BA 179 | Inadimplência mantém queda em 2021, e o mercado é quem agradece

Mas ela ainda afeta milhares de brasileiros, prejudica o consumo e, principalmente, as empresas que ficam sem receber

Com base no Mapa da Inadimplência, publicado mensalmente pela Serasa Experian, em julho, o número de inadimplentes no Brasil totalizava 62,2 milhões de brasileiros. Apesar de ainda estar bem alta, a inadimplência está diminuindo, conforme expõe o gerente da Serasa Experian, Thiago Ramos (foto). “Ela teve um pico no começo da pandemia. Em março e abril de 2020, chegou a 65,9 milhões, já em dezembro apresentou o menor índice desde janeiro de 2019, totalizando 61,3 milhões. No início deste ano esse número cresceu novamente, mas com quedas consecutivas desde abril”.

Entre os motivos que têm colaborado para essa redução, Ramos atribui à flexibilização de pagamentos por parte de algumas empresas, a menor concessão de crédito pelas instituições financeiras no País, a medida provisória que permitiu às empresas não negativarem os consumidores durante a pandemia e o retorno das atividades econômicas no País. “Esse último é um fator importante que contribui para a queda da inadimplência”, destaca.

Na divisão por segmento, banco e cartão de crédito representaram 29% das dívidas, seguidos por utilities (contas de consumo), com 23,59% de participação e varejo, 13,09%. Percentuais praticamente similares ao mês anterior, em junho: 28,6%, 23,6% e 13,10%, respectivamente. O valor total das dívidas dos inadimplentes no mês de julho foi de R$ 244,8 bilhões, sendo a média de R$ 3.935,51 por pessoa e R$ 1.170,00 por dívida.

“Em julho foram realizados 2,5 milhões de acordos, um aumento de 17% em relação ao mês anterior”, comenta Ramos. Ele também destacou a campanha Serasa Limpa Nome, que terminou no dia 5 de setembro. “Foram concedidos mais de R$ 3,8 bilhões em descontos, em cerca de 14 milhões de acordos em parceria com 24 empresas, o que permitiu a milhares de pessoas negociarem suas dívidas por até R$ 100,00”.

Impactos

A inadimplência não é boa para ninguém. Ela diminuiu o acesso ao crédito por parte de quem tem um endividamento. “Por mais que haja empresas que ofereçam crédito para inadimplentes, as condições são diferenciadas”, alerta. E afeta o consumo no País, por ter muito a ver com o cenário de endividamento.

“O brasileiro tem um histórico de não ter a vida financeira muito organizada. O que recomendamos para quem tem dívidas é priorizar o pagamento delas, principalmente das que têm taxas mais altas, e ficar de olho em alguma oportunidade que as empresas venham a oferecer. Acreditamos que a pessoa organizando a sua vida ela volta a ter um consumo saudável, sem cair em dívida”.

A recomendação para se organizar é fazer uma reserva da renda. “A recomendação que fazemos é deixar reservado até 1/3 de sua renda, da soma de todas as receitas que ele tiver, para pagamentos de contas e de parcelas, pois sempre surgem algumas surpresas no meio do caminho, importante ter uma forma de pagar isso, sem precisar contrair uma dívida”. Inclusive no portal da Serasa Experian há várias dicas para uma vida financeira Saudável, no Serasa Ensina.

Capital Paulista

Especificamente na capital paulista, a inadimplência recuou de 19,1%, em julho, para 18,8%, em agosto. Por outro lado, inflação e desemprego altos impactaram em um novo recorde de endividamento. Tudo isso está na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), feita pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Para se ter uma ideia, em agosto, a taxa de famílias endividadas passou de 66,1% para 67,2%. São 2,68 milhões com algum tipo de dívida, 46 mil pessoas a mais que no mês de junho e 446 mil quando comparado a agosto de 2020. Naquele época a taxa de inadimplência na capital foi de 56,4%.

A pesquisa também revelou que 309 mil famílias não conseguirão pagar as dívidas em atraso. Além disso, de maneira geral, para continuarem a consumir, a fonte principal é o cartão de crédito, responsável por 80,7% dos endividados, seguido pelos carnês (18,6%), com o maior porcentual desde agosto de 2015. E as famílias com renda mais elevada também estão ficando mais endividadas.

A PEIC, da FecomercioSP, também integra o Índice de Consumo das Famílias (ICF). Em agosto, ele teve alta de 2,1%, mas com um índice de satisfação de 69 pontos ante os 67,5 de julho. Desde abril, o ICF se mantém no patamar dos 60 pontos e todos os sete itens analisados pelo ICF estão abaixo dos 100. São eles: Emprego Atual; Perspectiva Profissional; Renda Atual; Acesso ao Crédito; Nível de Consumo; Perspectiva de Consumo e Momento para Duráveis.

O índice vai de zero a 200 pontos, no qual abaixo de cem pontos é considerado insatisfatório, e acima de cem pontos, satisfatório. O que influenciou a alta no mês, entretanto, foram os itens relacionados ao Futuro, à Perspectiva de Consumo (8% e 73,2 pontos) e Perspectiva Profissional (4,5% e 80,9 pontos). Para a Federação, de forma geral, a situação econômica das famílias ainda requer cuidados. O endividamento elevado sem uma retomada consistente na geração de emprego deve ser um limitador para o aumento nas vendas no comércio.

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