Projeto Viemar V30, nova formulação elastomérica com pedido de patente depositado no INPI, venceu a categoria Qualidade em Inovação e Novas Tecnologias; o prêmio foi recebido em São Paulo pelo engenheiro Matheus Sumny e pelo COO José Inacio Salis
A Viemar Automotive, líder na fabricação de componentes automotivos para o aftermarket, com sede em Viamão (RS), conquistou o 1º lugar no Prêmio IQA da Qualidade Automotiva, na categoria Qualidade em Inovação e Novas Tecnologias. A premiação, concedida pelo IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, foi entregue nesta quarta-feira (14), no Blue Tree Transatlântico, em São Paulo. O troféu foi recebido pelo engenheiro Matheus Antonio Heck Sumny, especialista em PD&I e autor do projeto, ao lado do COO da Viemar, José Inacio Salis.
O projeto vencedor, Viemar V30, é uma tecnologia elastomérica proprietária desenvolvida para os guarda-pós, também chamados de coifas, usados em componentes de direção e suspensão. A peça é responsável pela vedação da articulação, protegendo-a contra poeira, contaminantes e os produtos químicos usados na lavagem dos veículos.
“A coifa é a peça que sustenta a nossa garantia de 70 mil quilômetros ou dois anos. É ela que faz a vedação e protege a articulação. Conseguimos alcançar todos esses ganhos, incorporando ainda mais segurança para nosso cliente”, afirma Matheus Sumny. Até então, o guarda-pó da Viemar dependia de um único elastômero, o policloropreno (CR), que concentrava custo elevado, risco de suprimento e uma janela curta de armazenagem da matéria-prima antes da vulcanização. A V30 substitui essa base por um blend de três elastômeros: borracha natural (NR), borracha nitrílica (NBR) e blenda nitrílica com PVC (NBR/PVC). O CR passou a representar menos de 5% da composição.
O desenvolvimento começou em 2019, com pesquisa bibliográfica, e foi conduzido de forma cooperada entre a Viemar, o Instituto SENAI de Inovação em Polímeros e a EMBRAPII. Foram seis ciclos de formulação internos e outros 24 em parceria com o instituto, até chegar à versão 30, que dá nome ao projeto. O número também coincide com os 30 anos que a Viemar completa em 2026.
“Foram três anos para escalar o material na fábrica, qualificando parceiros, passando por lotes piloto, errando e acertando, até conseguirmos, neste ano, depositar o pedido de patente. E os resultados foram muito bons”, conta o engenheiro. O pedido de patente está em tramitação no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Resultados na fábrica e no produto
Entre os ganhos apresentados à banca do IQA, a vida útil da matéria-prima antes da vulcanização triplicou, passando de 15 dias, com armazenagem a até 20 °C, para 45 dias, a até 30 °C. A redução de custo estimada é de R$ 1,1 milhão por ano. O novo composto também é mais leve, o que permite produzir de 19% a 24% mais peças por quilo, e eliminou uma etapa do processo produtivo: o material, que antes chegava em mantas, hoje chega em tiras, pronto para uso.
Para o consumidor final, o ganho é ainda maior: além de a coifa manter a função e a garantia de 70 mil quilômetros ou dois anos, a tecnologia oferece maior resistência ao rasgamento e ao ataque de agentes externos, como os desengraxantes usados na lavagem da parte inferior dos veículos.