BA| 207 O que vem pela frente neste ano

Por Karin Fuchs

Nesta matéria de capa da primeira edição do ano, varejistas, reparadores e executivos de entidades do setor comentam o que esperam para 2024, as oportunidades e os desafios e o que será incrementado em seus negócios. Alguns deles veem a Reforma Tributária ainda com o pé atrás pela falta de clareza nas novas regras e muitos ainda citam a falta de mão de obra como um grande empecilho para expandirem, seja no balcão ou na oferta de serviços. Mas tudo leva a crer que este ano será melhor do que o anterior.

“O varejo vive um momento de “otimismo cauteloso”. Apesar de o cenário ainda ser de juros de dois dígitos, os indicadores macroeconômicos sinalizam uma retomada mais consistente. Essa melhora incentivaria os consumidores a investirem mais na manutenção e cuidado com seus veículos. Além disso, continuaremos com nosso processo de expansão nas regiões onde já temos operações”, diz Felipe Chahad, diretor de Operações da AutoZone Brasil.

Felipe Chahad, da AutoZone Brasil

Ele conta que ao longo deste ano, a AutoZone Brasil continuará o processo de expansão, com abertura de novas lojas nos estados em que já atuam, como SP, RJ, PR, GO, MG e RS. “Também estamos investindo na melhoria da jornada do nosso cliente, com melhorias no nosso catálogo eletrônico e um novo website com melhor experiência para o cliente”.

Chahad menciona também a contratação e qualificação dos colaboradores. “No varejo, pessoas são o maior ativo que possuímos. Contratar pessoas com fit cultural para suportar nossa expansão é o principal desafio para 2024. E estamos investindo em treinamentos técnicos e comportamental através de uma plataforma online, disponibilizando diversos conteúdos com foco em melhorar a experiência dos nossos clientes”.

E as ações junto aos clientes. “Estamos sempre desenvolvendo ações para nossos clientes, sejam promoções interessantes ou aperfeiçoamento dos nossos serviços oferecidos em loja como teste, troca e recarga de bateria, troca de palhetas, troca de lâmpadas e check-up de motor”, pontua.

Fortbras

Na Fortbras, o CEO, Rogerio Messias, conta que em 2023, eles inauguraram um Centro de Distribuição no Mato Grosso, na bandeira Rondobras, e que encerram o ano com quase 250 lojas. “Temos um mar de oportunidades para aproveitar, ganhando participação em um mercado extremamente pulverizado. Sem dúvida, a maior dificuldade está em construir equipes de excelência, principalmente em função do nosso ritmo acelerado de abertura de lojas. Encontrar talentos, retê-los e desenvolvê-los é o nosso foco e temos investido cada dia em treinamento e desenvolvimento dos nossos times”.

Rogerio Messias, da Fortbras

Além das ampliações de presença, especialmente nos estados do Mato Grosso, com a bandeira Rondobras, eles expandiram também no Tocantins, com a bandeira Jaicar, e em São Paulo, com a bandeira Menil, que até 2022 focava o interior do Estado e no ano passado, eles chegaram mais próximos da capital, com as lojas de Osasco, Cajamar e Guarulhos. Para este ano, diz ele, “seguimos na mesma batida, executando nossa missão que é ser peçachave na mobilidade brasileira, facilitando a vida de nossos colaboradores e clientes. Continuaremos com nossa expansão agressiva, desenvolvendo nossos talentos para assumir cada vez mais desafios”.

Rocha

Roberto Rocha, da Rocha Autopeças, prevê um crescimento melhor para este ano. “Creio que conseguiremos crescer um pouco mais devido à população estar conseguindo quitar suas dívidas e reabilitando o crédito, logo, pode sobrar mais dinheiro para investir na reparação do carro. Temos eleição no segundo semestre, o que deve fazer com que haja investimento público em obras para mostrar realizações, circulando mais dinheiro”.

Assim como para outros empresários, para ele o maior desafio continua sendo a mão de obra escassa. “Não temos vendedores, que são mão de obra especializada, estoquistas, porque os jovens não têm interesse em trabalhar. Todos querem trabalhar no sistema de entregas das plataformas de comida para ficar andando de moto e não ter compromisso com horário”.

