BA|205 A profissão de vendedor de autopeças

Por Karin Fuchs 

Nesta matéria especial em comemoração ao Dia do Balconista de Autopeças, que é celebrado em nível nacional no dia 26 de novembro, Francisco Gomes, representante Comercial da Bezerra Oliveira, em Fortaleza (CE), consultor e instrutor do curso de Balconista de Alta Performance, comenta cinco temas de total relevância para quem atua no dia a dia do varejo de autopeças; e vendedores de várias regiões do País contam como é atuar nesta profissão, que requer constante renovação para acompanhar todas as novidades e tendências do mercado e, principalmente, para atender o cliente cada vez mais exigente, que espera por uma venda consultiva.

O Papel Fundamental do Balconista de Autopeças

Francisco Gomes começa dizendo que o papel do balconista vai muito além de simplesmente fornecer uma peça para solucionar um problema no veículo. “Ele desempenha a importante função de oferecer atendimento técnico especializado ao cliente, utilizando seu conhecimento para identificar com precisão o item necessário. Além disso, o balconista atua como um assessor, proporcionando uma experiência mais abrangente ao cliente”.

O que inclui a identificação da peça, o aconselhamento na escolha da marca, sugestões de itens complementares e a oferta de informações detalhadas sobre a qualidade e garantia dos produtos. “Dessa forma, o balconista se torna um parceiro confiável, oferecendo suporte integral durante o processo de compra e contribuindo para a satisfação e confiança do cliente”, acrescenta.

Francisco diz ainda que, como consultores, eles se distinguem de vendas totalmente online devido à sua abordagem personalizada, interativa e focada em orientação técnica para garantir a identificação precisa do item. “A dificuldade de acesso a informações precisas sobre peças automotivas pode representar um obstáculo para compras online, uma vez que a escolha do item pode se tornar imprecisa. Nesse cenário, o papel do consultor é essencial para esclarecer dúvidas e garantir uma decisão mais acertada”.

Questionado se para algumas situações esses profissionais são substituíveis, Francisco responde que sim, para peças de aplicação simples e aquelas que podem ser comparadas visualmente, como faróis, lanternas, tapetes, palhetas, pneus, baterias, entre outras, que podem ser adquiridas sem a necessidade de orientação técnica específica. “Nesses casos, é comum realizar a compra por meio de plataformas de automatização e compras online, proporcionando uma experiência direta e conveniente para o cliente”.

No entanto, ele afirma que há uma salvaguarda essencial para esse profissional, especialmente quando a peça em questão requer conhecimento técnico especializado. “Situações que demandam soluções para problemas complexos também destacam a importância do papel do vendedor de autopeças. Além disso, a habilidade em estabelecer um relacionamento sólido com o cliente emerge como uma reserva crucial, fortalecendo não apenas a reputação da autopeças, mas também garantindo a fidelização do cliente em longo prazo”.

Carência de profissionais – Segundo Francisco, a avaliação do mercado aponta para uma carência significativa de vendedores de autopeças, indicando uma demanda latente por profissionais qualificados. “A constatação de que até profissionais menos habilidosos ou com vícios estão empregados destaca a urgência de suprir essa lacuna no setor”.

Em geral, a remuneração atrelada a comissões oferece uma oportunidade atrativa para os profissionais, sendo que o desempenho no balcão pode impactar significativamente o ganho financeiro. “Por isso, investir na formação de novos profissionais e na atualização dos existentes pode contribuir não apenas para suprir a demanda imediata por mão de obra, mas também para elevar o padrão de atendimento e a qualidade do serviço oferecido”, explica.

Certificação pelo IQA – Francisco avalia que a Certificação do Instituto da Qualidade Automotiva (IQA) para Vendedores de Peças e Acessórios Veiculares desempenha um papel vital na indústria de autopeças. estabelecendo padrões reconhecidos que garantem a qualidade dos profissionais certificados. “Além de conferir confiança aos consumidores, a certificação proporciona um diferencial competitivo aos profissionais no mercado, validando suas habilidades e conhecimentos técnicos perante empregadores e clientes”.

