BA | 203 O fim do incentivo do governo federal e os impactos nas vendas de veículos novos e usados

Até agosto foram 2.620.025 unidades emplacadas, 13,7% acima do mesmo período de 2022. Já o mercado de usados comercializou 9.444.206 veículos, na mesma base de comparação, o crescimento foi de 10,7%

Por Karin Fuchs

Com o término do bônus do Governo Federal em julho para a compra de veículos leves novos de até R$ 120 mil, o setor viu uma mudança de comportamento do consumidor em agosto. Aumentou a participação das vendas de SUVs no volume total, de 38% para 40%, em contrapartida, os hatches tiveram retração de 28,6% para 22,7%.

Segundo a Anfavea, em agosto foram emplacadas 207,7 mil unidades, na soma de todos os segmentos, 7,9% menos que no mês anterior. Automóveis tiveram uma retração de 13,2%; e comerciais leves tiveram uma expansão de 11,6%, impulsionados principalmente pelas vendas de picapes.

Vale destacar que a maior parte das vendas em julho foi com o incentivo do Governo, conforme o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “O mês de julho foi muito importante com o incentivo. Das 225 mil unidades vendidas, 160 mil foram com o bônus. Quando analisamos agosto, das 207,7 mil vendidas, 205 mil foram sem bônus”.

Pelos resultados da Fenabrave, os emplacamentos de veículos, considerando a média de todos os segmentos automotivos, fecharam o mês de agosto com resultado estável sobre o mês anterior (alta de 1,17%) e de 7,2% quando comparado ao mesmo mês de 2022. Especificamente automóveis tiveram uma retração de 13,16% em agosto em relação ao mês anterior, com 153,478 mil unidades emplacadas.

Na avaliação do presidente da Fenabrave, Andreta Jr., as ações do Governo Federal permitiram o acesso do consumidor, que havia perdido poder compra, aos veículos de entrada, o que demonstrou que o fator preço influencia na escala necessária para a recuperação do setor.

“As Medidas Provisórias foram muito importantes para aquecer, momentaneamente o mercado, mas o resultado de automóveis, em agosto, agravado pela piora na oferta de crédito, já deixa clara a necessidade de uma política de fomento industrial de longo prazo. Isso porque algumas marcas ainda tinham saldo de veículos com descontos patrocinados a oferecer, o que fez com que o resultado não fosse ainda pior”, afirmou.

José Maurício Andreta Jr., presidente da Fenabrave

Acumulado anual

Também pelos dados da Fenabrave, no acumulado do ano até o mês de agosto foram 2.620.025 unidades emplacadas, considerando todos os segmentos, 13,7% acima do mesmo período de 2022. O resultado mais expressivo foi para motocicletas, alta de 21,17%, com 1.045.494 unidades, enquanto automóveis somaram 1.063.625 unidades emplacadas, 9,22% acima do mesmo intervalo de 2022.

Ainda que o resultado tenha sido positivo, Andreta Jr. disse que não é esperada uma forte recuperação na segunda metade deste ano. “A evolução sobre 2022 é positiva, mas devemos lembrar que os emplacamentos tiveram um desempenho abaixo da média histórica no primeiro semestre de 2022, devido a uma série de fatores (escassez de peças e componentes, guerra na Europa, alta nos combustíveis), e se recuperaram no segundo semestre. Não há sinais de que teremos uma forte recuperação na segunda metade do ano”, validou.

Já a Anfavea computou 1,432 milhão de veículos vendidos nos oito primeiros meses deste ano, somando todas as categorias, 9,4% acima do mesmo período do ano passado. “A média diária de vendas deste ano praticamente superou o mesmo período de 2022, com destaque para o mês de agosto. Lembrando que agosto foi o melhor mês de 2022 e o mesmo mês deste ano está praticamente no mesmo patamar”, informou Leite.

Enilson Sales, presidente da Fenauto

Eletrificados em alta

No acumulado deste ano, as vendas de veículos eletrificados leves já superaram todo o volume de 2022, segundo o presidente da Anfavea, “em agosto em relação a julho, foram 25% mais veículos emplacados com as novas tecnologias e quando comparado com agosto de 2022, o crescimento foi de 120%. Foram 49,1 mil unidades até agosto, contra 49,2 mil em todo o ano de 2022 e no início de setembro, já ultrapassamos essa marca”. A maior participação foi dos híbridos, 43,2 mil entre as 49,1 mil unidades vendidas.