Roberto Rocha, da Rocha Autopeças

A oportunidade, segundo Rocha, “será ter a peça no estoque para atender o cliente. Os fabricantes não têm muito interesse em manter estoques”. Para este ano, ele conta que está no radar abrir mais uma loja em outra cidade próxima (região de CampinasSP), mas que depende de equipe, e que estão começando a venda pela internet através de uma plataforma.

Para qualificar a equipe, a Rocha disponibiliza um curso interno para a formação de vendedores. “Nós sempre procuramos melhorar o conhecimento de nossos colaboradores com treinamentos, e temos um curso interno para formação de vendedores, a partir de funcionários de estoque que têm perfil para venda, que está sendo feito aos sábados na parte da manhã, durante o horário de trabalho”, especifica.

E a estratégia junto aos clientes neste ano, pontua Rocha, “será manter os produtos de qualidade com o melhor preço que conseguirmos para o consumidor final e treinar os reparadores para procurar reduzir os retornos de peças a título de garantia, com, na realidade, problemas de aplicação”.

Grupo Pelegrini

João Pelegrini, do Grupo Pelegrini, relata que neste ano o foco continuará sendo no cliente. Para isso, o principal é ter planejamento e conhecer o seu negócio. “Não muda muito a dedicação para qualificar o pessoal, buscar o conhecimento do seu negócio. O principal é ter planejamento, afinidade com as pessoas com que você convive, colaboradores e os seus clientes. O que está muito claro para mim, mais do que nunca, é ter a percepção do seu cliente”.

Para isso, ele continuará a usar indicadores. “Nós temos muito detalhado por indicadores o que cada segmento representa para os nossos negócios, o consumidor final, frotista, auto center e a loja de peças. Com essas informações, a gente consegue identificar o cliente que não tem o perfil do nosso negócio e gastamos energia com ele, deixando de dar atenção para quem realmente é o nosso cliente. O dono da empresa tem que ter esse conhecimento para focar no caminho correto. Eu tenho pautado o nosso time para valorizar realmente quem é o nosso cliente”.

Neste ano também, Pelegrini segue investindo em tecnologia. “Estou buscando tecnologia para implementar processos eficientes, entre a nossa equipe e o cliente, para que tenhamos velocidade com qualidade, prepararmos o nosso pessoal para que utilizem tecnologia de ponta para podermos dar a esse cliente mais velocidade no atendimento e, principalmente, na entrega. Ao longo ano, isso cria uma expansão no seu negócio”.

João Pelegrini, do Grupo Pelegrini

O desafio, expôs ele, é a falta de clareza das regras da Reforma Tributária. “A minha primeira leitura desta reforma é que saberemos realmente quanto vamos pagar, o que até hoje o nosso País não conseguiu chegar nesse ponto. Mas, se não tiver regras claras, uma condução desta reforma coerente, isso pode ser muito prejudicial para a empresa. Quando tem esse cenário, você fica perdido e todo o planejamento feito não serviu para nada. É preciso ter segurança jurídica para dar tranquilidade aos empresários e aí você tem muitas oportunidades de negócios. Um grande problema de mercado é ficar inseguro”.

Jocar

Assim como Pelegrini, Moisés Sirvente, diretor da Jocar Peças e Acessórios para Veículos, fala também sobre a Reforma Tributária. “Neste ano não tem que fazer muita coisa, mas tem que se preparar no próximo ano”. Bem como se preparar para as mudanças de mercado. “As coisas estão mudando muito rapidamente e de forma mais acelerada recentemente. Tem que estar preparado para atender as mudanças, os carros elétricos estão aí, a cadeia também está mudando por causa da internet, das montadoras que estão vindo, muitas coisas vindas da China. Para mim, as dificuldades e oportunidades estão aí, vendo o que está acontecendo e o que irá fazer”.

Moises Sirvente, diretor da Jocar Peças e Acessórios

E ter foco no cliente. “O importante é irmos ao cliente, estarmos próximo dele, ver o que eles estão precisando e como podemos ajudá-lo”. Sirvente lamenta também a falta de mão de obra. “Estou com dificuldade de conseguir gente que conhece de peças. A nossa estratégia é aumentar a parte de serviços, mas não achamos instaladores, não consigo achar gente qualificada”.

