BA 193 | No dia do Balconista, profissionais do País contam suas histórias

Dia 26 de novembro é comemorado o dia do Balconista de Autopeças, ou vendedor de peças e acessórios para veículos, como determina a norma técnica ABNT NBR 16999:2021. Em todo o País são mais de 185 mil lojas de autopeças e milhares de vendedores que estão constantemente se atualizando neste mercado dinâmico, que a cada dia apresenta novidades nas marcas e modelos de veículos. Para prestar as nossas homenagens, aqui, nós trazemos as histórias de quem faz este mercado pujante e que movimenta cerca de R$ 100 bilhões no Brasil*.

Em Governador Valadares (MG), José Paulo Afonso de Souza, da Ruela Autopeças, conta que antes de chegar ao balcão, ele começou em autopeças limpando a loja e fazendo entregas de bicicleta. Aos poucos, migrou para o estoque, onde cuidava da organização, recebia e etiquetava as mercadorias. Hoje em vendas, ele diz que os catálogos eletrônicos ajudam muito para ele se manter atualizado, bem como as redes sociais.

“Eu acompanho muitas coisas voltadas para o setor automotivo e, desta forma, eu vou ficando ligado nas novidades, nos movimentos das empresas e nos lançamentos de carros e produtos”. No atendimento ao cliente, ele conta que ouvir e dialogar são fundamentais. “Às vezes, a gente até vai no carro do cliente para identificar o que ele precisa”. E conta que a concorrência com a internet chega a ser desleal.

“A gente tem uma concorrência muito forte com a internet. Acontece muito de a pessoa comprar um item errado ou um item que não tem garantia, e até tem dificuldade de devolvê-lo. Aqui na loja, nós tentamos ser o menos burocrático em relação à garantia, à devolução ou à troca”.

José Paulo Afonso de Souza, da Ruela Autopeças, de Governador Valadares (MG)

Há 20 anos em autopeças, José Paulo conquistou bens materiais, o seu carro e a sua moto, e se tornou uma referência. “Eu conheci muitas pessoas que me viram crescer neste ramo e hoje me veem como uma referência”. Sobre o futuro, ele diz que já se viu várias vezes trabalhando em uma indústria de autopeças. “Já me imaginei em várias delas e até procurei saber como seria trabalhar em uma delas. Penso nisso até hoje. Talvez a experiência que eu adquiri eu consiga colocar em prática em uma fábrica”, conclui.

Força feminina

Hoje coordenando um time de 11 pessoas, a gerente de Vendas da Jocar, na unidade da Lapa, em São Paulo (SP), Luciana de Fátima Barreto Gomes, entrou na loja em 2016 para cuidar da parte de internet. Hoje, ela também atua em vendas por telefone e também no balcão. Formada em Enfermagem e Administração Hospitalar, ela não saiu totalmente desta área. “Há 14 anos eu trabalho para uma empresa e dou plantão duas vezes por semana, à noite”.

Quando foi nomeada gerente de Vendas, ela conta que sofreu resistência. “Alguns vendedores que não me aceitavam, mas eu não dava muita importância para os comentários. É desagradável, eu ignoro, desde que não fique recorrente. Eu também sou funcionária e passo o que os nossos patrões querem. Está todo mundo no mesmo barco e a gente tem que mostrar resultados da forma que eles querem, pois eles sabem que dá certo”.

Por outro lado, no atendimento, ela diz que não há preconceito. “Têm os que dizem que somos mais interessadas e quando uma mulher entra na loja, parece que ela espera ser atendida por uma mulher”. Para manter a sua equipe e ela atualizadas, uma de suas ações foi recorrer aos fornecedores. “Entrei em contato com vários deles e, somente neste ano, já foram feitas seis palestras aqui na loja. Isso faz toda a diferença para o atendimento ao cliente”.

