Você sabe como fazer o uso correto do fluxo de caixa do seu negócio?

O controle da movimentação de entradas e saídas de dinheiro do caixa só traz benefícios para a sua empresa. Saiba como fazê-lo na prática

Por Karin Fuchs

Segundo o Sebrae, 7% das empresas fecham por falta de lucro e 20% por falta de capital. O mais alarmante é que 50% dos pequenos empresários fecham suas portas porque não sabem calcular se tiveram lucro ou prejuízo com a empresa. “É muito comum ouvir empreendedores dizerem que preferem o comercial ao financeiro e que o importante é vender e depois controlar. Vender é muito importante sim, mas pensar na gestão e olhar o financeiro também é importante. São duas forças que precisam caminhar juntas”, afirma Karla Küster, CEO e consultora na Credita CGE.

Para entender a movimentação de entradas e saídas de dinheiro do caixa da empresa, uma ferramenta é o fluxo de caixa que possibilita controlar as contas a pagar e as contas a receber, e mensurar faturamento e lucro. Para isso, diz Karla, “o gestor deve conhecer suas receitas e suas despesas, deve saber como funciona a empresa financeiramente. São essas informações que vão fazer com ele saiba o que deve fazer, como deve gerir a empresa”.

Karla Küster, CEO e consultora na Credita CGE

 

O que é o fluxo de caixa?

O fluxo de caixa é composto de entradas e saídas. As entradas são recebimento de clientes, venda de ativos, rendimentos de aplicações, juros recebidos e saídas: pagamento de tributos, aluguel, matéria prima, salários, benefícios, investimentos, pagamento de dívidas, retiradas, entre outros. As saídas são os custos e despesas fixas e variáveis.

“Despesas fixas são tudo que independe de o negócio estar aberto, como por exemplo, água, luz, aluguel e telefone. As variáveis são os valores que acontecem quando o negócio está funcionando, como por exemplo, fretes, correio, compra de produtos para venda. O lançamento correto desses valores, de acordo com a linha do tempo, permite visualizar como está a empresa. Isso certamente ajuda nas tomadas de decisões e esse é o objetivo do fluxo de caixa, tomar decisões para crescer”, explica. 

Karla orienta que o controle financeiro deve acontecer sempre. “Rotinas de conciliação bancária devem ser diárias. O empresário precisa conhecer o ponto de equilíbrio da empresa e sobre essa informação chegar na sua meta comercial. A periodicidade é diária”, enfatiza.

Em autopeças

Em se tratando de autopeças, onde há a preocupação em ter as peças em estoque para atender prontamente o cliente, a dica de Karla para que seja feito um estoque saudável, sem que comprometa o dinheiro da empresa, ou seja, sem que se transforme em dinheiro parado, é ter controle sobre as vendas.

“Através de uma curva ABC é possível entender quais são os serviços mais frequentes e quais são as peças mais necessárias em se ter em estoque. Para que isso seja possível são necessários registrar corretamente todas essas informações e um sistema operacional”, orienta.

Erros a serem evitados

Entre os principais erros na gestão do fluxo de caixa, Karla pontua: “não fazer a conciliação bancária diariamente; não fazer os lançamentos corretamente, de acordo com as naturezas das despesas e das receitas; não trabalhar com previsões e não ter um fluxo de caixa previsto, e não analisar o fluxo de caixa e, portanto, não tomar as devidas providências”.

Outra dica é não misturar a conta jurídica com a conta pessoa física. “Não olhe somente para o saldo da conta corrente a ache que sua empresa está rica! Entenda que aquele dinheiro que está ali é da empresa e não do dono da empresa!”, ainda de acordo com ela, “o empresário precisa entender que são duas pessoas, a física e a jurídica. A dica é ele saber qual o valor que ele precisa para o mês e trabalhar para garantir essa retirada sem prejudicar a empresa. O fluxo de caixa pode ajudar”, conclui.

BOX

Vantagens apontadas por Karla de ter um fluxo de caixa

– Facilitar a tomada de decisão;

– Identificar desperdícios, como aumentos de contas de água resultantes de um vazamento;

– Justificar todas as despesas, pois todas as contas devem ser corretamente lançadas; 

– Mostrar aumentos de valor de fornecedores, pois os valores podem ser comparados mês a mês;

– Entender se existe sazonalidade na entrada e saída de valores;

– Estabelecer uma política de corte de despesas, especialmente quando identificar gastos com itens supérfluos ou desnecessários;

– Investir mais em marketing para aumentar as vendas;

– Fazer orçamentos mais próximos à realidade do negócio, uma vez que as entradas e as saídas ficam mais claras;

– Permitir negociar datas melhores para pagamentos de fornecedores de acordo com as entradas de recursos financeiros,

– Facilitar o entendimento de necessidade de crédito, chegando ao valor necessário para cobrir as contas da empresa.

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