Nesta entrevista, Hawan Moraes, CEO e fundador da Simples Inovação e Forbes Under 30, esclarece o que é esta nova ferramenta e como ela ajuda o varejista a potencializar negócios e se manter competitivo
Por Karin Fuchs
O ChatGPT é uma tecnologia que permite que a inteligência artificial compreenda e processe informações em linguagem natural de forma eficiente e sofisticada. Com respostas rápidas e precisas, semelhantes às de um ser humano, esta plataforma está transformando a forma como os consumidores interagem com as marcas na internet.
Nesta entrevista, Hawan Moraes, CEO e fundador da Simples Inovação e Forbes Under 30, esclarece como o ChatGPT pode se transformar em uma poderosa ferramenta para a competitividade do varejo de autopeças.
Balcão Automotivo – O que é o ChatGPT?
Hawan Moraes – O ChatGPT é uma sigla para “Generative Pre-Trained Transformer”, traduzindo, ele é transformador, pré-treinado e generativo. Ele tem a capacidade de substituir trabalhos que são basicamente braçais ou de consultas de informações. Por ele ser pré-treinado, o seu índice de confiabilidade depende dos dados que são colocados nele.
Ele não tem a capacidade de inventar coisas, ele responderá pela capacidade do que ele conhece. Portanto, se ele recebe uma informação equivocada, ele também responderá de forma equivocada. Por exemplo, se uma montadora lançar um novo carro e não for atualizado na base de dados do ChatGPT, ele não conseguirá responder de maneira certa a dúvida de algum cliente.

BA – De que forma ele se aplica no varejo de autopeças?
HM – Para citar alguns exemplos, conferir o estoque e entender quais peças têm disponíveis, quais estão faltando, quais estão com estoque baixo e quais têm a previsão de aumentar as vendas, é uma tarefa manual que ele consegue substituir. Dúvidas dos clientes sobre qual é a peça certa para o seu carro, ele também pode responder, lembrando que no banco de dados do ChatGPT as informações precisam estar corretas.
BA – Podemos afirmar que ele é benéfico tanto para os clientes como para os vendedores?
HM – Sem dúvida, ele pode agregar nas duas pontas. O ChatGPT facilita a vida do usuário final, pois ele trabalha 24 horas, todos os dias. Imagina uma situação em que o carro do cliente quebra em um horário em que a loja está fechada, por ele, se consegue dar uma resposta em tempo real muito mais rápida. O ChatGPT já manda o link da peça que ele precisa. Para o vendedor, a loja está oferecendo uma experiência de compra melhor para o seu cliente.
BA – Quais dicas podemos dar para os varejistas e vendedores se familiarizarem com esta ferramenta?
HM – O ChatGPT tem uma versão gratuita para fazer as perguntas mais diversas e curiosas. É divertido fazer esse primeiro contato para se familiarizar.
Como eu disse anteriormente, as respostas corretas desta ferramenta dependem de como foi alimentado o seu banco de dados. Tanto que nesta versão gratuita, eu perguntei para o robô quem era Hawan Moraes e ele me respondeu, de forma errada, que eu era um jogador de futebol.
BA – E quais são as dicas para uso profissional?
HM – Para ter uma aplicação profissional, só é possível na versão paga, a qual é possível fazer o treinamento e incluir um banco de dados para consulta, por uma interação que chamamos de API (camada de interação entre uma base de dados e um aplicativo que se alimenta desses dados). Para usar o ChatGPT, é necessário contratar uma empresa ou ter um time de tecnologia interno que seja capaz de manejar essa ferramenta.
O que falamos muito sobre o ChatGPT é que ele não é exatamente apertar parafuso, é saber qual parafuso apertar. Se não souber como fazer a arquitetura dos dados, eventualmente você pode ter um resultado ruim e, ao invés do ChatGPT te ajudar, ele acabará gerando um problema de vendas de peças erradas. É sempre recomendado ter uma empresa de tecnologia dando suporte para garantir a experiência de qualidade.
BA – Muito se fala que esta tecnologia eliminará muitos empregos. Qual é a sua visão sobre isso?
HM – Quando a gente entra nesta questão que vai tirar empregos, nos esquecemos que é uma moeda de dois lados. Ela vai extinguir alguns empregos e, por outro lado, vai gerar outros. O que vemos muito com a inteligência artificial, com o avanço da tecnologia, é que, em geral, ela tira tarefas que são mais repetitivas, então, ela dá tempo para a gente fazer trabalhos que são mais criativos, que demandam maior conhecimento.
O ChatGPT só responde correto se você souber fazer o direcionamento, o que chamamos de prompt, então, está surgindo o emprego de operador de ChatGPT, começa a abrir um novo mercado. É o mesmo quando começaram a surgir os carros e eles tiraram os empregos de quem fazia ferraduras para os cavalos, mas surgiram as profissões de mecânicos, borracheiro, entre outras.
BA – Por que o ChatGPT tem gerado tanta polêmica?
HM – Assim como qualquer nova tecnologia, há um nível de estresse em que as pessoas começam a ter alguma dor ou alguma dificuldade, muita gente fica ansiosa, com medo e começa a negá-la, até chegar à curva de aceitação. Tem uma frase que ficou famosa que diz, “o cavalo está aqui para ficar, mas o automóvel é apenas uma novidade, uma moda”, (frase do presidente do banco de Michigan, alertando o advogado de Henry Ford para não investir na montadora, em 1903). É basicamente a mesma coisa. É óbvio que quando há uma nova tecnologia, isso gera desconforto e dúvidas. A tecnologia é uma ferramenta, ela vai ser boa ou ruim, dependendo de como vamos trabalhá-la. O fogo foi uma revolução, tem gente que fez a pólvora para a guerra e tem gente que fez a churrasqueira para fazer o churrasco.
BA – E é um caminho sem volta?
HM – Sem dúvida. Mais do que o futuro, já é o presente, pois já utilizamos a inteligência artificial no varejo desde 2016. O ChatGPT agora está em alta, mas não é a primeira tecnologia a ser aplicada de inteligência artificial. A Amazon a utiliza no site dela, desde os anos 2000. Agora, com o ChatGPT, o passo que damos é a tecnologia e a inteligência artificial se tornando mais acessíveis. É entender que vamos para esse caminho.
BA – Finalizando, qual mensagem você deixa para o varejo de autopeças?
HM – Quando o carro foi inventado, ele pode até ter sido negado, mas ele é mais rápido do que o cavalo. A questão é: eu quero que o meu negócio ande a cavalo ou de carro? Com que velocidade eu quero avançar? Baseado nessa decisão, ele usará a inteligência artificial ou ficará defasado ante os demais que vão aderir à nova tecnologia. É estar atento e disposto à mudança, pois a única certeza é de que irá mudar. Ou estamos abertos ao novo que se dispõe a crescer como novo, ou ficamos para trás. O varejista que não fizer isso, ao longo do tempo vai deixando de ser competitivo.