Luciana Barreto Gomes, da Jocar – Lapa, de São Paulo (SP)

Luciana conta que o seu sonho é ver a Jocar crescer ainda mais. “Eu quero que a Jocar cresça muito e eu vou fazer o meu melhor para que ela continue nesse caminho. Para mim, o importante é ter saúde, cuidar da minha filha e continuar essa ligação que eu tenho com os donos da loja”.

Referência

Na Dispemec, em São José dos Campos (SP), Jonathan Danilo de Siqueira começou no televendas, em 2009, passou para o balcão e hoje atende os clientes no sistema drive thru, adotado na época da pandemia. Sempre buscando se atualizar, seja pelas redes sociais, pelos cursos oferecidos pela empresa ou por outros meios, ele se destaca no atendimento, tanto que recentemente, ele recebeu uma homenagem da Dispemec.

“Eu acredito que esta homenagem foi por eu sempre ter feito o que me foi pedido. Sempre fiz o melhor possível, dei o melhor de mim e atendi às expectativas da empresa, que me passou a responsabilidade de surpreender e servir com amor a todos os nossos colaboradores e clientes”.

Jonathan Danilo de Siqueira, da Dispemec, de São José dos Campos (SP)

No atendimento ao cliente, Jonathan diz que em primeiro lugar é necessário saber o que ele precisa, qual é o problema do carro. “A minha função é solucionar o problema dele, para isso, eu tento passar confiança, ofereço os melhores produtos e digo quais são os benefícios, para que ele sempre volte a procurar a empresa e a mim como vendedor. Às vezes, eles comparam o preço pesquisando na internet e eu mostro os valores da empresa, que tem 34 anos e garantia expressa. Sem dúvida, não é só preço, são muitas coisas que envolvem uma venda”.

Desde que começou a trabalhar como vendedor, ele soma várias conquistas. “A primeira delas foi constituir a minha família: eu tenho duas filhas. Quando se cria uma família, vêm as responsabilidades, hoje eu tenho três casas, um terreno, dois carros e uma moto. Tudo fruto do meu trabalho, feito com carinho, com honestidade e dedicação nesses 13 anos. Eu quero continuar fazendo o que eu sempre fiz para a empresa continuar expandindo mais e, assim, a minha vida também vai prosperar automaticamente, pois tudo o que a gente semeia, a gente colhe amanhã”.

Conquistas

Na marra, Giovani Ferreira da Silva começou em autopeças na sua cidade natal, em Campo Grande (MS), aos 14 anos de idade, quando seu pai percebeu que ele deixava de frequentar as aulas para jogar futebol. “Não consegui enrolá-lo e ele me levou para trabalhar”. Aos 23 anos, ele se mudou para Curitiba (PR) e começou em uma autopeça no estoque. “O estoque é a melhor escola, é o primeiro passo”, afirma.

Giovani Ferreira da Silva, da Speed Autopeças, de Campina Grande do Sul (PR)

Há 21 anos em autopeças, ele está na Speed Autopeças, e também é formado em Gestão Comercial. “Eu conquistei tudo com o meu trabalho. A minha família, eu tenho um casal de filhos, tenho carro, moto e vivo bem, graças a Deus. Não tenho do que reclamar. O meu sonho é ter a minha própria empresa, mas hoje em dia está difícil. O custo é muito alto. Na região em que eu estou, se não tiver um item, o cliente vai em outro lugar, tem que entrar com tudo, se for meia boca, a loja fecha”.

Ainda sobre o perfil da sua região, ele conta que antigamente o cliente ia na loja e comprava na hora. “Alguns estão indo para a internet, até na sua frente eles pesquisam preço. Mas aqui na minha região, onde estou há dez anos, o que mais vale é o atendimento e a satisfação do cliente. É correr atrás da peça, quando não tem aqui. É não deixar o cliente escapar e o atendimento é o principal”, diz.

