BA | 203 Empresas alinhadas às práticas ESG

“Indústrias mostram os seus exemplos, que transformam valores e propósitos em ações e estratégias, beneficiando a sociedade e o meio ambiente”

Por Karin Fuchs

Em se tratando de ESG, Environmental, Social and Governance ou, no português, Ambiental, Social e Governança, as indústrias de autopeças têm várias iniciativas, transformando valores e propósitos em ações e estratégias. O Sindipeças promove ações sobre o tema, a principal delas é o Fórum de Sustentabilidade do Sindipeças, e o IQA criou a área IQA DS – Desenvolvimento Sustentável para Mobilidade. Confira as iniciativas.

Segundo Alexandre Xavier, superintendente do IQA, implementar ações para desenvolvimento sustentável, alinhadas com a agenda ESG, é essencial para o sucesso das empresas no setor automotivo. “A primeira dica é a empresa ter consciência e saber a importância de estabelecer um compromisso sólido com a sustentabilidade em toda a organização. Isso deve começar com a definição de metas claras, mensuráveis e integradas que abrangem os pilares ambientais, sociais e de governança. Além disso, é fundamental envolver todas as partes interessadas, desde os colaboradores até os fornecedores”, afirma.

Para ajudar as empresas, o IQA criou a área IQA DS – Desenvolvimento Sustentável para Mobilidade, com foco em sustentabilidade (agenda ESG), fornecendo soluções práticas e personalizadas para ajudar as empresas a se alinharem com a Agenda ESG de acordo com práticas para o setor. Entre os serviços oferecidos, destacam-se: qualificação, matriz de materialidade e análise de impacto, diagnóstico, certificações e gestão de fornecedores.

“O IQA DS também tem promovido palestras, ações e workshops com empresas do setor com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a importância da sustentabilidade e seus impactos reais. Em breve, lançaremos a plataforma online que permitirá às empresas fazerem seus relatórios de ESG, proporcionando maior transparência e responsabilidade empresarial para os stakeholders e ajudando as organizações a identificar áreas para aperfeiçoamento”, acrescenta Xavier.

Iniciativas do Sindipeças

A assessoria de imprensa do Sindipeças informa que um dos mais importantes papeis da entidade é difundir informações para sua base de associados, cerca de quinhentos fabricantes de autopeças, de vários portes e origem de capital, e que acompanha o movimento de ESG e promove, entre outras ações, webinars, em que empresas associadas contam suas experiências.

Uma das ações mais importantes é o Fórum de Sustentabilidade do Sindipeças, anual e que está em sua 19ª edição. A edição deste ano ocorre em 26 de outubro, em formato online, com o tema “Mitigação e adaptação às mudanças climáticas”. O programa conta com representantes de diferentes setores da sociedade, como governo, empresas, entidades e até a Bolsa de Valores (B3). Parte integrante do Fórum, o Programa de Divulgação de Projetos de Sustentabilidade estimula, promove e prestigia a apresentação de trabalhos bem-sucedidos em empresas de autopeças associadas à entidade, com compartilhamento de valiosos conhecimentos. Do total de inscritos, três são escolhidos e apresentados no fórum.

Outra iniciativa é o Comitê de Sustentabilidade do Sindipeças, formado por representantes de empresas associadas que se reúnem periodicamente para discutir temas relevantes para o setor de autopeças. E, mensalmente, a entidade edita o Mural Ambiental, que tem abordado detalhadamente a importância da economia de baixo carbono e do inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Alexandre Xavier, superintendente do IQA

INDÚSTRIAS

Bosch

Desde a sua fundação na Alemanha, em 1886, questões ambientais, sociais e de governança corporativa são partes integrais dos valores e das ações da Bosch. A estratégia global é pautada em seis pilares de ações: proteção climática, qualidade e consumo de água, economia circular, saúde e segurança, direitos humanos e promoção social e DEI (diversidade, equidade e inclusão).

“O grupo Bosch, globalmente, tem definido metas robustas dentro do conceito de ESG e totalmente alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), tanto no que se refere aos seus processos produtivos e ao ambiente de trabalho, quanto à criação de produtos e serviços que ajudam a melhorar a vida das pessoas”, afirma Alberto Abdu, gerente de Sustentabilidade da Bosch América Latina.

