A dica para as empresas é promover informação qualificada e estimular o cuidado com a saúde, não apenas no mês da campanha
A campanha Outubro Rosa começou no Brasil em 2002, com o objetivo de incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. A doença é a principal causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras, e a maior parte dos casos ocorre a partir dos 50 anos. Embora seja bem mais raro, o câncer de mama também atinge os homens.

Segundo Renata Oliveira Maciel dos Santos, chefe da Divisão de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede do Instituto Nacional de Câncer (DIDEPRE/INCA), em 2024 foram registrados mais de 20 mil óbitos de mulheres pela doença no País. “Cerca de 45% das mortes ocorrem entre os 50 e os 69 anos, justamente a faixa em que o rastreamento com mamografia é mais eficaz. Cabe ainda destacar o avanço do rastreamento pelo SUS: no último ano, foram realizadas mais de 4,4 milhões de mamografias, o maior número registrado na série histórica. Desse total, 2,66 milhões foram mamografias de rastreamento em mulheres de 50 a 69 anos — também um recorde histórico”, afirmou.
Incidência
De acordo com o levantamento Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, organizado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com o Ministério Público, são estimados 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no triênio 2026–2028, o que corresponde a uma taxa bruta de 71,57 casos por 100 mil mulheres.
Luís Felipe Leite Martins, chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação do INCA, disse que “o câncer de mama permanece como o câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras, excluindo-se os tumores de pele não melanoma”.

Questionado sobre o aumento da incidência, ele explicou que “para avaliar se a incidência está efetivamente aumentando ou diminuindo ao longo do tempo, o mais adequado é analisar séries históricas dos Registros de Câncer de Base Populacional. As análises das tendências temporais indicam aumento da incidência de câncer de mama em várias localidades do País, especialmente entre mulheres com 50 anos ou mais e, em algumas localidades, também entre as mais jovens”.
Para saber mais, acesse o boletim do INCA sobre câncer de mama.
Diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce pode salvar vidas. “Quando o câncer de mama é descoberto no início, a sobrevida em cinco anos — proporção de pessoas que continuam vivas pelo menos cinco anos após o diagnóstico — chega a 99%. Em fase avançada, cai para cerca de 30%”, relatou Renata Oliveira Maciel dos Santos, citando dados da American Cancer Society.
Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/OMS), mulheres de 50 a 69 anos que fazem mamografia regularmente reduzem em cerca de 40% o risco de morrer da doença (IARC, 2016).
Entre os jovens
O câncer de mama é menos frequente em mulheres jovens, e sua incidência aumenta com a idade. A maior parte dos casos ocorre a partir dos 50 anos, segundo o INCA.
“Mesmo assim, os casos em mulheres mais jovens vêm crescendo. Ainda não há uma causa única, mas as principais explicações estão ligadas a mudanças no estilo de vida e no padrão reprodutivo: mulheres têm menos filhos, engravidam pela primeira vez depois dos 30 anos e amamentam menos. O consumo de álcool e o sedentarismo também contribuem. Por isso, mesmo antes da idade de rastreamento, é importante que a mulher conheça o próprio corpo e procure atendimento diante de qualquer alteração na mama”, orientou Renata Oliveira Maciel dos Santos.
Entre os homens
O câncer de mama também atinge os homens, mas é bem mais raro. “Menos de 1% de todos os casos ocorre em homens”, segundo o INCA. A doença costuma aparecer mais tarde, geralmente entre os 60 e os 70 anos.
“O principal problema é o diagnóstico tardio. Muitos homens não sabem que podem ter câncer de mama, ignoram um nódulo ou demoram a procurar o médico por constrangimento, e isso piora o prognóstico. Os fatores de risco incluem histórico familiar, alterações genéticas, como as dos genes BRCA1 e, principalmente, BRCA2, idade avançada, obesidade e condições que elevam o estrogênio, como a cirrose. Um caso de câncer de mama em homem na família também é um sinal de alerta para risco hereditário e merece avaliação da família”, alertou.
A campanha
Desde 2010, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) participa do movimento Outubro Rosa. Renata Oliveira Maciel dos Santos ressaltou que a campanha tem um papel importante na conscientização sobre o câncer de mama, especialmente ao dar visibilidade à importância do cuidado com a saúde da mulher, da identificação de sinais e sintomas suspeitos e do acesso oportuno aos serviços de saúde.
“A campanha também contribui para disseminar informações sobre a detecção precoce e para estimular a população a buscar os serviços de saúde quando houver alterações suspeitas”, explicou.
Ela acrescentou que a redução do impacto do câncer de mama não depende apenas das campanhas de conscientização.
“O Outubro Rosa é uma importante estratégia de comunicação e mobilização social, mas deve estar articulado com as políticas públicas para assegurar o diagnóstico e o tratamento oportunos”, afirmou.
Tema deste ano
Neste ano, a campanha abordará as desigualdades raciais relacionadas ao câncer de mama.
“A escolha do tema se deve às evidências de que mulheres negras apresentam maior mortalidade pela doença e maior proporção de diagnósticos em estágios mais avançados quando comparadas às mulheres brancas. Com a abordagem do tema, busca-se dar visibilidade a essas desigualdades e contribuir para o debate sobre os fatores que condicionam o acesso ao diagnóstico, bem como para o enfrentamento das iniquidades na atenção ao câncer de mama”, explicou Renata Oliveira Maciel dos Santos.
Ações nas empresas
Nas empresas, a recomendação de Renata Oliveira Maciel dos Santos é aproveitar o Outubro Rosa para promover informação qualificada e estimular o cuidado com a saúde, sem limitar as iniciativas ao mês da campanha.
“É importante criar espaços para discutir a prevenção dos diferentes tipos de câncer, abordar sinais e sintomas, esclarecer dúvidas e orientar os colaboradores sobre como e onde buscar atendimento no SUS”, concluiu.