BA|208 O futuro dos veículos eletrificados

Por Karin Fuchs

Nesta matéria, apresentamos as tendências para o mercado dos veículos híbridos e elétricos, qual deles tem maior potencial no mercado brasileiro, os reflexos no segmento de reposição automotiva, as estimativas com o programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), o comportamento do mercado nacional e muito mais, nas palavras de especialistas do setor e da indústria automobilística.

Participam dela, Luciano Pires, exexecutivo do segmento de autopeças e hoje CEO do Café Brasil Editorial; os jornalistas especializados na indústria automobilística, Boris Feldman e Fernando Calmon; Vinicio Grimalt Pigozzo, sócio proprietário da BV Import, em Caxias do Sul (RS); Paulo Miranda, idealizador da Expopeças, em Goiânia (GO); e Enilson Sales, presidente da Fenauto, sobre o mercado de seminovos e usados. Além de trechos da última coletiva da Anfavea, com Márcio Leite, presidente da entidade, e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, falando sobre o programa Mover.

Luciano Pires, CEO do Café Brasil Editorial

Híbridos ou elétricos

Questionados sobre os prós e contras dos veículos híbridos e elétricos no mercado brasileiro, a começar por Luciano Pires, ele disse que na teoria, os veículos híbridos e elétricos oferecem redução significativa na emissão de poluentes e dependência de combustíveis fósseis, alinhando-se às crescentes preocupações ambientais, além de uma eficiência energética superior e custos operacionais mais baixos comparados aos veículos tradicionais a combustão. Mas ele reforçou que na prática, a teoria pode ser outra.

“Ainda há um “buzz” muito grande na onda dos carros elétricos, não sabemos com certeza quais são os números reais, especialmente considerando a realidade brasileira. O alto custo de aquisição é um dos principais obstáculos, tornando esses veículos menos acessíveis à maioria dos brasileiros. A infraestrutura de recarga ainda é limitada em muitas regiões, dificultando a adoção em larga escala. Os custos dessa infraestrutura também não estão claramente definidos. A durabilidade e o custo de substituição das baterias também são preocupações relevantes. E a produção das baterias parece causar mais danos ao meio ambiente que qualquer economia proporcionada pelos veículos. Ainda é cedo para projeções confiáveis”, pontuou.

Em sua opinião, “dado ao contexto brasileiro, com uma ampla disponibilidade de etanol, uma fonte de energia renovável, os veículos híbridos que podem operar com este combustível tendem a ser uma opção atraente. Eles oferecem flexibilidade no uso de combustíveis e se beneficiam da produção local de etanol, o que pode favorecer sua adoção, dando mais segurança por conta da rede de abastecimento, o que ainda é um risco para os carros puramente elétricos”.

Boris Feldman, jornalista

Para o jornalista Boris Feldman, os híbridos são mais baratos e eliminam o fantasma da “pane seca”. “Sua carga é suficiente para rodar eletricamente no dia a dia e, quando necessário, pode rodar trechos mais longos com o motor a combustão. Os elétricos oferecem um desempenho superior e rodam quilometragem bem maior que o híbrido, eletricamente. Mas custam mais e o motorista fica inseguro com o alcance (autonomia), seu valor como usado é muito baixo e a recarga nas estradas é problemática”.

Fernando Calmon, jornalista

Na análise de Vinicio Grimalt Pigozzo, o setor automotivo passa por uma evolução muito grande com as tecnologias embarcadas. “São veículos que praticamente têm vida própria e estão cada vez mais tomando decisões autônomas para segurança de condutores e pedestres. Esta evolução engloba os veículos elétricos e híbridos, com uma proposta de baixar níveis de poluentes, que é uma prioridade mundial. Porém, um veículo nesta modalidade possui opiniões a favor e contra”.

Como, por exemplo, ele citou a mudança de cultura ao dirigir, que precisa ser adaptável a um carro deste segmento. “Acredito ter mais pontos contra do que a favor. No Brasil, existe uma preocupação nos veículos eletrificados que são tanto 100% elétricos ou híbridos, ou seja, o País tem um potencial muito grande para geração de energia, mas precisa intensificar postos de carregamento para este tipo de veículo”.

