A FENAUTO prevê terminar o ano com 15 milhões de veículos seminovos e usados comercializados, até o mês de setembro foram quase 10,7 milhões, 8,8% acima do mesmo período de 2022
Por Karin Fuchs
Na última coletiva da Anfavea, no início de outubro, a entidade revisou as projeções para este ano. Em janeiro, a estimativa era de 2.168.000 unidades emplacadas, agora, é de 2.230.000, o que representará um crescimento de 6% em relação a 2022. No acumulado do ano até setembro, o setor computou 1.630.000 unidades emplacadas, 8,5% acima do mesmo período de 2022, somando automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
O destaque segue para veículos leves, que devem terminar 2023 com 2.102.000 unidades emplacadas, representando uma alta de 7,2%. Na contramão, pesados seguem patinando e a projeção é de uma queda de 11,1% neste ano, somando 128.000 unidades. A razão principal foi a transição da tecnologia Proconve P7 para a P8 e a antecipação das compras em 2022.
Desempenho
Nas palavras de Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, “o ritmo de vendas de veículos leves se mantém, o que afasta o temor de que haveria uma retração após o fim do programa do Governo, com o bônus para a compra de veículos leves novos de até R$ 120 mil”. Setembro teve a melhor média diária de vendas, com 9.900 unidades, superado apenas pelo mês de julho, quando as vendas foram impulsionadas pelo programa de desconto do Governo.
O alerta é para o aumento de participação das vendas diretas, de 48% em agosto, para 52% em setembro. “Isto indica que ainda há uma demanda reprimida por parte das locadoras. É um setor muito importante para nós, mas não podemos crescer mirando apenas as vendas diretas, precisamos crescer com emplacamentos para o consumidor final, esse é o nosso grande desafio”, afirmou Leite.
Já o segmento de pesados deixou a desejar. Mesmo com o programa de incentivo do Governo para a renovação da frota com mais de 20 anos, dos R$ 700 milhões concedidos para a compra de caminhões foram utilizados R$ 130 milhões e dos R$ 300 mil destinados a ônibus, R$ 190 milhões.

Segundo Leite, foi um programa excepcional no contexto de privilegiar a renovação da frota. “O setor defende muito a necessidade de uma Inspeção Técnica Veicular de renovação da frota, esse é o caminho para a descarbonização. É uma pena a economia ter perdido parte desses recursos que poderiam incrementar a indústria, que tem sofrido bastante”. O programa de incentivo terminou no dia 3 de outubro.
Aumento da participação dos importados
Em janeiro, a estimativa de unidades emplacadas feita pela Anfavea para este ano era de 2.168.000 unidades, recentemente, a nova projeção passou a ser de 2.230.000 unidades. Desta diferença de 62.000 veículos, a maior participação deverá ficar para os importados, com 42.000 unidades ou 67% do total. Um fenômeno que, segundo o presidente da Anfavea, não é exclusivamente do Brasil, mas principalmente na Europa, o que tem sido um problema para os fabricantes de lá, e o Brasil começa também a ser impactado pelo aumento das importações.
“Este fenômeno se explica em parte pelo período de transição tecnológica, que ainda não se tem na produção local. Estamos falando de geração de empregos, de produção local, de autopeças e componentes. A Anfavea tem trabalhado e discutido muito com o Governo para que haja um equilíbrio entre o crescimento do mercado local, mas não desproporcional em detrimento da indústria local”, contou Leite.
Ele defendeu que as importações são importantes, elas trazem tecnologia e novidades para o consumidor. “O que é importante para o setor e para a infraestrutura, mas é preciso que haja equilíbrio. É por isso que existem as regras regulatórias para que não haja uma desproporção e isso coloque o setor em risco”, acrescentou.
Perspectivas da Fenabrave
Também em coletiva à imprensa no início de outubro, a Fenabrave apresentou os números de emplacamentos no acumulado do ano e as projeções de crescimento. Até o mês de setembro, foram 2.971.324 unidades, 12,5% acima do volume de emplacamentos no mesmo período de 2022. O destaque foi para motocicletas, com alta de 19,68% e 1.180.618 unidades, comerciais leves, com 325.190 unidades, cresceram 16,95%. Automóveis tiveram uma expansão de 8,26%, somando 1.209.293 unidades, ônibus alta de 23,7% e 18.874 unidades. Já caminhões tiveram uma retração de 17,53%, com 75.870 unidades emplacadas, impactados pela nova tecnologia Proconve P8.
Mesmo que setembro seja um mês com três dias úteis a menos que agosto, a média de emplacamentos diários de automóveis e comerciais leves foi de 9.372 unidades, acima das 8.560 unidades registradas em agosto. “Isso mostra que o mercado está se reerguendo, em boa parte graças às vendas corporativas, mas ainda num ritmo abaixo do esperado para a escala necessária, principalmente, no varejo”, disse Andreta Jr., presidente da Fenabrave.
Ainda de acordo com ele, os resultados também foram superiores à média mensal do ano. “Especialmente, sobre os emplacamentos do 1º semestre de 2023, lembrando que os meses de julho e agosto foram bastante influenciados pela MP 1.175, que incentivou a aquisição de veículos sustentáveis no País”.
Em setembro, incluindo todos os segmentos, foram 351.301 unidades comercializadas, queda de 5,44% em relação ao mês anterior e alta de 4,77% considerando setembro de 2022. “Apesar da queda em setembro, justificada pelo número menor de dias úteis, de maneira geral, o mercado demonstrou recuperação nas vendas diárias em relação a agosto. No entanto, os desafios do setor automotivo permanecem, com o crédito restrito e a diminuição do poder de compra da população ainda dificultando o acesso das pessoas a veículos novos”, comentou Andreta Jr.