Comitê – No início de 2022, a Bosch na América Latina constituiu um comitê multidisciplinar para temas de ESG, que atua alinhado à estratégia global da empresa. Entre as inciativas na região, “investimentos anuais superiores a 2 milhões de euros em autoprodução de energia fotovoltaica e projetos de eficiência energética, garantia de uso de 100% energia verde através de certificados I-REC’s e compra de créditos de carbono para compensar um restante de emissões que não conseguimos evitar ainda”, diz Abdu.

Alberto Abdu, gerente de Sustentabilidade da Bosch América Latina

Parcerias – Outra iniciativa é a parceria com clientes e players de mercado. “A Bosch investe em pesquisas e desenvolvimento de produtos e serviços que promovam as reduções de emissões, incentivem o uso de biocombustíveis e proporcionam uma maior eficiência energética. Por exemplo, temos CO2 Tracking, tecnologia de conectividade que monitora em tempo real as emissões do veículo e a opção do cliente pelo uso do etanol”.

Economia circular – Em Curitiba está localizada a maior planta de remanufatura do Grupo Bosch, onde há 13 anos são remanufaturados diversos itens, entre eles: bombas injetoras e diversos tipos de injetores Diesel, além de peças para motores de grande porte usados em locomotivas, tudo para atender não só o mercado nacional, mas também o europeu e norte-americano. “Um dos destaques é o injetor UIN3 REMAN, que foi totalmente desenvolvido na unidade brasileira”, especifica.

Eles também participam das soluções para logística reversa de produtos em fim de vida, em cumprimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Mas não é só isso, vamos além com projetos como ReCoVery, com foco no recolhimento e destinação ambientalmente adequada da sucata gerada na rede de oficinas parceiras Bosch Car Service, e todas as localidades fabris da Bosch são Aterro Zero e os resíduos que geramos são subprodutos com grande valor agregado para cadeias produtivas parceiras”.

Promoção social – “A Bosch tem um direcionamento muito claro de desenvolvimento social por meio da educação e oferecemos diversos programas visando o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens. Entre eles está a Digital Talent Academy (DTA) com foco na graduação técnica de jovens com módulos customizados em digitalização, automação inteligente, desenvolvimento de software, inteligência artificial e análise de dados”.

Retorno – “Mais do que nunca, as ações relacionadas com ESG impactam as relações comerciais, de consumo e a geração de novas oportunidades de negócios e desenvolvimentos tecnológicos. Neste sentido, recebemos constantemente o reconhecimento dos nossos clientes que valorizam nossas iniciativas e abrem novas oportunidades de parcerias e negócios, sendo importantes aliados para o desenvolvimento de tecnologias mais sustentáveis”

Internamente, ele destaca os processos mais eficientes, consumindo menos recursos e, assim, reduzindo custos, aumentando o engajamento dos colaboradores e fortalecimento da marca, além de reduzir riscos ao meio ambiente, às pessoas e aos negócios. “Priorizamos realizar ações que gerem resultados efetivos e que possam ser comprovados em nossa cadeia de valor e para a sociedade, alinhados ao nosso propósito de tecnologia para a vida”.

Frasle Mobility

Anderson Pontalti, COO da Frasle Mobility e líder de SSMA e Excelência Operacional da Randoncorp, conta que o legado de cuidado com as pessoas e com a comunidade, com o meio ambiente, com a ética e com a excelência de uma governança vem de décadas, e se deve aos fundadores da empresa, Raul e Hercílio Randon, que sempre priorizaram e deram relevância para esses temas. “Com o crescimento acelerado da companhia nos últimos anos, a mudança de patamar e a determinação de assumir compromissos públicos com a nossa sustentabilidade se tornaram uma prioridade”, afirma.

Em 2021, eles decidiram tornar públicas as suas ações e projetos envolvendo sustentabilidade, apresentando a sua Ambição ESG, que se estrutura por meio de cinco grandes metas: reduzir em 40% a emissão de gases de efeito estufa até 2030; zerar a disposição de resíduos em aterro industrial e o lançamento de efluentes até 2025; ampliar a receita líquida consolidada anual gerada por novos produtos; duplicar o número de mulheres em cargos de liderança até 2025; e zerar acidentes graves.

Comitê – Em 2021 foi estruturado o Comitê de Sustentabilidade, formado por um grupo multidisciplinar, incluindo diversas áreas do negócio; um órgão não-estatutário. “A constituição desse colegiado proporcionou à Randoncorp melhores condições de monitorar, de forma mais objetiva, os reforços nos pilares ambiental, social e de governança”.

