Indústria carece de profissionais especializados em veículos elétricos

Estudo global feito pela Gi Group Holding mostra que no Brasil os profissionais mais cobiçados são os especializados em tecnologia de veículos elétricos, inteligência artificial e machine learning, e tecnologia de veículos autônomos

Globalmente, as habilidades e competências mais requeridas pela indústria automotiva são tecnologia para veículos elétricos (35,1%), inteligência artificial e machine learning (33,6%), tecnologias sustentáveis (31,5%), tecnologia para veículos autônomos (29,7%), e manufatura e robótica avançadas (28,5%). No Brasil, a demanda é maior para profissionais especializados com habilidades e competências em tecnologia de veículos elétricos (53%), inteligência artificial e machine learning (40%), e tecnologia de veículos autônomos (40%).

Os dados fazem parte do estudo sobre tendências de contratações e as principais habilidades requeridas pela indústria automotiva brasileira, realizado pela Gi Group Holding, uma das líderes globais em soluções dedicadas ao desenvolvimento do mercado de trabalho, em parceria com a maior universidade de tecnologia da Itália, a Politecnico di Milano, e a empresa de inteligência de dados INTWIG Data Management. O estudo teve a participação de mais de 6,5 mil entrevistados de 11 países (Brasil, Estados Unidos, China, Reino Unido, Alemanha, França, Hungria, Itália, Japão, Espanha e Polônia).

Tendências de contratações

Para os próximos cinco anos, o estudo apontou que haverá maior demanda no mercado automotivo brasileiro por especialistas em tecnologia da informação e engenheiros automotivos, ambos empatados com 47%; seguidos por designers automotivos (34%). Na média dos países pesquisados, as tendências de contratações são para especialistas em engenharia automotiva (36%), experts em tecnologia da informação (35,1%) e analistas de dados direcionados à indústria automotiva (28,7%).

Na análise de Djansen Alexandre Dias, gerente da Divisão de Indústria na Gi Group Holding, a falta de profissionais especializados é um desafio global pela grande transformação que a indústria automotiva está passando. “Tanto em relação à substituição de combustível fóssil por energia limpa, como também pelo desenvolvimento de tecnologia que torna os veículos cada vez mais seguros e autônomos. Há uma corrida entre os principais players do mercado buscando inovação e tudo isso, globalmente, acabou aumentando muito a demanda por profissionais com alto grau de especialização, o que aumentou a escassez que já existia. A lacuna entre vaga disponível e profissionais qualificados vem aumentando ao longo do tempo”.

Djansen Alexandre Dias, gerente da Divisão de Indústria na Gi Group Holding

No Brasil, o desafio é a globalização do mercado de trabalho. “Além da transformação do mercado automotivo, que tem exigido mais profissionais especializados, a globalização do mercado de trabalho para alguns países é uma solução por terem acesso às pessoas de outras nações. No caso do Brasil, isso pesa contra, pois a nossa moeda é desvalorizada em relação às maiores potências globais. Então, é muito mais interessante, mesmo para uma pessoa que está no Brasil, trabalhar para outros países. Isso sem contar a facilidade que se tem hoje de movimentação entre países”, afirmou Djansen.

Concorrência de outros setores

O estudo da Gi Group Holding constatou também que há uma forte concorrência de outros setores para contratar profissionais com as qualificações desejadas pela indústria automotiva; 33% das empresas indicaram que enfrentam essa concorrência. “Pela nossa pesquisa, o principal fator de não atratividade do segmento automotivo para os candidatos, segundo eles, é por ser um ambiente de muita pressão, muita cobrança e muita competição. É um setor tradicional, que não era propício a inovações, além de ser dominado por homens, então, você fecha bastante o leque de oportunidades de talentos. A competição não é fácil para o setor automotivo, eles precisam passar por uma transformação para conseguirem atrair as pessoas”.

Iniciativas de formação

Para reduzir a escassez, Djansen citou uma das iniciativas para a formação de profissionais. “As empresas têm feito parcerias, principalmente, com instituições de ensino. Algumas delas têm modelos de contratos, de forma que os alunos só pagam pelo curso após conseguirem um emprego na área. Isto é interessante para quem quer mudar de emprego e entrar nesse segmento, é interessante para a instituição de ensino, porque depois ela consegue remunerar o seu projeto, e é interessante para as empresas que contratam”.

Ainda assim, ele apontou um longo caminho. “A jornada para se tornar um profissional sênior é longa, então, para os próximos anos, é esperado que o gap entre vagas abertas e profissionais qualificados aumente ainda mais. Não conseguimos formar profissionais na velocidade que o mercado vem exigindo”.

Mercado de reposição

Especificamente para o mercado de reposição, Djansen não imagina que será um problema preparar, principalmente, as oficinas. “A transição no Brasil não será rápida. Os veículos elétricos ainda custam muito caro e existe uma dúvida muito grande deles emplacarem ou não, por conta do tamanho do País, que não tem infraestrutura de carregamento. Outro ponto, o Brasil é uma potência quando se fala de etanol e o grau de eficiências que hoje os motores atingiram já é tão bom que o ciclo completo do etanol é zero carbono. Isso ajuda com que o mercado de reposição, de oficinas, se prepare”.

E mais um ponto colocado por ele foi o treinamento das redes credenciadas pelas montadoras. “Elas são responsáveis por treinar essas oficinas e, de forma natural, esse conhecimento vai sendo disseminado nos primeiros anos. O veículo que está na garantia irá para as redes credenciadas, e o treinamento das montadoras para a rede credenciada, naturalmente, permitirá às pessoas se especializarem e migrarem para trabalhar por conta própria. Será uma grande oportunidade para elas, por terem esse conhecimento. Acho que quando chegar o momento de atender fora da rede credenciada já existirão pessoas preparadas”, finalizou.

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