do Sr. Adherbal, afinal, chegou o tão esperado dia de viajarem para o sítio da família situado à 250km da capital.

Há aproximadamente 15 anos que não se reúne toda a família para um passeio ao sítio.

Ao acordar após longo período em coma, Sr. Adherbal ainda carregava na memória as viagens que realizava com os familiares em sua VAN movida à combustão, e levou um “choque” ao descobrir que estava viajando em um “veículo elétrico” do seu neto.

Amante do automobilismo, ele participava de corridas amistosas em vésperas de provas oficiais. Em uma dessas corridas sofreu um acidente relativamente grave, em que o veículo à combustão acabou explodindo e lhe causou algumas sequelas.

Pouco tempo após, seu neto dá partida no veículo, Sr. Adherbal sugeriu que ele parasse no próximo posto para abastecer o veículo. Foi nesse momento que ele percebeu que estavam viajando em um veículo elétrico e que a parada no posto, na verdade, seria para recarregar a bateria do carro.

Essa informação lhe causou uma série de dúvidas e seus questionamentos foram assunto durante, praticamente, toda a viagem:

Sorrindo, Sr. Adherbal relembrou uma história de sua juventude, quando brigou feio com um colega da Faculdade de Administração, que brincou chamando de “Maria Gasolina” uma garota que ele andava cortejando, e comentou: “nos dias atuais, praticamente, com a inexistência de veículos movidos à combustão, essa briga não teria sentido”.

Sua primeira pergunta ao neto foi em relação ao marca-passo que usa para monitorar o ritmo cardíaco e estimular o coração.

1. Há algum tipo de restrição para pessoas que usam marca-passo serem conduzidas ou conduzirem veículos elétricos? Antes mesmo de ouvir alguma resposta, já emendou outras tantas perguntas:

2. Sendo o carro elétrico, o que acontece se o mesmo for atingido por um raio?

3. O carro elétrico pode ser lavado em lava-jato sem qualquer tipo de restrição?

4. O carro elétrico pode ser recarregado enquanto estiver chovendo?

5. A velocidade que você imprime em um veículo elétrico afeta sua autonomia durante uma jornada?

6. Assim como as baterias de telefones celulares, a bateria de um veículo elétrico pode ficar viciada?

7. Você pode fazer uma ‘chupeta’ em um carro elétrico?

A introdução do artigo conta uma história fictícia do personagem – Sr. Adherbal – projetada no ano de 2035. As dúvidas por ele questionadas, a seguir esclarecidas, embora pareçam simples, são dúvidas comuns a muitas pessoas, a saber:

Em um estudo publicado no site https://portaldocoracao.com.br, quatro tipos de carros elétricos mais comuns no mercado da Europa foram estudados por pesquisadores e concluíram que mesmo na maior intensidade do campo magnético não houve evidência de interferência nos dispositivos eletrônicos dos pacientes, contudo, não é possível estabelecer uma conclusão definitiva quanto à segurança dos carros elétricos para pacientes portadores de dispositivos eletrônicos, por conta do pequeno tamanho do estudo realizado.

Em caso de evento improvável de um carro elétrico ser atingido por um raio, existem proteções que impedem a ocorrência de danos ao carro ou à bateria, entretanto, caso o veículo esteja sendo carregado no momento em que for atingido, é possível que aconteça algum dano tanto ao carregador quanto aos circuitos internos.

Quanto à preocupação em relação à segurança em lavar o carro elétrico em lava-jato, a resposta é sim, é seguro, visto que os fabricantes realizam testes de encharcamento, replicando as condições de chuva com alagamento, a fim de garantir que o carro esteja totalmente vedado.

É possível sim carregar um carro elétrico enquanto estiver chovendo, tomando os mesmos cuidados como acontece com outros equipamentos elétricos, tais como: evitar que a chuva caia diretamente sobre o conector ou a porta de recarga.