Com essas ações, a companhia deu um passo a mais na determinação de atuar em toda a cadeia. “Desenvolvendo soluções de ponta a ponta, sempre de forma colaborativa e levando em conta o propósito de conectar pessoas e riquezas, gerando prosperidade. O Comitê se reúne mensalmente e responde diretamente ao presidente da companhia, Daniel Randon”.

Pilares – Os cinco pilares em que se baseiam a Ambição ESG da companhia são: a condução ética e responsável, excelência e segurança como um valor, compromisso com o meio ambiente, prosperidade para todos e inovação sustentável. Todos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. “Somos ainda signatários do Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção do Instituto Ethos e assumimos o compromisso público em favor da integridade no ambiente de negócios”.

Anderson Pontalti, COO da Frasle Mobility e líder de SSMA e Excelência Operacional da Randoncorp

Iniciativas – A companhia tem um programa chamado Rota Verde, um plano abrangente, envolvendo ações e metas, três verticais associadas ao meio ambiente, todas elas no sentido de aprimorar nossa eficiência ecológica. “A companhia tem atividades no sentido de combater as mudanças climáticas, de melhorar a eficiência no uso de recursos e os processos industriais, com economia circular e logística reversa”, pontua Pontalti.

Diversidade e inclusão – “Na Randoncorp buscamos um ambiente diverso e inclusivo para os nossos colaboradores, clientes, comunidades e parceiros, reforçando sempre um dos nossos princípios: pessoas valorizadas e respeitadas. Outro exemplo de ação, conectada com as nossas pessoas, é a realização de um diagnóstico que identificou os principais desafios para a diversidade e inclusão dentro da empresa e isso foi o que norteou a nossa estratégia, que tem 3 focos: Diversidade, Inclusão e Equidade”. Já em 2020, eles deram início a diversas ações para conscientizar e promover a diversidade e a inclusão na empresa.

Desafio – Na construção de um desenho de pilares estratégicos com o potencial de gerar valor para a sociedade, foi desenvolvido um trabalho com a visão mais completa possível das operações da companhia e do setor em que está inserido. Pontalti conta que eles tiveram que enfrentar um desafio importante, mas que inclui uma oportunidade única.

“Não existe outro player, no Brasil ou no exterior, com as mesmas características de conglomerado econômico e industrial semelhante. A Randoncorp agrega, em uma mesma companhia, desde a atuação como montadora de implementos para transporte, passando por fabricantes de autopeças e componentes que complementam esses produtos, associados com serviços industriais, financeiros, digitais e de inovação e tecnologia que complementam um ecossistema coeso, mas diverso”.

Próximos passos – Entre outras iniciativas, em 2022 foi anunciado um investimento de R$ 100 milhões em projetos de energia renovável para abastecer as suas unidades no Brasil e no mundo até 2030. Neste ano, a Randoncorp inaugurará a primeira usina fotovoltaica nas suas operações brasileiras, no Centro Tecnológico Randon (CTR), com cerca de 2,4 mil painéis solares, que atenderá 100% da demanda do CTR nos próximos 25 anos.

Em curso, um projeto visa operar as caldeiras da unidade da Frasle Mobility em Caxias do Sul (RS) com biomassa substituindo o gás natural. “O projeto, com investimentos previstos em R$ 17 milhões, reduzirá em 60% a emissão de gases do efeito estufa da companhia; uma redução de 20% de tudo que é mensurado considerando as demais verticais de negócios da Randoncorp”.

Pontalti acrescenta que a companhia trata sustentabilidade e inovação como temas indissociáveis. “Buscamos desenvolver tecnologias inovadoras para todos os segmentos em que atuamos, tratando a sustentabilidade não apenas como uma obrigação, mas como uma vantagem competitiva”.

Descarbonizar o portfólio é outra empreitada em andamento. “Um desses projetos envolveu o desenvolvimento de uma sapata ferroviária pela Frasle Mobility, com mudanças no processo de fabricação e na formulação. Já foi possível reduzir a pegada de carbono na produção deste tipo de produto em 43% na comparação com a versão anterior”, finaliza.

Eaton

Diretora de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança da Eaton na América Latina, Cristiane Mota, ressalta que antes mesmo de o termo ESG ganhar evidência, a Eaton já tinha um forte trabalho nestas frentes e como premissa, uma atuação ética que assegurava esses pilares nos negócios entre seus clientes, fornecedores e demais stakeholders. “A Eaton tem em seu DNA o compromisso de garantir qualidade de vida, segurança e sustentabilidade por meio de soluções, que impactam positivamente as pessoas, os seus colaboradores e as comunidades que estão inseridos”.

