Na COP30, a KPMG apresentou soluções para o setor automotivo e para outros setores; e um estudo que avalia o papel da inteligência artificial na aceleração dos processos de descarbonização na transição energética
A KPMG participou da COP30, em Belém (PA), em novembro, com uma comitiva de 30 especialistas de diversos países nas áreas de meio ambiente, social e governança em sustentabilidade, compartilhando um pavilhão na Blue Zone. Com foco central na agenda de descarbonização, a KPMG também apresentou um estudo sobre o potencial da inteligência artificial para apoiar a jornada de descarbonização e acelerar a transição energética.
“A agenda apresentada na COP30 destacou que o Brasil já avança na descarbonização ao combinar nossa matriz renovável com soluções tecnológicas viáveis para a realidade do país. O ponto central foi o uso integrado de biocombustíveis, especialmente o etanol, com a combinação de eletrificação, reforçando que a transição energética brasileira não depende de um único caminho”, afirmou Manuel Fernandes, sócio-líder de energia e recursos naturais da KPMG no Brasil e na América do Sul.
Fernades acrescentou que “também foi enfatizado que o Brasil adota uma visão mais completa, olhando do ‘berço ao túmulo’, e não apenas as emissões do tanque à roda. Além disso, é muito importante enfatizar que foi mencionado que o Programa MOVER surge como o grande impulsionador da transformação no setor automotivo, ao incentivar eficiência energética, redução de emissões e evolução tecnológica em toda a cadeia”, especificou.

Para elencar, ele destacou os principais avanços apresentados na COP30. “O etanol como alicerce da descarbonização, por sua menor pegada de carbono no ciclo completo, soluções eletrificadas combinadas com motor flex, que somam forças à realidade nacional, e às diretrizes de economia circular e metas de eficiência impulsionadas pelo Programa MOVER”, citou.
Protagonismo
Ainda de acordo com Fernandes, “o Brasil pode ser e já se apresentou na COP30 como um dos protagonistas globais da descarbonização automotiva, justamente por oferecer um modelo diferente das rotas tradicionais baseadas apenas em eletrificação”, afirmou, citando que o nosso protagonismo vem de três pilares:
– Matriz energética altamente renovável, que permite ganhos imediatos sem depender de grandes infraestruturas novas, biocombustíveis consolidados, sobretudo o etanol, que combinado com veículos híbridos flex cria um caminho de baixo carbono único no mundo.
– Adoção da métrica ‘do berço ao túmulo’, mostrando que o Brasil entrega reduções reais no ciclo completo do veículo, não apenas no uso final.
– Com o Programa MOVER acelerando inovação, eficiência e competitividade, o País demonstra capacidade de liderar uma transição energética inclusiva, sustentável e economicamente viável.
Ricardo Roa, sócio da KPMG, enfatizou que “os biocombustíveis podem ser fonte muito relevante para atuar na descarbonização do setor de transportes, entre outros, com mistura em diesel, gasolina, etc. reduzindo o total de emissões de carbono. Etanol é um programa consolidado com mais de 45 anos de experiência de sucesso. Biometano e biogás se apresentam como alternativas muito interessantes, mais ainda com produção limitada”, explicou.

