BA 178 | Lado a lado, varejo e reparação avaliam o primeiro semestre do ano

Os resultados foram melhores para o período, mas a falta de peças e o aumento de preços persistem impactando o setor

No dia 29 de julho, Alexandre Kohara, da Braskape Autopeças, e José Natal da Silva, da Mega Car Centro Técnico Automotivo, participaram da 85ª live do Balcão Automotivo. Com o tema: “Varejo e reparação avaliam o 1º semestre e o mês de julho de 2021”, conduzida por Silvio Rocha, editor-chefe do Balcão Automotivo, eles falaram também sobre a falta de peças, o aumento de preços, o trato com as garantias e o futuro dos veículos. E como bem diz o título, cada um avaliando o seu business.

“O primeiro semestre começou temeroso, não sabíamos como seria o ano e janeiro foi bem difícil. Nós estávamos com muitas restrições e dúvidas sobre a vacinação. Apesar da falta de mercadorias, para nós o primeiro semestre foi melhor, nós tivemos um crescimento bom, não foi algo que suprisse toda a queda anterior, mas estamos superando-a. Com um público maior vacinado e o prefeito (de São Paulo) sinalizando a retirada de algumas restrições isso dá mais confiança, mas não podemos nos esquecer dos cuidados”, disse Kohara.

 

Seguindo a linha dele, Natal também prevê que com mais pessoas vacinadas, a tendência é de um segundo semestre melhor, mais precisamente, melhor ainda no último trimestre deste ano. “Houve um crescimento na oficina no primeiro semestre e com a conclusão da vacinação nesse segundo semestre, a expectativa é de que melhore mais. As pessoas vão fazer a manutenção para viajarem de carro e vão evitar viagens de avião. Acredito que no último trimestre iremos trabalhar bastante e teremos uma faixa de faturamento subindo bem”.

Alexandre Kohara, da Braskape Autopeças – Foto: Divulgação

No movimento da oficina, Natal comentou que houve uma mudança no perfil do cliente. “Percebemos um aumento de procura (por serviços) na oficina, mas por outro lado, a cautela do consumidor está muito grande. O tíquete médio caiu muito em relação ao que era antes, isso também está dificultando a execução de alguns serviços. Aumentou a procura e até de novos clientes, mas principalmente pela manutenção básica”.

Falta peça e o preço aumentou

A partir do segundo semestre de 2020, e mais acentuadamente neste ano, a falta de peças e o disparo dos preços impactaram todos do setor. “Essa falta de mercadoria gerou um retrabalho para nós. Antes, conseguíamos fazer uma cotação e fechar pedidos com facilidade com alguns parceiros que tinham um estoque melhor, hoje temos que fazer um trabalho de repescagem. Se antes fechávamos com dois ou três parceiros, hoje chega até a sete e, mesmo assim, ainda não estamos encontrando algumas peças”, lamentou Kohara.

E quando encontra, a questão é o preço. “Como não temos tanta oferta no mercado, o preço sobe e acabamos por absorvê-lo e repassando-o para o consumidor. Os preços estão subindo muito e não vejo expectativa disso voltar atrás”, queixou-se Kohara.

Cenário similar é na oficina de Natal, cujo aumento de preço inevitavelmente tem que ser repassado para os clientes e muitos não entendem, pois pesquisam pela internet e encontram outros valores nem sempre de peças originais. “Você concorre com a internet até de forma desleal”, destacou, afirmando que “a falta de peças e o aumento de preços impactaram na entrega final ao cliente”. E mais ainda quando o carro fica parado na oficina por falta de peça. “A falta de peça impacta no faturamento da oficina por ficar parado ocupando a vaga de outro veículo”.

