O Brasil só perde para a Índia como o segundo país com maior potencial de empreendedorismo do mundo. Hoje, 47 milhões de brasileiros estão à frente de um negócio
No Brasil, 47 milhões de pessoas estão à frente de algum negócio, formal ou informal, o que corresponde a 33,4% da população adulta e 6,2 milhões de negócios de todos os gêneros. Além disso, a Taxa de Empreendedores Estabelecidos (com mais de 3,5 anos de operação) passou de 8,7%, em 2020, para 13,2%, em 2024, e o Brasil é o segundo País com maior potencial de empreendedorismo do mundo, atrás da Índia.
48% dos brasileiros têm a intenção de iniciar um novo negócio e dois terços da população afirmam ter confiança para empreender. Inclusive, pouco mais da metade (51%) consideram que o medo de fracassar não impede de iniciar um novo negócio. Os dados são do Monitor Global de Empreendedorismo (Global Entrepreneurship Monitor – GEM 2024), elaborado pelo Sebrae no Brasil em parceria com a Associação Nacional de Estudos e Pesquisas em Empreendedorismo (Anegepe). E de acordo com o Sebrae, a Geração Z já representa 20% dos empreendedores do País.
Todo empresário começou, literalmente, do começo, superando desafios, que não são pouco, ainda mais em um País como o Brasil onde ainda imperam processos burocráticos e alta custo tributário. Muitos aprenderam a acertar com os erros, o que faz parte do processo de evolução dos empreendedores. De acordo com Cristiano Corrêa, CEO da Ecoville, maior rede de franquias de limpeza do Brasil, “fracasso não é o fim, e sim parte do caminho para crescer”, afirmou. Na juventude, ele vivenciou as dificuldades dos negócios da família, encarou falências e não teve receio de trabalhar onde fosse preciso.

“Eu fui panfleteiro, ajudante de padeiro e auxiliar de manutenção antes de conquistar espaço no mundo corporativo. Com o tempo cheguei ao comando da rede, que hoje conta com mais de 300 unidades pelo País. Para os jovens que estão começando, o empreendedor precisa entender que cada desafio traz um aprendizado. Não é o erro que define sua trajetória, em tudo tem aprendizado. Precisamos aprender, desaprender e reaprender todos os dias. O conhecimento é o que baliza o crescimento”, ensinou Corrêa.
Na visão de Rodrigo Bourscheidt, CEO da Energy+, rede de tecnologia em energias renováveis, “empreendedorismo exige ousadia e cada erro pode ser o passo que falta para alcançar grandes conquistas”. “Não tenha medo de errar, de quebrar ou de recomeçar. Cada tentativa frustrada me mostrou como avaliar melhor uma ideia, cuidar dos números e valorizar as pessoas certas ao meu lado. É isso que prepara você para agarrar oportunidades maiores com coragem e maturidade”, compartilhou.

Bourscheidt sempre foi um multiempreendedor, acumulando experiências em diferentes segmentos, incluindo uma revista que não saiu do papel, produtos que foram barrados por questões legais e até a necessidade de assumir sozinho uma empresa para evitar sua falência. Em 2019, fundou a Energy+. Em apenas 40 dias, ele multiplicou por oito o faturamento da operação que havia assumido.
Persistir constrói trajetórias sólidas
“Escolher empreender é muito mais do que abrir um CNPJ, é uma decisão de vida”, disse Lucien Newton, vice-presidente da vertical de Consultoria do Ecossistema 300 Franchising. “É preciso entender que haverá momentos de incerteza e de risco, mas também a chance de transformar ideias em negócios que geram impacto e oportunidades. Quem decide seguir esse caminho precisa estar preparado para errar, corrigir rotas e persistir, porque é isso que constrói trajetórias sólidas”, afirmou.

Para Renata Barbalho, CEO e fundadora da Espanha Fácil, empresa especializada em consultoria de imigração, empreender é um compromisso diário com o seu propósito. “É preciso fortalecer, diariamente, o negócio, a mente e o propósito. Empreender é manter-se firme no que se acredita, mesmo quando tudo parece mais difícil. Persistência, disciplina e fé são os pilares que sustentam qualquer jornada de crescimento”, especificou.

Coisas do destino, Renata foi para Madrid, em 2005, com o objetivo de concluir uma especialização e retornar ao Brasil para buscar estabilidade como funcionária pública. Aos 22 anos, ela identificou a crescente demanda de brasileiros que necessitavam de suporte para processos imigratórios na Espanha. O que começou como uma ajuda informal a amigos transformou-se em um negócio estruturado, assim nasceu a Espanha Fácil há 18 anos.
Prosperar
A dica de Marco Lisboa, CEO e fundador da 3, 2, 1 GO!, rede de franquias especializada em oferecer experiências de viagens completas, é “comece pequeno, mas pense grande”. Multiempreendedor, ele começou aos 18 anos e hoje, com mais de 30 de experiência, ele aconselha que em todo negócio é essencial testar a ideia em escala reduzida, validando se há realmente demanda para o que você oferece.

“Isso permite aprender com erros sem comprometer grandes recursos. Além disso, escute o cliente desde o início, ele é quem vai dizer se sua solução realmente resolve um problema”, disse o CEO. Para quem deseja ter sucesso nos negócios, invista em conhecimento contínuo, cursos rápidos, mentorias, networking e leitura. E na parte financeira, “tenha disciplina, separe finanças pessoais das empresariais e controle gastos. Além disso, valorize parcerias, pois ninguém empreende sozinho e conexões podem abrir portas. Por fim, saiba servir e faça o seu melhor”, aconselhou.
O que as pessoas querem
A orientação de Lucas André, CEO e fundador da Fast Tennis, rede de franquias academias de tênis, é “aposte em um produto que as pessoas querem comprar, invista nas pessoas certas e tenha coragem para dar o salto da fé”. Após superar a gagueira ao trabalhar como atendente de call center e alcançar o topo no mundo corporativo, ele deixou para trás a estabilidade para empreender. Com apenas R$ 6 mil fundou a Fast Tennis.

Segundo ele, o sucesso de todo negócio passa por três pilares fundamentais. “Meu conselho é apostar em um produto que você tenha certeza de que as pessoas querem comprar. Além disso, é importante se certificar de estar cercado de pessoas boas e engajadas ao longo da jornada, de preferência sócios confiáveis e com perfis complementares ao seu, com a mesma cultura e valores. Por fim, é preciso entender que não existe hora ideal, em algum momento será necessário dar o salto da fé, e investir todas as energias para que o negócio avance e obtenha sucesso”, recomendou.
Para finalizar, a história de Guilherme Mauri como empreendedor começou depois de uma trajetória de 20 anos no mercado financeiro em São Paulo (SP), com a mudança para Balneário Camboriú (SC) e com a fundação da Minha Quitandinha, startup de tecnologia em varejo que atua no modelo de franquia de minimercado autônomo. Hoje, com mais de 400 unidades no Brasil. “Toda a jornada empreendedora começou com alguém que sonhou, acreditou, e mesmo sem garantias, tentou. Confie em você, no seu potencial, poderá ficar até surpreso com o quanto consegue fazer”, afirmou. Sinterizando, a dica dele é “confie em si mesmo e no seu potencial para os negócios”.

Parabéns a todos os empreendedores do Brasil que constroem as suas histórias e inspiram outros a seguirem neste caminho. A data de 5 de outubro, Dia do Empreendedor, é uma homenagem a todos vocês!