Francisco Gomes, representante Comercial da Bezerra Oliveira, consultor e instrutor do curso de Balconista de Alta Performance

Vendedor consultor e parceiro

Marcio Jacinto de Melo é vendedor há 27 anos na Pelegrini Comércio de Peças Ltda., em Uberlândia (MG). Para ele, o papel do balconista de autopeças é de consultoria ao cliente. “Peças automotivas são muito específicas e sempre têm suas particularidades, exceto alguns itens, como por exemplo, lanternas e tapetes, e sistema de som. Sendo assim, necessária a presença dos balconistas de autopeças para que ocorra uma compra assertiva. E o que difere esses profissionais, como consultores, de uma venda totalmente online é o conhecimento e a bagagem adquirida ao longo do tempo”.

Assim como Francisco, Melo comenta que em algumas situações, eles podem ser substituíveis. Como no caso de compra de um acessório de acabamento, onde exista uma foto bem explícita com medidas e cores muitos nítidas. “Porém, na área da mecânica, como por exemplo, peças para motor, câmbio, direção, suspensão, freios, elétrico e outros, é preciso um conhecimento mais apurado sobre o assunto, pois nem sempre há a disponibilidade de foto ou o item pode estar montado no conjunto”.

Histórias de vida – Na profissão de vendedor, Melo tem muitas histórias para contar. Uma delas, cita ele, “certa vez, eu atendi um cliente e fiz a venda. No dia seguinte, descobri que houve um erro no sistema ao calcular o valor do produto, percebi que foi cobrado um valor bem mais alto. Não hesitei em ligar para ele, relatando o ocorrido e devolvendo-lhe a diferença. Eu ganhei um amigo para sempre, exercitando o relacionamento ganha-ganha. Em outras situações, quando o cliente era mais velho, eu descobria o nome de um neto ou neta. Isso era sempre um quebra-gelo”. Também com a sua profissão, entre as suas realizações pessoais, ele adquiriu alguns imóveis, “que hoje me dão uma renda extra”, neste ano ele conheceu os Estados Unidos, “e tenho mais projetos como meta de futuro”, conclui.

Marcio Jacinto de Melo, da Pelegrini Comércio de Peças Ltda., de Uberlândia (MG)

Na Secchi Autopeças, em Chopinzinho (PR), Dalci Goldoni Junior diz que o balconista de autopeças tem a importante função de orientar o cliente para que possa adquirir o melhor produto de acordo com o que ele procura e precisa. “Muitas pessoas não conhecem os produtos e têm dificuldade de uma compra assertiva sem um suporte adequado. A venda de autopeças é uma venda muito técnica, a diversidade de marcas e modelos de veículos em circulação dificulta muito na hora da aquisição do produto, até mesmo pela identificação do produto, é bem frequente o cliente ter dificuldade para explicar o produto que precisa ou não conhecer o nome do produto, por exemplo”.

Ele atua no ramo há seis anos e acredita que para algumas situações ou alguns clientes, em específico, o vendedor é substituível, porém, pondera, “na maioria das vezes, ele não é substituível devido aos fatores que eu disse anteriormente. A grande maioria (dos clientes) tem dúvidas sobre marcas, qualidade, garantia, funcionamento, etc. Cabe a nós, consultores de vendas, orientar e sanar as dúvidas do cliente”, afirma.

No dia a dia, Junior conta que eles vivenciam diversas experiências que somam no crescimento profissional. “Atendemos diversos clientes com dificuldades ou problemas diferentes a cada dia. Acredito que cada vez que atendemos, solucionamos e alcançamos a satisfação do cliente é uma história bem-sucedida. Por isso, precisamos estar sempre nos especializando e aprendendo, para que possamos cada vez mais entregar uma experiência satisfatória para o cliente e nos sentirmos realizados com a nossa profissão”, finaliza.

