BA 179 | Danilo Fraga: Afinal, quão resiliente é o mercado de reposição?

Dados, fatos e experiências traduzem em números a força do segmento de reposição

O mercado de reposição de autopeças é resiliente. Essa é uma frase muito utilizada pelos profissionais do segmento em contextos de crises, mudanças de legislações e em momentos de turbulências estruturais que, infelizmente, são um tanto quanto comuns no mercado brasileiro.

Entretanto, os anos de 2020/2021 trouxeram consigo um novo significado para essa frase, pois testaram de diversas maneiras o sentido da palavra resiliência. Seja na forma com que as empresas se organizam internamente, quanto no desenvolvimento de negócios.

Fazendo uma breve reflexão, parece inimaginável que estaríamos em setembro de 2021 com grande parte de nossos colaboradores vacinados, negócios caminhando de forma sustentável e com grande redução nas infecções pela doença.

Afinal, os meses de março a julho de 2020 foram de extrema apreensão aos colegas do setor. Parecia iminente uma crise de crédito e abastecimento, já que por um lado diversas empresas ligaram seu “modo de sobrevivência” prorrogando ou negociando os vencimentos de seus títulos.

Por outro lado, as grandes indústrias do mercado tiveram sua capacidade produtiva severamente afetada pela paralisação da produção nas montadoras de veículos e pelo lockdown decretado em alguns estados, que interromperam parcialmente as operações das oficinas e lojas de autopeças.

Contrariando a expectativa generalizada, o mercado de reposição reagiu no que tange à demanda (como se previu à época) e conseguiu manter sua liquidez com a valorização dos estoques existentes em um cenário de baixo índice de abastecimento pelo lado da indústria.

O índice de utilização veicular Fraga nada mais é do que o consumo médio de combustível por veículo existente no Brasil. Seus cálculos contam com as variáveis de vendas de novos veículos mensais no Brasil, frota brasileira de veículos em circulação mensal, mortalidade de veículos em nível mensal e o consumo dos combustíveis Gasolina do tipo C e Etanol, sendo que para o Etanol os valores são ajustados por sua eficiência energética, ou seja, o rendimento de um combustível em relação à performance do outro.

Aliado a isso, a capacidade de adaptação das empresas provou que: soluções criativas e inovadoras, somadas à experiência dos profissionais do setor são vacinas capazes de atenuar os impactos de qualquer crise.

Pelo lado da oficina mecânica, estima-se que os serviços de “leva e traz” passaram a ser oferecidos por mais de 70% das empresas, já os agentes comerciais e industriais, diversas inciativas nas áreas logísticas, expansão dos serviços de entrega e a aceleração de projetos digitais (principalmente os projetos com foco no B2B), minimizaram os impactos da crise em sua “pior onda”, ocorrida entre a segunda quinzena de março e primeira quinzena de abril.

Estes certamente integrarão os principais legados dessa pandemia.

Atualmente o que se observa é uma constante e concreta manutenção das taxas de utilização dos veículos, que deverá se manter 3,01% a menos do que nos períodos que antecedem à pandemia.

Por outro dado, a frota brasileira em circulação manterá seu crescimento de forma estável.

Entre os anos de 2018 e 2020, o total de veículos em circulação teve um crescimento positivo de 3% no período. Quando analisamos a evolução da frota fora do período de garantia das concessionárias (acima de 3 anos de uso) o desempenho é ligeiramente inferior, mas ainda positivo. No mesmo período esta faixa de veículos, a qual denominamos “Frota Reparável”, cresceu 2,91%. A previsão para 2021 é de um novo crescimento de 1,01% em relação a 2020.

2018/2025 – Evolução real e prevista da Frota Brasileira em Circulação e da Frota Reparável

Quanto ao perfil etário dos veículos brasileiros em circulação, 37,81% deles possuem entre 4 e 10 anos de idade (faixa etária mais populosa entre os veículos do País). 28,50% dos veículos da frota possuem de 11 a 20 anos e outros 13,57% já possuem mais de 20 anos de idade.

Conforme poderemos analisar no gráfico abaixo, até 2025 o perfil etário dos veículos brasileiros irá envelhecer. 36,60% dos automóveis estarão com 11 a 20 anos, enquanto 21,24% dos veículos terão entre 0 a 3 anos.

2018/2025 – Evolução real e prevista da participação % das faixas de idade na Frota Brasileira Linha Leve

Essa dinâmica elevará a idade média dos veículos em circulação no País. Atualmente a média de idade dos carros é de 10,84 anos de uso. Até 2025 a idade média será de 11,52 anos.

Esse processo de envelhecimento irá no primeiro momento aquecer o mercado de reposição de autopeças, até que a queda no volume total a ser reparado supere os ganhos com a maior incidência de falhas nos produtos em decorrência da idade e condições gerais do veículo (que se deterioram com o uso). Veja abaixo:

Esses indicadores nos dão a segurança de que os serviços no mercado de reposição independente permanecerão acima da média nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2021.

Seguiremos com o compromisso de acompanhar e informar o nosso segmento a respeito dos impactos da pandemia, além de oferecer informações precisas para o desenvolvimento de estratégias de marketing, produtos e soluções comerciais para o mercado de reposição.

Afinal, quando se trata de soluções práticas, precisas e confiáveis, sejam elas técnicas ou de inteligência, a Fraga Inteligência Automotiva é seu parceiro estratégico por mais de 30 anos.

Sobre a Fraga Inteligência Automotiva

Especializada no fornecimento de dados estratégicos para o mercado de reposição brasileiro, a Fraga Inteligência Automotiva conta com mais de 130 clientes no território brasileiro, usufruindo de diversos serviços que envolvem a coleta, análise e o planejamento do mercado de reposição de autopeças, acessórios, pneus e demais produtos aplicados em veículos automotores. Fundada em 1990, a empresa tem como propósito trazer soluções práticas e confiáveis para profissionais que atuam nas áreas de Marketing e Vendas de diversos segmentos do setor automotivo, tais como: indústria (fabricantes), prestadores de serviços (seguradoras) e varejo (distribuidores). Mais informações em: fraga.com.br

Danilo Fraga (foto) é Diretor de Inteligência de Mercado da Fraga Inteligência Automotiva.

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