Vinicio Grimalt Pigozzo, sócio proprietário da BV Import, de Caxias do Sul (RS)

Vinicio frisou que a falta de pontos de recarga é a parte negativa para os elétricos, além do preço. “Um veículo 100% elétrico, hoje, vai muito bem em perímetros urbanos, mas se tiver que viajar em distâncias mais longas a autonomia é baixa. As montadoras já testam tecnologias em baterias e sistemas para poder ter uma autonomia maior, porém ainda há a falta de postos de carregamento, onde existem, tem filas para fazer a carga. Outro ponto que pesa é o valor do produto.

Hoje um carro elétrico ou híbrido, sem ser premium, o valor ainda é muito caro de aquisição”.

Em sua opinião, “os veículos híbridos aqui no Brasil são mais eficientes que os 100% elétricos, não pela questão somente do combustível, mas pela sua eficiência em combinar duas formas de propulsão e saber tirar o máximo de rendimento delas; tanto na autonomia quanto na performance, pode ser usado um motor a combustão de menos potência, mas em combinação com um motor elétrico, o resultado é impressionante. A opção de etanol nos postos de gasolina é um atrativo a mais com certeza nos veículos híbridos, mas para mim isto se aplica em carros mais populares onde se visa menor custo”.

Paulo Miranda, idealizador da Expopeças, em Goiânia (GO)

Outro fator negativo, colocado por ele, é a desvalorização alta na revenda destes carros. “Quem pega de segunda mão, provavelmente, vai arcar com a manutenção que não é barata neste segmento. Por outro lado, é um veículo que tem emissões de carbono zero no caso dos 100% elétricos, possui tecnologias fantásticas embarcadas, conforme o modelo pode ser até autônomo, os designs são cada vez mais inovadores e sempre tem o cliente que quer uma exclusividade primeiro”.

Na análise de Paulo Miranda, o contra é o abastecimento para a mobilidade. “O próprio fabricante não diz quantas horas você pode andar com o carro elétrico. Quantos mais postos de abastecimento tiverem, mais segurança o consumidor terá. Outro fator limitador é a questão de preço, uma barreira no Brasil. Por outro lado, é mais um item para agregar nas vendas. Quanto mais veículos pudermos agregar no nosso portfólio de vendas, é mais uma oportunidade de negócio. Acredito no puramente elétrico para um público e que o híbrido é mais desejado pela facilidade de abastecimento”.

Ele também destacou como ponto de atenção o descarte da bateria. “Até o momento, a gente não vê a reciclagem das baterias dos elétricos, mas acredito que em breve terá um local de descarte, pois a própria bateria normal do carro já tem uma normativa para a reutilização. A sucata de baterias é um item que tem um valor agregado muito grande de recompra. Acredito que funcionará da mesma forma para a bateria dos elétricos”.

Investimentos

Sobre os anúncios de investimentos das montadoras em veículos eletrificados, Boris respondeu que os investimentos englobam os híbridos e elétricos. “Não existe uma demanda de mercado que justifique o investimento só nos elétricos. Não só no Brasil, mas isso é um fenômeno mundial”.

A mesma avaliação fez Luciano. “Considero que ainda não temos o potencial de consumo para os carros elétricos, no patamar dos preços de vendas atuais. Mesmo as ofertas mais baratas ainda restringem o público consumidor, especialmente quando fazemos uma relação custo x benefício indireto. O que tenho percebido é mais um movimento de estabelecimento da marca como sendo inovadora, ou seja, ter a oferta do produto elétrico por uma questão de branding. Trata-se mais de um movimento de marketing do que qualquer outra coisa. A exceção é a BYD, que me parece que está interessada mais em desbravar um mercado do que na produção em alta escala”.

Vinicio foi enfático ao dizer que a evolução dos veículos não tem volta e que cada vez mais, as montadoras investem em tecnologias embarcadas e ditam o rumo do mercado automotivo. “Porém, tudo que é novidade paga o valor do investimento dos projetos. Existe mercado para todos, o que vai acontecer são novas marcas desconhecidas no Brasil que vão se instalar oferecendo veículos com tecnologias, conforto e preço atrativo, gerando assim, uma demanda e crescimento deste segmento. Existem fabricantes que se especializaram somente nos eletrificados, gerando valores mais baixos com carros de padrão elevado. Outro fator que não podemos esquecer é que os veículos 100% elétricos em muitos estados têm impostos reduzidos e IPVA isento, dando assim um atrativo a mais para aumentar as vendas do segmento”.