A Eaton Brasil segue as diretrizes da corporação nos Estados Unidos. “O ESG na Eaton segue as prioridades e aspirações globais dos objetivos de desenvolvimento sustentável – ODS. Nossa gestão é ancorada em objetivos e metas de sustentabilidade dos negócios”, afirma. Em 2021, a Eaton projetou metas ousadas, como reduzir 50% das emissões de carbono até 2030.

Voluntariado e governança – Entre 2018 e 2022, houve um aumento de 2.540 horas dedicadas para voluntariado na empresa, que representa um crescimento de 318%. “Só em 2022 foram oferecidas 3.703 horas desta ação social que une a comunidade com as fábricas. No quesito Governança, temos um trabalho consistente com grupos que reforçam nossa cultural plural e garantem mais Inclusão & Diversidade no nosso time. O mais recente criado é o iConnect, para pessoas negras”.

Comitê – Em parceria com as áreas de manufatura, a Eaton criou um comitê regional de sustentabilidade em 2022. Com a iniciativa, projetos nasceram e contribuíram para que as unidades do Grupo Mobility deixassem de enviar só em 2022, 64 toneladas de resíduos para aterros sanitários; queda de 34% quando comparado a 2021. A redução de resíduos em aterros sanitários é parte integrante da política de sustentabilidade da Eaton desde 2016.

Cristiane Mota, diretora de Sustentabilidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança da Eaton Latam

Cristiane explica que a certificação Zero Waste to Landfill – zero resíduos enviados para aterro sanitário, requer destinação inferior a 2% e que nos últimos 12 meses (referência janeiro) foi destinado em média apenas 0,68% de resíduos para aterro. “Os demais resíduos (99,32%) são reciclados, em geral, e reutilizados em processos que possuem recuperação energética através de coprocessamento, briquetagem, etc.”.

Gustavo Orrú, diretor de Aftermarket da Eaton na América Latina

Com o comitê, a Eaton avançou ainda mais em projetos que já estavam em andamento. “Nos organizamos de forma ainda mais robusta para motivar e envolver equipes importantes para avançar em iniciativas ESG, consolidando essa cultura que faz parte do DNA da Eaton. O comitê de sustentabilidade iniciou em 2022 focado mais no pilar E (Ambiental). Em 2023 e 2024, estamos consolidando as práticas dos pilares S e G (Social e Governança)”.

Remanufaturados – A Eaton tem a linha ECOBOx® de remanufaturados, composta por cerca de 70 componentes, entre caixas de transmissão e embreagens. Gustavo Orrú, diretor de Aftermarket da Eaton na América Latina, destaca que as soluções ECOBox® reforçam o compromisso com a sustentabilidade com a mesma garantia dos componentes originais.

“No processo de remanufatura, as caixas de câmbio e as embreagens passam por procedimentos rigorosos de avaliação e todos os itens desgastados são substituídos por novos, garantindo qualidade elevada às peças, que possuem o mesmo prazo de garantia das novas. Toda substituição dos componentes desgastados é feita pela Eaton, no sistema de troca de casco, após avaliação técnica da caixa no portal de logística reversa, evitando acúmulo de peças e veículos parados nas oficinas”, especifica.

Retorno – Cristiane destaca que o retorno de todas as ações implementadas até o momento foi extremamente positivo. Apenas neste ano, dois projetos da Eaton foram reconhecidos pelo Prêmio de Responsabilidade socioambiental da Mercedes-Benz do Brasil.

Delphi

Segundo Bruno Gomes, gerente de OES e ESG da Delphi, há alguns anos, a Delphi vem trabalhando com as melhores práticas ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG), o primeiro pilar foi o ambiental. “Com diversas iniciativas nas nossas plantas, buscando minimizar o uso de recursos naturais e a geração de resíduos nas plantas”.

Ele conta que desde 2016, a Delphi é uma empresa com o selo “Great Place to Work” (Melhores Empresas para Trabalhar) e que eles têm se debruçado em ações sociais, como o programa de integração da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) em sua operação. “Fazemos isso desde o início de 2000. Além de realizarmos ações conjuntas com ONGs de diferentes setores sociais como os Caminhoneiros Surdos do Brasil, Educando pelo Esporte e Jovens Músicos, além de parcerias com o SENAI para capilarizar conhecimento e identificar potenciais profissionais”.