Conhecimento Técnico e Atualizações

Como é sabido, a profissão de vendedor de autopeças requer a busca constante por atualização e a internet oferece recursos valiosos para esse propósito. “Os fabricantes de peças têm adotado iniciativas, como canais online e palestras presenciais, que abordam temas relacionados aos sistemas veiculares. É crucial que o balconista reconheça a necessidade de estudo contínuo neste setor, garantindo a habilidade de fornecer ao cliente um atendimento tecnicamente qualificado”, ressalta Francisco.

 

A dica dele para aprimorar o conhecimento técnico é iniciar os seus estudos nos sistemas veiculares, a partir do conhecimento básico, progredindo gradualmente para conteúdos mais avançados. “O equívoco comum é negligenciar a aprendizagem dos fundamentos com precisão, o que pode dificultar a compreensão de conceitos mais complexos posteriormente. Uma sugestão adicional é explorar as funções individuais de cada peça e compreender sua interação com outras partes do veículo. Por exemplo, ao estudar um kit de embreagem, analise como ele se relaciona de forma simultânea com o motor, câmbio e transmissão”, orienta.

Mais abrangência – Francisco defende a necessidade de criar cursos mais abrangentes. “Os treinamentos online muitas vezes enfrentam o desafio da falta de uma divulgação orgânica abrangente, limitando seu alcance a um público mais restrito. Além disso, as feiras regionais e treinamentos presenciais tendem a ser concentrados em áreas urbanas mais desenvolvidas, excluindo aqueles em localidades remotas ou de menor porte. Diante desse cenário, enfatizo a necessidade premente de criar um curso online abrangente, visando democratizar o acesso à qualificação em todo o setor, proporcionando oportunidades de aprendizado para um público mais amplo, independentemente de sua localização geográfica”.

Dalci Goldoni Junior, da Secchi Autopeças, de Chopinzinho (PR)

Atualização constante

Há 15 anos na profissão e há 12 anos como vendedor na Casseb Auto Peças, em Belém (PA), Flávio Costa conta que para se manter atualizado, ele participa de palestras online e presenciais. “E pelos catálogos online, que nos auxiliam muito nessas mudanças constantes na indústria automobilística. Para mim, a maior mudança que tivemos recentemente foi com os veículos elétricos”.

Mas o que não falta para ele é acesso às informações. “Não tenho nem uma dificuldade hoje em dia, graças a Deus, sempre que há uma atualização no mercado, nós temos acesso às informações”. Para ele o que falta no setor é mais treinamentos. “Treinamento e motivação para ajudar os vendedores a alavancarem as vendas”, complementa.

Mirian Alves da Cunha, trabalha na Rey Maco Cham, em Bragança Paulista (SP), e é vendedora há dois anos. Para se atualizar, diz ela, “eu procuro sempre pesquisar sobre novidades, assisto a vídeos e procuro saber o que tem de novo no mercado”. Assim como Costa, ela afirma que não tem nenhum empecilho para acessar as informações. “Eu não tenho nenhuma dificuldade, consigo ter acesso na loja e em casa”, afirma. O que ela defende para ajudar os vendedores de autopeças é treinamento. “Eu acho necessário um treinamento, pelo menos uma vez por mês, para nos especializarmos ainda mais”, finaliza.

Atendimento ao Cliente e Relações Interpessoais

A qualidade do atendimento ao cliente desempenha um papel vital no êxito de qualquer empreendimento, influenciando de maneira direta a satisfação do cliente, a fidelidade à marca e a reputação do estabelecimento. “No setor de autopeças ou oficinas, um atendimento exemplar estabelece relações positivas. Dada a natureza recorrente das necessidades de manutenção veicular, um atendimento eficiente não apenas mantém, mas fortalece a fidelidade do cliente à empresa”, afirma Francisco Gomes.

