Emplacamentos em janeiro são o maior para o mês, desde 2021. Segmento de seminovos e usados também teve um resultado positivo, já a produção de veículos ficou estagnada
Por Karin Fuchs
O mês de janeiro terminou com 162.000 veículos emplacados, incluindo todas as categorias, 13,1% acima de janeiro de 2023 e o melhor resultado para o mês, desde 2021, de acordo com a Anfavea. Pelos números da Fenabrave, que incluem motocicletas, foram 322.505 unidades emplacadas, o maior volume dos últimos nove anos. E entre seminovos e usados, a Fenauto fechou o mês passado com 1.201.177 unidades comercializadas, um crescimento igual ao computado pela Anfavea, de 13,1% superior a janeiro do ano passado.
Por categoria, os números da Anfavea mostram que no mês passado foram 119.000 automóveis emplacados, ante 104.000 em janeiro de 2023 e perdendo para janeiro de 2021, quando o volume foi de 155.000 unidades. Comerciais leves fecharam o mês com 33.700 unidades, em janeiro de 2023 foram 26.800, porém, inferior a janeiro de 2015, que teve 38.000 unidades emplacadas.
Entre automóveis e comerciais leves, com 12.000 unidades eletrificadas (híbridos plug-in, híbridos e elétricos) emplacadas a participação no volume total de emplacamentos foi recorde chegando a 7,9%, quase o dobro dos 4,3%, registrados em janeiro de 2023. Já o segmento de pesados retraiu no mês passado. Foram 8.200 caminhões emplacados, 21,4% inferior a janeiro de 2023, e ônibus, com um total de 1.200 unidades emplacadas, teve um resultado 32,4% abaixo, na mesma base de comparação.
Na análise do presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, “caminhões tiveram uma queda de 21,4% (em janeiro deste ano), porque no ano anterior teve uma forte demanda por conta do Proconve P7 e agora nós estamos com a nova tecnologia, o P8. 2023 foi um ano muito ruim para o setor de caminhões, principalmente no segundo semestre”.

Produção e importação
No mês de janeiro, somando todas as categorias, a produção ficou estagnada em 153.000 unidades, segundo a Anfavea, explicada pela queda das exportações, 43% inferior a janeiro de 2023, e o aumento das importações. Tanto que a participação dos importados no volume total de emplacamentos chegou a 19,5% no mês passado, a maior dos últimos dez anos, com um total de 31.500 unidades. A cada dez veículos vendidos no mês, dois foram importados, e entre os eletrificados emplacados, 14% dos modelos elétricos vieram de fora, percentual que sobe para 19%, no caso dos híbridos.
Nas palavras de Leite, o aumento da participação dos importados acende um sinal amarelo no volume das importações. “Há um crescimento significativo das importações e isso atrapalha a produção. É importante entender se esse crescimento é em um mês específico, temos dados para esta análise, mas também tem uma questão de um aumento de forma sistemática. O que nós queremos é a produção local, o fortalecimento da indústria, a geração de empregos. A importação é fundamental, mas tem que ser em um patamar que não prejudique a indústria”, justificou.
Pesados
No segmento de pesados, a produção teve alta em janeiro, 96,1% acima de janeiro de 2023, com um total de 7.900 unidades. Para ônibus, o resultado foi ainda maior, de 104,1%, fechando o mês com 1.600 unidades produzidas. Um dos impulsionadores deste segmento é o programa Caminho da Escola.

“Foram licitadas 16 mil unidades, que dão um impacto bastante significativo para o mercado. Lembrando que no segundo semestre nós teremos eleições municipais, parte do efeito do programa Caminho da Escola começa a ser sentida no primeiro semestre deste ano e a outra, no primeiro semestre de 2025”, comentou o economista da Anfavea, Vinicius Pereira.
Na distribuição
Pelo balanço da Fenabrave, as 322.505 unidades emplacadas em janeiro, considerando todos os segmentos automotivos, representou o maior volume dos últimos nove anos e um crescimento de 20% em relação a janeiro de 2023. Quando comparado ao mês anterior, a queda foi de 19,38%, por ser um mês que registra maior índice de emplacamentos e pela sazonalidade no início do ano, conforme disse o presidente da entidade, Andreta Jr. “Os primeiros meses do ano concentram algumas despesas que afetam a decisão de compra dos consumidores, como as aquisições de material escolar, pagamentos de IPVA, IPTU e matrículas escolares, entre outros gastos sazonais”.
Para ele, o resultado de janeiro foi positivo. “Apesar de estarmos distantes do nosso pico histórico para janeiro, que foi no ano de 2014, quando emplacamos 446 mil unidades, este é um bom resultado, ainda mais ao considerarmos os números dos últimos anos. De modo geral, há uma melhora no ambiente do varejo da distribuição de veículos, com evolução dos índices de emprego, quedas seguidas nos juros oficiais e, principalmente, por conta de um fluxo maior de crédito em diversos segmentos”.
Por segmento, foram 118.507 automóveis emplacados em janeiro, 14,1% acima do mesmo mês do ano passado, 33.555 comerciais leves, alta de 26,24%, caminhões, 7.993, crescimento de 21,7%, motos, 142.327 unidades, 29,66% superior ao resultado de janeiro de 2023, implementos rodoviários tiveram uma expansão de 8,13% (7072 unidades) e outros somaram 10.505 unidades. Do total do volume de emplacamentos em janeiro, 60% foram vendas para o varejo e 40% para pessoas jurídicas. A entidade mantém a previsão de um crescimento de 13,5% para este ano.
Seminovos e usados
Pelo balanço da Fenauto, que computou 1.201.177 unidades comercializadas em janeiro, 13,1% acima de janeiro de 2023, a maior procura continua sendo pelos veículos classificados como “velhinhos” (com 13 anos ou mais de uso), que somaram 408.734 unidades vendidas no mês, seguidas por veículos de 4 a 8 anos de uso, com 314.992 unidades comercializadas.

Quando comparado a dezembro do ano passado, o número total de veículos comercializados em janeiro foi 13,2% menor, o que também se justifica pela sazonalidade. “O resultado não nos surpreendeu, pois é um comportamento muito frequente em todo começo de ano. Além das vendas serem melhores nos últimos meses, por conta da injeção do 13º salário, por exemplo, nos dois primeiros meses do novo ano o consumidor já se depara com gastos com o IPTU, IPVA, matrículas escolares e reajustes que acabam impactando as vendas do varejo. Mesmo assim, consideramos que mais de 1,2 milhão de veículos vendidos é um resultado muito bom. Por isso, temos boas expectativas para este ano”, afirmou o presidente da entidade, Enilson Sales.
Mercado Global
O Brasil caminha para voltar aos patamares do período prépandemia, enquanto alguns países já superam e outros, ainda não. Na análise da Anfavea, sobre os efeitos da pandemia nos mercados dos dez países maiores consumidores de autoveículos novos, os melhores classificados são a Índia e a China. Percentualmente, saindo de uma base 100, a Índia atingiu 133% em 2023 e a China, 117%.
O Brasil, com um índice de 83%, ficou abaixo do Japão, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, mas acima da França e Alemanha. “Outros países, assim como o Brasil, estão abaixo dos números pré-pandemia. O Brasil tem apresentado crescimento, mas outros países têm se recuperado em uma velocidade maior”, comentou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite.