Social – A Delphi trabalha com programas de diversidade, com campanhas e ações e palestras relacionadas ao tema saúde. “Com treinamentos direcionados para nossos colaboradores, visitas de nossos familiares em nosso ambiente de trabalho e engajamento de nossa liderança, com o intuito de priorizar nosso bem maior, nossas pessoas. Um grande exemplo é que nossa divisão de aftermarket há mais de 23 anos não tem acidentes de trabalho”.

A Delphi tem também um grande compromisso com a comunidade de deficientes auditivos da cidade. Além de disponibilizar vagas focadas para este grupo, a empresa ainda conta com aulas de libras para garantir a comunicação e um ambiente que promova a inclusão.

“Por conta desta iniciativa, fomos recentemente agraciados com o prêmio interno Global Innovation Award, realizado anualmente pela Delphi e que reconhece as ações mais inovadoras praticadas em todas suas unidades globais. Fomos a única operação no mundo reconhecida por conta de uma ação inovadora de inclusão social, o que nos deixa muito felizes pelos resultados alcançados com este projeto”, orgulha-se.

Bruno Gomes, gerente de OES e ESG da Delphi

Remanufatura – Globalmente, a Delphi tem o negócio de remanufatura de componentes como injetores Diesel. “Isso nos proporciona mais de 80% de redução de uso de energia elétrica, água e matérias-primas para produção, pois se trata de um processo 80% mais seguro e com substancial redução de resíduos. Somos uma das únicas companhias de nosso segmento que possui certificação IATF, que enfatiza a prevenção de defeitos e a redução de variações e desperdícios, em nossa linha de remanufatura de peças. E somos uma das primeiras empresas a obter o selo de certificação de produto remanufaturado original gerido pelo IQA – Instituto de Qualidade Automotiva”.

Adequação – Gomes comenta que para se adequarem e seguirem de forma sustentada são necessárias uma série de adaptações em processos, treinamentos, investimentos, comunicação, relação com instituições como sindicatos e com Governo. “Entretanto o caminho é longo para atingirmos aderência, consistência e organização de nossa maturidade nos critérios ESG, ou seja, é um programa contínuo”.

Com comitês internos em algumas frentes no quesito ambiental e social, Gomes informa que eles estão trabalhando na criação de um comitê específico em ESG para avançar no processo de maturidade e organização. “Temos discutido sobre termos um parceiro para nos assessorar a partir de 2024 no processo de análise de nossa estratégia e alinhamento, considerando as práticas ESG que já temos em curso”.

Para finalizar, Gomes informa que eles têm trabalhado em conjunto com as principais organizações do setor do aftermarket automotivo. “Para disseminar e fomentar a economia circular, intensificar o foco em nossa solidez financeira e manter nossa conduta corporativa e ética nos negócios com o propósito de contribuir de forma efetiva e positiva para nossa sociedade”.

Continental

Há vários anos, globalmente, a Continental desenvolve ações de ESG e, especificamente no Brasil, desde 2019. “A empresa tem trabalhado várias ações e indicadores voltados à “Neutralização de Carbono”. Essas iniciativas incluem a adoção de etanol em 100% dos veículos da frota, um projeto piloto com caminhões elétricos para transporte de mercadorias e a implementação de ações para atingir a meta de redução contínua de 2% ao ano”, informa Arnd Schimtz Simonetti, coordenador de Sustentabilidade da Continental.

Glauber Juvenal, da Continental Compliance Officer na Continental

A companhia também está focada na redução do consumo de energia elétrica. Por meio de projetos específicos, já alcançou economias próximas a 20% em comparação com 2018. “Outra iniciativa importante da empresa é a redução de resíduos, visando uma diminuição de 2% ao ano, e também estão em desenvolvimento projetos que possam aumentar o índice de reciclagem, com o objetivo de atingir a marca de 95% até 2030”, diz Simonetti.

Social – No quesito social, Ana Cláudia Oliveira, vice-presidente de Relações Humanas Brasil e Argentina, ressalta que a Continental foca em um ambiente de trabalho inspirador e inclusivo, para que o colaborador possa ser exatamente quem é, para performar com 100% do seu potencial. A Continental conta com 6.126 colaboradores. “De acordo com o censo demográfico feito por uma instituição independente, em 2022, 81% dos colaboradores consideram que a Continental é um local que valoriza as pessoas como elas são, respeita a diversidade, a pluralidade, e todos são tratados com muita consideração e humanidade. Somos uma empresa com selo GPTW (Great Place to Work) e presente na lista das melhores indústrias para se trabalhar”, afirma.