Seminovos e usados
No balanço divulgado pela FENAUTO, no acumulado do ano até setembro foram 10.627.886 veículos seminovos e usados comercializados, superando em 8,8% o volume registrado em 2022. Especificamente em setembro, houve uma queda de 13,9% nas vendas, justificada pelo mês ter três dias úteis a menos que agosto. Porém, comparando o resultado de vendas por dia útil, entre setembro e agosto, a variação de vendas ficou negativa em apenas 1,0%. E mesmo com a retração em setembro, o mercado segue 3,2% acima do resultado do mesmo período do ano passado.
Pelo balanço da entidade, os modelos VW Gol, Fiat Uno e Fiat Palio continuaram na liderança das vendas durante setembro, com 60.412, 34.076 e 32.119 unidades vendidas no mês, respectivamente. Entre os eletrificados, destaque pata o Toyota Corolla (793 unidades), Toyota Corolla Cross (455 unidades) e o Volvo CX60 (191 unidades). Entre os comerciais leves, o campeão foi o Fiat Strada (25.904 unidades), seguido pelo VW Saveiro (17.991 unidades) e o Toyota Hilux (12.697 unidades).
Para o término deste ano, a entidade prevê um volume de cerca de 15.000.000 de veículos comercializados. “Movimentos pontuais de alta e de acomodação de mercado já eram esperados por nós, mas continuamos com a nossa previsão de algo perto de 15.000.000 de veículos comercializados até o final do ano”, reforçou o presidente da FENAUTO, Enilson Sales.

Produção
Para o segmento de leves, as novas projeções da Anfavea apontam para a produção de 2.372.000 unidades até o final deste ano, empatando com o resultado do ano passado. Até setembro foram produzidas 1.751.000 unidades, incluindo todas as categorias, 0,3% a menos que no mesmo período de 2022. No mês de setembro foram 208.900 unidades, queda de 8% sobre agosto e alta de 0,5% quando comparado setembro de 2023.
No segmento de pesados, o cenário não é animador. No acumulado do ano foram produzidos 71.800 caminhões, 38,5% menos que no mesmo período de 2022. Em setembro foram 8.200 unidades produzidas, queda de 14,6% sobre agosto. Ônibus somaram 15.400 unidades produzidas no acumulado até setembro, uma queda de 35,5% quando comparado ao mesmo período de 2022. Em setembro 1.900 unidades produzidas 8,9% menos que em agosto.