Programa Mover

Em dezembro do ano passado, a Medida Provisória 1.205/2023 instituiu o Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), em substituição ao antigo Rota 2030. Na última coletiva da Anfavea, no início de fevereiro, Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse que o Mover, com incentivos fiscais de R$ 19,3 bilhões em incentivos fiscais ao setor automotivo até 2028, terá a legislação mais moderna do mundo.

“O Brasil terá a legislação mais moderna do mundo, no sentido de promover a inovação e a descarbonização. Uma legislação extremamente avançada e com previsibilidade, de até 2028 com R$ 19,3 bilhões em incentivos fiscais ao setor. O novo regramento já está em vigência, vamos acelerar no Congresso Nacional, e devemos anunciá-lo após o Carnaval”, declarou.

Enilson Sales, presidente da Fenauto

Na visão do presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, o mais relevante do programa Mover é a previsibilidade. “Esse programa traz mecanismos muito inteligentes para o futuro da indústria automotiva. O que justifica a resposta a esse programa são os investimentos. Vamos chegar a mais de R$ 100 bilhões, serão muitos empregos, pesquisa e desenvolvimento, isso é fundamental para um país produtor. Quando apresentamos o programa para as matrizes, o retorno que temos tido é que esse programa é extremamente inteligente, tem lógica, princípio, meio e direcionamento para o futuro da indústria”, afirmou.

Para Andressa Melo, gerente de Inovação do FI Group, o programa chega para fomentar de maneira expressiva o desenvolvimento da sustentabilidade no setor automotivo, com a descarbonização dos veículos e a bonificação de empresas que investem em projetos de inovação tecnológica, estimulando a competitividade global. “As novidades impostas pelo programa vão desde a criação do IPI verde, que será aplicado conforme os atributos sustentáveis dos veículos, até o aumento do incentivo fiscal para as empresas que investem em inovação”, segundo divulgado em release.

Repercutindo com os entrevistados desta matéria, Luciano afirmou que incentivos fiscais, investimentos em infraestrutura e campanhas de conscientização são ferramentas culturais do Brasil, que sempre lhe trazem dúvidas sobre a sustentabilidade. “São instrumentos válidos, especialmente para dar a largada numa mudança em alta escala, como essa que os carros elétricos vão exigir, mas o sucesso dependerá da implementação efetiva das políticas e da capacidade de atrair investimentos para o setor, além da adesão dos consumidores. Eu prefiro aguardar para que os números mostrados sejam mais firmes”, argumentou.

Paulo também vê com ressalva. “O Mover é um programa muito bom, mas o Brasil tem uma questão peculiar. O Governo cria alguns benefícios, mas depois volta atrás muito rápido, já vimos isso em outros programas de incentivo ao setor”. “Se realmente for aplicado o investimento correto e feito um acompanhamento das empresas que entram neste programa, nós teremos retorno. O programa nacional de mobilidade verde e inovação vem para a sucessão do Rota 2030, sendo assim, a indústria tem um compromisso de produção de novas tecnologias para o setor automotivo. Estes investimentos devem trazer com certeza novidades gigantes aos carros eletrificados”, afirmou Vinicio.

Para Boris, “o programa vai incentivar consideravelmente o desenvolvimento tecnológico, pois é mais exigente na redução de consumo e emissões. E vai destinar verbas ainda maiores que o antigo programa (Rota 2030) para as empresas que cumprirem suas metas”.

Cemitérios de elétricos

Matérias publicadas na imprensa já falam de cemitérios de veículos elétricos. Questionados se esta pode ser uma realidade aqui no Brasil, Luciano disse que não podemos fazer suposições, pois esse mercado ainda não existe no País. “O risco de acúmulo desses veículos, como observado na Europa e na China, pode se tornar uma realidade se os desafios relacionados à infraestrutura de recarga, custos de manutenção e atualização tecnológica não forem adequadamente abordados”.

Segundo ele, “políticas de incentivo à reciclagem e ao mercado de segunda mão podem mitigar esse risco, mas não conseguimos resolver esse problema nem com os atuais veículos a combustão, imagine com um produto totalmente novo, que exige cuidados especiais. Vejo aí um potencial problema de longo prazo”.

