BA|208 O sexto sentido: decisões baseadas na intuição

Por Valtermário Rodrigues*

No artigo anterior, abordamos o tema: “os cinco sentidos no ambiente de trabalho”. Nessa edição, abordaremos a tomada de decisões, pessoais e/ou profissionais, baseadas na intuição ou sexto sentido. Nós, humanos, possuímos cinco sentidos tradicionalmente conhecidos: visão, audição, paladar, olfato e tato, os quais nos permitem a captação de imagens, sons, sabores, odores e toques, garantindo uma percepção de todo um ambiente, o que nos possibilita meios para sobrevivência.

A habilidade intuitiva ou perceptiva, além dos cinco tradicionais sentidos, é popularmente denominada de sexto sentido, habilidade essa que nos proporciona a capacidade de perceber ou compreender algo sem o uso dos sentidos físicos.

É muitas vezes descrita como uma sensação inexplicável ou uma intuição profunda. É uma forma de conhecimento que vai além da lógica e da razão, alicerçada no pressentimento.

Intuição é um sentimento que os seres humanos afirmam manifestar ao tomar uma decisão sobre algo ou uma situação. Segundo a psicologia, é uma forma de conhecimento inconsciente.

Os palpites tomados pelos indivíduos são gerados na parte inconsciente da mente, por meio de experiências anteriores.

O neurologista Dr. Martin Portner explica que as mulheres possuem um sexto sentido mais aguçado do que os homens. As mulheres conseguem perceber detalhes e interpretar gestos, sinais corporais e imagens. Captam o estado emocional de alguém com mais facilidade e isso se dá, segundo o neurologista, porque as meninas são mais afetivas que os meninos, transformando-as em mulheres mais intuitivas que os homens, os quais são mais racionais.

Elas analisam rapidamente a coerência de algo e correlacionam dados, tudo ao mesmo tempo. Entre um e outro sinal, acontece a união de circuitos cerebrais que detectam possibilidades que elas nem imaginam.

No nosso dia a dia, podemos observar situações que podemos relacionar com o sexto sentido:

  1. Sexto sentido x estatística: Profetizar, no futebol, está na moda. Muitos torcedores que profetizam tentam prever, adivinhar, dizer antecipadamente o que há de suceder nas partidas. Nem sempre usam o sexto sentido, a intuição, pois seus palpites são baseados em estatísticas e dados matemáticos, o que lhes possibilitam um elevado percentual de acerto e, consequentemente, ganho financeiro.
  2. Sexto sentido x falta de comunicação: Conta uma história sobre o casal que, no dia de suas bodas de prata, tomava café. A mulher passou a manteiga na casca do pão e a entregou ao marido, ficando com o miolo, e pensou: “sempre quis comer a melhor parte do pão, mas amo demais o meu marido e, por 25 anos, sempre lhe dei o miolo”. Por sua vez, o marido agradeceu pelo presente e disse: “meu amor, durante 25 anos, sempre desejei comer a casca do pão, mas como você sempre gostou tanto dela, jamais ousei pedir!”.
  3. Sexto sentido x preconceito: Dois clientes entram na concessionária: um deles de paletó e gravata; o outro de bermuda, camiseta, chinelo e boné. Automaticamente, o vendedor avisou ao colega que iria abordar o senhor de paletó e gravata e sugeriu que ele atendesse o senhor que estava usando bermuda. Após atendimento finalizado, o senhor de bermuda comprou um SUV e pagou à vista. O senhor de paletó, em horário de almoço, entrou na concessionária apenas para apreciar alguns modelos de veículos, sem pretensão de comprar, pois estaria passando por um momento financeiro delicado.
  4. Sexto sentido / intuição x falta de comprometimento: Todo um semestre para se preparar para responder uma importante prova, porém, optou por viajar, curtir, trabalhar…. Respondeu praticamente toda a prova com base na intuição, no “achômetro” e, como resultado, foi reprovado.
  5. Sexto sentido x falta de conhecimento: Decisões equivocadas no trânsito causaram um grave acidente. Ao ser questionado sobre as causas e consequências do acidente, o senhor que há um bom tempo não dirigia, respondeu: “ouvi a voz da minha intuição e tive a certeza que o outro motorista iria seguir para a direita, virei à esquerda e a colisão aconteceu”. Mas pela sinalização da via, disse o agente de trânsito, “o outro motorista não poderia virar a direita, pois estaria cometendo uma infração de trânsito”.
  6. Sexto sentido x experiência: Perguntou o diretor da empresa ao gerente geral de uma das unidades da Companhia: sua decisão foi baseada em quais fundamentos? Ao que obteve como resposta: “tomei a decisão com base na intuição, em minha experiência do saber vivido”.
  7. Sexto sentido x falta de clareza no que se pede e no que se entrega: O gestor passou uma importante tarefa para seu subordinado, porém, não deu detalhes de como deveria ser entregue, tais como: o prazo de entrega, o tipo de material a ser utilizado, o custo máximo possível, quantas pessoas poderiam ser envolvidas no projeto, enfim, sem essas informações, pela falta de clareza do gestor e por conta do subordinado não esclarecer o que lhe foi solicitado, executou a tarefa da forma que achou mais conveniente e o projeto foi um fracasso, pois não atendeu às expectativas do gestor.
  8. Sexto sentido x medo ou risco: Sem conhecimento técnico para executar determinada tarefa, por medo ou receio de ser considerado incapaz, aceitou o desafio, assumiu o risco e partiu para a execução tomando decisões equivocadas apenas com base na intuição e teve como resultado final, o fracasso.
  9. Sexto sentido x impulso: Em uma situação de conflito, o gestor, sem ouvir as partes envolvidas, com base apenas no que lhe contaram e na sua intuição, tomou uma série de decisões equivocadas e a situação ficou ainda mais delicada. A todo momento em nossas vidas, precisamos tomar decisões, das mais simples às mais complexas. Nesse contexto, é importante trabalharmos a boa comunicação, o comprometimento, o conhecimento, a experiência e, assim, evitar tomar decisões arriscadas, por impulso ou simplesmente na base do achismo.

