Barômetro de Frotas & Mobilidade: cinco macrotendências para os próximos anos

Entre as constatações, no Brasil, a terceirização ainda é muito baixa nas frotas de negócios, o uso de tecnologias de conectividade está presente em 72% da frota e, nos próximos três anos, 43% dos participantes consideram usar pelo menos uma tecnologia alternativa de combustível

Por Karin Fuch

Com a participação de 8.622 tomadores de decisão de frotas corporativas em 30 países, o Barômetro de Frotas & Mobilidade 2023, realizado pela Arval Mobility Observatory, apontou cinco principais macrotendências para os próximos três anos: o tamanho da frota da empresa deve continuar aumentando ou permanecerá estável; a modalidade de financiamento por contrato de leasing de serviço completo continuará em expansão em todos os países; a transição energética está se acelerando; as soluções de mobilidade têm sido cada vez mais implementadas como um complemento aos carros da empresa e os serviços conectados continuam a crescer.

Julio Meneghini, gerente de Marketing & Produtos da Arval Brasil

Especificamente no Brasil, participaram tomadores de decisão em política de mobilidade de empresas pequenas, médias e grandes, com tamanhos variados de frota. Por aqui, o futuro deste setor é levemente mais otimista do que nos outros mercados pesquisados: 28% dos tomadores de decisão acreditam que a frota irá crescer, ante 27% no mercado global e 60% que permanecerá estável nos próximos três anos (64% no global).

Segundo Julio Meneghini, gerente de Marketing & Produtos da Arval Brasil, o motivo para os entrevistados do Brasil estarem levemente mais otimistas pode ser atribuído à adoção de tecnologias alternativas à combustão. “O ânimo pode estar relacionado aos avanços do último ano na parte de eletrificação (ampliação da oferta de modelos 100% elétricos e híbridos e preços cada vez mais acessíveis) e a uma característica peculiar do nosso mercado que já atua há bastante tempo com a motorização flex, o que evidencia um ânimo diferente para se adaptar rumo às próximas ondas de transição energética”.

Frota conectada

Pela pesquisa, aproximadamente uma em cada duas empresas possui uma ferramenta telemática em sua frota, na pesquisa anterior de 2022, o percentual era de 38%. A proporção em veículos comerciais leves é de 36% e de 21% no carro de passeio. Nas empresas brasileiras, o uso de tecnologias de conectividade está presente em 72% da frota, tanto em carros de passeio como em veículos comerciais leves.

“As empresas do Brasil também se mostram mais animadas em relação à adoção de tecnologias. Em si, o brasileiro é o que chamamos de “early adopter” para diversos tipos de tecnologia, do smartphone e mídias sociais à conectividade de carro. Sobre tecnologia para o carro conectado, o ânimo das gestoras e gestores participantes aponta que usar os dados gerados pela telemetria pode ser muito bom para acompanhar uma frota em um país continental como o nosso e levar mais segurança aos condutores, mas também para a proteção do ativo, como rastreabilidade em caso de furto ou roubo”, comentou Meneghini.

Soluções de mobilidade

Pela pesquisa, 71% das empresas já implementaram pelo menos um esquema alternativo para seus funcionários, com a adoção de carros corporativos compartilhados, aluguel de bicicletas ou orçamento de mobilidade. Nos próximos três anos, 88% pretendem investir em tais soluções de mobilidade.

No Brasil, 37% dos participantes estão utilizando ou consideram implementar o carro corporativo compartilhado nos próximos três anos e 13% já adotam a solução, 29% possuem ou pretendem adotar carona compartilhada e 16% já utilizam essa solução; 38% já têm ou ponderam implementar o compartilhamento ou aluguel de bicicletas e 21% utilizam motos e scooters e 39% já utilizam ou pretendem adotar o sistema de transporte público subsidiado, já vigente em 26% das empresas.

Questionado se as empresas nos Brasil estão mais atrasadas em relação à mobilidade corporativa, Meneghini respondeu que não, e que há singularidades de cada mercado. “Há singularidades de cada mercado que precisam ser avaliadas, mas as empresas do Brasil e seus colaboradores contam cada vez mais com alternativas para sua mobilidade e para as do negócio”.

