Paralisação das montadoras de automóveis afetam indústrias de autopeças

Desaceleração do mercado automobilístico começa a provocar efeitos também no setor de autopeças, que prevê interrupção na produção com redução da jornada de funcionários e férias coletivas

Por g1 Vale do Paraíba e Região

A paralisação de montadoras no Brasil por conta da desaceleração do mercado automobilístico começa a provocar impactos também no setor de autopeças, que prevê períodos de interrupção na produção e redução na jornada dos funcionários.

Com os trabalhos parados nas fabricantes de veículos, as indústrias de autopeças do país são diretamente afetadas, já que, na teoria, não haverá para quem vender os equipamentos nas próximas semanas, período em que diversas montadoras estarão em férias coletivas.

Como a paralisação de montadoras afeta as indústrias de autopeças do país — Foto: Swen Pfoertner/Pool via Reuters/Arquivo

Na última segunda-feira (20), o g1 noticiou as medidas que as fabricantes têm tomado para evitar o aumento do estoque, tendo em vista que a comercialização dos carros não tem sido positiva desde que o ano começou.

Agora, o g1 entrou em contato com os sindicatos do setor e com as principais indústrias de autopeças da região do Vale do Paraíba para entender como o ramo é impactado. Veja abaixo:

São José dos Campos

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) informou que, das três maiores fábricas de autopeças da cidade, duas iniciaram um período de férias coletivas aos funcionários.

Segundo o órgão, a redução na produção foi motivada em reflexo às férias coletivas adotadas pela Hyundai.

TI Automotive:

  • férias coletivas: do dia 20 ao dia 31 de março
  • número de funcionários afetados: 90 (total de 350 funcionários)

Parker Hannifin:

  • férias coletivas: do dia 20 ao dia 31 de março
  • número de funcionários afetados: 100 (total de 300 funcionários)

Outras indústrias do município, como a Eaton e a Prolind, ainda não foram impactadas diretamente.

Fábrica da Hyundai em Piracicaba, interior de São Paulo — Foto: Divulgação/Hyundai

Taubaté

Já em Taubaté (SP), cidade vizinha de São José, o Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmetau) informou que apenas três indústrias da cidade foram afetadas até o momento. Sã elas: Goodyear, SM e SAS.

De acordo com o sindicato, elas somam 202 funcionários e darão férias coletivas a 95% do quadro no mesmo período de férias da Volkswagen.

Outras 10 empresas questionadas informaram que, até o momento, não têm previsão de paralisação.

Fábrica da Volkswagen em Taubaté — Foto: Volkswagen/Divulgação

A Gestamp explicou ao g1 que não tomou nenhuma medida pois ainda não sentiu os impactos, mas que pode ser afetada nas próximas semanas. Férias coletivas, revezamento por banco de horas ou layoff são avaliados.

Segundo a empresa, praticamente todas as montadoras do Brasil são clientes. Além disso, a unidade de Taubaté fornece também peças para outras unidades do país e, por isso, ainda não houve necessidade de interromper a produção.

A Powercoat informou que sentiu os reflexos da desaceleração do mercado, mas até o momento não foi necessário adotar medidas para redução de jornada ou afastamento de funcionários.

Outras indústrias do município que foram acionadas, como por exemplo a Mubea e a Autoliv, ainda não responderam aos questionamentos da reportagem.

Gestamp de Taubaté — Foto: Gestamp

Paralisação das montadoras

Com o mercado em desaceleração, ao menos quatro montadoras anunciaram férias coletivas entre março e abril em suas fábricas no Brasil. As paralisações na produção vão ocorrer em unidades da General Motors, Hyundai, Volkswagen e Stellantis, que reúne marcas como Fiat, Peugeot, Citroën.

Além da falta de componentes para produção, as paradas visam adequar a produção à demanda do mercado. Na prática, as montadoras vão pisar no freio para evitar a formação de grandes estoques, motivados pelo atual cenário econômico.

Um dos motivos é a inflação alta – o aumento do preço de carros vem desde o final de 2020 e tem sido sentido cada vez mais pela população, que, aliado a isso, ainda está com o poder de compra reduzido.

Recentemente, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou e confirmou que a demanda já dava sinais de desaceleração para 2023.

Montadoras de carro adotam férias coletivas por queda nas vendas e desaceleração do mercado — Foto: Thomas Peter/Reuters

Durante coletiva de imprensa em fevereiro, o presidente da associação, Márcio de Lima Leite, explicou que, apesar de um aumento de quase 13% nas vendas em janeiro, era esperado um crescimento maior.

Na ocasião, ele alertou para a necessidade de redução da taxa de juros para volta do crescimento do setor.

“O desempenho do primeiro bimestre, limitado pelas condições de crédito e oferta de suprimentos, reforça a necessidade de promover o reaquecimento do mercado e as cadeias locais de produção”, disse Leite.

Até aqui, ao menos quatro montadoras confirmaram férias coletivas para adequar a produção e evitar a criação de estoque no país. São elas: Volkswagen, General Motors, Hyundai e Stellantis.

O g1 entrou em contato com as empresas para entender a adoção da medida. Confira abaixo:

Volkswagen

A montadora alemã confirmou que dará férias coletivas a dois mil trabalhadores na fábrica de Taubaté (SP). Serão 10 dias, que começam na próxima segunda-feira (27).

De acordo com a fabricante, a medida tem como objetivo a manutenção da linha de produção da unidade e ainda a instabilidade na cadeira de fornecimento de componentes, como por exemplo os semicondutores.

Fábrica da Volkswagen em Taubaté — Foto: Volkswagen/Divulgação

General Motors

Outra fabricante da região do Vale do Paraíba a adotar férias coletivas foi a General Motors. A medida atingirá três mil funcionários da unidade de São José dos Campos (SP) – cerca de 80% da área de produção – e também terá início no próximo dia 27.

A empresa não respondeu aos questionamentos feitos pelo g1, mas o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade explicou que o objetivo também é ajuste de estoque por conta da desaceleração do mercado e queda das vendas.

Fábrica da GM em São José dos Campos — Foto: GM/Divulgação

Hyundai

A multinacional sul-coreana informou que concede férias a partir da última segunda-feira (20) até o dia 2 de abril. São afetados 2 mil colaboradores de três turnos de produção e equipes administrativas de sua fábrica de veículos em Piracicaba (SP). Não estão incluídas operações da fábrica de motores, na mesma unidade, que seguirão normalmente.

De acordo com o comunicado enviado pela empresa, a decisão visa adequar os volumes de produção para o mês de março, evitar estoque e acompanhar dinâmica do mercado interno de veículos para o primeiro trimestre.

Ainda segundo a Hyundai, os volumes de produção programados para os outros meses do ano permanecem programados.

Produção de veículos na fábrica da Hyundai, em Piracicaba (SP) — Foto: Divulgação/Hyundai

Stellantis

Dona das marcas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, a gigante franco-ítalo-americana adotou férias coletivas na planta de Goiana (PE) a partir de quarta-feira (22). A medida segue até o dia 10 de abril e atinge um de três turnos de trabalha na fábrica.

A partir do dia 27 de março, os demais turnos também serão interrompidos e retornarão no dia 6 de abril.

De acordo com a multinacional, o objetivo também é ajustar o volume de produção à demanda disponível no momento.

Produção de veículos na fábrica da Stellantis em Goiana (PE) — Foto: Divulgação/Stellantis
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