Inovação

Em tempos de pandemia, principalmente no início em que as lojas tiveram que fechar as suas portas, Kohara aproveitou para rever o seu sistema de informática. “Eu fiz uma revisão dos produtos para ajudar os nossos vendedores a serem mais assertivos no atendimento à oficina mecânica e ao consumidor final, evitando o envio da peça errada. Isso eu aprendi que é muito válido para podermos atender melhor”.

O segundo ponto foi reduzir custos. “Custo é igual à unha, tem que cortá-lo sempre. Nós tivemos que olhar melhor para os nossos custos, revisá-los, e eu percebei que muitas oficinas (mesmo com a não realização do serviço) ficavam com a mercadoria e a expectativa de que logo venderiam para outro cliente. Hoje, elas nos devolvem e nem tem porquê elas ficarem com ela. A autopeça tem que ser a solução no dia a dia da oficina mecânica, do centro automotivo, se não soubermos de fato atender bem, não estaremos no caminho certo”.

Uma iniciativa que foi aprovada por Natal. “Tem que ser parceiras, você (Kohara) colocou muito bem. Hoje, a oficina não consegue mais segurar a peça esperando o cliente, até porque, como eu disse no início, teve queda do tíquete médio, então não sobra para a oficina gordurinha para deixar a peça parada”.

José Natal da Silva, da Mega Car Centro Técnico Automotivo – Foto: Divulgação

Natal aproveitou para contar que, em termos inovação, a sua oficina, que é uma SKF Car Center, utiliza o sistema dela. “Ela tem um software que ao digitarmos a placa do carro, ele nos informa todos os componentes do veículo e isso facilita para que a peça chegue correta para nós”. Ele também disse: “é muito bacana sabermos que as autopeças estão se movimentando nesse sentido”, elogiando a iniciativa de Kohara para aprimorar a entrega de peças sem erros.

Aliás todos sabem que um dos maiores problemas do mercado e que causa muito estresse no cliente é a garantia de peças. “Nesse momento (da garantia), nós precisamos trabalhar em par e acharmos a solução. O que facilita muito é o 0800 de algumas fábricas que falam diretamente com as oficinas, tira um pouco a gente do caminho, pois se virar um cabo de guerra só para trocar o produto e não atender, não chegaremos a lugar nenhum, e só perderemos o cliente”, afirmou Kohara e, ainda, ele defendeu: “não queremos negar a garantia, temos que trabalhar em conjunto, o cliente não pode ficar na mão”.

Na visão de Natal, as fábricas deveriam estar mais próximas. “As fábricas deveriam ir direto na fonte onde tem o problema, mostrar para o mecânico se for improcedente (a garantia) ou se ela quiser fazer uma cortesia. Mas não deixar de atendê-lo, não dar as costas para o mecânico, pois é ele quem abre a caixinha para usar a peça”.

Híbrido ou elétrico – Outro ponto alto na live conduzida por Silvio Rocha foi sobre o futuro dos veículos. Para Alexandre Kohara, os veículos híbridos até agora são uma incógnita no Brasil. “Ainda haverá uma resistência, pois o consumo de combustível é doutrinado pelo governo e não sei até que ponto ele dará incentivo para essa tecnologia. Apesar de acontecer a venda do carro híbrido, pode ser que a gente tenha um problema: como a bateria será substituída ao longo dos dez anos desse veículo? Existe a solução, mas ela é cara. Pode ser que depois desse prazo tenha o carro trabalhando só com o motor no ciclo Otto”.

Na visão de Natal, hoje, o carro elétrico não irá adiante no País, mas é preciso estar a par das novas tecnologias. “Há relato de carros Tesla que trouxeram para cá e que estão sendo devolvidos para os Estados Unidos, pois qualquer probleminha ninguém consegue encontrar, o nível de tecnologia é muito alto. Temos que estar preparados, mas não precisa partir para nenhum desespero”.

Em mais um ponto em comum, Natal e Kohara disseram que é preciso estar preparado para onde o mercado for, ou melhor, para onde o mercado for o varejo e o mecânico terão que ir também.

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