BA 193 | Valtermário Rodrigues explica a omissão no ambiente de trabalho

Omissão, por definição, é o ato ou efeito de omitir. É o deixar de fazer, dizer ou escrever. É o não agir quando se esperaria que o fizesse.

Uma pessoa é, portanto, omissa, na medida em que não cumpre seus deveres, não é aplicado naquilo que faz, é desleixado, distraído, ausente, relapso e negligente.

Sobre o pecado da omissão, na Bíblia, em Tiago 4:17, diz: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”.

Há uma diferença entre a omissão de um fato e a mentira: enquanto na omissão algo deixa de ser dito e é mantido em segredo, na mentira se altera, cria e distorce os fatos.

“O que me preocupa não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas”

Martin Luther King

Quem nunca contou uma mentirinha ou omitiu um fato para evitar um conflito desnecessário, uma fofoca ou ressentimentos que “atire a primeira pedra”. O problema é quando mentiras acabam por se transformar em verdades, tamanho o poder de persuasão daqueles que adotam esse tipo de conduta em seus relacionamentos. De igual forma, a omissão é, também, prejudicial aos relacionamentos, afinal, sempre esperamos do outro uma postura leal, verdadeira, empática, respeitosa e assertiva.

Imagine a seguinte situação:

“Como foi o seu dia”? Perguntou a esposa ao marido, após o dia de trabalho! Ele assim respondeu: “tive um dia bastante tranquilo”.

A conversa se desenvolveu e a partir daí ele contou em detalhes alguns acontecimentos durante o seu dia:

– “Logo cedo, embora eu tenha presenciado um acidente de trânsito em que uma pessoa saiu ferida, bem no momento em que eu estava passando pelo local, resolvi não parar, pois sei que pessoas curiosas sempre aparecem nessas situações e acabariam por prestar socorro aos envolvidos no acidente, e segui meu caminho até a padaria onde passei para tomar um café”;

– “Na padaria, presenciei uma situação bem desagradável, em que o gerente foi extremamente grosseiro e injusto com a atendente, por conta de uma situação em que não foi ela quem deu causa ao fato. Como eu não tinha nada a ver com a situação, paguei a conta e logo saí do local”;

– “Na saída, me deparei com um pedinte. Até percebi que ele realmente estava com fome. Pediu-me umas moedas que recebi de troco do café, porém, apressado, acabei indo embora com as moedas”;

– “Já no trabalho, uma reunião foi marcada e eu me ausentei, comuniquei aos demais colegas que assinaria embaixo concordando com tudo o que eles decidissem”;

– “E, finalmente, cansado, acabei por não passar na bienal para comprar o livro do nosso filho, conforme você me pediu. Faremos isso até o final dessa semana”. A esposa o ouviu atentamente e perguntou: “você não acha que foi omisso em todas essas situações descritas? Pense nisso, reflita e, em outro momento, voltamos a conversar sobre esse assunto”.

Tudo tem limites! Ser omisso ao extremo, tolerar demais e adotar uma postura sempre pacífica, não se posicionar diante um fato que o atinge ou atinge um grupo o qual você está inserido pode implicar em ressentimentos, mágoas e prejuízos às relações, sejam elas pessoais e/ ou profissionais. É importante se atentar e evitar a preocupação excessiva para com as atitudes do outro.

No momento em que as atitudes do outro lhes afetam diretamente e limites são ultrapassados, causando certo desconforto, incômodo e até perda do sono, cabe uma atitude mais efetiva, com foco na ação e não na pessoa.

No dia a dia, podemos nos deparar com situações de omissão. É omisso, portanto, o sujeito, que:

1. Fecha os olhos perante uma situação de injustiça;

2. Não exerce o seu direito de votar e opta por apertar a tecla do branco ou nulo em uma eleição;

3. Por medo de errar, prefere adiar a execução de uma tarefa ou não assume e transfere aquilo que é de sua responsabilidade para outra pessoa;

4. Reclama, reclama, reclama… não sai da zona de conforto e nada faz em prol de uma mudança;

5. Em uma situação de acidente de trânsito não presta socorro à(s) vítima(s).

As empresas buscam profissionais que se posicionem, que não fiquem “em cima do muro”. Buscam, portanto, profissionais que não sejam omissos. Desejam ter em suas equipes, pessoas que tomem decisões e as assumam. Em empresas de sucesso, não há espaço para aqueles que apenas dizem “amém” e concordam com tudo, que adotam a postura extremamente política, com base naquilo que lhe é mais conveniente ao momento.

Logicamente que não estamos pregando uma guerra. Impor suas posições a qualquer custo, pela pressão emocional ou pela elevação do tom de voz, não é atitude inteligente. Educação, equilíbrio e assertividade são características de pessoas que se posicionam com firmeza, não se omitem e que, nem por isso são agressivas, afinal, sabem ouvir, usam da empatia, dão feedbacks de forma positiva e respeitam as opiniões contrárias.

Alguns ditados populares podem ser caracterizados com omissão:

– “Eu danço conforme a música”;

– “Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe”;

– “Qualquer prazer me diverte”;

– “Cego é aquele que não quer ver”;

– Nessa situação, prefiro “ficar em cima do muro”.

Por fim, a minha querida esposa, agradeço pelo feedback sobre o texto. Ela não se omitiu ao comentar que o tema, omissão, verdadeiramente, é bastante interessante e possibilita importantes reflexões.

Até a próxima edição, se Deus quiser!

*Valtermário Rodrigues (foto) é Analista Administrativo Sênior da Distribuidora Automotiva S/A – Filial Salvador; Bacharel em ADM; MBA em Gestão de Empresas; MBA em Liderança Coaching; Co-autor dos livros “Ser Mais Inovador em RH” – “Motivação em Vendas” e “Planejamento Estratégico para a Vida”

Compartilhe