O Etanol como energia renovável pode ser uma potencial fonte para adoção no Brasil e exportação para diversos Países
Redação Balcão Automotivo
No dia 10 de outubro, a FIESP, em São Paulo (SP), foi palco do Seminário da Reposição Automotiva, que contou com a participação de representantes das principais entidades do setor, incluindo ANDAP, ASDAP, SICAP, SINCOPEÇAS BRASIL, SINDIPEÇAS e SINDIREPA BRASIL. O evento foi conduzido pelo jornalista e apresentador Adalberto Piotto, abordando temas cruciais, como a evolução da frota de veículos elétricos no Brasil, que deve ser mais lenta devido ao uso do etanol como fonte de energia renovável. Além disso, discutiu-se os desafios da capacitação profissional em diferentes áreas da cadeia de reposição automotiva e a importância do movimento “Right to Repair” para garantir que os consumidores tenham a liberdade de escolher onde realizar a manutenção de seus veículos, incluindo o acesso dos mecânicos às informações técnicas das montadoras.
No tópico “Perspectivas Econômicas 2024”, o Deputado Estadual por São Paulo, Tomé Abduch, que também é empresário do setor da Construção Civil, enfatizou o papel contínuo do agronegócio como principal motor de crescimento do País, mas alertou para o aumento dos gastos públicos. Ele se colocou à disposição do setor para abordar questões importantes, como a Inspeção Veicular.

No painel “Panorama Geral da Indústria Nacional de Autopeças”, Claudio Sahad, presidente do Sindipeças, declarou que o Brasil continuará a ter motores a combustão por cerca de 60 anos, devido às diversas fontes de energia limpa disponíveis. Ele ressaltou a necessidade de uma união maior no setor automotivo para desenvolver projetos que possam elevar o País a um novo patamar.
Na discussão sobre a “Aliança do Aftermarket Automotivo”, o presidente da Andap, Rodrigo Carneiro, destacou a força da reposição no Brasil, com uma sólida rede de distribuição composta por “powerhouses” capazes de atender 80% da frota em circulação. Ele também enfatizou a presença do varejo, com mais de 60 mil pontos de venda e milhares de oficinas que empregam 1 milhão de mecânicos, gerando um impacto de R$ 100 bilhões na economia.
Vantagens e desafios
Continuando, o Painel da Indústria, com o tema “Vantagens Competitivas da Reposição Brasileira e seus Principais Desafios”, contou com a participação de Paulo Gomes, diretor Comercial do mercado de reposição da Randoncorp, sediada na cidade de Caxias do Sul. Além disso, estiveram presentes Evandro Tozati, gestor de Vendas, Marketing e Assistência Técnica da Mahle Metal Leve para a América do Sul e Central; Robert Hilbert, vicepresidente da Bosch, Divisão Automotive Aftermarket para a América Latina; e Rubens Campos, vice-presidente sênior do Aftermarket Automotivo da Schaeffler América do Sul. O painel foi conduzido pelo jornalista Adalberto Piotto. Durante a discussão, os executivos destacaram diversas iniciativas de inovação adotadas por suas empresas para atender às demandas em constante evolução da frota de veículos, incluindo os modelos híbridos e elétricos.
No que diz respeito aos obstáculos, a questão da carga tributária foi trazida à tona por Hilbert, da Bosch, que comparou a complexidade do sistema tributário brasileiro com a de outros países onde trabalhou, como Irlanda e Reino Unido. Ele observou que sempre enxergou o Brasil como um gigante adormecido com um enorme potencial, destacando a presença de centros de pesquisa, montadoras e profissionais de alto nível. No entanto, identificou algumas barreiras, como o intrincado sistema tributário e o chamado “Custo Brasil”.
Por outro lado, Evandro Tozati, da Mahle, ressaltou a importância do mercado de reposição para a empresa. Ele acredita que as empresas estabelecidas no Brasil estão bem posicionadas para compreender as necessidades do mercado e transformá-las em oportunidades de negócios. Tozati destacou que um grande desafio para qualquer fabricante do setor está em lançar produtos e disponibilizá-los para reposição, enfatizando que estar mais próximo do mercado auxilia a atender a demanda de forma mais ágil.
A complexidade do sistema tributário também foi enfatizada por Rubens Campos, da Schaeffler, que brincou dizendo que possivelmente tem mais profissionais na área de tributação do que em Vendas. Ele também apontou que, após a pandemia, as empresas aprenderam novas formas de comunicação, e o canal de distribuição sofreu mudanças. Antigamente, as fábricas vendiam para os distribuidores, que por sua vez atendiam o varejo, que, por fim, chegava aos mecânicos. Atualmente, esse processo se diversificou.