Arnd Schimtz Simonetti, coordenador de Sustentabilidade Glauber Juvenal, da Continental

Cultura de equidade – A Continental dispõe de grupos de gêneros, raças e etnias, PCD, Gerações e LGBTQIA+ e possui uma política de Diversidade. Nos últimos quatro anos, foram criados grupos de afinidade, hub de diversidade um Conselho de Diversidade, Equidade & Inclusão, composto pela alta administração dos negócios no País, das três divisões: Automotive, ContiTech e Pneus.

“Bimensalmente, são feitas na Continental inciativas que enfatizam a cultura de equidade. A mudança de mentalidade requer muito esforço e persistência, visto que os resultados são a médio e longo prazos. Por isso, a empresa intensificou muito seu trabalho, entre 2020 e 2023. Várias ações foram implementadas, impactando mais de 6 mil colaboradores, e a Continental se tornou signatária do Fórum LGBTQI+ e ONU Mulher”, afirma Ana Cláudia.

Organização flexível – Segundo Ana Cláudia, “um ambiente diverso e inclusivo requer uma organização flexível e essa é uma das nossas forças. Desde 2016, antes da pandemia, a Continental implantou globalmente quatro medidas de flexibilização das condições de trabalho – trabalho a distância, período sabático, trabalho em regime de tempo parcial e horário de trabalho flexível – beneficiando cerca de 215.000 colaboradores em todo o mundo, além de ser uma forma de poder reter talentos, pois muitos profissionais já não aceitam mais empregos 100% presenciais”.

Ana Cláudia Oliveira, VP de Relações Humanas Brasil e Argentina da Continental

Papel das lideranças – Outro aspecto fundamental na construção de um ambiente de equidade, diz Ana Cláudia, é a preparação e desenvolvimento de lideranças para serem os grandes fomentadores desse processo. “Além de um programa muito estruturado de desenvolvimento de Lideranças Humanizadas, a Continental também dispõe do Programa de Desenvolvimento de Executivos, com módulos locais no País e módulos que ocorrem na Escola de Negócios Ashridge, em Londres, dependendo do nível de liderança da pessoa”.

Governança – No que tange às ações de Governança, Glauber Juvenal, compliance Officer Brazil & Argentina, ressalta que a Continental sempre teve um cuidado especial de manter uma administração de negócios pautada pelos aspectos de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

Segundo ele, “com foco no crescimento sustentável da empresa no longo prazo, na valorização do investimento dos acionistas e nas demais partes interessadas e conectadas ao nosso negócio, como os fornecedores, clientes e empregados, sempre respeitando as leis dos países onde atuamos, bem como, um relacionamento saudável com toda a sociedade”. Para manter um programa efetivo de Governança Corporativa, a Continental tem uma área de Auditoria Interna, um Sistema de Gerenciamento de Compliance (CMS0).

Ações – Todas as ações voltadas para a sustentabilidade, diz Simonetti, são orientadas pela estratégia global, composta por quatro ambições principais: neutralização de carbono, mobilidade e indústria livres de emissões, economia circular e cadeia de valor responsável. Eles participam ativamente de fóruns externos, como o Sindipeças e a Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo.

“Realizamos também o processo de ‘benchmarking’ com outras empresas, inclusive promovemos o Prêmio de Sustentabilidade na cadeia de fornecedores, nas categorias Social e Meio Ambiente. No ano de 2022, recebemos aproximadamente 50 projetos, dos quais pudemos aprender, compartilhar experiências e premiar os melhores projetos”, conclui.

ZF

Sustentabilidade é parte integrante da estratégia do Grupo ZF, “Mobilidade da próxima geração”. Anualmente, a empresa publica um relatório global de sustentabilidade, que inclui projetos e resultados sobre clima e recursos (Environment), colaboradores, parceiros e sociedade (Social) e governança corporativa (Governance).

De acordo com Celso Guerra, gerente Sênior de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, “as metas ambientais da empresa incluem total neutralidade climática até 2040 e redução de 80% nas emissões de CO2 nas instalações da ZF até 2030 (em relação a 2019) para os escopos 1 e 2 e reduzir 40% do escopo 3 até 2030”. Recentemente no Brasil, a ZF alcançou recentemente a marca “aterro zero” na planta de Limeira (SP).

