BA 178 | Em expansão contínua, Rocha Auto Peças completa 29 anos de mercado

Com seis lojas na região de Campinas (SP), Roberto Rocha planeja expandir ainda mais. Em 2022 será vez da nova matriz

Há 29 anos, o empresário Roberto Rocha abriu a sua primeira loja de autopeças em Campinas (SP), dando início a uma bem-sucedida empreitada. Hoje são seis lojas abraçando a região de Campinas, novas filiais estão previstas, há também um centro de distribuição que foi inaugurado em 2012 e no próximo ano será inaugurada a sede própria, um marco para os 30 anos da empresa. E quem conta essa história é ele mesmo.

Balcão Automotivo – Como o senhor começou no setor?

Roberto Rocha (foto) Eu trabalhava na Unicamp, Universidade Estadual de Campinas, e minha irmã namorava um rapaz que tinha uma retífica. Teve uma greve na universidade e eu fui ver como funcionava a retífica. Ele queria abrir uma loja e eu fui trabalhar com ele. Depois, eu saí de lá para abrir a minha loja própria, em agosto de 1992.

BA – Quando se deu o processo de expansão?

RR – Seis meses depois da abertura da primeira loja, eu abri a segunda, em Indaiatuba (SP). Havia um funcionário de uma distribuidora que morava em Indaiatuba e trabalhava em Campinas, e sempre que os clientes de sua cidade pediam peças específicas para motor, ele vinha buscá-las comigo, por serem mais baratas do que ele conseguia vender pela distribuidora. Ele sugeriu que eu abrisse uma loja lá e foi trabalhar comigo. E começamos a crescer. Depois demorou um pouco mais para abrir a terceira loja, que foi inaugurada em 2005, em Campinas, na saída para Valinhos.

BA – Como está estruturada a Rocha Auto Peças?

RR – Hoje são seis lojas, um centro de distribuição, 170 funcionários e cerca de 38 motoqueiros terceirizados. O que falta no mercado é gente especializada para trabalhar.

BA – O mercado fala muito sobre a falta de mão de obra. Faz tempo que isso é uma realidade?

RR – Já faz mais de dez anos que temos enfrentado a falta de mão de obra, pois está difícil formar novos gestores. Se a pessoa não tiver esse perfil, não adianta. Teve uma pessoa que me disse que não consegue ser gestor de empresa e de pessoas ao mesmo tempo. Essa é a realidade.

BA – Quais são as metas futuras?

RR – Estamos treinando funcionários e o foco é abrir pelo menos mais três lojas nos próximos três anos, sendo duas no eixo da rodovia Anhanguera para crescermos mais, pois já atendemos essa região com entregas.

BA – No próximo ano será a inauguração da nova matriz?

RR – Sim, já era para ela ter sido inaugurada, mas o atraso nas obras fez com que adiássemos para o próximo ano. A ideia seria inaugurar para comemorar os 30 anos da empresa (em agosto de 2022), mas o prédio antigo foi vendido para uma construtora e eles querem que a gente saia logo. Nós vamos mudar de um prédio antigo e alugado, para um prédio novo que terá 2.200 metros quadrados, devido ao escritório administrativo sair do centro de distribuição e ir para este prédio novo. Nós vamos dobrar a área administrativa para comportar todos os colaboradores que se encontram em outros prédios. A nova matriz está sendo construída próxima ao nosso centro de distribuição e será um prédio diferenciado na parte de autopeças em Campinas.

BA – Hoje, qual é a movimentação mensal da Rocha Auto Peças?

RR – Nós temos como movimentação mensal em torno de 15.000 itens e temos em estoque da ordem de 30.000, nem todos vendem mensalmente. E o nosso centro de distribuição (inaugurado em 2012) tem 1.200 metros quadrados.

BA – Em sua opinião o que mais mudou no varejo de autopeças nos últimos anos?

RR – Perceptivelmente, aumentou o número de clientes no balcão. Antigamente, as pessoas deixavam o carro no mecânico e iam buscá-lo pronto. Hoje, o número de pessoas que faz o orçamento no mecânico e vai comprar peças cresceu bastante. Antes era em torno de 40% e, atualmente, cerca de 60% vêm no balcão comprar peças.

BA – E as vendas pela internet?

RR – Elas existem, porém da parte mecânica, eu considero a pior parte da venda. Até nós, na hora de comprarmos, às vezes, ficamos em dúvida se é a peça certa, se não estiver bem especificada no catálogo. Acho que pela internet é mais para quem fará a manutenção preventiva. No entanto, hoje o brasileiro faz praticamente a manutenção corretiva, só conserta se quebrar e estica o máximo a vida útil da peça. No nosso segmento, as vendas pela internet são mais da linha de acessórios e acabamento, até porque em caso de devolução, o frete de retorno é caro e muitas vezes o lucro é perdido nele.

BA – Acha que o atendimento dia digital, via WhatsApp, veio para ficar?

RR – Sem dúvida, diferentemente das vendas online, nós fazemos a venda pelo WhatsApp e conseguimos interagir com a pessoa e achar o mais próximo possível o que ela quer, sem ter retorno. A venda fica o mais certo possível.

BA – Para finalizar, qual é o futuro do setor de autopeças. Muitos falam que desaparecerá um dos elos da cadeia. Acredita nisso?

RR – Eu não sei se desaparecerá algum elo da cadeia, talvez diminua um pouco a cadeia, pois não tem mercado para todo mundo. Por mais que a frota continue crescendo, o carro está mais durável. Antes, um motor era feito com 70 mil ou 80 mil km, hoje, o motor já vira 400 mil km e dura mais ainda conforme a manutenção é feita. A manutenção brasileira é sempre mínima, na Europa e nos Estados Unidos, eles fazem revisão por quilometragem, aqui no Brasil, a manutenção é feita por quebra.

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