A reforma não altera apenas questões contábeis e fiscais; ela afetará todas as áreas dos negócios. As empresas que usarem este momento para limpar processos, integrar times e modernizar a governança sairão mais ágeis e resilientes
Nesta entrevista ao Balcão Automotivo, Juliana Najara, gerente de Arquitetura e Projetos na G2, consultoria SAP Gold Partner e especialista no desenvolvimento de negócios por meio do uso de IA, esclarece o que as empresas precisam revisar internamente para se adaptarem à Reforma Tributária, mesmo com a transição já tendo iniciado.
Balcão Automotivo – O que representa 2026 para a Reforma Tributária?
Juliana Najara – O ano de 2026 não é apenas uma data no calendário fiscal, mas o ponto de partida para a maior transformação econômica das últimas décadas no Brasil: a Reforma Tributária. No entanto, mesmo com a transição já iniciada, muitos líderes ainda encaram esse momento como um interruptor que será ligado apenas no dia da implementação — quando, na verdade, esta é uma fase que exige, acima de tudo, preparo prévio.

Empresas que tratarem a reforma apenas como uma obrigação acessória chegarão ao destino com perdas financeiras. Já aquelas que usarem este momento para limpar processos, integrar times e modernizar a governança sairão do outro lado ágeis e resilientes.
BA – Como os pequenos varejistas devem se preparar? Os critérios são os mesmos para as médias e grandes?
JN – A lógica é a mesma: todos terão que se adequar ao IVA dual (CBS + IBS), não cumulativo. No entanto, a forma de se preparar precisa ser proporcional ao porte e há diferenças decorrentes do regime tributário, como o Simples Nacional. Para pequenos varejistas, recomendo um plano simples, porém completo:
Enquadramento e diagnóstico: confirmar o regime, revisar mix de produtos (NCM), incidência de impostos atuais, benefícios e particularidades estaduais/municipais.
Conformidade 2026 (curto prazo): garantir que NF-e sejam emitidas com destaque de IBS/CBS nos novos leiautes.
Simulações: rodar cenários de preço/margem para 2027, pois a CBS passará a ser recolhida, substituindo o PIS e a COFINS. Lembrando que a CBS poderá gerar crédito — por isso, a importância de simular cenários para validação de margens.
Processos e dados: saneamento de cadastro (produtos, NCM, CST/CSOSN, regras fiscais), porque o IVA depende muito da consistência dos dados.
Em resumo: os princípios e obrigações caminham na mesma direção, mas a complexidade e o tamanho do projeto variam conforme regime, produtos e volume de operações.
BA – As pequenas empresas, geralmente, têm um contador. Elas vão precisar de um time mais especializado?
JN – Sim, pois a reforma não altera apenas questões contábeis e fiscais. Como a G2 vem enfatizando para seus clientes, a reforma afetará todas as áreas dos negócios. O contador segue essencial, mas a transição tende a exigir uma atuação conjunta das áreas da empresa. Em 2026, já existem obrigações operacionais, como documentos fiscais com destaque de IBS/CBS.
A partir de 2027, inicia-se o sistema de apuração/creditamento, o que impacta preço, margem, contratos, compras e estoque. As áreas que devem participar são: Fiscal/Tributário, Contabilidade/Controladoria, Financeiro/CFO, Vendas, Suprimentos, Operações, TI/Sistemas e Jurídico.
BA – Por que não basta apenas atualizar o ERP?
JN – Atualizar o ERP é importante, mas não resolve sozinho, porque a reforma afeta o negócio inteiro: ela depende de cadastro correto, fluxo de emissão consistente, formação de preço, margem e fechamento. Se você apenas “atualiza o sistema” e não ajusta processos e governança, o risco continua — apenas muda de lugar: vira erro de cadastro, nota emitida fora do padrão, margem comprometida, retrabalho no contador e problema de caixa.
E é aqui que o SAP Business One ajuda muito, especialmente em empresas pequenas: ele conecta compras, estoque, vendas e financeiro em um fluxo único e rastreável. Na prática, isso permite padronizar a operação, criar validações e campos obrigatórios para reduzir erro humano, controlar autorizações (por exemplo, descontos e exceções) e enxergar rapidamente o impacto em margem e caixa por item, cliente e canal. Ou seja, você não usa o ERP apenas para registrar, mas para garantir consistência ponta a ponta.
BA – E como envolver todos os departamentos, mesmo em pequenas empresas?
JN – Para envolver todos os departamentos em uma empresa pequena, pense em donos de rotina, não em organograma. O dono/gestor decide, o contador valida as regras, a operação descreve o que acontece no dia a dia, e o parceiro SAP traduz isso em parametrização e testes. Com um ritual simples (reunião curta semanal) e checklists por cenário (venda normal, troca/devolução, entrada de mercadoria e inventário), você transforma a transição em execução: cadastro limpo, processos padronizados e fechamento com menos surpresas.
BA – Como fica a Substituição Tributária (ST) com a reforma?
JN – IBS e CBS são tributos no destino e não cumulativos (modelo de IVA). Isso muda o “jeito de pensar” o imposto no preço ao longo da cadeia. A ST é um mecanismo do ICMS (muito usado em autopeças). Durante a transição, ICMS e ISS continuam existindo por um período, então a ST não desaparece de imediato.
A legislação de transição já prevê tratamento para estoque com ICMS-ST no fim do período: a LC 227/2026 trouxe previsão de aproveitamento/compensação ligada a mercadorias em estoque sujeitas à ST em 31/12/2032 (com exigência de inventário e formalidades).
No curto prazo, haverá convivência de camadas: ajustes para IBS/CBS e regras atuais (incluindo ST), enquanto o ICMS ainda estiver vigente. O impacto mais sensível tende a ser na precificação, reposição e margem por UF, porque o destino altera a lógica do imposto ao longo da cadeia.
É exatamente aí que o SAP Business One se torna peça central — e onde a G2 entra. Como consultoria especializada em SAP B1, a G2 transforma a mudança regulatória em execução prática, garantindo que o ERP sustente a operação com consistência. Na prática, isso envolve governança de cadastros, parametrizações, testes de cenários e controles que dão visibilidade ao que mais importa em autopeças: margem real por item e por UF, custo/estoque confiável e rastreabilidade do documento ao financeiro/contábil.
Um ambiente bem estruturado no SAP B1, implantado e ajustado pela G2, reduz retrabalho, diminui risco fiscal e traz previsibilidade de resultados, mesmo com a convivência de diferentes camadas de tributação.
BA – Finalizando, qual é o período para se adaptar?
JN – Pelo cronograma oficial divulgado pelo governo e pelos materiais da Receita, 2026 é o ano-teste de IBS e CBS (alíquotas de referência de 0,1% para IBS e 0,9% para CBS), com foco em obrigações e documentos; há dispensa de recolhimento no contexto do teste, desde que sejam cumpridas as regras aplicáveis.
Em 2027, ocorre o início mais efetivo da CBS e das mudanças federais relacionadas. De 2029 a 2032, acontece a transição mais intensa para estados e municípios (migração gradual de ICMS/ISS para IBS) e, em 2033, o modelo estará plenamente implementado.
É importante destacar que os benefícios da Zona Franca de Manaus não deixam de existir em 2033 — eles seguem válidos até 2073, conforme previsto nas leis complementares, para manutenção do tratamento diferenciado.