Sócio-fundador da PALAS, Alexandre Pierro, mostra o quanto é possível inovar com uma gestão eficiente, com o envolvimento dos colaboradores e identificando oportunidades, entre elas, a mobilidade
Por Karin Fuchs
Aquela frase que diz, “em time que está ganhando, não se mexe”, de longe não se aplica ao mundo dos negócios. “Toda a cultura organizacional deve ser pautada na inovação, buscando estratégias que engajem suas equipes”, afirma o sócio-fundador da PALAS, consultoria pioneira na ISO de inovação na América Latina, Alexandre Pierro.
Segundo ele, os cinco maiores desafios de inovação nas empresas são a falta de uma cultura de inovação, equipes não capacitadas e engajadas, medo de errar, estratégias mal organizadas e resistência a mudanças. Nesta entrevista ao Balcão Automotivo, Pierro mostra quais os caminhos para inovar, especificamente, no setor de reposição automotiva.
Balcão Automotivo – O setor de reposição automotiva é formado principalmente por empresas de pequeno porte. Quais dicas podemos dar para que essas empresas criem uma cultura de inovação?
Alexandre Pierro – A principal dica diz respeito à criação de uma gestão de inovação muito bem estabelecida. Quando pensamos nesse tema, ele é muito mais abrangente do que simplesmente criar softwares ou canais de comunicação de inovação. A ideia é que quando se tem uma gestão para inovação bem estruturada, tem-se, consequentemente, processos mais otimizados de como as ideias de inovação serão analisadas, assim como critérios bem definidos, o que impulsiona a cultura de inovação nas empresas.
Balcão Automotivo – Isso se traduz em um maior engajamento dos colaboradores?
Alexandre Pierro – Sem dúvida. Todos esses fatores, juntos, contribuem para que haja um maior engajamento nos times e, assim, fazer com que se sintam mais ouvidos. Isso é extremamente importante para que haja um menor turnover e, assim, uma melhor cultura de inovação.
Por isso que é tão importante dedicar esforços nessa gestão, utilizando sempre as melhores práticas que existem no mercado, como, por exemplo, a ISO de Inovação. Um dos maiores benefícios dela e de muitas outras práticas é que elas podem ser aplicadas independentemente do tamanho da empresa, atingindo o mesmo objetivo com assertividade.
BA – Ainda há um receio por parte dos empresários de capacitar o seu time e perdê-lo para os concorrentes. Como desmistificar isso?
AP – A gestão de conhecimento é primordial para qualquer setor do mercado, assim como no automotivo. Não capacitar os times, certamente, irá gerar custos elevados, impedindo que realizem suas funções e acarretando a ineficiência dos processos. Um caso muito famoso no mercado é o da Toyota, que investe boa parte de seu orçamento em treinamentos, pois entende que quanto mais os profissionais são treinados, mais eficientes serão os processos, menos retrabalho a empresa terá e, consequentemente, maior será a qualidade na entrega do produto final.
BA – Muitos associam capacitação com custo. Como eles podem mensurar o resultado?
AP – É claro que capacitar os times demanda um certo custo. Mas, o custo do não treinamento será muito maior; algo que, dificilmente, os gestores enxergam. Por isso, é extremamente importante que, para perceberem o quão importante é essa qualificação, comecem a mensurar o impacto de todos os seus processos em seus clientes. Ou seja, mensurar o custo gerado por esse retrabalho, a satisfação do consumidor com o atendimento prestado, e os impactos dos treinamentos aplicados.
Aqui é importante destacar que treinar apenas por treinar não faz sentido. É preciso que haja uma gestão robusta por trás desse processo, que mostre o que pode impactar positivamente esses três fatores: processos, produto e a satisfação do cliente.
BA – E quais dicas podemos dar para que eles estabeleçam estratégias com metas atingíveis?
AP – A primeira coisa a ser entendida sobre este ponto é quais são os objetivos da empresa e, principalmente, se estão bem definidos. Apenas quando estiverem bem estabelecidos é que será possível definir os indicadores e metas a serem utilizados. Essas metas precisam ser mensuráveis, atingíveis e factíveis. Para ajudar as empresas a definirem essas metas, existe uma metodologia bem vantajosa a ser utilizada: a SMART.
É preciso destacar que todas as metas e os indicadores precisam estar sempre atrelados aos objetivos da empresa, ou seja, saber o que ela espera como resultado em curto e longo prazos. É recomendado que sejam utilizados, no mínimo, dois indicadores para essas tarefas, para ter certeza se estará ou não indo no caminho certo.
BA – Para inovarem, também é fundamental estarem atentos e se adaptarem às mudanças. Com isso deve ser feito?
AP – Para isso, é importante analisar dois grandes pontos. O primeiro diz respeito a ter um canal de comunicação eficaz com o cliente, entendendo para onde ele quer ir, quais os seus anseios, mapear sua satisfação, e o que deseja com seu produto. Em conjunto, é preciso também que a empresa se preocupe em mapear as tendências de mercado e de comportamento dos colaboradores e dos próprios clientes. Existem diversas metodologias e ferramentas que podem ajudar as empresas nessa análise, assim como empresas especializadas nisso, como somos aqui na PALAS, que precisam analisar essas questões em mercados atuais e futuros, na busca de predizer as disrupções que podem ser notadas.
BA – Podemos citar um exemplo?
AP – Um dos fortes exemplos que existe atualmente é, justamente, a questão da mobilidade urbana, com foco nos taxistas. Quando esses profissionais começaram a perguntar o que seus clientes desejam e, acima de tudo, como atender a essas necessidades, novos modelos de negócio como o Uber surgiram, o que gerou uma forte mudança no mercado.
Por isso que é extremamente importante realizar muitas pesquisas de satisfação internamente e analisar a forma pela qual essas demandas estão sendo atendidas e gerenciadas, assim como as tendências que estão despontando no mercado. Além, é claro, de sempre contar com o apoio de uma consultoria especializada nessa área, que consiga realizar esse estudo e identificar ameaças e oportunidades nos próximos anos.