“Em relação à autonomia de um carro elétrico, é certo que acelerar muito se comparada a alcançar a velocidade desejada aos poucos, gasta mais energia do que dirigir mais regularmente. Pisar fundo em toda arrancada implica em uma diminuição de 20% na autonomia durante a jornada”.

Uma outra dúvida bastante comum é se a bateria de um veículo elétrico pode ficar viciada, assim como acontece com as baterias de telefones celulares. No caso dos veículos elétricos, essa deterioração acontece de forma muito mais lenta. É provável que, mesmo após rodar 100 mil milhas ou mais, pelo menos 75% da performance original da bateria ainda estará disponível.

Não é possível fazer um carro elétrico funcionar com uma chupeta, ele deve ser recarregado. É importante sempre verificar o manual antes de tentar conectar cabos em um veículo elétrico. Muitos fabricantes recomendam que não faça ‘chupeta’ em um carro usando como fonte um veículo híbrido ou elétrico.

A humanidade vive em constante evolução tecnológica e nesse contexto podemos citar a descoberta do fogo e da roda, a descoberta da eletricidade, a invenção do carro, a primeira viagem do homem à lua, a invenção do telefone, o mercado de fotografias, as gerações que se comunicavam por meio de cartas e hoje se utilizam das redes sociais, tais como Facebook, Twitter, Instagram, dentre outras que já se tornaram comuns, principalmente na vida dos jovens, a descoberta do petróleo, enfim, poderíamos citar tantas outras evoluções tecnológicas que aconteceram e/ou estão acontecendo e que, por consequência, facilitam a vida das pessoas e possibilitam o processo constante de evolução da humanidade.

Impulsionado pelo elevado preço dos combustíveis, menor custo de manutenção e por não serem poluentes, o mercado de automóveis elétricos no Brasil tende a crescer bastante, até mesmo porque o mercado do petróleo começará a declinar a partir de 2030.

Segundo o Ministério da Economia, dados colhidos através do Registro Nacional de Veículos Automotores, existem hoje rodando no Brasil 46.851 unidades de carros eletrificados, sendo que, em 2021, foram emplacados 4.584 veículos elétricos no País, informações essas exclusivas do site Click Petróleo e Gás, através da assessoria de imprensa da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE).

Em 1990, o então presidente Fernando Collor de Mello comparou os carros brasileiros a verdadeiras carroças, e olhe que o surgimento das carroças aconteceu desde que o homem inventou a roda em tempos mais remotos, por volta de 3.500 a.C., quando o homem conseguiu melhorar o trabalho e as formas de transporte.

De 1990 até os dias atuais, o mercado evoluiu das “carroças” para os veículos elétricos e a tendência é que esse mercado continue crescendo. Diferentemente de diversos países da Europa que estão definindo prazos para o fim da comercialização de veículos com motores à combustão, até a ano de 2030. A Dinamarca, inclusive, pretende retirar de circulação todos os veículos à combustão até 2035.

Com a evolução de veículos elétricos, se adequar a essa nova realidade será o grande desafio das oficinas mecânicas, centros automotivos, lojas de autopeças e, principalmente, dos balconistas, afinal, a manutenção automotiva, inevitavelmente, passará por um importante processo de mudança nos próximos anos.

No Brasil, “pelo andar da carruagem”, essa tendência deve demorar um pouco mais em função das alternativas existentes de combustíveis fósseis e, também, do alto custo que ainda é um desafio a ser vencido pelas fabricantes de veículos. De toda maneira, assim como muitas pessoas evoluíram daquele velho carro movido à combustão para um carro automático, podem começar a pensar em evoluir do seu atual carro automático à combustão para um veículo elétrico.

Pense nisso e boa sorte!

* Valtermário Rodrigues (foto) é analista Administrativo Sênior da Distribuidora Automotiva S/A – Filial Salvador; Bacharel em ADM; MBA em Gestão de Empresas; MBA em Liderança Coaching; Co-autor dos livros “Ser Mais Inovador em RH” – “Motivação em Vendas” e “Planejamento Estratégico para a Vida”

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