Empreendedor

O bancário Eduardo Oliveira, proprietário da Remot Autopeças, em Porto Alegre (RS), conta que ao mudar de profissão ele foi trabalhar em uma oficina mecânica na parte administrativa e lá percebeu uma demanda de mercado. “Havia uma demanda muito grande por peças de carros franceses, Renault, Peugeot e Citröen, e eu decidi abrir a minha empresa em 1999, especializada nesta linha”.

Eduardo Oliveira, da Remot Autopeças, de Porto Alegre (RS)

A empreitada foi próspera até que chegou a concorrência. “Nós crescemos bastante, chegamos a ter uma equipe de 15 pessoas e hoje somos em três.

Diminuímos de tamanho e faturamento porque os distribuidores nacionais que estão em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul vendem para as oficinas mecânicas e o nosso público passou a ser o consumidor final. Hoje, para ter uma autopeça em Porto Alegre, onde a concentração é muito grande de distribuidores nacionais, tem que ser muito corajoso, muito forte, caso contrário, não aguenta. E tem até fabricantes que vendem pela internet”.

Eduardo comenta que pra atenderem principalmente o consumidor final não há muito como fidelizá-lo pelas vendas serem mais pontuais. “O que nós fazemos é atendê-lo muito bem para que ele se lembre da gente. Também fazemos muita mídia nas redes sociais para que maior parte da população da nossa região saiba quem nós somos”.

O passo seguinte, diz Eduardo, é passar o bastão para a sua esposa. “Ela está na loja há 20 anos. Aqui em Porto Alegre há várias oficinas mecânicas administradas por mulheres e muitas mulheres mecânicas, das boas. Elas vão dominar o setor automotivo e ainda não fizeram isso pelo preconceito que já está terminando. As mulheres sabem quais são as diretrizes e caminhos para conseguirmos algo a mais”.

Rafael da Silva Arruda, da Valdir Auto Peças, de Campo Grande (MS)

Dedicação

Há 11 anos na Valdir Auto Peças, em Campo Grande (MS), e há pouco mais de 10 anos como vendedor, Rafael da Silva Arruda entrou no ramo após terminar o seu contrato de aprendiz na área de faturamento hospitalar. “Era para eu ter ficado em um contrato com o hospital e continuar lá, mas acabou não dando certo. Através do meu pai, eu fiquei sabendo de uma vaga de estoquista/caixa, na Valdir Auto Peças, fiz a entrevista e comecei a trabalhar”.

Ele conta que na época havia uma demanda muito grande que, às vezes, sobrecarregava os vendedores. “Eles eram em quatro e eu comecei a atender os telefones, anotar os pedidos. Comecei a estudar os catálogos eletrônicos e perguntar uma coisa para um e outra para outro. Logo, comecei a assimilar as peças que eu guardava com o que era pedido, as que tinham mais saída. Em pouco mais de seis meses, surgiu uma vaga para vendedor e meu patrão observou meu desempenho e me ofereceu a vaga”.

Segundo ele, de lá para cá o que mais mudou no comportamento do consumidor foi a parte tecnológica. “Hoje, a maioria dos clientes não te liga mais, eles preferem o atendimento digital, mesmo se for pouca a quantidade de itens na cotação. Eles ligam pedindo o seu contato do WhatsApp. Estamos sempre buscando melhorar nosso atendimento, sempre nos atualizando e tentando ser ágil para responder. Confesso que é difícil, pois muitas vezes temos que atender o balcão, o telefone e os clientes pelo WhatsApp. Tem dias que são bem tumultuados, mas sempre procuramos atender todos o mais rápido possível e da melhor forma, dentro da medida do possível”.

Emanuela dos Santos Macambira, da Truckão Auto Peças, de Fortaleza (CE)

Para quem está começando, ele dá uma dica: se esforce! “Pode parecer clichê, mas muitos começam a trabalhar conosco e não têm a paciência de esperar o processo, já querem começar por cima. Têm que buscar conhecimento e agradar seu cliente. A tecnologia te oferece tudo na palma da mão e o conhecimento está muito mais acessível, é só buscar. Cada vez mais está faltando mão de obra qualificada. É uma área que dará um bom retorno”.

