BA 199 | Você dança conforme a música?

“Seja um padrão de qualidade. As pessoas não estão acostumadas a um ambiente onde o melhor é o esperado”. Steve Jobs

por Valtermário Rodrigues

A dança é um uma manifestação artística que caracteriza-se pelo uso do corpo para realizar movimentos ritmados, geralmente com o auxílio de sons ou de músicas.

Sua origem acontece nas civilizações antigas, como a egípcia e a mesopotâmica, utilizada para honrar os Deuses, tipo de dança que ainda hoje sobrevive em países como a índia e o Japão.

Já a música, acredita-se que as primeiras manifestações surgiram na África há 50.000 anos. Com o dispersar da raça humana pelo planeta, a música se expandiu pelo mundo.

A expressão popular, “dançar conforme a música” significa que devemos nos adaptar às situações adversas da vida e agir conforme às exigências do momento.

Para participar do concurso de dança que acontece em um programa de TV, é necessário treinar e se preparar para dançar vários estilos musicais, com base em um planejamento definido pela direção do programa.

Em nosso artigo: “O inesperado aconteceu! E agora?”, publicado na edição 165 da revista Balcão Automotivo, fizemos uma abordagem que se enquadra nesse tema, época em que a pandemia impôs uma “música” que precisou ser dançada de acordo com a necessidade e do contexto apresentado na vida de cada um de nós, principalmente no âmbito profissional, onde foi necessário nos adaptarmos, por exemplo, ao trabalho em home office; vendas online; delivery, uso de máscaras; distanciamento social, dentre tantas outras mudanças.

Em nosso dia a dia, acontecem situações que, por analogia, é possível entendermos da necessidade de “dançar conforme a música”, ou não. Então, vejamos:

Em momento de extremo perigo, para não morrer, se fingiu de morto. Esse tipo de situação, provavelmente, você já viu ou tomou conhecimento por meio de reportagens policiais;

Na decisão de um campeonato de futebol, o time “A” entrou em campo, na segunda partida, com a vantagem de poder perder até por 2 x 0. Por força do regulamento, o resultado de empate no placar agregado lhe favorecia. Adotou uma estratégia de jogo que privilegiava a defesa, porém, aos 15 minutos do segundo tempo, tomou o terceiro gol e precisou mudar a estratégia na tentativa de reverter e não conseguiu. Resultado: entrou em campo para “dançar conforme a música” e, literalmente “dançou”. Perdeu o campeonato.

“Então, tá! Expressão dita durante uma conversa em que a intolerância tomou conta. Abriu mão de suas convicções ao perceber que não valeria a pena levar o assunto adiante.

Utilizou de técnicas de negociação e do poder de barganha e, em situação de vantagem ante a outra parte que se viu em condição de inferioridade e sem argumentos, conseguiu fechar um acordo bastante favorável aos seus interesses no processo de negociação.

Na escola de dança, faltou um dançarino. A dançarina ficou triste pois ficou sem um par para dançar a música de salão. Um rapaz que estava na plateia se disponibilizou substituir o dançarino e ouviu do professor a seguinte pergunta: você tem familiaridade com esse estilo de dança? Ele respondeu: Sim. “A música que tocar eu danço”.

“Aquele que se empenha a resolver as dificuldades

resolve antes que elas surjam. Aquele que se

ultrapassa a vencer os inimigos triunfa antes que as

suas ameaças se concretizem”.

Sun Tzu

Contratado para conduzir um importante projeto pelo período de 01 (hum) ano, após seis meses o profissional foi transferido para um outro projeto de 03 (três) meses. Pouco tempo depois, um outro projeto que estava em andamento sofreu o desfalque de um componente da equipe e ele foi questionado sobre a possibilidade de uma nova transferência, ao que respondeu: estou disposto a contribuir com a empresa, embora, ao iniciar um projeto gosto de seguir até sua conclusão, da mesma forma que gosto de dançar ou ouvir uma boa música do início até o final.

“Não é assim que a banda toca”, se posicionou o cliente, insatisfeito com o atendimento que recebeu na empresa em que tinha uma imagem totalmente diferente daquela que acabara de vivenciar.

Música, som, dança, ruídos, comunicação… fazem parte da vida e do dia a dia das pessoas, no entanto, perceber o outro em seu momento de silêncio, calmaria, sossego, reflexão, tranquilidade e repouso e, sobretudo, sinal de respeito e empatia. Sons que chegam aos ouvidos de uma pessoa que está em momento de concentração e desaceleração podem atordoar e causar uma sensação de desconforto.

Em uma viagem, som do carro ligado, concentrado na atenção à estrada ou em pensamentos outros, a música tocando, porém, não chega aos ouvidos. Assim pode acontecer no ambiente profissional ou familiar, quando uma pessoa fica alheia a tudo o que acontece ao seu redor, dispersa, “não tá nem aí”, não se posiciona, não interage, não toma atitudes.

Ao tomar conhecimento sobre um mega evento musical com vários espaços distintos, por exemplo: rock, samba…, Sr. Roque, sem habilidade com qualquer tipo de dança, convidado por um grupo de amigos, resolveu participar. Se interessou pelo espaço do samba e treinou durante uns dois meses até a data do evento. Um dos amigos se encarregou de comprar os ingressos de acordo com a escolha de cada um e acabou se confundindo, em vez de comprar o ingresso de Roque para o espaço do samba, comprou o ingresso para o espaço do rock, sem possibilidade de realizar a troca. E agora? Sem muita alternativa, vai ao evento e “dança conforme a música” ou deixa de participar do evento?

Assim como a dança contagia. A motivação do outro também pode nos contagiar. Ao perceber que estava acomodado em sua zona de conforto, observou o astral das pessoas ao seu redor e tomou uma importante decisão e pensou: “Se ela dança, eu danço”. “Se eles dançam, eu também posso dançar, posso partir para conquistar meus objetivos e ser feliz.

No jogo da conquista, ele cantou um trecho da música “Por você”, do Barão Vermelho: “Por você, eu dançaria tango no teto / Eu limparia os trilhos do metrô / Eu iria a pé do Rio a Salvador”.

Ao ser contratado, geralmente a empresa, no ato da integração, dá ciência sobre as normas, procedimentos e políticas corporativas. Cabe ao colaborador seguir o que está previsto em contrato. Profissionais são diferentes, pessoas são diferentes, na área Comercial, por exemplo, é possível obter resultados diferentes, ainda que as políticas comerciais sejam iguais para todos.

Nem sempre temos a possibilidade de nos prepararmos para enfrentar os problemas que acontecem, sejam eles em nossa vida pessoal ou profissional. Inesperadamente, situações se apresentam e cabe-nos “dançar conforme a música”, e ao mesmo tempo, pensar, refletir e decidir o melhor caminho, até que possamos criar e dançar conforme nossa própria coreografia, de maneira que possamos recusar a dançar a música que nos foi imposta.

Enfim, podemos dançar ou não conforme a música, a depender das circunstâncias, da necessidade do momento, afinal, a vida é feita de momentos, uns bons e outros nem tanto, o importante é que, ao dançarmos conforme a música, tenhamos a consciência de que estamos dançando tomando por base uma estratégia, um objetivo e que, em momento oportuno, podemos mudar o ritmo.

 

*Analista Administrativo Sênior da Distribuidora Automotiva S/A – Filial Salvador; Bacharel em ADM; MBA em Gestão de Empresas; MBA em Liderança Coaching; Co-autor dos livros “Ser Mais Inovador em RH” – “Motivação em Vendas” e “Planejamento Estratégico para a Vida”

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