Segundo a CNT, a baixa qualidade do pavimento gera um aumento de 31,2% no custo operacional ou R$ 7,2 bilhões que poderiam ser investidos na renovação da frota
Pela 28ª Pesquisa CNT de Rodovias, da Confederação Nacional do Transporte, divulgada no final de 2025, considerando somente a baixa qualidade do pavimento das estradas brasileiras, o custo para os transportadores foi estimado em R$ 7,2 bilhões, um custo adicional operacional de 31,2% com um consumo adicional de diesel equivalente a 1,2 bilhão de litros. Um gasto que poderia ser revertido para a aquisição de 7.023 caminhões Proconve P8, ou 8.487 caminhões elétricos convencionais de médio porte, ou, ainda, na produção de 2,4 milhões de toneladas de diesel verde, ou, na recuperação de 152,9 mil hectares de florestas, contribuindo para a neutralização do CO₂ no setor.

Ao todo, foram avaliados em 2025 114.197 quilômetros de rodovias pavimentadas, compreendendo 100% da malha rodoviária federal pavimentada, 100% da malha concedida e os principais trechos de rodovias estaduais do País, somando mais de 46 mil quilômetros. A pesquisa, patrocinada pelo SEST SENAT, constatou que 37,9% da extensão pesquisada (43.301 km) está em condições ótimas ou boas, acima do resultado de 2024 (33% ou 36.814 km), enquanto os trechos avaliados como regulares, ruins ou péssimos caíram de 67% para 62,1%. Para esta avaliação foram considerados: Pavimento, Sinalização e Geometria da Via.

Considerando apenas o critério Pavimento, a maior parte dos trechos avaliados está desgastado, representando 63,9% do total. Trincados ou emendados somam 27,7% e considerados perfeitos, apenas 4,3%. Quando comparado o estado geral das malhas concedidas e a pública, 618 quilômetros de rodovias concedidas foram classificados com trechos ruins, em 2024 eram 1.609 quilômetros, uma queda de 61,6%. Entre as públicas, a redução foi bem menor, de 23,3%, passando de 21.630 km para 16.594 km.

De acordo com Fernanda Rezende, diretora Executiva da CNT e apresentadora do estudo à imprensa, “hoje nós somos fonte de referência, não existe nenhum levantamento como o da Confederação. A qualidade da infraestrutura rodoviária tem impacto direto nos veículos, está relacionada à manutenção e na segurança das pessoas. É um estudo muito importante para orientar decisões, sobre onde investir, e para o transportador no planejamento da sua operação”, afirmou.

Expansão da malha e da frota

A pesquisa da CNT é realizada há 30 anos. De lá para cá, a extensão federal pavimentada passou de 51.370 quilômetros, em 1995, para 66.584 quilômetros em 2025, um aumento de 29,6%. Já a frota cresceu 373,2% no período, de 26.609.232 para 125.905.096 caminhões. “Com a falta de investimento, a gente tem cada vez menos rodovias sendo expandidas, menos rodovias sendo duplicadas e cada vez mais veículos trafegando na nossa malha. Isso gera mais congestionamento, mais pressão desses veículos na rodovia, o que faz com que o resultado do nosso pavimento, das nossas rodovias, seja cada vez pior, principalmente, aliado à falta de investimento para manutenção”, analisou Fernanda.
Investimentos

Segundo Vander Costa, presidente do Sistema Transporte, o aumento do investimento feito nos últimos três anos fez com que a curva de piora de rodovias tenha uma inflexão. “Estamos sentindo alguma melhora, mas também a quantidade de investimento é muito menor do que a quantidade necessária. É importante continuarmos trabalhando com o Governo para, pelo menos, manter o nível de investimento atual. Privatizar o que for possível privatizar. É possível privatizar as rodovias que já têm uma demanda consolidada e principalmente, ter recursos públicos para investir nas regiões mais carentes, onde não têm atrativo para a privatização”, defendeu.

Em 2004, a extensão federal concedida era de 6.855 quilômetros, chegando a 15.056 quilômetros no ano passado. Segundo a CNT, há um déficit de R$ 100 bilhões em investimentos para recuperar, restaurar e manter a malha avaliada, federal e estadual. Anualmente, os investimentos giram em torno de R$ 10 bilhões. Somente no ano passado, o investimento necessário para as federais era de R$ 49,93 bilhões, deste total, R$ 12,43 bilhões foram aprovados e apenas R$ 11,73 bilhões foram pagos.

Atualmente, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 116ª posição entre 141 países em qualidade de rodovias, atrás de países como Chile, Argentina e Uruguai.
