BA 178 | Autopeça on-line: essencial na pandemia, estratégico para o futuro

O mercado automotivo foi um dos mais impactados pela pandemia. Durante esse período, a questão do abastecimento e estoque de autopeças foi um dos pilares centrais do setor, com as montadoras apontando problemas nas linhas de produção por falta de semicondutores, por exemplo.

Paralelo a isso, o isolamento social congelou as operações do varejo físico – e, tradicionalmente, o setor automotivo funcionava muito apoiado nesse formato presencial. O impacto econômico causado pela quarentena, em um primeiro momento, começou a ser revertido no setor de autopeças no final do ano passado. Segundo o Sindipeças, o faturamento do segmento no primeiro trimestre de 2021 aumentou 45,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A verdade é que as empresas de autopeças precisaram se reinventar rapidamente para aproveitar a oportunidade, chegar nessa recuperação e reverter o cenário para uma performance positiva. E o grande ponto de virada foi a mudança de mentalidade em relação à operação digital.

Nessa transformação do setor para entrar no e-commerce, o varejista de autopeças se apoiou em algumas estratégias importantes. Entre elas, catálogos bem planejados e prontos para atender às necessidades do público-alvo. Materiais bem elaborados, com informações assertivas, bem detalhadas e descritivas, e fotos de qualidade passaram segurança para o cliente comprar virtualmente pela primeira vez em muitos dos casos. Assim como na organização da loja física, o catálogo deve ser pensado de acordo com a variedade de modelos de veículos disponíveis no Brasil, especificando quais carros são atendidos por cada peça, adequando também o anúncio desse estoque a esses modelos.

Outra estratégia importante foi uma gestão de estoque focada na demanda e perfil do cliente. Por incrível que pareça, o público virtual facilita a gestão do estoque, permitindo a avaliação fácil dos itens mais buscados e, com o tempo, o alinhamento dos itens aos interesses dos clientes da base e novos visitantes do dia. Esse controle favorece não só o planejamento de novas compras de peças, mas também a elaboração de campanhas de marketing pontuais. No final do dia, o varejista pode tomar decisões com base em um conjunto rico de dados, reduzindo custos atrelados ao aumento do faturamento.

O terceiro pilar para a virada digital do varejo de autopeças foi um sistema dedicado ao nicho. Os varejistas que optaram pelo amparo de um software de gestão específico para o setor saíram na frente, digitalizando serviços, otimizando a equipe e analisando indicadores em tempo real. Automatizando as tarefas operacionais e burocráticas, há mais tempo para cuidar da expansão, estratégia de venda e atendimento ao cliente.

Herança positiva desse período de desafios, o varejo de autopeças entrou no universo do e-commerce com o pé direito. E a mudança veio para ficar, já que 80% dos consumidores querem continuar comprando on-line de acordo com dados apresentados na NRF deste ano. Para o setor de autopeças, essa intenção de compra digital, somada ao fato de que o Brasil tem uma das frotas mais antigas dos últimos 25 anos, torna o e-commerce e a digitalização do negócio um tema urgente. Se quem acelerou o comércio on-line durante a pandemia saiu na frente, aqueles que não aderirem ao e-commerce daqui para frente estarão pisando no freio do próprio negócio.

* Renato Lass (foto) é diretor de negócios do segmento automotivo da Linx.

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