Para se destacarem no atendimento ao cliente, ele sintetiza que é preciso conhecer os produtos, fornecendo informações para construir confiança. “A comunicação efetiva é essencial para atender às necessidades dos clientes de forma clara. Demonstrar empatia ao compreender preocupações e necessidades do cliente contribui para uma experiência positiva. A rapidez e eficiência em todas as etapas do atendimento, desde a identificação até a localização de produtos, são características valorizadas pelos clientes”, pontua.

Para lidarem com clientes desafiadores e construírem relações sólidas, Francisco costuma enfatizar que “quanto mais desafiador o cliente, maior a probabilidade de fidelização após a conquista”. E deixa algumas orientações para os balconistas lidarem com clientes desafiadores:

  • Mantenha a calma e seja cortês;
  • Ouça atentamente;
  • Comprometa-se com a solução do problema;
  • Estabeleça prazos realistas e cumpra-os;
  • Seja proativo na resolução de problemas, apresentando alternativas quando necessário;
  • Execute um pós-venda efetivo, buscando feedback sobre a experiência do cliente ao fazer negócios contigo;
  • Aprenda com a experiência, cada interação desafiadora oferece uma oportunidade de aprendizado. Avalie as situações, identifique pontos de melhoria e utilize esses insights para aprimorar futuros atendimentos.
Flávio Costa, da Casseb Auto Peças, de Belém (PA)

Escuta ativa – A eficácia da recepção do cliente na autopeças ou oficina está intrinsecamente ligada à empatia. A orientação de Francisco é colocar-se no lugar do cliente para compreender suas dificuldades e emoções. “Uma maneira de realizar uma recepção empática é praticar a “Escuta Ativa” desde o início da interação. Dedique total atenção ao cliente, demonstrando interesse genuíno por suas preocupações. Em seguida, faça perguntas objetivas que ajudem a entender os problemas e, finalmente, utilize uma linguagem clara e acessível para explicar os procedimentos ou peças necessárias para resolver a situação”.

Presenças femininas

Em Curitiba (PR), a vendedora da Auto Peças Vila Nori, Jeniffer de Andrade, enfatiza que o bom atendimento desempenha um papel fundamental na fidelização do cliente e que é uma sensação gratificante quando um cliente retorna para fazer uma nova compra relatando um bom atendimento. Ela está na loja há cerca de seis anos. “Quando um cliente chega à nossa autopeças com uma necessidade específica, temos a escolha de simplesmente atender a essa necessidade ou ir além, oferecendo um atendimento excepcional que pode fazer com que ele retorne. Sempre me esforço ao máximo para atender o cliente da melhor forma possível”.

Mirian Alves da Cunha, da Rey Maco Cham, de Bragança Paulista (SP)

Desta forma, diz ela, “eu acredito que ao fazer isso, posso transformar o que às vezes pode ser uma experiência desagradável, como ter um carro com problemas, em uma oportunidade para criar um relacionamento duradouro com o cliente. Assim, ele enxerga a nossa loja como um local confiável e acolhedor, onde ele pode recorrer para resolver suas necessidades automotivas e para obter também assistência e suporte em outras situações”.

Para lidar com clientes desafiadores e construir relações sólidas, Jeniffer argumenta que “é compreensível que algumas pessoas possam ter preocupações ao lidar com profissionais do sexo feminino, em um ambiente tradicionalmente dominado por homens, como é o caso das autopeças. No entanto, acredito firmemente que os atributos de um bom atendimento são universais e independem de gênero”.

Segundo ela, “ao oferecer um excelente atendimento aos clientes, independentemente de seu gênero, somos capazes de demonstrar nosso profissionalismo, conhecimento e dedicação em ajudá-los da melhor maneira possível. É pela excelência em nossa prestação de serviços que podemos conquistar a confiança dos clientes, mesmo aqueles que inicialmente podem ter algum receio. Eventualmente, as preocupações iniciais tendem a desaparecer, permitindo que a confiança se solidifique e criando uma base sólida para a fidelização dos clientes”.

