Karin Fuchs
Normalmente, os profissionais 50+ trazem uma bagagem importante em termos de experiência prática, inteligência emocional e resiliência
O etarismo ou preconceito etário ainda é grande nas empresas, principalmente, em função de estereótipos ultrapassados, foco excessivo nos jovens, por desconhecimento dos estudos sobre benefícios da diversidade etária, entre outros. As pessoas 50+ acumularam experiência ao longo dos anos e mantêm relações profissionais de longo prazo, trazendo toda essa vivência e somando com os mais jovens. Nesta matéria, Candice Fernandes, diretora da Stato INTOO, unidade de gestão de carreira da Gi Group Holding, relatou os benefícios da diversidade etária e como promover um ambiente saudável com profissionais de diferentes gerações.

Segundo ela, “normalmente, os profissionais 50+ trazem uma bagagem importante em termos de experiência prática, inteligência emocional e resiliência. Além disso, já navegaram por cenários de mercado desafiadores; sabem lidar com objeções e tendem a ser mais adaptáveis; têm habilidades na construção de alianças estratégicas e networking duradouro com clientes; costumam ser mais ponderados e menos impulsivos na tomada de decisões estratégicas; têm visão estratégica apurada pela experiência, entre outras vantagens. Podem/devem ter atuação relevante como mentores, compartilhando aprendizados, boas práticas e cultura da empresa, histórico de retenção de clientes; em geral são profissionais que têm menor rotatividade/turnover, entre outras características”, afirmou.
Muitas empresas preferem contratar jovens, alegando que eles não têm vícios de outras empresas. Para Candice, essa visão deve ser desmistificada. “Levando em consideração o que falamos na resposta anterior e ressaltando que é de extrema importância o mix/diversidade etária, proporcionando aprendizados mútuos. Equipes multigeracionais são mais criativas e eficazes na resolução de problemas complexos”, explicou.
Ambiente saudável
Para as empresas promoverem um ambiente saudável com profissionais de diferentes gerações, Candice, orientou: incentivar o diálogo entre gerações, valorizando diferentes pontos de vista e a escuta ativa para aprendizados mútuos; realizar Programas de Mentoria Reversa, onde jovens e mais experientes compartilham vivências e/ou conhecimento técnico; promover treinamentos e desenvolvimento de cultura voltada para a diversidade etária, que ajudam a combater vieses inconscientes, e adaptar rotinas e ferramentas para atender a diferentes perfis e estilos de trabalho, trazendo percepção de flexibilidade e inclusão.
“Garantir uma integração positiva deve ser foco em qualquer onboarding, com processo de integração adaptado e considerando o histórico e as necessidades de cada profissional e da sua função. Especialmente nos casos de profissionais 50+, oferecer treinamentos nas novas tecnologias e metodologias importantes e pertinentes ao business, garantir conforto e acessibilidade no ambiente de trabalho e focar na valorização da experiência e os resultados anteriores do novo colaborador”, acrescentou.
Por que ainda existe o preconceito?
Para finalizar, Candice contou que o preconceito etário (ou etarismo) ainda é grande. “Principalmente em função de estereótipos ultrapassados (crença de que pessoas mais velhas são menos produtivas ou resistentes à mudança); foco excessivo no jovem (valorização do jovem como sinônimo de melhor, ignorando o valor da experiência); falta de representatividade (poucos profissionais 50+ reforçam a ideia de que envelhecer é perder performance), e desconhecimento dos estudos sobre benefícios da diversidade etária, entre outros”, concluiu.