BA 186 | Utopia? Valtermário Rodrigues faz projeção do mundo pós-pandemia

Um casal de colegas de trabalho conversa durante o intervalo do almoço. O rapaz conta à colega o sonho que teve na noite anterior, em que o fim da pandemia teria sido decretado e, para comemorar, a empresa promoveu um evento com a participação de todos os colaboradores.

Sobre o evento:

Em um local aconchegante, à beira de uma piscina, aconteceu um jantar com música ao vivo, karaokê e troca de presentes (amigo oculto). Para ter acesso ao recinto, era necessário cada colaborador apresentar o convite individual.

O sonho:

O evento teve início com um breve discurso do diretor/presidente da empresa: “Senhoras e senhores, boa noite! Aproveitem esse momento pra lá de especial, afinal, é um marco importante em nossas vidas. O fim da pandemia foi algo bastante esperado por todos e merece ser comemorado, portanto, que possamos nesta noite nos contagiar pelo vírus da alegria e do companheirismo.

Sabemos o quanto foi difícil passarmos por esses pouco mais de dois anos de pandemia, quando nossa empresa precisou estabelecer e fazer cumprir as regras com vistas ao cuidado com nossos colaboradores e boa condução nos negócios a fim de que os desafios fossem enfrentados com resiliência, enfim, vencemos esse período, com a compreensão e apoio de todos vocês.

Nos últimos dois anos, por conta da pandemia, não tivemos festa de confraternização, motivo pelo qual, mesmo que um pouco fora de época, para matar a saudade, organizamos um amigo oculto, para troca de presentes e, consequentemente, uma maior interação.

Quero finalizar, agradecendo a presença de todos que aqui estão para abrilhantar esse evento. A noite é nossa! Divirtam-se!”

Durante o evento aconteceram algumas situações inusitadas:

– Acostumado a apresentar o cartão de vacina para ter acesso a diversos locais, assim fez um dos colaboradores. Foi informado que não tinha necessidade de apresentar o cartão de vacina e sim o convite da empresa deveria ser apresentado para que tivesse acesso ao ambiente. Como esqueceu o convite em casa, foi barrado e precisou aguardar um dos organizadores do evento a fim de obter a liberação.

– Somente no dia do evento, o coordenador de RH reconheceu o rosto de um colega de trabalho contratado após o início da pandemia. Esse colega, com quem desenvolveu uma afinidade e assim estabeleceram uma relação de amizade, é na verdade a mesma pessoa, desafeto de anos atrás quando trabalharam, por pouco tempo, em uma outra empresa. Na empresa atual, por conta do uso de máscaras de proteção contra a Covid-19, embora terem se tornado amigos, o chefe não o reconheceu. Um pequeno problema que aconteceu no passado, que poderia ter sido resolvido com uma simples conversa, implicou em antipatia de ambos os lados e, somente, agora, durante o evento, essa conversa aconteceu e tudo foi esclarecido. “Quem não vê cara, vê coração”.

– Um grupo de três colegas conversavam, esqueceram que estavam sem máscaras e que, sem esse acessório, o qual podemos dizer, faz parte da nossa vestimenta desde o início da pandemia, é possível fazer a leitura labial. Um colega que estava distante, se aproximou e os alertaram: “Cuidado! Não esqueçam que estão sem máscaras. Consegui entender, através da leitura labial, tudo o que estavam conversando”.

– Dentre outras coisas, contaram a história de um garoto de cinco anos que, ao visitar com os familiares a casa de um amigo da família, em jan/20, quando o Brasil ainda não tinha nenhum registro de Covid-19, encontrou uma pessoa usando máscara e com ar de espanto correu em direção ao tio-avô e disse: “Meu tio, meu tio! Não toque em nada nessa casa! Coronavírus! Coronavírus! Tem uma pessoa lá na sala usando máscara! Imaginando uma situação inversa, qual seria a reação desse mesmo garoto ao visitar o mesmo local em jan/22 e encontrar pessoas sem máscaras? “Meu tio, meu tio! Não toque em nada nessa casa! Tem pessoas lá na sala que não estão usando máscaras!

– Durante o jantar, dois colegas, empreendedores, iniciaram conversas no sentido de buscar um financiamento a fim de criar uma startup e tirar do papel a ideia de desenvolver um modelo de negócio que visa reaproveitar, ou seja, transformar/reciclar junto às empresas fabricantes e revendedoras de itens, tais como: máscaras de proteção e galões de álcool em gel que se tornaram obsoletos por conta do fim de pandemia.

– E a festa transcorreu de forma animada. Todos se divertindo bastante conforme sugeriu o diretor/presidente em seu discurso. Um dos colaboradores, bastante tímido em seu dia a dia e sempre tenso com receio de contágio, durante o evento, tirou a máscara da timidez, tomou uns drinks e, finalmente, conseguiu mostrar o seu lado comunicativo e alegre, inclusive, contando algumas piadas que levaram os colegas a sorrirem bastante.

– Duas colaboradoras chegam ao sanitário para retocar a maquiagem, cena comum ao público feminino. De repente, em tom de surpresa uma delas, comenta: “nossa… é você…? Posso dizer que somente hoje estou conhecendo a sua fisionomia mesmo após dois anos de empresa. Sempre te vi de máscara e não tinha ideia como era o seu rosto. A propósito, esse batom tem uma tonalidade muito bonita e combina com a cor da sua pele…”.

– De repente, colegas notaram um clima, uma troca de olhares entre dois colaboradores. Embora trabalhando no mesmo setor há mais de um ano, no dia do evento, ele se encantou pelo sorriso dela e ela, por sua vez, achou bonito o cavanhaque dele. Um dos colegas se aproximou de ambos e brincou cantando um trecho da música de Bruno e Marrone: “do jeito que você me olha, vai dar namoro…”.

– O evento terminou após a troca de presentes e cada colaborador apresentou seu amigo oculto de um jeito peculiar, como aconteceu com um amigo que assim fez: “meu amigo oculto é uma pessoa maravilhosa e de fé. Vocês não terão dificuldade em descobrir de quem estou falando: Ele não mede “distância” para ajudar aos colegas; não deixa de usar “gel” no cabelo e com seu estilo conservador, passou os últimos dois anos usando “máscaras” da mesma cor e modelo (verde com a palavra fé bordada ao lado esquerdo). Meu amigo oculto é…”.

O horário de almoço passou rapidinho e a colega comentou com o rapaz acreditar estar próximo de ver esse sonho dele realizado, ou seja, o fim da pandemia ou, pelo menos, o controle do vírus considerando o avanço da vacinação e, consequentemente, a liberação do uso de máscaras, como já está acontecendo em alguns locais.

“Viver com o vírus”, sem restrições, ainda é algo incerto. Segundo especialistas, o desaparecimento do vírus por completo é algo improvável. Possivelmente a COVID-19 passará do status de pandemia para endemia, embora a OMS ainda não tenha decidido nada nesse sentido.

*Valtermário Rodrigues (foto), Analista Administrativo Sênior da Distribuidora Automotiva S/A – Filial Salvador; Bacharel em ADM; MBA em Gestão de Empresas; MBA em Liderança Coaching; Co-autor dos livros “Ser Mais Inovador em RH” – “Motivação em Vendas” e “Planejamento Estratégico para a Vida”

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