Na sua profissão, ela acredita que um dos maiores desafios é ganhar a confiança do cliente. “Apesar de já vermos várias mulheres no ramo, ainda é um mercado muito masculino, o que acaba tornando nosso trabalho mais desafiador. Mas acredito que ao buscar conhecimento, se aperfeiçoando sempre, tendo segurança na hora do atendimento, nós conseguimos passar essa segurança para o cliente. Assim, independentemente do gênero, o que vai contar é o problema do cliente solucionado”.

Claudiana Bravo da Silva é vendedora na Norte Motors, em Recife (PE), há mais de seis anos. Assim como Jennifer, ela também defende que o atendimento é um ponto fundamental para que os clientes retornem à loja para tirar dúvidas do produto e fechar a venda. “A atenção, o respeito, o conhecimento são um dos pontos que eu sempre utilizo para me destacar no meu ramo”, especifica.

Para ela, lidar com o cliente não é fácil. “Na verdade, é difícil entender o ser humano. Com os clientes mais desafiadores, eu tenho que ter paciência para chegar no ponto que ele procura. Eu demonstro confiança no produto ou serviço, converso com ele para entender a sua necessidade. Se o cliente chegou na autopeças, ele quer algo, ele quer comprar. Demonstrar o que ele procura com conhecimento, vai dar mais confiança para o cliente fechar uma compra de um produto ou serviço”.

No dia a dia, Claudiana pontua os principais desafios no atendimento ao cliente: “a concorrência desleal e a demanda de veículos no Brasil é muito grande. Não tem como ter todos os produtos em estoque”, conclui.

Jeniffer de Andrade, da Auto Peças Vila Nori, de Curitiba (PR)

Gleiciane Oliveira Silva é vendedora há 22 anos na JR Peças e Serviços (Zelitão), em Cícero Dantas (BA). Para se destacar no atendimento ao cliente, ela sintetiza. “Eu busco sempre solucionar o problema do cliente e procuro ser objetiva”. Para lidar com clientes desafiadores e construir relações sólidas, o segredo dela é “manter a minha presença e passar credibilidade”, afirma, acrescentando que no dia a dia é preciso saber compreender mais do que ser compreendido e falar menos e escutar mais o cliente.

Manutenção Preventiva e Peças de Qualidade

A manutenção preventiva é essencial para prolongar a vida útil do veículo e proporcionar economia em longo prazo. “Educar os clientes sobre a importância dessa prática é fundamental”, afirma Francisco Gomes, assim como orientar os clientes sobre a importância de peças de qualidade. “Utilizando argumentos que envolvem a garantia dos produtos, a reputação confiável do fabricante das peças, a extensão da vida útil tanto da peça em questão quanto de componentes relacionados, e os benefícios em termos do intervalo de tempo até a próxima manutenção, é possível destacar a importância das peças de qualidade”, explica.

Ele aproveita para citar alguns exemplos de peças críticas, principalmente ligadas à segurança:

– Freios: Componentes como pastilhas, discos e cilindros mestres são essenciais para a segurança. Freios desgastados comprometem a capacidade de parar eficientemente;

– Pneus: Pneus desgastados afetam diretamente a aderência e a estabilidade do veículo. A troca regular é vital para garantir a segurança durante a condução;

– Óleo do Motor: O óleo é vital para a lubrificação e resfriamento do motor. A troca regular do óleo, juntamente com o filtro de óleo, ajuda a manter o motor funcionando de forma eficiente;

– Amortecedores: Esses componentes afetam a estabilidade, o conforto e a capacidade de direção do veículo;

– Sistema de Direção e Pivô: Peças como barras de direção e pivô influenciam a dirigibilidade e a estabilidade. A manutenção regular é vital para garantir uma condução segura.