E acrescenta que tudo o que conquistou se deve a Deus. “Ele sempre me abençoou e fez isso através dessa profissão. Materialmente falando, eu tenho minha casa própria e meu carro. Em relação ao meu conhecimento técnico, a empresa na qual eu trabalho (linha pesada) é especializada em Volkswagen e Ford Cargo. Hoje eu tenho um conhecimento bem extenso”. Carisma Em Aparecida de Goiânia (GO), Pedro Henrique Gomes da Silva começou em autopeças em 2017 na Bacanão Acessórios e há pouco mais de um ano, ele está na Dadinho Truck Center. “Na Bacanão, eu cuidava da manutenção e organização da Loja, na Dadinho eu já vim como vendedor”. Para se atualizar, ele busca informações. “Eu acompanho muito o nosso mercado, vejo todas as dicas que envolvem a área de caminhoneiros e logística, para saber qual é o meu próximo passo e qual é o cliente que eu posso ir atrás”.

Ele comenta que nos dias de hoje muitos clientes procuram mais pela qualidade do que pelo preço. “Mesmo que ele seja um pouco mais acima, eu costumo falar para os meus clientes que eu não trabalho com preço, mas com qualidade. Os que compram comigo se fidelizaram pela qualidade do meu trabalho e pela nossa mão de obra”. Para isso, ele coloca o carisma em primeiro lugar no seu atendimento. “Em qualquer lugar, quando o cliente é bem tratado a tendência de ele comprar é maior. Eu procuro atendê-lo de forma mais didática. Desta forma, a gente vai construindo um bom relacionamento”.

E deixa uma dica para quem está começando. “Conheça o catálogo. Quando eu comecei no ramo, eu o levava para casa todos os dias para eu aprender e fortalecer o meu conhecimento. Não adianta querer vender o que não conhece”, afirma, dizendo que sua maior conquista com a sua profissão foi com o seu conhecimento, “o que nunca pode ser tirado da gente” e a meta que ele traçou, a conquista da casa própria.

Ailton Gonçalves, da Delmar Autopeças, de Salvador (BA)

O seu sonho é ter o seu próprio negócio. “Eu tenho esse desejo no meu coração, o de abrir a minha própria empresa, e ter a parceria com os meus atuais patrões, pois a gente não chega a nenhum lugar sem parcerias”.

Vontade de aprender

Na HJL Autopeças, conhecida como Herculano Autopeças, em Salvador (BA), Walison Mattos trabalhou como auxiliar de mecânico e também como mecânico. Com o passar do tempo, passou a vender no balcão. “Passei a desempenhar as duas funções ao mesmo tempo, intercaladamente. Quem está nesta profissão tem que gostar de trabalhar com o público e, principalmente, com a linha automotiva. Acompanhar as mudanças e se atualizar sempre”, diz.

O que lhe despertou em vendas, afirma ele, foi a vontade de aprender e de se desenvolver. “Eu fui aprendendo na oficina. Não trabalhei no estoque, mas todo mundo tem que ter um pouco de estoquista para entender do negócio de autopeças e estar sempre atento aos catálogos e às novidades. As palestras foram retomadas, o que ajuda muito a aprimorar o conhecimento de quem são os fabricantes”.

Antonio Flávio da Silva Costa, da Casseb Autopeças, de Belém (PA)

Fruto do seu trabalho, hoje ele tem seu carro, sua moto e a casa própria. Seu sonho é “buscar crescer cada vez mais junto à empresa a qual eu faço parte e cada vez mais me expandir e ocupar mais lugares junto ao mercado”. Para quem está começando, ele orienta “se permitir ao conhecimento, respeitar os colegas e os clientes e sempre buscar dar o melhor de si”.