O problema do carro elétrico, disse Boris, é mundial. “Os governos cortam subsídios, o alcance teórico é bem maior que o real, seu valor no mercado de usados cai 30% ou mais, a recarga nas estradas é um perrengue, pois ou tem fila ou a tomada está quebrada, e o reparo no caso de acidente pode custar mais que o próprio carro. No Brasil, o problema é mais grave ainda pelo baixo poder de compra e nossas dimensões continentais”.

Paulo comenta que pode haver o risco de os elétricos no Brasil terminarem em cemitérios. “Também é um risco para o Brasil. A depreciação desses carros acontece porque a bateria tem 5 anos, em média, de vida útil e quando vai chegando o período da troca, o seu custo é muito alto, às vezes, praticamente 50% do valor do carro. Se não tivermos um pós-garantia que dê segurança para quem compra, vira cemitério pelo custo de manutenção”.

Vinicio comentou sobre o peso da manutenção. “Os veículos eletrificados, atualmente, possuem um passivo muito grande. Tudo que é novidade tem um preço e no setor automotivo o que pesa mais é a manutenção destes carros. Quando falamos em carros híbridos e elétricos, logo pensamos nas baterias que são utilizadas em ambas as situações e elas têm um valor agregado de manutenção. Não é qualquer profissional que tem o conhecimento para mexer nestes carros, quando eles saem do período de garantia, o proprietário normalmente procura uma segunda opção de reparo para baixar o custo e aí começam os problemas. Nem sempre o profissional que lhe atendia no antigo carro vai ter o conhecimento para mexer nos eletrificados e qualquer diagnóstico errado pode gerar um grande prejuízo ao dono do veículo”.

O que virá para o mercado de reposição

Nas palavras de Boris Feldman, a eletromobilidade ainda vai demorar a ter peso no mercado de reposição. “Mas ele deve se preparar para uma razoável redução de faturamento em longo prazo pela simplicidade do motor elétrico, ele tem uma peça móvel que dura quase eternamente (rotor do motor), ao contrário dos atuais com centenas de componentes, quase todos com possiblidade de desgaste em curto, médio ou longo prazo”.

Para Paulo Miranda, o desafio é o acesso à informação. “O mercado de reposição não tem abertura à tecnologia por parte dos fabricantes. Então, isso dificulta o nosso mercado, o de manutenção, que exige que você tenha o conhecimento da tecnologia. Se as montadoras tivessem abertura para o mercado, treinamentos, elas teriam mais sucesso. Esses carros também terão manutenção, mas quando dão defeito, poucos profissionais estão inseridos no contexto de tecnologia”. Segundo Vinicio, além de profissionais que se dediquem a aprender e dominar diagnósticos avançados, “existe uma mudança muito grande em diagnósticos avançados para este tipo de veículo, o profissional tem que ter domínio em ferramentas jamais utilizadas em carros a combustão. É uma oportunidade muito grande que o setor proporciona a estes reparadores, a especialização no ramo pode ser um grande diferencial na empresa do reparador”.

Márcio Leite, presidente da Anfavea

Os maiores desafios são: “temos que ter acesso a informações corretas para estes veículos, temos que ter um canal com a montadora mais facilitado para poder reparar com excelência, temos que ter valores mais justos em equipamentos e ferramentas para atender os carros eletrificados e, por fim, uma disposição de peças com mais agilidade para não ficar com um veículo aguardando peça dentro de sua empresa por muito tempo”, pontuou.

De um lado, Luciano Pires colocou que o mercado de reposição automotiva para veículos híbridos e elétricos fora do período de garantia apresenta um potencial significativo, mas requer adaptação. “Profissionais do setor precisarão de formação específica para lidar com as tecnologias avançadas desses veículos. A disponibilidade de peças compatíveis e a capacidade de realizar manutenções complexas em baterias e sistemas eletrônicos são fundamentais para o desenvolvimento desse mercado. Se pudermos comparar com os celulares, veremos o surgimento de um mercado paralelo próprio, mas considerando as exigências de segurança do produto automóvel, não sei se haverá viabilidade econômica para atender às especificações”.