Claudiana Bravo da Silva, da Norte Motors, de Recife (PE)

Antenados

Laura Cristina Rocha Azevedo é vendedora na Nova Via Autopeças, em Vila Velha (ES), desde o ano 2000. “Eu amo este ramo, de coração”, enfatiza. Para saber mais sobre manutenção preventiva e seu impacto na vida útil do veículo, ela está sempre buscando informações. “Sempre que tem palestras ou lives, eu gosto de participar, pois este ramo sempre muda muitas coisas e sempre estamos aprendendo coisas novas. Às vezes, tem que aprender na prática mesmo e tem que ter muita atenção sempre com as novidades”.

A forma de ela orientar o cliente sobre a importância de peças de qualidade é sempre perguntar se ele quer preço ou qualidade. “Pois tem produtos que nem precisam de propaganda, eles já se vendem sozinhos, e qualidade sempre tem mais garantia de segurança. No dia a dia, sempre tem cliente que quer preço. Mas quando ele tem afinidade com o vendedor, já não chora tanto. Mas é sempre bom ter preço e qualidade. Se a peça tiver qualidade, menos problemas teremos. O ideal é sempre vender produtos melhores para termos menos retorno”, finaliza.

Leandro José de Sousa Gomes, vendedor na Rocha Autopeças, em Campinas (SP), está nesta área há doze anos e há quase sete anos nesta loja. Para obter informações sobre manutenção preventiva e para se atualizar, ele conta com as ferramentas digitais, em especial o Youtube e o Instagram. “Eu sigo muito nesses canais os caras que fazem revisões de veículos para me atualizar. Todos os anos, uma marca lança dois ou três veículos diferentes e a gente precisa estar sempre atualizado. Em autopeças, o volume é muito grande”.

Ele acrescenta que é fundamental oferecer ao cliente o que é certo e mostrar, se for necessário, que na troca de uma peça é preciso substituir outra também para o funcionamento correto do componente. “Nós que estamos neste ramo, acabamos sabendo sobre as manutenções dos veículos pelo contato que nós temos com o mecânico, tiramos muitas dúvidas com eles e aprendemos bastante. É uma escolha e todo dia um aprendizado”, afirma.

Gleiciane Silva, da JR Peças e Serviços (Zelitão), de Cícero Dantas (BA)

Para orientar o cliente sobre a importância em usar peças de qualidade, diz ele, “a peça original sempre será mais cara, o que sempre frisamos é a qualidade da peça, além da segurança, o cliente não terá dor de cabeça com a garantia, pois a peça terá uma durabilidade maior. Sempre orientamos ele a usar e buscamos oferecer o melhor para o cliente, assim como no meu carro, eu sempre uso peça original, o que eu quero para mim, eu quero para o meu cliente. Com isso, você ganha muito a confiança do cliente”.

Porém, em alguns casos, Gomes conta que o preço ainda é fator decisivo. “Principalmente o consumidor final que muitas vezes não compra na autopeças, mas pelo marketplace, com uma valor mais acessível, porém, com um risco que alertamos, o de peças falsificadas. Mesmo assim, tem muitos que preferem comprar pela internet por conta do valor”.

Pelo seu dia a dia, ele relata que as peças mais críticas são as relacionadas à segurança do veículo, a parte de freios. “Hoje em dia, o pessoal peca um pouco nisso, alguns deixam que passe muito tempo para trocar o fluido, é muito importante não deixar passar e eu sempre oriento isso. Outro ponto importante é em relação às peças de motor, hoje em dia, tem muitas coisas que são parecidas, mas em menos de um ano, elas mudam e sempre orientamos o cliente a passar informações detalhadas, geralmente no cinto de segurança está descrito o dia e o mês certinho de fabricação do carro, o que acaba nos ajudando”, conclui.

Laura Cristina Rocha Azevedo, da Nova Via Autopeças, de Vila Velha (ES)

Inovação e Tendências na Indústria Automotiva

Neste último tema, Francisco Gomes recomenda aos vendedores acompanharem as tendências participando de treinamentos e workshops oferecidos por fabricantes e associações setoriais, que proporcionam insights valiosos sobre as evoluções tecnológicas, e a leitura de publicações especializadas. “A participação em eventos do setor e o acesso a treinamentos online e webinars são práticas eficazes para adquirir conhecimentos atualizados”, ressalta.