SR Motors

No ano passado, depois de 18 anos no mesmo endereço, a SR Motors foi para um novo local, um espaço de 1.400 metros quadrados, sendo 580 metros só de galpão. De um elevador, eles passaram a ter quatro e a própria rampa de alinhamento e balanceamento. Antes, serviços como troca de fluido de transmissão, ar-condicionado, alinhamento e balanceamento eram terceirizados. “Agora, além de contar com profissionais altamente qualificados, todos os serviços são realizados dentro da SR Motors”, afirma o proprietário da oficina, Sergio Santos, que também é o idealizador do Curso de Gestão, Método SR.

Com essa mudança, eles estão prontos para enfrentar novos desafios e expandir seus horizontes. “O futuro nos aguarda com oportunidades emocionantes e estamos prontos para aproveitá-las ao máximo. 2023 foi apenas o começo de uma jornada incrível para a SR Motors. Teremos muito mais novidades e conquistas ainda por vir!”.

Sergio Santos, da SR Motors

A meta gora é ampliar a equipe. “Enfrentamos o desafio de dobrar nossa capacidade produtiva e, consequentemente, ampliar nosso quadro de funcionários. Estamos falando em multiplicar a equipe, transformando sete funcionários em 15. É um desafio e tanto, principalmente considerando a escassez de mão de obra no mercado, especialmente no segmento automotivo. Mas aqui, para o nosso time, desafios são combustível para a nossa criatividade e determinação. Vamos superar todas as adversidades e mostrar ao mundo do que somos capazes!”,

Para este ano, Santos vislumbra uma perspectiva brilhante. “Nossa meta é recuperar todo o investimento feito, que já foi cuidadosamente planejado. Estamos determinados a aumentar os lucros da empresa porque acreditamos que a baixa na produção de veículos zero vai fazer com que a nossa frota circulante envelheça mais rapidamente. E qual é a consequência disso? Uma avalanche de oportunidades de negócio para 2024!”.

Ele acrescenta que continuará compartilhando conhecimento. “Sabemos que o consumidor final pode ser um tanto cauteloso e preocupado com a manutenção de seus veículos, por isso, é essencial informá-lo e transmitir segurança em relação aos nossos serviços. Não queremos apenas orientar e informar sobre a SR Motors, nosso objetivo é guiar e informar todos os consumidores da nossa querida cidade, Jundiaí (SP)”.

 De acordo com ele, “ao compartilhar conhecimento, podemos elevar o segmento automotivo, tornando-o ainda melhor e mais aquecido, e um consumidor bem-informado estará preparado para exigir o melhor dos profissionais das oficinas e mecânicos qualificados. Estamos prontos para colocar a cidade de Jundiaí no mapa como referência em serviços de qualidade, cuidando dos veículos com expertise e paixão”.

Scopino

Na Auto Mecânica Scopino, Izabel Scopino, diretora Administrativa, prevê também um ótimo ano. “Com certeza, será mais um ano maravilhoso para o setor independente de reparação automotiva, onde nós reparadores teremos muitos carros a serem reparados, preventivamente e corretivamente, e acredito que o preventivo está crescendo cada vez mais”.

Em sua opinião, a grande oportunidade para este ano são os veículos saindo do período de garantia. “A oportunidade para este ano é o mercado crescente e muitos clientes deixando de fazer as manutenções nas concessionárias e conhecendo a qualidade e eficiência das oficinas independentes. Essa é uma grande oportunidade de fidelizar novos e bons clientes. Isso é um desafio também para o setor automotivo”, analisa.

Neste ano, a oficina terá novos serviços, principalmente, serviços tangíveis para o cliente, e qualificação é contínua. “Nós já temos um plano de treinamento constante com a equipe, inclusive, com várias aulas presenciais no nosso espaço na escola dentro da Scopino Auto Club”, comenta.

Izabel Scopino, da Auto Mecânica Scopino

Para os clientes, as ações incluem marketing de relacionamento nas datas comemorativas, por exemplo, como o Dia das Mães, Dia dos Pais, Novembro Azul, Outubro Rosa e fim de ano. “Já temos tudo planejado para as ações pontuais nas datas comemorativas e ações que trazem o cliente de volta para a oficina”, diz Izabel.

