O volume seria maior se não houvesse tanta restrição ao crédito e se diminuíssem os encargos dos financiamentos. Somente em outubro, as vendas de automóveis para as locadoras cresceram 29%, representando 51% do tota
Por Karin Fuchs
Com mais de 1,7 milhão de automóveis e comerciais leves emplacados no acumulado do ano até outubro, a Fenabrave mantém a previsão de terminar este ano com 2,1 milhões de unidades emplacadas. Confirmada a estimativa, o crescimento será de 7,3% em relação ao resultado de 2022. Incluindo todos os segmentos, foram mais de 3,3 milhões de veículos emplacados no período, 13,45% acima do acumulado de janeiro a outubro do ano passado.
Desde total, o maior volume foi de automóveis, com 1.372.407 unidades, seguidos por motocicletas, que somaram 1.318.227 unidades emplacadas. O resultado só foi negativo para o segmento de caminhões, que acumulou uma queda de 17,11%, com 85.021 unidades emplacadas até outubro.
Considerando apenas o mês de outubro e incluindo todos os segmentos, o crescimento foi de quase 7% em relação a setembro. Os destaques foram para automóveis, com 163.134 unidades emplacadas e alta de 11,98% nos comparativos mensais e motocicletas com um total de 137.606 unidades, 1,83% acima do mês de setembro. Os números poderiam ser maiores se o custo do crédito não fosse tão alto no Brasil.
Restrições
Para o presidente da Fenabrave, Andreta Jr., o custo do crédito afeta o poder de compra dos brasileiros. A expectativa era com a aprovação do Marco Legal das Garantias (Lei 14.711), que previa a retomada de veículos de forma extrajudicial, mas foi vetada. “É preciso mecanismos que deem maior segurança jurídica aos credores, para que, dessa forma, seja avaliada a possibilidade de diminuir os encargos dos financiamentos. Precisamos de medidas de estímulo ao crédito no País e tínhamos confiança de que o Marco Legal das Garantias poderia contribuir para isso”, afirmou.
Ainda de acordo com ele, “o setor da distribuição de veículos precisa de escala no varejo para operar de forma sustentada e a Lei de Retomada do Bem seria uma forte aliada, reduzindo a restrição de aprovação das fichas cadastrais dos consumidores, nos financiamentos dos veículos. Quem mais sofre, com esse veto, são os consumidores”.
Escala no varejo que também foi defendida pelo presidente da Anfavea, Márcio Leite. “O grande desafio do setor é fazer o varejo crescer. O mercado consumidor tem que ter o seu carro, acesso ao crédito e maior rapidez e agilidade. Atualmente, cerca de 77% das propostas nos bancos são recusadas, algumas não são nem avaliadas”.

Vendas diretas e varejo
Em números, Leite mostrou que no acumulado deste ano até outubro as vendas para o varejo somaram 1 milhão de unidades, cerca de 100 mil a menos que no mesmo período de 2022. “A partir do momento em que se reduzem as vendas para o consumidor, por conta de financiamentos e taxas de juros, as vendas diretas não são impactadas por isso, elas têm outra lógica. As vendas diretas se mantiveram na faixa de 900 mil unidades, enquanto o varejo perdeu força”, explicou.
Somente em outubro, as vendas de automóveis para as locadoras cresceram 29%, somando 75 mil unidades, ante cerca de 50 mil nos meses anteriores, respondendo por 51% do total de vendas.
Segundo melhor mês do ano
Pelo balanço da Anfavea, outubro foi o segundo melhor mês do ano em vendas de veículos, com 218 mil unidades (todas as categorias), atrás de julho, com 226 mil veículos. A venda média diária foi de 10,4 mil unidades, aproximando-se do patamar pré-pandemia, quando foram emplacadas, em média, 11 mil unidades/dia. Especificamente o segmento de automóvel cresceu 12% em relação a setembro.
No acumulado do ano, incluindo todas as categorias, menos motos, foram 1,847 milhão de unidades emplacadas, 9,7% acima do mesmo período de 2022. O único segmento que teve queda no acumulado do ano foi o de caminhões, de 14,9%, somando pouco mais de 85 mil unidades emplacadas, pelos números da Fenabrave. Porém, em outubro, cresceu 8,43% em relação a setembro, com mais de 9 mil unidades emplacadas. “Para caminhões, o saldo continuou negativo, pois esse setor ainda sofre com o preço da troca da tecnologia para o EURO 6 e com o crédito muito seletivo”, disse Andreta Jr..

Análise similar fez o economista da Anfavea, Vinícius Pereira. “Ainda que outubro tenha tido um crescimento de 7,7% comparado com o mês anterior, em relação ao mesmo mês de 2022, a queda foi de 12,5%. Essa queda é explicada pelas mudanças nas regras do Proconve, o que dificulta a penetração de produtos com a tecnologia P8 no atual mercado brasileiro”, especificou Pereira.
Eletrificados
Até o mês de outubro foram emplacados cerca de 67,1 mil veículos eletrificados (automóveis e comerciais leves), 73,25% a mais que no mesmo período de 2022. Os puramente elétricos somaram 10.101 unidades. Somente em outubro foram 9.537 eletrificados emplacados, um crescimento de 113,79% sobre o mês anterior, e os puramente elétricos totalizaram 2.370 unidades. “Os volumes e percentuais de crescimento nos mostram que a opção do consumidor tende para o veículo híbrido”, disse Andreta Jr..
Tendência que também é observada na Anfavea. “Apenas o veículo elétrico passou de 1,8 mil unidades emplacadas para 2,4 mil, entre setembro e outubro. Um crescimento de 30%. O elétrico já representa 25% do total dos eletrificados, em outubro de 2023 esse percentual era de 22% e de 14% no mesmo mês de 2022. Então, os híbridos acabam tendo uma performance um pouco menor. É uma tendência os elétricos começarem a fazer parte do dia a dia do mercado junto aos híbridos na eletrificação”, afirmou Leite.
Tomando como base o acumulado do ano, o volume ainda é pequeno se compararmos com o total de automóveis e comerciais leves emplacados até outubro, 1,7 milhão de unidades, mas ele vem crescendo, conforme especificou o presidente da Anfavea. “Em comparação aos anos anteriores, o volume de emplacamentos desses veículos cresceu 36,1% em relação ao ano de 2022, 40,8% acima de 2021 e 77,7% quando comparado a 2020”.
Segundo o presidente da Fenauto, Enilson Sales, “percebemos que o Índice de Confiança do Consumidor continua em uma trajetória de alta moderada, o que pode favorecer o segmento nos próximos meses, até o final do ano. Além de ser um período mais favorável ao comércio em geral, e com os preços dos carros zero km ainda muito distantes da maioria dos consumidores, o seminovo e usado passaram a ser uma boa opção para quem precisa e sonha com um carro próprio”.

Produção
Apesar do aumento das vendas e das exportações, a produção de veículos tem sido impactada pelo crescimento das importações. Em outubro, foram produzidas nas montadoras 200 mil veículos, ante 209 mil no mês de setembro. No acumulado do ano foram produzidas 1,951 milhão de veículos, resultado 0,6% inferior ao mesmo período do ano passado.
“Aumentaram em 27% as importações de veículos. Ao todo, foram 57,6 mil unidades no acumulado do ano. Os estoques se mantiveram praticamente inalterados, o que vem impactando a produção são as importações, elas inibem os investimentos não só no Brasil, mas na Argentina, e tivemos também importações da Argentina”, disse Leite.