Mulheres maduras estão buscando mais conhecimento sobre seus carros

A comunidade Dona Meu Destino está em plena expansão, promovendo oficinas práticas e conteúdos acessíveis sobre manutenção. Já são mais de 890 mil mulheres nas redes sociais em busca de conhecimento

Por uma demanda, Vittória Gabriela criou a comunidade Dona Meu Destino para promover oficinas práticas e conteúdos acessíveis sobre manutenção e funcionamento de veículos para o público feminino. Para se ter uma ideia, em uma década subiu para 49,1% o número de lares chefiados por mulheres, enquanto também cresce a busca por conhecimento sobre mecânica entre motoristas maduras, da geração 50+.

A comunidade já reúne mais de 890 mil mulheres nas redes sociais, mais de 4 milhões de visualizações dos conteúdos disponíveis e, na lista de espera, mais de 3.500 mulheres aguardam para participar das oficinas presenciais sobre mecânica básica.

Segundo Vittória Gabriela, “houve um aumento na participação de mulheres maduras nas oficinas que promovemos. É um movimento que vai além da curiosidade por motores. Reflete uma mudança de papel. São viúvas que passaram a resolver sozinhas questões antes compartilhadas. Mães que se tornaram a principal referência financeira da família. Mulheres que chegaram aos 50 ou 60 anos acumulando experiências suficientes para perceber que depender de alguém para explicar um orçamento mecânico já não faz sentido”, afirmou.

Vittória Gabriela criadora do Dona Meu Destino – Foto: Divulgação

O objetivo das mulheres que fazem parte da comunidade não se limita a obter conhecimento quando ocorre um problema no veículo. “No início, muitas chegavam depois de um problema, um mau atendimento ou um prejuízo. Hoje, vemos cada vez mais mulheres buscando aprender por escolha, antes que qualquer situação aconteça. É uma mudança do ‘preciso me virar’ para o ‘quero ter controle’. Entender o carro virou uma forma de reduzir a dependência e tomar decisões com mais segurança”, disse Vittória Gabriela.

O workshop desenvolvido para as mulheres é amplo, abrangendo desde questões mais básicas. “Para quem quer começar, o caminho não precisa ser técnico. Entender itens básicos, como nível de óleo, desgaste de pneus e funcionamento das revisões periódicas, já é um primeiro passo para transformar o carro de um ponto de dúvida em uma decisão consciente”, descreveu.

O objetivo também não é transformar mulheres em mecânicas, mas prepará-las para lidar melhor com algumas situações. “O conhecimento evita situações comuns, desde pagar por serviços desnecessários até ignorar sinais simples que podem se transformar em problemas maiores. E quase todo prejuízo alto começa com algo pequeno que foi ignorado por falta de informação”, explicou.

Iniciativa e ampliação

A comunidade Dona Meu Destino foi criada a partir de uma experiência de Vittória Gabriela, que teve problemas com a manutenção de seu carro. A iniciativa foi tão certeira que a ideia agora é aumentar o número de turmas de mecânica básica para mulheres e levar os encontros para novas regiões do País, entre elas capitais como Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte.

Outra iniciativa é o desenvolvimento de versões online dos cursos para ampliar o acesso ao conteúdo e alcançar mulheres de diferentes estados, democratizando o conhecimento sobre mecânica básica e ampliando a autonomia ao volante.

Para saber mais, acesse o Instagram da Dona Meu Destino.

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Mulheres no Brasil

No volante: O Brasil possui 5,6 milhões de mulheres habilitadas entre 51 e 70 anos, superando, em diversas regiões do País, o número de condutoras na faixa entre 41 e 50 anos, estimado em 5,5 milhões. Esse público representa uma parcela cada vez mais relevante das motoristas brasileiras. Fonte: levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), com base em dados da Senatran e do último Censo Demográfico.

Chefiando lares: Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE em 2024, mostram que 49,1% dos lares brasileiros já têm mulheres como responsáveis. Em 2010, esse percentual era de 38,7%. Na prática, isso significa que cerca de 36 milhões de brasileiras estão à frente das decisões financeiras e administrativas de suas casas, um avanço que ajuda a explicar a busca crescente por autonomia em áreas antes tradicionalmente delegadas a terceiros, como a manutenção automotiva.

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