Peghasus

Na Peghasus Powered Motors, Silvio Ricardo Candido vê 2024 com muito otimismo. “As perspectivas são muito boas e o crescimento dentro das oficinas será maior do que no ano passado. A principal oportunidade são os carros elétricos”, destaca, acrescentando a meta de crescimento e expansão. “Os nossos planos têm um objetivo claro, vamos crescer em torno de 25%, e vamos inaugurar uma nova loja em Belo Horizonte (MG)”.

Silvio Ricardo Candido, da Peghasus Powered Motors

Para qualificar a equipe, Candido conta que esse processo é feito internamente. “Estamos treinando na própria empresa. Além disso, vamos fazer mais parcerias com as fábricas”, antecipa. E para os clientes são várias ações ao longo do ano, principalmente, em datas comemorativas, como o Dia da Mulher, Dia dos Pais, entre outras. “Além disso, vamos apostar muito nas redes sociais”, ressalta.

ENTIDADES

Sindipeças

Para este ano, o Sindipeças estima um crescimento de 4% para o faturamento nominal da indústria de autopeças, conforme especificado pelo presidente da entidade, Cláudio Sahad. “Nossas previsões, meticulosamente realizadas pela área de Economia do Sindipeças, indicam que o faturamento nominal da indústria de autopeças pode chegar a R$ 247,7 bilhões, 4% mais que o registrado em 2023. Os investimentos, que sofreram redução no ano passado, podem crescer 2,1%, totalizando cerca de R$ 6 bilhões”.

Em sua opinião, uma grande oportunidade para o setor e para o País é a neoindustrialização. “O Brasil pode ocupar lugar de muito destaque nas decisões mundiais acerca da descarbonização no setor dos transportes. Defendemos a coexistência de várias rotas tecnológicas, que levem em conta as especificidades de cada mercado. O mundo é muito diverso, assim como são as fontes de energia. Os biocombustíveis, dentre eles o etanol, são uma de nossas grandes vantagens e já nos colocaram em posição destacada no campo da tecnologia para a redução das emissões de carbono”.

Cláudio Sahad, do SIndipeças

Sahad acrescenta que eletrificação é um dos meios que pode coexistir com outros, considerando nossas especificidades e até mesmo as condições socioeconômicas dos brasileiros. Segundo ele, “o Brasil pode ser um grande fabricante de veículos híbridos flex, abastecidos com etanol, e podemos também nos tornar importante hub produtor e exportador de motores e veículos a combustão, que ainda terão uma vida longa, principalmente, nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, e não serão mais fabricados nos Estados Unidos e na União Europeia. Essa oportunidade é também um grande desafio para toda a cadeia de produção”.

Entre as várias ações para este ano, o Sindipeças dará continuidade ao processo com o Programa Mobilidade Verde e Inovação, o Mover, lançado no final de 2023. “Elaborado pelo Governo Federal com apoio do Sindipeças e de outros elos da cadeia de produção automotiva, o programa não deve de jeito nenhum ser visto como renúncia fiscal, mas sim como investimento em inovação, com o objetivo de inserir o País nas cadeias globais de valor. Destaco algumas características importantíssimas do Mover: valorização da matriz energética brasileira, previsibilidade, ênfase na descarbonização com qualquer rota tecnológica, PD&I com investimentos viáveis, entre outras”.

Sincopeças Brasil

Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças/ Assomotos Ceará (SSA/CE), indica que 2024 também será um ano de crescimento. “Embora o mercado esteja muito dividido em relação às perspectivas, eu acho que tem perspectivas fantásticas. Estamos com uma inflação controlada e isso faz com que a gente perceba um horizonte de oportunidades para os negócios. Não tenho dúvida de uma perspectiva de crescimento acima de dois dígitos para o nosso setor neste ano”.

Questionado sobre as oportunidades e desafios para este ano, Ranieri foi enfático ao dizer que a principal oportunidade é melhorar a gestão das empresas. “Investir na gestão para colher os frutos depois”, e que o desafio principal e recorrente é a qualificação. “Melhorar a qualificação dos colaboradores do setor e dos empresários também. Esse é um grande desafio que temos pela frente. O nosso mercado nacional de autopeças enfrenta escassez de mão de obra, de encontrar pessoas competentes e qualificadas. Sem dúvida, um grande desafio é a qualificação das pessoas”.