Paulo Gomes, da Randoncorp, compartilhou que o grupo iniciou suas atividades com montadoras e, na década de 80, começou a investir no mercado de reposição devido à sua consistência. Ele enfatizou o fato de que a Randoncorp é a única empresa brasileira com fábricas em vários continentes e que exporta para diversos países. Gomes destacou que, atualmente, ao invés de importar tecnologia, eles exportam-na. Metade da produção da empresa é destinada ao mercado de exportação.
Aprimoramento constante
No Painel sobre Distribuição com o tema “Diante das Novas Tecnologias: Oportunidades e Desafios na Distribuição”, participaram Ana Paula Cassorla, diretora de Compras e Marketing da Pacaembu Autopeças; Antonio Carlos Beiram, sócio-fundador da G&B Distribuidora de Autopeças; Gerson Prado, CEO da SK Mobility; e Paulo Fabiano Navi, diretor de Vendas, Comercial e Canais Digitais do Grupo Real.
Beiram ressaltou a importância de dar suporte a iniciativas direcionadas aos profissionais do varejo, como o Programa “Loja Legal”, desenvolvido pelo Sincopeças-SP em colaboração com o SEBRAE. Por outro lado, Prado lembrou que as montadoras não possuem a mesma abrangência da rede de distribuição para atender à demanda em todo o País, enfatizando a necessidade de as indústrias de autopeças apoiarem o movimento “Right to Repair”.
Navi salientou que o desafio central reside em assegurar que os reparadores tenham acesso à peça correta de forma imediata quando a demanda surge, enquanto Ana Paula enfatizou a importância de o setor usar as redes sociais como uma ferramenta de comunicação com os consumidores, especialmente para atrair jovens. Ela especificamente mencionou a necessidade de estar presente em plataformas como o TikTok.
Na palestra “Relevância da Experiência do Cliente em toda a Jornada de Compras”, Heber Santos, fundador da Heber Consultoria, destacou que cada interação com o cliente representa uma experiência, desde a primeira visita ao site ou Instagram até as conversas com amigos sobre produtos e empresas. Em resumo, todas essas etapas formam um conjunto de fatores que culminam na conclusão de uma venda de produto ou serviço.
Novas demandas
Posteriormente, o Painel do Varejo, com o tema “O Novo Perfil do Consumidor: Desafios na Construção de uma Experiência do Cliente Excepcional (CX)”, contou com a participação de Alexandre Pereira, CEO da Atlanta Autopeças; Felipe Martins, sócio-diretor do Grupo PMZ; Douglas Barbosa, gestor da Celsão Autopeças; e Marcos Arthuzo, diretor de Operações da DPaschoal. Um consenso foi alcançado entre os participantes do painel, enfatizando a importância do treinamento para a formação e capacitação da mão de obra. Eles ressaltaram que os vendedores devem desenvolver empatia para atender às necessidades dos mecânicos da melhor maneira possível. Para isso, é fundamental possuir conhecimento técnico do produto, a fim de fornecer a solução adequada, evitando que peças incorretas cheguem à oficina, o que causaria inconvenientes para o proprietário do veículo e os elos da cadeia.
Como exemplo, Martins compartilhou que a PMZ tem uma instituição de ensino dedicada à formação de profissionais para atuar na empresa, a qual já conta com 2.300 colaboradores e abrange mais de 80 unidades. Ele expressou o desejo de expandir a oferta de treinamento para incluir também os mecânicos.
Pereira enfatizou a importância de estabelecer uma conexão com o cliente, compreender suas necessidades e fornecer a solução mais adequada.
Barbosa ressaltou que mecânicos e consumidores frequentemente visitam a loja com problemas. Ele enfatizou a responsabilidade do vendedor em assegurar a melhor experiência possível. Enquanto isso, Arthuzo mencionou o projeto “Maxxi Training” da DPaschoal e sublinhou a importância de os profissionais se concentrarem na resolução dos problemas dos clientes e, quando necessário, demonstrarem se a substituição da peça é realmente necessária.

Na conferência intitulada “Desafios na Capacitação de Mecânicos em um Cenário de Complexidade na Eletrificação e no Movimento ‘Right to Repair’”, Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Brasil, discutiu a necessidade de oficinas automotivas obterem a certificação de competências profissionais. Fiola destacou que, no Brasil, a indústria desempenha um papel significativo no treinamento e capacitação de profissionais.
Por fim, o Seminário teve grande impacto entre os presentes devido ao seu conteúdo. Esta edição do evento, organizada pelo Grupo Photon, contou com o patrocínio de várias empresas do setor, incluindo SAMA, LAGUNA, MATRIX, PELLEGRINO, ROLES, REDE PITSTOP, DPK, ELRINGKLINGER, FRAS-LE, NAKATA, KS, MAHLE, SCHAEFFLER, TAKAO, BOSCH, DANA, DELPHI, IQA, MONROE AMORTECEDORES e VALEO.