Com base nas fontes ANP, Única e ABIOVE, Roa citou que o Brasil é o segundo maior produtor de biocombustíveis global. “A produção estimada de etanol para 2024 é de 33,0 bilhões de litros (~80% Cana de açúcar e ~20% Milho). De biocombustível 7,0 bilhões de litros (~70% Óleo de soja). De biogás/biometano 3,0 bilhões de Nm3”, especificou.
Pegada de carbono
Salgado ressaltou que os biocombustíveis têm um papel fundamental na descarbonização, na agenda de descarbonização, principalmente, do setor de transportes, quando é feita a substituição de combustíveis fósseis, como diesel, gasolina, por biocombustíveis, como etanol, biodiesel. “O grande ponto é que os combustíveis fósseis têm emissões de gás de efeito estufa associado entre os biocombustíveis. As emissões são do tipo biogênicas”, citou.
O executivo esclareceu que nas emissões do tipo biogênicas, as emissões da queima, do uso dos biocombustíveis, são compensadas pelo processo de captura de CO2 no cultivo das fontes desses biocombustíveis. “Por exemplo, quando a gente planta cana-de-açúcar, a emissão do etanol, a plantação absorve CO2 ao longo do crescimento da planta e essas emissões são liberadas na fase de queima do etanol, então, é chamada emissões de ciclo curto ou emissões biogênicas. Na jornada de descarbonização das empresas, substituir fontes fósseis por fontes renováveis significa quase que zerar as emissões associadas à queima daquele combustível”, explanou.
Ele disse também que a produção de biocombustíveis no Brasil tem uma pegada de carbono inferior do que os biocombustíveis produzidos em outros países. “No Brasil, o etanol de milho e de cana tem uma pegada de carbono, ou seja, uma quantidade de carbono associada por tonelada produzida, que vai variar de 16 a 25 gramas de CO2 por megajoule de energia. Nos Estados Unidos, o nível da mesma produção gira em torno de 50 a 60. Então, comparando o mesmo combustível, a produção do Brasil ainda é menos carbono intensiva do que em outros países. E aqui a gente está olhando as emissões associadas à produção e não à queima do combustível. Olhando para trás da usina, todas as emissões associadas para trás, desde a produção do etanol, do milho até o seu processamento”, afirmou.
Outras aplicações
Salgado destacou que o Brasil tem um grande potencial na agenda de transição energética, principalmente, pela indústria de biocombustíveis, na produção, na oferta e no consumo de biocombustíveis. “Tanto para modal rodoviário, como a gente já conhece os carros flex, a utilização de etanol em veículos flex, como também na utilização do SAF, por exemplo, o sustainable aviation fuel, combustível sustentável para a aviação, e muito se discute também a utilização de biocombustíveis em outros modais, como o fluvial, o marítimo e o ferroviário. Então, já existe essa discussão para descarbonizar esses outros modais através da utilização de biocombustíveis”, comentou.

Outra iniciativa é para a produção de eletricidade. “O Brasil tem um grande potencial porque tem uma matriz elétrica majoritariamente renovável, então, uma produção de eletricidade a partir de fontes como eólica, solar e hidrelétrica, o que gera um grande potencial de atração para indústrias altamente intensivas em eletricidade para virem para o Brasil para se utilizarem desse benefício. A gente também tem todo o potencial de geração de emprego associado a essas fontes renováveis e muito tem se discutido a questão do avanço da inteligência artificial”, afirmou.
Na COP30, a KPMG lançou um estudo sobre o potencial que a inteligência artificial pode ter na jornada de descarbonização na transição energética. “Um ponto que sempre se fala é a questão do elevado consumo de energia dos data centers para suportar a inteligência artificial e aqui, mais uma vez, o Brasil tem um potencial grande por ter essa matriz elétrica majoritariamente limpa, majoritariamente renovável, para atrair os data centers para o Brasil para que eles possam cada vez mais atender à crescente demanda de energia da inteligência artificial, mas de uma forma renovável”, explicou.
Presença na COP30
Como dito no início desta matéria, a KPMG participou da COP30 como uma comitiva de 30 especialistas de diversos países. “A nossa abordagem na KPMG é reunir especialistas e líderes globais em diversas áreas. Contamos com a participação de Mike Reis, líder global da agenda de descarbonização, e Sara Nelson, líder global de natureza e biodiversidade, além de outros especialistas de diferentes áreas, temas e regiões. Dentre eles, destacamos Ian, líder global do agronegócio, e nossa líder setorial de agricultura para Brasil e Américas, Joana. Também contamos com a presença de Neumara Arbex, líder para as Américas”, mencionou Salgado.
Para finalizar, Salgado acrescentou: “o nosso posicionamento visa trazer esses especialistas, que mantêm contato próximo com grandes organizações, associações e instituições globais, para promover conteúdo técnico e discussões de alto nível. A KPMG se dedica à geração de conteúdo e à viabilização de discussões técnicas aprofundadas, visando impulsionar a agenda climática em todos os seus aspectos e contextos”, concluiu.