Os números de abril e do primeiro quadrimestre retratam um cenário pujante, considerando que abril teve dois dias úteis a meno
A Fenauto, Fenabrave, Anfavea e Abeifa apresentaram os resultados do mês de abril e do primeiro quadrimestre do ano. O segmento de pesados continua patinando e a produção de veículos leves e pesados, ainda que tenha crescido 2,4% acima de abril de 2025 e 4,9% no quadrimestre comparado ao mesmo período do ano anterior, totalizando 872.000 unidades, mas poderia ter apresentado resultado ainda melhor não fosse a queda das exportações.
Com 1.530.108 de veículos transacionados em abril, a Fenauto registrou uma alta de 11,7% em relação ao mês de março. Alta também para a média diária de transações, de 85.006, 11% superior à do mês anterior e 14,3% acima de abril de 2025. E abril teve 2 dias úteis a menos do que o mês anterior.
Na análise de Everton Fernandes, presidente da Fenauto, “a movimentação ficou dentro do previsto para um mês com menos dias úteis. No entanto, mantivemos uma excelente média diária de transferências e alcançamos um acumulado muito representativo ante 2025. Seguimos com otimismo moderado e a expectativa de um fechamento de ano bastante positivo”, afirmou.
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Os modelos mais comercializados no mês de abril
Fonte: Fenauto
Automóveis
VW – GOL 61.175
GM – ONIX 38.937
HYUNDAI – HB20 37.388
Comerciais leves
FIAT – STRADA 36.777
VW – SAVEIRO 21.777
TOYOTA – HILUX 17.514
Emplacamentos
Na rede de concessionárias associadas à Fenabrave, 479.662 unidades foram emplacadas em abril, 16,79% superior a abril de 2025, porém, 6,53% abaixo do mês anterior. Entre veículos leves, pesados e motocicletas, a maior retração foi para automóveis, de 9,23% ante o mês anterior, somando 187.313 unidades.
No acumulado do primeiro quadrimestre, em comparação com igual período de 2025, o avanço foi de 16,30%, o melhor quadrimestre desde 2013, totalizando 1.734.599 unidades emplacadas. O maior crescimento foi para automóveis, de 19,46%, com um total de 659.311 unidades emplacadas. Comerciais leves avançaram 7,55%, somando 175.377 unidades, enquanto os veículos pesados registraram retração: caminhões, 15,28%, com 30.411 unidades emplacadas e ônibus, 10,75%, com um total de 8.338 unidades.
Segundo Arcelio Junior, presidente da Fenabrave, “o resultado do quadrimestre mostrou que o mercado, para a maior parte dos segmentos, continua aquecido. A queda geral sobre março é explicada pelo menor número de dias úteis em abril, mas a comparação sobre abril de 2025, assim como sobre o acumulado do quadrimestre seguem bastante favoráveis. Isso demonstra que há demanda, diversidade de oferta e um ambiente comercial mais ativo, mesmo com juros ainda elevados”, avaliou.
Pelo balanço da Anfavea, o primeiro bimestre também foi recorde no volume de emplacamentos comparado ao mesmo período de 2025. Foram 873.500 veículos leves e pesados emplacados, com um crescimento de 14,9%. A maior participação foi de automóveis, com 659.500 unidades, 19,4% acima do primeiro bimestre de 2025. Já no mês de abril, foram 248.300 unidades de leves e pesados emplacados, alta de 19% sobre abril de 2025, mas com uma queda de 7,8% comparada ao mês anterior.
No quadrimestre, aumentou em 12% a participação dos importados, com 169.100 unidades emplacadas. “Esperava-se uma substituição da importação pela produção local à medida em que novos fabricantes começassem a atuar em território nacional, mas por enquanto isso ainda não ocorreu”, comentou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
O melhor desempenho em percentual
Em percentual, as associadas à Abeifa terminaram o primeiro quadrimestre com crescimento de 65,3% sobre o mesmo período de 2025, com 63.457 unidades emplacadas e 7,6% de participação do mercado interno. Somente em abril foram 20.281 unidades, 8,1% acima do mês anterior e 90,3% a mais do que em abril de 2025, quando foram emplacados 10.660 veículos. No período, a participação das associadas à Abeifa foi de 8,5% do mercado total de autos e comerciais leves.
