Anfavea apresenta os números de janeiro e os efeitos nos diversos mercados

Volume de emplacamentos em janeiro é o maior desde 2021 para o mês, a participação dos importados foi recorde dos últimos dez anos e a produção ficou estagnada

Por Karin Fuchs

No balanço da Anfavea, janeiro teve o melhor resultado para o mês, desde 2021, com 162.000 veículos emplacados (todas as categorias) e um crescimento de 13,1%, comparado a janeiro de 2023. Deste total, automóveis somaram 119.000 unidades e comerciais leves, 33.000. Com 12.000 unidades emplacadas no mês, os eletrificados (híbridos plug-in, híbridos e elétricos), tiveram uma participação recorde no volume total de emplacamentos, de 7,9%, ante 4,3%, em janeiro do ano passado.

Na mesma base de comparação, a produção ficou estagnada em 153.000 unidades, justificada pela queda de 43% das exportações e pelo aumento das importações: de cada 10 veículos vendidos no mês, 2 foram importados. “Isso começa a ter um sinal amarelo no volume das importações”, afirmou o presidente da entidade, Márcio de Lima Leite. Tanto que a produção teve um crescimento nulo em janeiro, apesar do aumento de vendas no mercado interno e a expectativa é que o programa Mover traga um novo cenário para o setor (ver box).

Em janeiro, os importados tiveram uma participação de 19,5% no volume total de emplacamentos, a maior dos últimos dez anos, com um total de 31.500 unidades. Entre os eletrificados emplacados no mês, 14% dos modelos elétricos vieram de fora, percentual que sobre para 19%, no caso dos híbridos.

Segundo Leite, “há um crescimento significativo das importações e isso atrapalha a produção. É importante entender se esse crescimento é em um mês específico, temos dados para esta análise, mas também tem uma questão de um aumento de forma sistemática. O que nós queremos é a produção local, o fortalecimento da indústria, a geração de empregos. A importação é fundamental, mas tem que ser em um patamar que não prejudique a indústria”.

Evolução anual

Leite apresentou também o volume de emplacamentos para o mês de janeiro, desde 2014. Automóveis vêm em uma escala crescente, desde janeiro de 2022; comerciais leves, com um volume mais expressivo, também comparado ao mesmo mês de 2022, enquanto caminhões e ônibus tiveram um crescimento menor do que janeiro de 2023, justificada pela compra antecipada à mudança da tecnologia para o P8.

“Caminhões tiveram uma queda de 21,4% (em janeiro deste ano), porque no ano anterior teve uma forte demanda por conta do Proconve P7 e agora nós estamos com a nova tecnologia, o P8. 2023 foi um ano muito ruim para o setor de caminhões, principalmente no segundo semestre”, expôs Leite.

Já no mês de janeiro deste ano, a produção de caminhões cresceu 96,1% com relação ao mesmo mês de 2023, somando 7.900 unidades, e para ônibus, a alta foi de 104,1%, fechando o mês com 1.600 unidades produzidas. Na contramão, para ambos, as vendas retraíram no mês: queda de 21,4% para caminhões (8.200 unidades) e de 32,8% para ônibus (1.200 unidades). Especificamente sobre o mercado de ônibus, o cenário é positivo com o programa Caminho da Escola. “Foram licitadas 16 mil unidades, que dão um impacto bastante significativo para o mercado. Lembrando que no segundo semestre nós teremos eleições municipais, parte do efeito do programa começa a ser sentido no primeiro semestre deste ano e a outra, no primeiro semestre de 2025”, comentou o economista da Anfavea, Vinicius Pereira.

Mercado global

Com base no período pré-pandemia, o presidente da Anfavea apresentou uma ilustração mostrando quais foram os efeitos nos mercados dos dez países maiores consumidores de autoveículos novos. Destaques para a Índia e a China. “Em percentual, a Índia saindo de uma base 100, em 2019, para 133, e a China, de 100 para 117. Os outros países, assim como o Brasil, estão abaixo dos números pré-pandemia. O Brasil tem apresentado crescimento, mas outros países têm se recuperado em uma velocidade maior”, analisou.

BOX

Antes de a Anfavea apresentar o balanço, Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, falou sobre os programas de incentivos, incluindo o Mover (Programa de Mobilidade Verde e Inovação), que terá R$ 19,3 bilhões em incentivos fiscais ao setor automotivo em um período de cinco anos, e um total de R$ 3,5 bilhões neste ano. A Medida Provisória (MP 1.205/2023), que criou o programa, já foi assinada pelo presidente da República e está no Congresso Nacional.

“O Brasil terá a legislação mais moderna do mundo, no sentido de promover a inovação e a descarbonização. Uma legislação extremamente avançada e com previsibilidade, de até 2028 com R$ 19,3 bilhões em incentivos fiscais ao setor. O novo regramento já está em vigência, vamos acelerar no Congresso Nacional, e devemos anunciá-lo após o Carnaval”, afirmou Alckmin.

Na avaliação do presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, o mais relevante do programa Mover é a previsibilidade. “Esse programa traz mecanismos muito inteligentes para o futuro da indústria automotiva. O que justifica a resposta a esse programa são os investimentos, vamos chegar a mais de R$ 100 bilhões, serão muitos empregos, pesquisa e desenvolvimento, isso é fundamental para um país produtor. Quando apresentamos o programa para as matrizes, o retorno que temos tido é que esse programa é extremamente inteligente, tem lógica, princípio, meio e direcionamento para o futuro da indústria”.

Ainda de acordo com Leite, “para que tudo aconteça, não pode haver aumento de tributação, pois se tiver, o mercado recua e não tem investimento. Toda a lógica do programa prevê a neutralidade, não tem aumento da carga tributária e tem investimento. Principalmente para a produção das novas tecnologias, o arcabouço do programa traz a necessidade de desenvolver novas tecnologias no Brasil, o que é uma evolução da indústria”.   

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