O processo de tomada de decisões nas empresas:

São cinco os principais tipos de tomada de decisões: decisão intuitiva, decisão colaborativa; decisão baseada em valores; decisão especializada e a decisão racional.

A tomada de decisão intuitiva é a mais arriscada. Normalmente é tomada por profissionais que têm como característica a falta de planejamento, o que leva a uma conclusão baseada somente em experiências prévias, achismos e respostas emocionais, diferente da tomada de decisão racional, a qual leva em consideração uma série de fatores lógicos e, como o próprio nome já diz: racionais. Essa escolha aporta mais resultados aos gestores.

Já a tomada de decisão colaborativa é um tipo de decisão mais abrangente, tomada por mais de um profissional, tendo como principal vantagem o fato de agregar diferentes pontos de vista e opiniões.

A tomada de decisão baseada em valores demanda cautela, afinal são ações que podem ser influenciadas pela família, experiências de vida e profissionais, referências. Entre outros fatores, a visão, a missão e os demais conceitos que guiam o negócio também embasam as decisões, portanto, os valores pessoais podem entrar em conflito com os empresariais.

No universo organizacional, a tomada de decisão especializada é um dos tipos de decisão mais confiável. Consiste em fazer deliberações com a ajuda de especialistas (profissionais experientes em determinado segmento), o que pode ser crucial para uma atuação mais estratégica e competitiva no mercado.

O processo de tomada de decisões nas empresas não é tarefa fácil. Um bom gestor não deve agir por impulso, bem como não é adequado levar muito tempo para tomar decisões. As empresas possuem normas, procedimentos, ferramentas de gestão, treinamentos, códigos de ética e conduta, que ajudam a evitar que decisões sejam tomadas com base na intuição e no achismo.

É verdade sim que não devemos desconsiderar nossa intuição. Muitas decisões tomadas após seguirmos nossa intuição mostram que foram tomadas de forma acertada, contudo, é importante que nossa vida pessoal e profissional seja baseada em conhecimentos científicos, racionalidade, planejamento, comprometimento e foco.

Concluído esse artigo, espero que tenham gostado, pois essa é expectativa de todo escritor. Para a próxima edição, vou usar minha intuição ou uma criteriosa análise de perfil de vocês, fiéis leitores, que nos prestigiam, mensalmente, com a leitura dos mais de sessenta artigos já publicados na Revista Balcão Automotivo e tentar escrever algo interessante, uma leitura que faça algum sentido.

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