Como se proteger contra golpes na Black Friday

As pequenas e médias empresas do varejo são especialmente vulneráveis, muitas vezes, devido a deficiências em segurança e falta de preparação dos colaboradores

 

Anualmente, a Black Friday acontece na última sexta-feira do mês de novembro, neste ano, será no dia 28. A data gera muitas expectativas de compras e vendas para os empresários e consumidores, ao mesmo tempo,  devido ao grande volume movimentado, desperta a atenção dos hackers, que se aproveitam para aplicar golpes pela internet, burlando a cibersegurança e prejudicando os compradores. Podendo também comprometer a imagem da empresa.

 

Nesta entrevista ao Balcão Automotivo, Alberto Jorge, CEO da Trust Control e especialista em cibersegurança, orienta os empresários a se protegerem das ações desses criminosos.

Alberto Jorge, CEO da Trust Control e especialista em cibersegurança – Foto: Divulgação

Balcão Automotivo – Quais dicas podemos dar para os varejistas se protegerem de crimes cibernéticos?

Alberto Jorge – Para proteger suas marcas e sua reputação contra crimes cibernéticos, os varejistas devem adotar soluções de proteção digital, detecção e resposta a ameaças, como firewalls, antivírus e monitoramento constante. O empresário precisa contar com uma equipe especializada para gerenciar a segurança e reduzir riscos internos, envolvendo treinamento e controle de acesso rigoroso. Caso não seja possível montar um departamento ou equipe internamente para isso, existe a possibilidade de terceirizar essas atividades, por meio de outras empresas especializadas – que dispõem, inclusive, de ferramentas de monitoramento online, para saber se a marca ou imagem da empresa está sendo usada ilegalmente.

 

Além disso, o varejista deve sempre ter em mente que é preciso proteger dados sensíveis dos clientes e aplicações, incluindo aquelas que utilizam ambientes em nuvem, pois isso ajuda a evitar vazamentos e fraudes. Investir em tecnologia e manter atualizações constantes também colaboram para reduzir o risco de ameaças complexas, como ransomware e phishing. Por fim, a visibilidade em tempo real e a análise contínua do ambiente garantem respostas rápidas e eficazes a incidentes.

 

BA – Quais são os ataques mais comuns no varejo e existe alguma  estatística que mostra o quanto eles vêm aumentando?

 

AJ – Os ataques mais comuns no varejo incluem phishing, ransomware, invasões de sistemas, roubo de dados e ataques via vulnerabilidades em redes e dispositivos. As pequenas e médias empresas do varejo são especialmente vulneráveis, muitas vezes, devido a deficiências em segurança e falta de preparação dos colaboradores. Estatísticas indicam um crescimento acelerado dos ataques no setor varejista, acompanhando a tendência global de aumento das ameaças cibernéticas.

 

Segundo o relatório de uma empresa internacional de segurança cibernética, ocorreram 837 incidentes de segurança no varejo brasileiro, entre novembro de 2023 e outubro de 2024, com 419 resultando em vazamento de dados. A tendência acompanha o crescimento global, onde o número médio de ataques por organização subiu 47% no primeiro trimestre de 2025, refletindo o desafio crescente para o setor.

 

O setor varejista enfrenta desafios específicos ligados à proteção da cadeia logística, dados de clientes e transações, com impactos diretos na reputação e finanças. Essa elevação nas tentativas e sucessos de invasão destaca a necessidade urgente de adoção de soluções de segurança digital e resposta rápida a incidentes.

 

BA- Quais ferramentas elas podem utilizar para verificar se a sua marca está sendo usada ilegalmente?

AJ – As empresas de varejo podem utilizar ferramentas específicas de monitoramento de marca para acompanhar de forma eficiente se sua marca está sendo usada ilegalmente ou se há menções indevidas que possam prejudicar sua reputação. Essas ferramentas rastreiam a presença da marca em múltiplas fontes, como redes sociais, blogs, fóruns, sites de notícias, marketplaces e até podcasts. Algumas dessas ferramentas, mais avançadas, trabalham com análise de dados históricos, inteligência artificial e relatórios em tempo real.

 

Além disso, algumas soluções integram monitoramento automático de marketplaces e e-commerce para identificar produtos falsificados ou anunciados ilegalmente, permitindo uma atuação proativa de bloqueio ou denúncia. Assim, ao combinar essas tecnologias com políticas internas de proteção de marca e equipes jurídicas, as empresas de varejo fortalecem sua segurança contra o uso ilegal de sua marca e protegem seu valor no mercado.

 

BA –  Podemos afirmar que essas ferramentas são essenciais para os varejos quem vendem pela internet, independentemente do porte?

AJ – Sim, essas ferramentas de monitoramento de marca são essenciais para varejos que vendem pela internet, independentemente do porte. Elas permitem a detecção rápida de usos ilegais ou indevidos da marca em múltiplas plataformas, ajudando a proteger a reputação e o valor da empresa. Além disso, essas ferramentas oferecem alertas em tempo real, análise de sentimento e relatórios que apoiam decisões estratégicas e ações jurídicas. Mesmo pequenas e médias empresas beneficiam-se do monitoramento para evitar perdas e crises, tornando-o um recurso fundamental no ambiente digital competitivo atual.

 

BA – Como desmistificar que essas ferramentas não são um custo, mas sim investimento?

AJ – Investir em cibersegurança deve ser compreendido pelos empresários como um investimento estratégico, não um gasto, porque protege a empresa de perdas financeiras significativas causadas por ataques cibernéticos, que podem resultar em multas, interrupção das operações e danos à reputação. Estudos mostram que um bom investimento em segurança pode gerar retornos de até 318%, reduzindo custos operacionais e aumentando a produtividade.

 

Além disso, a cibersegurança garante a continuidade dos negócios e a confiança dos clientes, fatores essenciais para o crescimento sustentável. As empresas que investem em segurança cibernética ao proteger a marca contra uso indevido, evitam perdas financeiras, prejuízo à reputação e custos judiciais futuros. Além disso, geram dados estratégicos que orientam decisões de marketing, vendas e posicionamento competitivo.

 

BA – Finalizando, no caso de o varejo sofrer em cibercrime, quais providências ele deve tomar?

 

AJ – As providências imediatas são fundamentais para mitigar danos. Primeiro, deve-se isolar os sistemas afetados para conter o avanço da ameaça e proteger dados não comprometidos. Em seguida, notificar a equipe de segurança cibernética ou contratar especialistas para realizar uma resposta técnica apurada, identificar a origem do ataque e eliminar vulnerabilidades. É imprescindível registrar o incidente e comunicar às autoridades competentes, além de avaliar se há necessidade de informar clientes e parceiros sobre o ocorrido.

 

Paralelamente, revisar e fortalecer as políticas de segurança internas, implementar treinamentos para conscientização dos colaboradores e planejar medidas preventivas para evitar reincidências. Caso haja pedido de resgate de dados, deve-se consultar uma assessoria jurídica para a decisão sobre o pagamento. Essas ações ajudam a minimizar prejuízos financeiros, danos à reputação e restaurar a confiança do mercado.

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