Outra dica dele é manter uma rede ativa de contatos, buscar feedback dos clientes sobre produtos específicos e estar ciente das normas e certificações da indústria, como as normas ISO. “Estas são estratégias essenciais para acompanhar o ritmo das inovações. Estabelecer parcerias sólidas com fabricantes, utilizar plataformas digitais para interação na comunidade automotiva e promover uma cultura interna de compartilhamento de informações também contribuem para a capacidade dos balconistas recomendarem produtos atualizados e alinhados com as últimas tendências”.

Tecnologias emergentes e seu impacto nas autopeças – Nas palavras de Francisco, “o cenário tecnológico em nosso setor está passando por mudanças significativas, com diversas inovações que se tornam cada vez mais acessíveis e indispensáveis para o funcionamento eficiente de oficinas e autopeças”. A seguir, ele pontua algumas das transformações mais marcantes:

– ERP Acessíveis e Indispensáveis: Os sistemas ERP tornam-se mais acessíveis e desempenham um papel indispensável nas operações diárias de oficinas e autopeças, proporcionando eficiência e integração;

– Evolução nos Softwares dos Distribuidores: Os softwares utilizados por distribuidores evoluem, oferecendo funcionalidades avançadas que auxiliam na identificação precisa de peças. Além disso, proporcionam informações sobre estoque e preços em tempo real, facilitando a gestão de inventário;

– Aprimoramento nos Softwares dos Fabricantes: Os softwares desenvolvidos pelos fabricantes buscam constantemente melhorias, visando conectar de forma mais eficaz a placa do veículo ao item correto. Embora esse objetivo ainda não tenha sido completamente alcançado, a automação através do WhatsApp representa um avanço significativo;

– Inteligência Artificial na Administração e Diagnóstico Veicular: A Inteligência Artificial (IA) emerge como uma ferramenta poderosa na retaguarda da administração, oferecendo suporte crucial na tomada de decisões e no diagnóstico veicular;

– Marketing Digital como Estratégia Central: O marketing assume uma nova forma digital, especialmente nas redes sociais, com ênfase em estratégias como tráfego pago e direcionado. Estar presente de maneira efetiva no ambiente online torna-se essencial para alcançar e envolver o público-alvo.

Segundo ele, “hoje, a tecnologia não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma condição fundamental para o sucesso no nosso setor. Estar atualizado e integrar essas inovações no cotidiano das operações não apenas otimiza processos, mas também fortalece a posição no mercado em constante evolução”.

Sucesso profissional – Em um mercado cheio de oportunidade e altamente competitivo, Francisco destaca a importância crucial das relações interpessoais como o diferencial determinante para o sucesso do profissional. “Ser o primeiro na mente do cliente será um fator decisivo na escolha da oficina ou autopeças. Dada a intensidade do dia a dia do consumidor, ser percebido como um parceiro confiável terá um impacto significativo na preferência de compra”.

Nesse sentido, ele visualiza o que chama de um sistema de vendas orgânico, “onde a venda em si é apenas o último passo de uma cadeia abrangente de serviços e suporte. Prestar assistência antes da transação efetiva não apenas constrói confiança, mas também contribui para a longevidade da parceria”.

Leandro Sousa Gomes, da Rocha Autopeças, de Campinas (SP)

Ele também destaca a necessidade de construir, gerenciar e diversificar os canais de vendas. “A excelência no atendimento deve ocorrer em todas as frentes disponíveis, exigindo uma abordagem segura e eficaz. Além disso, a segmentação efetiva dos clientes e a implementação de estratégias personalizadas serão fundamentais. Entender as necessidades específicas de cada segmento e adaptar as abordagens de vendas para atender a essas demandas será um aspecto crítico do sucesso no cenário futuro”, conclui.

