Livro lançado pela FuMTran retrata toda a evolução dos sistemas de transporte e abastecimento da Amazônia, desde o período colonial português até os desafios atuais
A Fundação Memória do Transporte (FuMTran) lançou recentemente o livro A História do Transporte da Amazônia, escrito pela historiadora e autora Etelvina Garcia. A obra relata a evolução dos sistemas de transporte e abastecimento da Amazônia, desde o período colonial português, em paralelo ao desenvolvimento da infraestrutura, ao processo de ocupação territorial, aos ciclos econômicos e às transformações sociais da região, até os “grandes desafios do transporte na Amazônia”, descritos no capítulo 13.
A navegação ocupa posição central na obra, que descreve o papel dos rios na conexão entre comunidades, cidades e atividades econômicas. O livro aborda também a expansão da aviação regional, das ligações rodoviárias e de outras soluções criadas para atender às grandes distâncias e às características geográficas da Amazônia.
Segundo Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran, a ideia do livro surgiu de uma conversa com o Dr. Irani Bertolini, diretor-presidente da FETRAMAZ (Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do Estado do Amazonas) e fundador do Grupo Transportes Bertolini (TBL).
“A ideia do livro foi de uma conversa minha com o Dr. Irani Bertolini. Ele é um grande incentivador da FuMTran e não tínhamos nenhum livro que contasse toda a história do trabalho dos desbravadores da Amazônia. Imediatamente, ele abraçou a causa”, relatou.
Para a produção do livro, foi realizada uma pesquisa minuciosa. “Nós tivemos muita sorte de ter uma pessoa tão estudiosa, que conhece muito a região e que foi muito a fundo em todo o trabalho, a historiadora Etelvina Garcia”, afirmou.
Uma viagem no tempo
Antonio Luiz Leite contou também que a pesquisa para a produção do livro lhe trouxe conhecimentos profundos sobre a história da região.
“Desde a primeira viagem dos espanhóis que saíram do Peru e chegaram a Belém (PA), fazendo toda a travessia entre 1541 e 1546. Eles desbravaram todo esse trabalho”, comentou, acrescentando que a obra também retrata os diferentes ciclos econômicos da Amazônia.
“Como o da borracha e do café, que proporcionaram grandes volumes de transporte, e a chegada dos primeiros navios a vapor, que levavam de cinco a seis meses para fazer o trajeto de Belém a Manaus, até que esse tempo fosse reduzido”, descreveu.
No que tange ao transporte rodoviário, o livro mostra que esse processo ocorreu décadas depois.
“Os grandes navegadores foram fazendo todo esse trabalho e aprendendo com as estradas, que são verdadeiros caminhos que a natureza nos deu, os grandes rios, e aprendendo com eles e com os ancestrais que já estavam lá. Começa com a navegação e as estradas muito tempo depois, inicialmente, com os caminhos abertos pelos indígenas”, relatou.
Estradas

O livro aborda a abertura de estradas na Amazônia após a Segunda Guerra Mundial, nas décadas de 1950 e 1960, e a construção da Transamazônica, cujo primeiro trecho foi inaugurado em 27 de agosto de 1972. O projeto original previa cerca de 8.000 km de extensão, mas foram construídos cerca de 4.260 km entre a Paraíba e o Amazonas.
Segundo Antonio Luiz Leite, “nunca mais fizeram a manutenção da Transamazônica. Praticamente, 400 km se perderam e precisam ser reconstruídos. Em maio deste ano, o Presidente da República, Lula, esteve lá, sinalizando que isso poderia ser feito. Pela minha experiência, é muito viável fazer uma estrada de primeiro mundo, atendendo a todas as normas e requisitos ambientais”, defendeu.
O executivo destacou também que, no Brasil, apenas 10% de toda a malha rodoviária é asfaltada.
“Nós que moramos no Sudeste do País vivemos num lugar muito diferenciado. Eu sempre costumo dizer para as pessoas que, muitas vezes, não têm a possibilidade de viajar, que existem muitos Brasis dentro do Brasil”, afirmou.
Legado
A Fundação Memória do Transporte (FuMTran) representa todos os modais de transporte – rodoviário, aquaviário, ferroviário e aéreo – e tem como missão deixar um legado para as próximas gerações.
“É levar um pouquinho do conhecimento de todos os grandes homens e mulheres desbravadores desse País que deixaram seus legados, que construíram e fizeram a logística do Brasil em todos os seus modais”, disse Antonio Luiz Leite.
O livro A História do Transporte da Amazônia é mais um exemplo desse legado e será distribuído para bibliotecas de todo o País. A obra também está disponível em audiobook: Audiobook — A História do Transporte da Amazônia