Boa ouvinte

No ano 2000, Emanuela dos Santos Macambira entrou como telefonista na Truckão Auto Peças, em Fortaleza (CE). “Eu tinha acabado de fazer 18 anos e de sair de uma empresa de telemarketing; e eu estava procurando emprego. Comecei como telefonista e, na época, o gerente me pediu para auxiliar a menina do financeiro/ cobranças. Depois, ele falou que eu poderia fazer consultas e dar preços por telefone quando o cliente ligasse sem procurar diretamente um vendedor. E, se eu conseguisse fazer as pesquisas, eu poderia dar os preços. Em seguida, ele me colocou no balcão”.

Para se atualizar, ela recorre aos catálogos. “Como somos multimarcas, a área é muito grande para ser atendida, nós sempre estamos procurando atualizar os nossos catálogos. Eles são todos online, acabou aquela época do papel, se bem que algumas vezes a gente recorre a eles. As atualizações são perfeitas para buscarmos conhecimento”.

Gleison Lopes de Macedo, da Parente Autopeças, de Porto Nacional (TO)

Quanto ao atendimento, ela explica que o principal é saber ouvir o cliente. “Justamente para saber o que ele está precisando. Às vezes, ele vem procurando uma coisa e precisa de outras que ele não está conseguindo visualizar. Uma boa escuta é sempre o ideal”, ela acrescenta que a tecnologia aumentou o número de clientes no balcão.

“Isso mudou bastante. Quando eles chegam é porque já houve um contato anterior, principalmente pelo WhatsApp. Na maioria das vezes, eles já vêm com as informações que antes a gente tinha que pedir, como uma foto e uma referência. Eles já entram em contato munidos com essas informações”.

Do seu trabalho, ela comenta que já conquistou e já trocou o seu carro, e que ajeitou a sua casa. O seu desejo é concluir a faculdade de Serviço Social. “Eu não consigo conclui-la, pois eu preciso estagiar e não consigo trabalhando. Por enquanto a faculdade está em segundo plano, até porque eu tenho um filho para cuidar e preciso pensar primeiro nele”.

Atualização, sempre

João Henrique Ribeiro, diretor de Criação da Dolfyn

Ailton Gonçalves, da Delmar Autopeças, em Salvador (BA), entrou no ramo de autopeças em 2003 na área de limpeza, onde ficou por apenas um dia. Vendo o seu potencial, o dono da loja o colocou no estoque, onde ele foi aprendendo no dia a dia. “Depois de passar por todos os processos no estoque, como na garantia, devolução e recebimento, e dando o melhor de mim, eu tive a oportunidade de ser vendedor. A minha experiência, em alguns anos no estoque, me ajudou muito e também a minha desenvoltura e a minha vontade de aprender fizeram com que logo eu me transformasse em um vendedor”.

No atendimento, a primeira coisa que ele pratica é o sorriso no rosto e o olhar fixo no cliente. “Tem que entender a necessidade dele para orientá-lo em relação às marcas de peças, qual é a melhor opção para o carro dele. É fazer com que ele perceba que eu estou ali não simplesmente para vender uma peça, mas para dar a solução para o problema que ele tem. A melhor forma para isso é mostrando o meu potencial, o meu conhecimento”.

Para ele, a maior gratificação é o agradecimento. “É tão gratificante quando ele agradece pela ajuda, pelo atendimento. Eu troco toda a minha comissão só pelas palavras de agradecimento dele”. Ele também fala sobre as suas conquistas.

“Graças a Deus, com todo o meu esforço e o meu empenho, eu venho adquirindo e concretizando sonhos, como a minha casa própria, meu carro, minha moto, um apartamento e sempre levando o pão de cada dia para a minha família, para o meu filho. Isso tudo vem do meu trabalho. E como pessoa, eu adquiri conhecimento e elogios de muitos clientes. Sou qualificado como um ótimo vendedor e isso faz com que eu possa melhorar cada vez mais o meu atendimento para me ajudar e ajudar as pessoas”.