Ranieri Leitão, do Sincopeças Brasil

Para este ano, ele destaca duas frentes que a entidade continuará trabalhando com outras entidades do setor. “Continuarem perseguindo a Inspeção Técnica Veicular para o País e o direito à reparação, o Right to Repair. Essas são as principais ações que precisam ser feitas para o setor, não podemos baixar essas bandeiras, de jeito nenhum, diante de tantas dificuldades que estamos percebendo”, defende.

Vale destacar que no ano passado foi apresentada uma proposta de legislação específica voltada para o Right to Repair e Right to Connect, debatida em uma primeira audiência pública na Câmara dos Deputados em Brasília com intuito que o consumidor escolha o local onde deseja fazer a reparação do seu veículo.

Da mesma forma que Leitão, Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional e Paulista, defende que é preciso uma lei não só para o Right to Repair. Mas também para o Right to Connect para amparar o setor, conforme explica, “a evolução da tecnologia e o crescimento de semicondutores nos veículos automotores somados agora à introdução de sistemas de segurança “firewall” estão aumentando as dificuldades de acesso por parte das oficinas independentes aos diagnósticos com os equipamentos disponíveis hoje”.

Em números, o Brasil possui mais de 118 mil oficinas que empregam milhares de profissionais, formando um setor forte que atende 80% da frota circulante estimada em mais de 46 milhões de veículos.

Sindirepa Nacional

Agora, as perspectivas para este ano, na visão de Fiola. “O Brasil tem o 4º maior mercado de aftermarket no mundo impulsionado pela demanda gerada pela frota circulante. A evolução do envelhecimento da frota oferece oportunidades para a reposição, como sempre aconteceu ao longo do tempo. Com idade média da frota acima de 10 anos, as perspectivas são positivas para este ano, assim como foi em 2023. O mercado segue em crescimento sustentável e gera negócio para todos os canais da cadeia produtiva”.

De acordo com ele, o setor de reparação de veículos está preparado para atender a demanda. “Os fabricantes, por exemplo, buscam atualizar o portfólio com novos itens para garantir o suprimento do mercado diante de tanta diversificação de modelos e versões de veículos. O mercado de reposição sempre avançou no sentido de atender a demanda”, explica.

Antonio Fiola, do Sindirepa Nacional

Fiola também coloca que o mercado em evolução traz oportunidades e o acesso às informações técnicas para a realização dos reparos é um desafio que preocupa, assim como a capacitação para manutenção de veículos híbridos e elétricos. “Essas duas questões o Sindirepa-SP tem como pautas de trabalho. Com relação à capacitação técnica para veículos híbridos e elétricos, o Sindirepa-SP apoia o programa de pósgraduação para formar especialistas que possuam uma visão atualizada dos conceitos gerais da eletromobilidade e das tecnologias disponíveis no segmento de veículos elétricos e híbridos na Faculdade SENAI-SP Campus Conde José Vicente de Azevedo”.

Ainda de acordo com ele, “há várias ações e parcerias em andamento com o Sebrae, Senai e o IQA para o desenvolvimento de diversas ações de capacitação profissional do setor. Também vamos iniciar um projeto com a Escola do Mecânico, e vamos continuar com o trabalho para avançar com o Right to Repair e Right to Connect”.

Sincopeças-SP

Numa visão geral do comércio de peças automotivas, as expectativas de crescimento do setor sempre são promissoras, nas palavras de Heber Carvalho, presidente do Sincopeças-SP. “Com números que orbitam a casa das 45 milhões de unidades, tamanha frota circulante e a tendência que a produção de veículos zero quilometro se mantenha estável no patamar do último ano, a tendência natural é que os proprietários priorizem a manutenção dos seus veículos em uso e gerem bons negócios este ano para o mercado independente de reparação automotiva e, consequentemente, para o comércio de autopeças”.

