IQA aponta transformação da indústria automotiva até 2028

Levantamento do IQA aponta os principais desafios, oportunidades e fatores competitivos que devem impactar o setor brasileiro entre 2026 e 2028

Em evento na sede do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, em São Paulo (SP), no dia 18 de maio, foi apresentado aos convidados e à imprensa o “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028”. Um retrato da grande transformação da indústria automotiva perante o avanço da inteligência artificial, eletrificação, conectividade e digitalização, com temas estratégicos que devem influenciar as decisões.

O estudo está disponível no portal do IQA para ser baixado gratuitamente, e envolveu a participação de 36 entidades e lideranças do setor, que juntas representam cerca de 2.300 empresas de todos os elos da cadeia automotiva, produtiva e pós-venda.

Principais desafios

No mapeamento dos principais desafios, destacam-se a transformação tecnológica, a competitividade internacional e os novos players, principalmente,  chineses, transição energética, escassez de mão de obra e o Custo Brasil. O estudo foi apresentado por Alexandre Xavier, diretor Superintendente do IQA, com as participações de Cláudio Moysés, presidente do IQA, e de Elias Mufarrej, presidente do Conselho Diretor do IQA.

Governança tecnológica –  Xavier foi enfático ao dizer que a qualidade agora tem um novo papel, o da governança tecnológica de ciclo de vida de produtos, serviços e das organizações. “Em primeiro lugar, a resposta das entidades que se destaca é assegurar regras claras, competitividade e padrões. Logo em seguida, proteção de vidas e de confiança da experiência do consumidor. As entidades destacaram esses dois pontos como os principais e a convergência da qualidade como uma governança durante todo o ciclo de vida de produtos, serviços e das organizações”, afirmou.

Moysés comentou que hoje a indústria automotiva trabalha muito com a tecnologia, ao contrário dos anos de 1990, quando era tudo mais manual. “A gente trabalha com softwares e são vários envolvimentos apoiados em Automotive SPICE, com um foco muito forte para cyber security. É uma indústria que se transformou e a gente tem que se adaptar para uma nova indústria, inclusive, pensando muito em pessoas. Precisamos de profissionais que possam atender essas novas demandas. Isso é fundamental para essa indústria do futuro que a gente está construindo”, relatou.

Mão de obra – A escassez de profissionais foi apontada pelos participantes do estudo como o principal obstáculo para a melhoria da qualidade no setor automotivo, sendo que a capacitação contínua se torna um fator crítico de competitividade e confiabilidade. “O estudo confirmou que a escassez de profissionais se destacou em relação aos desafios, e vem de encontro com a grande discussão que temos: não é só capacitação, a atratividade do setor é um grande desafio”, comentou Xavier.

Competitividade – Todas as mudanças no setor automotivo e a vinda de novos players, especialmente os chineses, vêm gerando uma transformação na cadeia automotiva e pressões muito fortes: em relação a custo, ao aumento da competividade e para a atualização das organizações. “Ao questionarmos como é a competitividade ante os players globais, o que mais se destacou no estudo foi a resposta “complexa”. Falta de igualdade, preocupação com a isonomia regulatória, tarifária e todos os aspectos relacionados aos novos players que atuam no Brasil, além de questões relacionadas ao comércio eletrônico, que vem expandindo de maneira muito significativa”, disse Xavier.

Moysés traçou um paralelo sobre a criação do programa Proálcool na década de 1970 com incentivo do Governo, com os incentivos que são hoje oferecidos pelo Governo chinês, o que traz uma grande vantagem competitiva para eles. “Quando conversamos com alguns investidores da China, eles contam que desenvolveram conhecimento de fronteira, verticalizaram todo o modelo de negócio, desenvolveram todo um sistema de supply chain supercompetitivo e que está trazendo esta competitividade, com apoio do Governo, o que permite que seja feita uma exportação com margens muito baixas”, contou.

Regras similares – O estudo deixou claro que o setor precisa de isonomia regulatória e regras similares, com o mesmo peso, para todas as mudanças que vêm acontecendo: novos players e novas formas de comercialização, como o e-commerce. Tudo isso em conjunto com a proteção de consumidores e do meio ambiente. “Temos que jogar com as mesmas regras. Não dá para ter o apoio do Governo de um lado e do outro não. Temos que ter a mesma base para conseguirmos competir de forma igualitária”, defendeu Moysés.

Mufarrej alertou que há anos falta no Brasil uma política industrial clara. “Isso vai nos custar caro. Há uma quantidade de empresas que não estão mais investindo, exatamente porque não existe segurança, principalmente, em função de que outros receberam incentivos, concessões. A realidade é que se esqueceu de que a indústria automobilística é composta de uma quantidade enorme de fabricantes que estão nesse momento numa expectativa muito grande. Mas a realidade é que não existe um apoio fundamental através de uma política industrial clara”, afirmou.

Isonomia – Na questão de isonomia regulatória, Xavier disse que “novidades exigem, naturalmente, a criação ou a atualização de regulamentos vigentes, de normas e de modelos de avaliação da conformidade. A isonomia envolve diversos aspectos, porque sem critérios técnicos robustos, existe um grande risco de fragmentação e perda de credibilidade. É onde o sistema de infraestrutura da qualidade suporta o mercado. É o que gera confiança, segurança e repetitividade para a escala. A escala é um dos grandes problemas que enfrentamos”, relatou Xavier.

Entre outros desafios apontados no estudo, o Custo Brasil – uma restrição à modernização –, a elevada carga tributária, custos sistêmicos, juros e crédito impactam diretamente o setor, além da burocracia e morosidade regulatória.

Vantagens competitivas do Brasil – Se por um lado o setor automotivo enfrenta diversos obstáculos no País, por outro, tem vantagens competitivas, como a rota tecnológica diversificada e limpa, e padrões de referência de qualidade global, como citou Xavier. “Com a grande presença de montadoras e as suas exigências para a cadeia automotiva, o Brasil tem os padrões de referência de qualidade global sendo aplicados na nossa cadeia. Nós temos também, pela tradição e pelo tempo da indústria automotiva, uma engenharia muito forte e experiente para apoiar esses desenvolvimentos”, disse.

Segundo ele, “em alguns segmentos específicos, percebemos até um destaque mais significativo em relação à excelência da qualidade, Entre eles, na fabricação de ônibus e a sua cadeia relacionada. Por fim, foi possível perceber que a pressão dos requisitos de clientes, especialmente das montadoras na cadeia produtiva, cumprir as exigências de normas de certificação e a pressão em relação a isso, colabora para produtos diferenciados e para as vantagens competitivas que o Brasil possui”, finalizou.

31 anos

No evento também foi celebrada a comemoração dos 31 anos de fundação do IQA com homenagens aos membros que fizeram e fazem parte da sua história. O IQA foi fundado em 1995 na época de abertura das importações promovidas pelo Governo Collor para garantir a qualidade automotiva.

Para conhecer o estudo completo, acesse o portal do IQA e preencha os seus dados: https://www.iqa.org.br/cenario-da-qualidade-automotiva-no-brasil/

Compartilhe