As inovações de perto

Vendedora interna na DISAPE, em Goiânia (GO), há mais ou menos dois meses, Graziela Aparecida de Abreu atua no mercado automotivo desde 2009. “Já estive no piso de oficina, no balcão de autopeças e agora estou em uma distribuidora”, especifica. Para acompanhar as inovações na indústria automotiva, ela conta que na empresa eles trabalham em parceria com os representantes das marcas. “Que sempre têm algo novo ou lançamentos no mercado. Eles nos repassam as informações por palestras e treinamentos”.

Ela também participa de alguns grupos, “como o Balconistas do Brasil, entre outros, pois sabemos que nem sempre as informações chegam ao mesmo tempo em todo território nacional. Também tenho contato com representantes de algumas indústrias que nos procuram a fim de saber o que o mercado procura na reposição, que ainda não está disponível, a não ser que seja diretamente das montadoras (via concessionárias)”.

Graziela Aparecida de Abreu, da DISAPE, de Goiânia (GO)

Entre as novidades tecnológicas recentes, Graziela cita a NTK, que lançou recentemente a sua linha de sensores (sensor de nível, velocidade, TPS, entre outros). “Boa parte já está disponibilizada para revenda”, informa. Sobre as tecnologias emergentes e seu impacto nas autopeças, disse ela, “algumas tecnologias que acredito que possam impactar na indústria de autopeças são as impressões em 3D para prototipagem, o que gera a produção personalizada de peças. Dessa forma, a produção de novas peças para o mercado de reposição fica mais fácil e rápido, o que agrada ao consumidor final”.

Questionada se as inovações estão demandando muito mais dos vendedores de autopeças, ela respondeu, “com a chegada dos veículos elétricos, vem também uma nova tecnologia que demanda de um novo conhecimento que sempre é bem-vindo. É necessário que a indústria invista nesse conhecimento não somente para seus representantes, mas também para os vendedores de peças, tanto em distribuidoras, como em autopeças, sendo que esse último fica muito distante dessas informações. É preciso fazer com que o vendedor de autopeças se torne um consultor automotivo com parceria das indústrias, buscando sempre o melhor para seu cliente”, conclui.

Alessandro Braun, trabalha na Auto Peças Zagonel, em Lajeado (RS), há praticamente 17 anos e meio, sendo 16 anos como vendedor e antes disso, no estoque e conhecendo o funcionamento da loja. No seu dia a dia, ele percebe que as tecnologias emergentes que impactarão as autopeças são os veículos elétricos e híbridos. “Eles ainda não demandam muito para a gente em função da garantia das montadoras. Ainda que tenham a manutenção de itens de desgaste, como suspensão e freios, o pessoal tem receio de perder a garantia da bateria e do motor elétrico. Acredito que depois do período de garantia, a manutenção desses veículos chegará para nós”.

Alessandro Braun, da Auto Peças Zagonel, de Lajeado (RS)

O grande desafio, diz ele, é a gestão do estoque. “Hoje, nós temos menos opções de motores, o que facilita, porém, são mais modelos de carros devido ao número de marcas que têm no mercado. Eu recebo pelo WhatsApp o nome do carro por escrito e o chassi, o que facilita um pouco, mas de vez em quando em uma ligação a gente não entende o carro que o cliente tem. Entender o que o cliente precisa, as peças e a versão do seu carro tem nos dado uma atenção maior e tentar também ter o item disponível no estoque”.

Principalmente por se tratar de carros novos. “Consequentemente, são itens novos no estoque. Até acertar o quanto irá girar, colocar o estoque real na loja e ter um preço atraente, isso demanda um pouco mais de atenção. O mercado está pedindo por isso, embora não tenha uma saída tão grande na nossa região, o mercado já está fazendo a reposição desta demanda. O desafio é manter o estoque desta quantidade grande de veículos”, conclui.

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