Rogero Monteiro Neves, gerente Regional de Vendas da Up Brasil

Sobre o futuro, diz ele, “hoje eu sou vendedor, para eu subir um degrau só sendo gerente e se isso acontecer eu não quero simplesmente ser gerente para mandar, mas para fazer a diferença na empresa em que eu estou vestindo não uma, mas duas camisas. É isso o que almejo mais para frente”.

Gratificação

Em Belém (PA), Antonio Flávio da Silva Costa, da Casseb Autopeças, começou como estoquista em 2008. “Eu só conhecia carros por fora, quando eu cheguei fui tentando ganhar meu espaço e sempre me orientaram. Eu fui conhecendo as peças e participei de muitas palestras até chegar ao balcão”.

Nos dias de hoje, ele diz que a internet e as palestras ajudam muito na parte de atualização. “A área automotiva sempre inova e as palestras são bem dinâmicas, bem produtivas para nós balconistas nesta área de autopeças, também busco informações com os mecânicos, os nossos parceiros, e também por vídeos no YouTube e pelos catálogos eletrônicos”.

Marcos Ribeiro, fundador e CEO do Grupo FJK

Na sua região, ele conta que a concorrência é acirrada. “Ao nosso redor, foram abertas muitas lojas de autopeças, então, cada cliente que entra é um prazer recebê-lo e eu tento fazer isso da melhor forma possível, com qualidade e excelência no atendimento, ouvindo-o para tentar resolver o que ele precisa da melhor maneira para tentar fidelizá-lo. É muito gratificante ouvir um obrigado do cliente, ouvir que a gente ajudou. Esse é o prazer da vida de um balconista”.

Antes de autopeças, Antonio trabalhou na feira e em uma padaria. “Desde pequeno eu atendia os clientes e eu amo fazer isso”. Do comportamento do cliente, ele avalia que o que mais mudou foi a informação. “Ele já vem mais informado, pesquisou e me mostra o que precisa. Por isso, nós precisamos estar sempre atualizados e conhecer a área em que estamos trabalhando”.

Ele conta que aos poucos foi conquistando as suas metas, a casa própria, a moto e o carro, e que é formado em Contabilidade. “Agora, eu quero fazer a pós-graduação de Gestão Empresarial. Em todas as reuniões feitas aqui na empresa, eu comecei a ter uma visão mais empresarial. Na área automobilística, eu pretendo crescer fazendo palestras, pois a área do comércio é muito oscilante, depende muito do momento e da situação econômica do País. É preciso saber trabalhar com as mudanças, não ficar conformado, mas sim, tentar inovar e produzir”.

Vender bem é uma arte

Na Parente Autopeças, em Porto Nacional (TO), Gleison Lopes de Macedo começou em 2001. “Eu nunca tinha trabalhado com venda de autopeças, eu tinha trabalhado na farmácia. Comecei na limpeza, depois fui para a parte de entregas e vendas. Quando entrei aqui, eu não sabia nada de marcas e modelos de carros”. Para se atualizar, Gleison recorre aos catálogos e sites dos fabricantes. “Neles, há sempre notícias sobre atualizações de antemão”.

Na sua região, vender bem é uma arte que tem grande peso no atendimento. “Aqui, nós temos uma dificuldade muito grande do pessoal querer fazer gambiarras, adaptações nos carros. Se eu vejo isso por parte de algum cliente, eu recuso a venda, digo que não vou vender a peça errada porque sei que ele terá uma dor de cabeça lá na frente, o barato sai caro. Eu explico e o oriento”.

Com essa característica, ele informa que o cliente ainda procura muito pelo preço, mas focando na qualidade da marca. “Muitas vendas acontecem pela marca. Antes, o cliente comprava pelo mais barato, hoje pelo conhecimento, por conta da internet, isso mudou. Ele já entende um pouquinho e alguns já vêm com o nome da marca anotado na mão”.

Para quem está começando, ele orienta, “entenda muito bem como usar o catálogo da marca, isso ajuda muito a vender. Depois e até para agilizar o atendimento, o passo seguinte é conseguir vender a peça sem usar o catálogo”, conclui.