Heber Carvalho, do Sincopeças -SP

Para Carvalho, as oportunidades para este ano vêm acompanhadas do crescimento do mercado automotivo. “O setor de varejo precisa ter a capacidade de entender seu negócio, entender suas demandas, sua região e onde pretende que seja seu espaço no mercado de autopeças. Já o grande desafio é reconhecer a frota de veículos ao seu entorno e saber o que oferecer na hora de comprar e disponibilizar seus produtos ao consumidor”.

Para este ano, Carvalho antecipa que haverá novidades no programa Loja do Futuro. “Neste ano, já reiniciamos nossos trabalhos, a partir de uma sólida e produtiva parceria com o Sebrae, reforçada com apoio da G&B distribuidora de autopeças, cujo objetivo é levar conhecimento, informação, treinamentos e capacitação às empresas, a partir do até agora inédito programa Loja do Futuro, um aperfeiçoamento do programa Loja Legal, que o SincopeçasSP disponibilizou em 2023 e que atendeu dezenas de lojas de autopeças no Estado, expandido inclusive para outras regiões do País. Esse novo programa ainda será detalhado pelos técnicos do Sebrae e brevemente iniciaremos a divulgação ao mercado”.

ANDAP

Na opinião de Rodrigo Carneiro, presidente da ANDAP, este será um ano de observação, aprendizado e provavelmente de algumas reacomodações. “Deveremos entender durante este período algumas transformações que estão acontecendo em todo mundo e suas consequências sobre as pessoas e os ambientes de negócio. O momento é de crise em todo o planeta. Conflitos étnicos, sociais, políticos, ambientais, que trarão algumas consequências no ambiente de negócios. Vamos esperar para saber quais serão elas”.

Rodrigo Carneiro, presidente da ANDAP

Sobre as oportunidades e desafios, Carneiro diz já ter respondido parcialmente acima, ele coloca alguns pontos de reflexão: “Quais as consequências e impactos do ambiente social e econômico que estão em plena efervescência? Quais os impactos e consequências dos novos conceitos e padrões da mobilidade? Quais as consequências e rupturas estarão mais presentes em nosso segmento a partir da evolução tecnológica?”

Ainda de acordo com o executivo, as entidades e associações de classe têm o dever de buscar e distribuir informação e conteúdo, contribuindo para que os processos de mudança e transformação sejam mais bem compreendidos para facilitar as tomadas de decisão. “Vamos continuar insistindo em desenvolver e levar conteúdo para nossos associados; esta é nossa reponsabilidade principal. Temas do dia a dia, que dizem respeito aos ambientes legais, fiscais, trabalhistas, por exemplo, igualmente continuarão a exigir aprofundamento e posicionamento da ANDAP”, conclui.

SICAP

Alcides Acerbi Neto, presidente do SICAP, assim como Ranieri Leitão, também prevê que a redução da taxa Selic e da inflação são bem positivas para o setor. “Nossas perspectivas para este ano são boas, de pequeno crescimento para o setor que ainda sofre com as incertezas fiscais tributárias. A previsão de redução da taxa Selic e da inflação contribuirão positivamente para o nosso mercado”, afirma.

Neto também vê a manutenção dos veículos como uma oportunidade. “Podemos encontrar oportunidades no crescimento do mercado de carros usados e sua respectiva manutenção. A redução da taxa Selic também ajudará, impactando menos no nosso custo do estoque”.

Alcides Acerbi Neto, presidente do SICAP

Por outro lado, conforme dito por ele, os desafios continuarão sendo na área fiscal e tributária. “Muito se falou na Reforma Tributária, mas no final, virou uma “Deforma Tributária”. Ficou mais confusa, depende ainda de leis complementares, e vai exigir trabalho em dobro, pois teremos os dois modelos tributários sendo praticados em fases e o pior, com forte indício para um aumento de impostos”.

Entre as ações da entidade para este ano, Neto pontua: “estamos aprimorando nossas negociações sindicais com a finalidade de oferecermos aos nossos representados uma gestão de Recursos Humanos simples e objetiva, com ganhos para empregadores e colaboradores. Continuaremos lutando por uma justiça tributária a fim de promover o crescimento do setor de distribuição de autopeças. Hoje, nosso foco está na retirada do regime de Substituição Tributária para autopeças dos distribuidores do Estado de São Paulo, apoiando também este pleito para outros Estados”, finaliza.

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