Mercado de usados

Somente no mês de agosto foram comercializados 1.374.000 veículos seminovos e usados, resultado 12,8% superior ao mês anterior, e 4,5% acima de agosto de 2022, de acordo com a Fenauto. Deste total, 866,2 mil foram automóveis, 12,2% mais do que em julho e 6% acima de agosto de 2022.

Por anos de uso, a maior parte das vendas em agosto tinha mais de treze anos, totalizando 511,6 mil destas unidades ou 37,2% do total. Na sequência, veículos com quatro a oito anos de uso totalizaram 358,6 mil unidades ou 26% do total. Por modelo, o Volkswagen Gol teve a maior participação de vendas de veículos leves, com 71,3 mil unidades ou 8,2% do total, seguido pelo Fiat Uno, com 40,5 mil unidades ou 4,7%, e o Fiat Palio, com 37,9 mil unidades ou 4,4%.

Já no acumulado do ano, a Fenauto computou 9.444.206 de veículos comercializados, volume 10,7% superior ao período de janeiro a agosto de 2022. “Os dados são positivos, pois ainda faltam quatro meses para o fim do ano e a projeção é a de que até lá sejam vendidos em torno de 15.000.000 de usados e seminovos. Como no fim do ano as vendas costumam ser mais aquecidas para o comércio em geral, provavelmente finalizaremos 2023 com um excelente resultado”, comentou o presidente da entidade, Enílson Sales.

Linha pesada

O mês de agosto trouxe números positivos para o segmento de pesados, com 8,968 mil caminhões emplacados, 10,59% acima do mês anterior e na mesma base de comparação a alta foi de 10,59% para ônibus, totalizando 8,968 mil unidades. Porém, no acumulado anual até agosto, com 67,426 unidades, caminhões tiveram uma retração de 16,66% em relação ao mesmo período, enquanto ônibus apresentaram uma expansão de 16,66% ou 67,426 unidades.

“O Governo Federal lançou a Medida Provisória 1.178, que ainda dispõe de recursos para a caminhões e ônibus que estão, aos poucos, se recuperando”, declarou Andreta Jr.

Nas palavras do presidente da Anfavea, “embora ainda não chegou a sua potência máxima, cerca de 400 caminhões utilizaram o bônus do programa e ainda tem cerca de R$ 700 milhões disponíveis. O programa se encerra no dia 3 de outubro”, disse Leite. Os dados da Anfavea também mostram que as vendas de pesados com a nova tecnologia Proconve P8 ainda não emplacaram.

Do total de caminhões vendidos em agosto, 33% foram fabricados neste ano. Na média dos últimos cinco anos para o mês, o percentual foi de 66%, e no segmento de ônibus, a proporção foi de 35% para 52%, nos últimos 5 anos.

Fábricas operando

No acumulado do ano até agosto, a produção de veículos foi similar ao mesmo período de 2022, com 1,542 milhão de unidades. Especificamente em agosto, quando comparado ao mês anterior, foram 227 mil unidades produzidas, um crescimento de 24%.

A boa notícia, destacou Leite, foi que no mês de agosto nenhuma fábrica ficou parada. “Não tivemos paradas de fábricas e ficamos praticamente igual a maio, mês que antecedeu o anúncio do plano do Governo de incentivo às vendas de automóveis de até R$ 120 mil, quando as montadoras trabalharam muito para aproveitar o que seria anunciado em junho. A ausência de paradas de fábricas é um sinal muito positivo em função do que vínhamos vivendo nos últimos anos e meses”, afirmou Leite.

Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea

Avaliação por segmento

Automóveis e Comerciais Leves Eletrificados

No ano, já são 27.851 unidades de eletrificados emplacados. “A alta no volume tem sido expressiva, com os hibridos representando 88% dos autos e leves eletrificados emplacados no País em 2023”, afirma Andreta Jr.

Automóveis e Comerciais leves

Apesar de os recursos das MPs terem se esgotado em julho, muitos veículos foram emplacados apenas em agosto, devido ao intervalo entre o fechamento do negócio na Concessionária e seu emplacamento. No entanto, mesmo com o impulso das vendas de julho, os emplacamentos de automóveis tiveram queda no mês. “Notamos que, nas últimas semanas, houve uma deterioração acentuada na liberação de crédito, com um aumento de cerca de 20% nas recusas de fichas de financiamento por parte das instituições financeiras. O crédito está restrito e isso afeta muito o mercado”, afirma Andreta Jr.

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