“A conquista vai ao encontro dos objetivos e metas do Grupo ZF ligados à política global de Saúde, Segurança e Meio Ambiente. A unidade é uma das oito da ZF em operação no Brasil. A ação zero aterro faz parte das inciativas da área de Meio Ambiente da ZF e, para alcançá-la, realizamos um amplo trabalho de conscientização ambiental e de incentivo aos colaboradores da unidade, começando pela coleta seletiva, que é uma responsabilidade de todos e um dos primeiros passos que contribuem para se alcançar o aterro zero”.

Digitalização – No maior Centro de Distribuição da ZF Aftermarket na região América do Sul, localizado em Itu (SP), a ZF opera toda a sua logística sem papel (100% paperless). “Com isso, 320 mil folhas de papel deixam de ser utilizadas por ano na unidade”, informa Guerra. Outro exemplo é a planta da ZF em Sumaré, dedicada a produtos voltados para o segmento de veículos comerciais, também opera em grande parte com processos digitais.

“Nesta unidade, a equipe de engenheiros e especialistas desenvolveu internamente a digitalização das folhas de instruções para várias linhas de produção, de forma que os operadores possam acessar uma plataforma digital para realizar a troca de operações de cada produto a ser montado na linha. A digitalização contempla ainda ferramentas de segurança, saúde e meio ambiente, além de informes da área de recursos humanos”.

Projeto Economia Circular – Com este projeto, a empresa reutiliza caixas de madeira e papelão dos mais diversos tamanhos. “Entre os resultados estão 30 mil embalagens reutilizadas em um ano de projeto vigente, cerca de 800 toneladas de resíduos e cerca de 500 toneladas de CO2 que deixaram de ser emitida”, especifica Guerra.

Nas plantas de Itu e Sorocaba (SP) reutilizam todos os pallets que chegam às unidades e os utiliza no transporte de materiais. Na planta de Sorocaba, por meio de um processo de reuso, redução e reciclagem de fluidos lubrificantes para os processos industriais, conseguiu purificar e reutilizar 70% desse tipo de óleo. Com a implementação do Programa Green Dot (ponto verde), alcançou redução de 20% de energia elétrica em diversas unidades da empresa.

No campo Social, destaque para o Amiguinhos ZF – “O objetivo é de conscientizar crianças e jovens de 4 a 12 anos sobre cidadania, respeito e educação para uma mobilidade mais segura e sustentável”, especifica Guerra.

Celso Guerra, gerente Sênior de Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da ZF

Departamento de EHS – Meio Ambiente, Saúde e Segurança – Com esse departamento, a ZF estabeleceu uma rede ampla de atuação em favor das políticas de ESG. Também criaram uma iniciativa chamada Embaixadores da Diversidade para potencializar a inclusão no ambiente corporativo.

“No caso do Embaixadores da Diversidade, a empresa iniciou no final de 2022 uma série de ações com o objetivo de integrar grupos de afinidade em torno do tema. Neste primeiro ciclo se inscreveram 80 colaboradores, sendo que, no segundo, que se iniciou em agosto em 2023, o número dobrou”. Inicialmente foram trabalhados seis pilares: gênero, etnias e raças, social, pessoas com deficiência, LGBTQIAPN+ e nacionalidades. No segundo ciclo o pilar de nacionalidades foi substituído pelo geracional.

“A partir da troca de experiências está sendo possível educar, criar novos propósitos, cocriar novas narrativas, questionar iniciativas frágeis e potencializar a diversidade e inclusão no ambiente corporativo, além de incluir lideranças e conscientizar em cascata, criando multiplicadores e promovendo a gestão de uma mudança cultural na empresa”, afirma Guerra.

Para finalizar, ele conta que a ZF mantém ainda vários outros projetos realizados e em andamento envolvendo a redução no consumo de água em suas unidades, assim como a redução do desperdício de alimentos, por exemplo. Setembro é o mês de encontro com seus principais fornecedores para promover iniciativas de ESG, discutir novos projetos, incentivar e trabalhar para que tenhamos uma extensão em toda a cadeia. “Globalmente, a ZF premia os melhores projetos por meio de uma categoria dedicada no ZF Excellence Award, e há iniciativas para tornar a sua produção e seus produtos cada vez mais sustentáveis, impactando toda a cadeia”.

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