O indicador da primeira semana de agosto, alta de 23% em relação ao mesmo período de agosto de 2022, aponta que o setor pode terminar com um crescimento de 5% a 7%, se o volume de emplacamentos se mantiver
Por Karin Fuchs
No mês de julho foram emplacadas 225,6 mil unidades de Autoveículos, incluindo todas as categorias, resultado 19% superior ao mês de junho, 24% acima de julho de 2022 e no acumulado do ano até julho foram 1,224 milhão de unidades, alta de 11,3% em comparação ao mesmo período de 2022. O crescimento foi estimulado pelas vendas de veículos leves, enquanto a linha pesada retraiu. Excluindo os pesados, julho foi o melhor mês em volume diário desde dezembro de 2020 e o melhor julho desde 2019.
Segundo o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, “o setor teve um crescimento importante em julho, com exceção de pesados que vive uma dificuldade específica em relação ao Proconve P8. Foi o melhor mês em volume e média diária, desde o cenário que antecedeu a pandemia. Estamos voltando aos números pré-pandemia”.
Fim do programa de incentivo do Governo
Mesmo com o término do programa de incentivo do Governo para a compra de veículos leves de até R$ 120 mil, o mercado se manteve aquecido. “Havia uma expectativa do que iria acontecer quando acabassem os descontos que movimentaram o mercado automotivo. Nas duas primeiras semanas de julho, o mercado se manteve aquecido, muito influenciado por uma composição das vendas com o bônus do Governo. A terceira e a quarta semanas tiveram uma menor participação do que era esperado nas vendas com bônus e as vendas sem bônus ocuparam o lugar dessas vendas, o que também aconteceu no início de agosto”, expôs Leite.
Na primeira semana de agosto, o volume de emplacamentos foi 23% superior ao mesmo mês de 2022, o que indica que o crescimento deste ano pode chegar a 5% ou 7%, se o ritmo das vendas se mantiver. “Esse resultado demonstra que o mercado continua com uma puxada mais forte desde junho. Se mantivermos daqui até o final do ano com os mesmos números de 2022, o mercado fecha com um crescimento entre 5% e 7% acima do ano passado”, comentou o presidente da Anfavea.
Ele ponderou que ainda é cedo para fazerem qualquer previsão, pois é um mercado que tem oscilado bastante. “Mas, percebemos que especificamente para leves, o mercado tem tido um bom comportamento, mesmo sem a participação do governo ou influência negativa quando acabou o bônus para veículos de até R$ 120 mil”. Lembrando também que algumas montadoras aplicaram descontos para terem uma maior participação neste mercado.
Produção
No acumulado do ano, a produção de Autoveículos atingiu a marca de 1,315 milhão de unidades, bem em linha com o resultado de 2022. Em julho foram 183 mil unidades produzidas, ante 189 mil no mês anterior. “Em julho, quatro fábricas concederam férias coletivas e cinco fizeram layoffs (contratos com os trabalhadores temporariamente suspensos). Ainda assim, a produção se manteve em um nível muito próximo à do mês de junho. Em maio, de maneira geral, as montadoras produziram para deixar o estoque aguardando a medida provisória (MP 1175/23) e, em junho e julho, houve uma acomodação da produção em relação à demanda”, esclareceu Leite.
Comportamento dos pesados
A linha pesada ainda patina para emplacar a tecnologia Proconve P8, conforme colocou o 1ª vice-presidente da Anfavea, Gustavo Bonini. “Para a produção de caminhões, o mercado continua com baixa demanda para a tecnologia Proconve P8, em ritmo lento. De forma geral, continua com uma demanda aquém do esperado e do necessário”. Em julho, a produção foi praticamente a metade do mês anterior e no acumulado do ano, a retração foi de 36,2% em comparação com o mesmo período de 2022, terminando o período com 53,9 mil unidades produzidas.
“Pelo impacto do Proconve P8, a produção está baixa pela adequação que as fábricas estão fazendo em virtude da demanda. O mesmo acontece com ônibus, no acumulado do ano foram 11,4 mil unidades produzidas, 30,5% inferior ao mesmo período do ano passado. Lembrando que ônibus teve uma produção maior em 2020 e 2022 e o reflexo do que foi produzido em 2022, nós estamos vendo no volume de emplacamentos neste ano”, disse Bonini.
Em números, no acumulado deste ano foram emplacados 60,9 mil caminhões, 11,9% menos que nos sete primeiros meses de 2022, e uma queda de 6,2% quando comparado julho com junho. No segmento de ônibus, a retração nos comparativos anuais foi de mais de 50%, terminando julho deste ano com 12,8 mil unidades emplacadas. E na comparação mensal, julho com junho deste ano, a queda foi de 15,3%, com 1,5 mil unidades emplacadas.
Também pelo impacto do Proconve P8, Bonini mostrou que apenas 29% dos caminhões vendidos em julho foram produzidos neste ano. Comparado com a média dos últimos cinco anos, ele disse que este percentual deveria estar em torno de 50%. “Essa diferença é o efeito do Proconve P8. O percentual de julho deveria ser idêntico ao que foi comercializado nos meses de abril dos últimos cinco anos. Estamos com uma defasagem de três meses por conta da pré-compra feita em 2022 e que está sendo comercializada agora”.
Para ônibus, o cenário não é diferente. “Nos quatro primeiros meses deste ano, praticamente nada foi comercializado de P8, em torno de 1%, e em julho, 17% do que foi comercializado foi produzido neste ano. Esse percentual deveria estar em torno de 33%, se formos acompanhar a média dos últimos 5 anos”.
Mercado mexicano aquecido
A queda acentuada das economias do Chile e da Colômbia afetou diretamente as exportações de autoveículos, por outro lado, as vendas para o México ganharam impulso, conforme apresentou o presidente da Anfavea. “O Chile e a Colômbia, destinos importantes para as nossas exportações, infelizmente têm apresentado resultados muito ruins. Já o México teve um crescimento muito interessante e no acumulado do ano ultrapassou a Argentina como principal destino das nossas exportações”, afirmou Leite.