Pelos dados da entidade, a participação de modelos importados em abril foi de 12.067 unidades licenciadas, ante 10.755 unidades de março de 2026 e as 10.568 unidades de abril de 2025, o que representou – respectivamente – aumentos de 12,2% e 14,2%. No entanto, no acumulado do quadrimestre, os importados sofreram uma ligeira queda de 1,8%: 37.274 este ano ante as 37.975 unidades em igual período de 2025.

Eletrificados
Entre os automóveis eletrificados emplacados computados pela Fenabrave, no acumulado do ano, o maior volume de emplacamentos foi de 100% elétricos, 98,04% acima dos primeiros quatro meses de 2025, com um total de 137.918 unidades. Híbridos tiveram uma expansão de 72,01%, somando 89.619 unidades emplacadas.
Pelo balanço da Anfavea, no mês de abril, os veículos eletrificados representaram 18,3% de todos os emplacamentos, um novo recorde de participação, sendo 40% de origem nacional. O grande destaque foram os modelos 100% elétricos, com 17.500 unidades emplacadas, seguidos pelos híbridos plug-in, somando 13.300 unidades e os híbridos, com 12.700 unidades emplacadas. Já a Abeifa informou que 19.706 veículos eletrificados foram emplacados em abril, representando 97,1% do total de licenciamentos da Abeifa e 45,4% do total de 43.429 unidades comercializadas no País.

Programa Carro Sustentável
O programa Carro Sustentável continua impulsionando as vendas dos veículos participantes. Pelos números da Fenabrave, entre 11 de julho de 2025 e abril de 2026 o incremento foi de 31,9% em relação 11 de julho de 2024 a 30 de abril de 2025. “No caso de automóveis e comerciais leves, os resultados do Programa Carro Sustentável e as crescentes promoções das marcas demonstram que quando há redução de impostos e de preços, a demanda acontece. Ainda precisamos acompanhar os efeitos do crédito, da renda e dos custos de financiamento, mas os números indicam que o consumidor e as empresas seguem buscando soluções de mobilidade e renovação de frota”, declarou Arcelio Junior.
Já a Anfavea computou 412.000 unidades vendidas no mesmo período, 30,7% a mais do que no período anterior ao programa. Deste total, as vendas no varejo responderam por 70,2% do total e as vendas diretas responderam por 21,2%.
Produção
No acumulado do primeiro bimestre foram produzidos 872.600 veículos leves e pesados, 4,9% superior ao do mesmo período do ano passado, sendo 826.600 unidades de leves e 46.100 de pesados. Somente em abril, 225.800 unidades saíram das fábricas, 2,4% acima do mesmo mês de 2025, mas 9,5% a menos do que no mês anterior. Deste total foram 225.800 unidades de veículos leves e 12.700 de pesados.
Move Brasil
Na primeira fase do Move Brasil, houve uma queda de vendas, na casa de 31,5% em janeiro, para 17,2% no quadrimestre, de acordo com a Anfavea. “Esperamos eliminar esse gap e voltar aos volumes normais de emplacamento com o Move Brasil 2, que vai disponibilizar R$ 21,2 bilhões para financiamento de caminhões, sobretudo para autônomos, e para aquisição de ônibus e implementos rodoviários mais modernos”, disse o presidente da entidade, Igor Calvet.
Com a inclusão de ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários no programa, além de caminhões, a expectativa da Fenabrave é de reversão da curva de queda dos emplacamentos. “Para os pesados, como caminhões, ônibus e implementos, a boa notícia está na recente divulgação, pelo Governo Federal, da 2ª Fase do Programa Move Brasil, que aportará mais de R$ 21 bilhões para a renovação da frota desses veículos, o que esperamos possa reverter a curva de queda dos emplacamentos”, afirmou Arcelio Junior.
Exportações
Embora os embarques de 43.200 unidades em abril tenham sido 8,2% maiores que em março, houve queda de 11,7% em relação a abril de 2025. No acumulado do primeiro bimestre, 142.000 unidades foram exportadas, 16,9% a menos do que o mesmo período de 2025. A maior queda foi nas exportações para a Argentina, de 30%. No primeiro quadrimestre de 2025 os embarques totalizaram 101.500 unidades e no acumulado deste ano, 71.100 unidades.