Habilidades Comportamentais

Pela experiência de João Henrique Ribeiro, diretor de Criação da Dolfyn, criação de conteúdos de treinamentos, cada vez mais os vendedores têm que entender mais de cliente do que de produto. “Principalmente, ouvi-lo bastante, ser um bom ouvinte, e ter uma boa comunicação para atender a necessidade do cliente. A venda é um processo de confiança. Para isso, é preciso estabelecer um relacionamento com uma boa comunicação para conseguir me aproximar do cliente”.

Dos treinamentos realizados, ele concluiu que a maioria dos vendedores é trabalhador para argumentar, falar, e poucos têm a capacidade de ouvir genuinamente o cliente, para entender as suas necessidades e de fato oferecer o que for melhor para ele. “Muitas vezes, os vendedores tradicionais não estão preocupados com a dor do cliente, eles focam em vender mais para o cliente. Mas com isso a gente percebe que a venda fica muito restrita. Se o cliente se sente enganado, ele não volta mais e vai comprar de outro fornecedor”.

Não importa a área, João diz que tirando as competências técnicas, as habilidades comportamentais dos vendedores são muito parecidas. “Principalmente quando ele percebe que a sua profissão está mudando, está muito mais consultiva e muito mais relacional, e aí cai a ficha: não importa o que ele venda, as competências comportamentais são as mesmas”.

Realização

Gerente Regional de Vendas da Up Brasil, uma das primeiras empresas de benefícios do mundo, Rogero Monteiro Neves coordena uma equipe de oito pessoas e, pela sua vivência, ele coloca que o primeiro ponto para ser um bom vendedor é acreditar no produto que está vendendo. “O bom vendedor se realiza com a constância da venda do produto. Ele tem que acreditar, ter a confiança e a credibilidade através do produto”.

E sempre se aperfeiçoar. “Da mesma forma que o potencial cliente busca conhecimento pela internet, o vendedor também tem que fazer o mesmo. Ele não pode ficar aguardando que a informação vá até ele, ele tem que pesquisar todas as possibilidades que ele tem. A rede social é um canal que temos para o autotreinamento e fora isso, não tenha dúvida de que a empresa precisa dar os treinamentos técnicos para aprimorar cada vez mais o vendedor e estar sempre buscando novidades e se atualizando em relação a isso. Uma dica é praticar no treinamento algo novo, como por exemplo a equipe no treinamento assistir seus pares na execução de algo na prática”.

Características

Fundador e CEO do Grupo FJK Hidráulica e Serviços, Marcos Ribeiro, explica que algumas características são essenciais para um bom vendedor. “Algumas delas muitas pessoas já possuem naturalmente, mas também é possível desenvolver, basta estudar, se dedicar e desenvolver as habilidades, tais como: boa comunicação, perspicácia ao saber diferenciar as possibilidades e interesses de cada cliente. Resiliência e constância nos contatos e relacionamentos, persuasão nas negociações e empatia. Além disso, quando você cria uma conexão com o cliente, você acaba entendendo o que está nas entrelinhas, conquistando mais chances de fechar o negócio”.

Para ser um bom vendedor, ele comenta que é preciso manter e ter constância nos relacionamentos e contatos. “Para você fidelizar o cliente, precisa de constância no contato, em resumo, manter-se presente, e com os relacionamentos o mais aquecido possível. Se coloque sempre à disposição do cliente, para que ele entenda que pode contar com você”.

Ele também defende a importância dos treinamentos, “uma vez que os termos, práticas e ferramentas, validam o atendimento, e esses, sofrem alterações e/ou evoluções constantes. É importante investir no conhecimento constante, assim, você consegue se destacar e ser autoridade dentro do seu ramo de atuação”. E que o cliente precisa sentir segurança ao adquirir um produto ou serviço. “Ele precisa perceber que você conhece o que está vendendo. Objetividade e clareza também são importantes para passar mais propriedade e segurança na comunicação. E empatia”.

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