Incluindo, desde carros com novas tecnologias de propulsão, carros compartilhados e novidades. “Como a que acabamos de trazer aqui no Brasil, no mesmo tempo que os países europeus, o Cartão Mobilidade, uma solução digital que conecta os colaboradores das empresas a mais de 16 opções para a sua mobilidade do dia a dia, reforçando o conceito de Mobility, totalmente conectado a atender as demandas específicas de cada usuário”.

Adoção de novas tecnologias

Por tipo de tecnologia alternativa, a pesquisa revela que 22% das empresas brasileiras entrevistadas já usam ou pensam em usar nos próximos três anos carros de passeio híbridos e 7% já os usam; 16% já utilizam ou planejam adotar a tecnologia híbrido plug-in e 5% já utilizam; 16% já usam ou são favoráveis ao uso de carros totalmente elétricos 100% movidos a bateria e 3% já usam, e 9% já utilizam ou consideram utilizar veículo elétrico com célula de combustível de hidrogênio na frota de veículos comerciais leves.

Nos próximo três anos, 43% das empresas brasileiras consideram usar pelo menos uma tecnologia alternativa de combustível (entre HEV, PHEV e 100% BEV) e 13% já usam pelo menos uma dessas tecnologias. Globalmente, 70% das empresas já implementaram ou estão considerando implementar pelo menos uma tecnologia de combustível alternativo em sua frota de carros de passageiros nos próximos três anos.

Na análise de Meneghini, o número do Brasil deve aumentar ano a ano com as empresas, seus condutores e o consumidor final no varejo conhecendo cada vez mais os modelos eletrificados. “Esse é exatamente o nosso papel hoje em dia, apresentar a eletromobilidade para frotas leves e tal ação vai ser um dos pilares para que ela avance cada vez mais. Acredito que o ponteiro das respostas do Brasil para o ano que vem vai ter um sensível crescimento sobre a adoção e a intenção de acelerar rumo à adoção de tecnologias alternativas à combustão nas frotas leves”, afirmou. 

Custo do veículo

Questionado se o custo do veículo impacta na adoção de novas tecnologias, Meneghini disse que este é sempre um fator sensível, mas que o Brasil precisa conhecer mais sobre os modelos elétricos. “Houve uma queda expressiva nos preços de todas as categorias de carros eletrificados, além das discussões de incentivo em algumas esferas. Tudo isso colabora para ampliar a adoção. A pesquisa aponta que ainda falta muita infraestrutura para carregamento e muitas dúvidas sobre os modelos disponíveis para as cargas e o tempo”.

É uma equação, segundo ele, na qual o preço faz parte. “O nosso papel é mostrar o melhor caminho às gestoras e gestores de frota, para que eles conheçam os modelos e tenham uma consultoria para entender como eles podem ajudar de forma positiva nas emissões das frotas que eles operam, além de outros aspectos relacionados à manutenção, conforto na direção e tecnologia dos modelos”.

Comparativo com a pesquisa anterior

Na pesquisa anterior de 2022 foram 7.000 participantes e nesta, 8.622, além de adicionar países, como os Estados Unidos, onde a Arval tem uma aliança estratégica com a Element. Comparando ambas as pesquisas, os respondentes se mostraram animados em ampliar ou manter o tamanho de suas frotas e isso ficou mais evidente em 2023, em linha aqui no Brasil.

“Isso é muito bom, pois mostra a importância de terceirizar a frota leve da empresa e como isso abre caminhos para que a empresa tenha mais espaço para pensar em ações estratégicas, como a eletrificação e mais tecnologias, já que o dia a dia da operação da frota passa a ficar com uma empresa que conhece profundamente as rotinas de um carro, de mobilidade e das manutenções”, comentou Meneghini.

No Brasil, em particular, a terceirização ainda é muito baixa nas frotas de negócios (menos de 15% do total) com muitas empresas ainda com frota própria em mãos. “Além de mostrar a eletrificação como um benefício, também é de nossa responsabilidade mostrar as vantagens de terceirizar e atuar como uma parceira estratégica para as empresas que estão confiantes em aumentar as suas frotas, como apontado no levantamento”.

Também por aqui, o leasing particular é a principal modalidade de financiamento constatado, feito pelo próprio colaborador ou por meio da empresa, com desconto salarial; uma realidade em 12% das empresas brasileiras, e 39% das empresas no Brasil consideram introduzir ou ampliar ainda mais o uso o Full Service Leasing, modalidade de financiamento, que conta com pacotes de serviços no valor do aluguel.

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