BA 185 | Valtermário Rodrigues: a força da mulher no mercado de trabalho

Perguntou um garoto ao avô: “…como era viver em uma época em que a presença das mulheres no mercado de trabalho era praticamente inexistente?”

Atentamente, ele ouviu do avô um relato amplo sobre a atuação da mulher no mercado de trabalho: “o ambiente de trabalho não era tão leve, alegre e bonito quanto é hoje com a presença da mulher atuando nos diversos ramos de negócios… ”

Para se ter uma ideia, somente após a Constituição de 1988 foi consagrada a igualdade entre homens e mulheres. Antes disso, em um passado não muito distante, a desigualdade era tão evidente a ponto de somente em 1932 as mulheres conquistarem o direito a voto nas eleições. A participação das mulheres casadas no mercado de trabalho, até meados da década de 60, dependia de autorização legal do marido.

De acordo com a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, sendo que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”. A Carta Magna também assegura a proteção à família “na pessoa de cada um dos que a integram” (arts. 5º, caput e I, c/c 226, §§ 5º e 8º, da CF).

A cada dia, as mulheres lutam para terem mais espaço e merecido reconhecimento. Em contrapartida, a presença da mulher no mercado de trabalho é muito importante e traz benefícios às empresas, como por exemplo:

– Empresas com pensamentos mais diversos;

– Criatividade para cumprir as demandas;

– Inovação para solucionar as tarefas, dentre outras.

Ainda assim, as mulheres estão presentes nos mais diversos mercados de trabalho, quais sejam: motorista de ônibus ou de veículos por aplicativos; táxis; na construção civil; supermercados; farmácias; bancos; academias; postos de gasolina; restaurantes; no futebol; cargos de liderança em pequenas, médias e grandes empresas, enfim…

Antes, era muito comum ouvirmos: “lugar de mulher é na cozinha”. Atualmente: “lugar de mulher é onde ela quiser”, inclusive, na cozinha de grandes restaurantes, afinal, na função de chef de cozinha dos grandes restaurantes ainda prevalece a presença masculina.

“É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.”

Simone de Beauvoir

No mercado automotivo, notamos a marcante presença da mulher nos centros automotivos; na área de vendas de concessionárias; no comércio varejista e atacadista em lojas de autopeças, distribuidoras e fábricas; na linha de montagem dos fabricantes de automóveis e ocupando altos cargos de gestão, embora ainda em condição de minoria em relação aos homens.

“Dizem que a mulher é o sexo frágil Mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas Sei que a força está com elas.”

Erasmo Carlos

Assim como eu, minha querida esposa trabalha no ramo automotivo, portanto, literalmente, “eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas”.

Desde a era medieval até os dias atuais as mulheres lutam por igualdade.

A mulher, portanto, trabalha desde os primórdios da raça humana, porém, por imposição dos homens, esse trabalho se limitava ao preparo de refeições, dar atenção às pessoas enfermas, limpar espaços compartilhados, entre outras tarefas da casa.

No campo do intelecto, não existiam registros de mulheres frequentando universidades até o século XIX (1800 – 1900). Como a maioria das mulheres tinha esse direito negado, até mesmo a figura das parteiras cedeu lugar à obstetrícia e os partos dos bebês foram tomados por homens, visto que eles passaram a se tornar estudiosos no assunto.

Após o período da revolução, com o capitalismo, as mulheres “podiam” trabalhar, porém, com o trabalho do cuidado, servindo comida e limpando os espaços e remuneração inferior à dos homens. A partir daí começaram a acontecer movimentos feministas pela luta de direitos das mulheres.

Com o crescimento da economia, a partir dos anos setenta e a consequente urbanização e processo crescente da industrialização, as mulheres, definitivamente entraram no mercado de trabalho.

O Dia Internacional da Mulher, comemorado dia 8 de março, teve origem a partir de um movimento que ficou conhecido como “Pão e Paz”, que aconteceu no do dia 8 de março de 1917, quando aproximadamente 90 mil operárias russas percorreram as ruas reivindicando melhores condições de trabalho e de vida.

Finalmente, o ano de 1975 foi decretado pela ONU como “Ano Internacional da Mulher” e pouco a pouco a ideia de “mulher sexo frágil” começou a cair por terra.

A pandemia do coronavírus, de certa forma, afetou de forma mais direta as mulheres. O trabalho em home office, por exemplo, implica em maior dificuldade para a mulher conciliar a vida profissional e a vida pessoal.

Segundo o IPEA (2019), a presença feminina no mercado de trabalho brasileiro, ou seja, a quantidade de mulheres entre 17 e 70 anos empregada no País passou de 56,1% em 1992 para 61,6% em 2015, com projeção para atingir 64,3% no ano de 2030, ou seja, 8,2 pontos percentuais acima da taxa em 1992.

Uma importante colaboração entre a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) e o Pacto Global das Nações Unidas definiu os 7 princípios de Empoderamento das Mulheres com bases conceituais para o meio empresarial que oferecem orientação sobre como delegar poder às mulheres no ambiente de trabalho, mercado de trabalho e na comunidade.

Parabéns merecido a todas as mulheres, não só em março, mas em todos os dias, pela força, determinação e luta permanente, por suas conquistas e por abrilhantarem o mercado de trabalho. Parabéns em especial às mulheres que atuam no mercado automotivo.

*Valtermário Rodrigues (foto) é Analista Administrativo Sênior da Distribuidora Automotiva S/A – Filial Salvador; Bacharel em ADM; MBA em Gestão de Empresas; MBA em Liderança Coaching; Co-autor dos livros “Ser Mais Inovador em RH” – “Motivação em Vendas” e “Planejamento Estratégico para a Vida”

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