Do outro lado, a necessidade de especialização técnica para reparos e manutenção, dada à complexidade dos sistemas eletrônicos e de baterias é o principal desafio. “A disponibilidade e o custo de peças de reposição específicas para veículos elétricos e híbridos também são preocupações. Além disso, a rápida evolução tecnológica pode tornar alguns modelos rapidamente obsoletos, impactando a demanda por peças de reposição. O setor precisará se adaptar a essas novas realidades, investindo em formação técnica e em parcerias com fabricantes para garantir a disponibilidade de peças e informações técnicas. Vejo um desafio imenso nessa área”.

Eletrificados no mercado de seminovos e usados

Ainda que a comercialização de eletrificados tenha crescido bastante nos últimos anos, a participação ainda é incipiente no volume total, mas a Fenauto prevê que este crescimento, assim como tem sido, será constante. “Em 2023, cresceu em 80% versus a base de 2022 e no primeiro mês deste ano, cresceu 112% sobre janeiro de 2023. É um crescimento consistente, mas é importante dizer que a base ainda é pequena, estamos falando de 0,25% dos veículos seminovos comercializados no Brasil. Em 2023, foram 14.454.000 unidades comercializadas e apenas 35.877 veículos elétricos e eletrificados”, colocou em números, Enilson Sales, presidente da Fenauto.

Segundo ele, “a procura dos puramente elétricos não é tão grande, a maior é pelos híbridos, com a liderança do Corolla, modelos sedan e Cross, e o Volvo X 60, os três representaram mais de 40% do volume de eletrificados comercializados em janeiro deste ano. O que deixa claro que os híbridos ainda são as melhores opções encontradas ou pelo menos procuradas pelo nosso público”, afirmou, acrescentando que faltam algumas respostas para impulsionar o mercado de veículos elétricos no Brasil.

“Nós achamos que ainda terá uma acomodação deste mercado, porque várias perguntas ainda não estão bem respondidas. O mercado ainda tem uma base muito baixa para fazer comparações e um histórico muito pequeno para que venha responder questões como autonomia real dos veículos, o tempo de recarga da bateria e o número de pontos de recarga, o que é um problemaço”.

Geraldo Alckmin, vice-presidente da República

Segundo ele, é importante que essas perguntas sejam respondidas, além da vida útil dos componentes, ainda que haja as especificações técnicas dos veículos entregues aos consumidores e aos formadores de opinião. “Como, por exemplo, o tempo de recarga depende de cada carregador, que tem uma potência diferente. Pontos de recarga são um desafio grande a ser superado, pois não dependem do fabricante, os postos de gasolina não foram instalados pelas montadoras, mas pelas petroleiras. Quem vai fornecer esses pontos de recarga para oferecer conforto aos usuários”?

A conclusão da Fenauto, disse Enilson, é que este mercado ainda demorará muito para ficar maduro e para ter todas as respostas possíveis. “Mas, é um mercado em crescimento, eu uso um carro híbrido, estou satisfeito com ele, mas não com os pontos de recarga, mas tenho feito uma boa avaliação desse carro. Outro ponto a ser questionado é o preço do veículo com a volta dos impostos, que deixa a população muito distante deles e ainda não sabemos exatamente o valor da depreciação”.

Para finalizar, Enilson disse que não acredita que os elétricos ou eletrificados vieram para tomar o lugar dos veículos a combustão, mas que vieram para dividir o mercado. “Cada um assumindo a sua fatia, de acordo com o que for mais atraente para o consumidor naquele momento. Não vejo eles chegando para tomar um lugar expressivo e ser preponderantes no cenário nacional. Vislumbro ao longo do tempo um equilíbrio e uma participação maiores de mercado”.

Mercado Global

Na análise do jornalista Fernando Calmon, há um tropeço dos elétricos nos Estados Unidos e a Europa pode atrasar eletrificação, de acordo com notícias internacionais. “Algumas já questionam se a Europa vai mesmo confirmar o prazo fatal de 2035 de proibir as vendas de veículos novos movidos por motores a combustão interna (MCI). Os comentários desde agora é que haveria exceção para os híbridos que conjugam MCI e motor elétrico com baterias menores e mais em conta”.

Segundo ele, “é certo que a China continua como o maior mercado de carros 100% elétricos do mundo graças aos subsídios explícitos e implícitos, além das imposições por parte do governo ditatorial.

No continente europeu os países também oferecem bônus atraentes para quem decide adquirir um VEB (Veículo Elétrico a Bateria). As vendas vinham subindo rapidamente, mas arrefeceu no final do ano passado. Algumas projeções apontam para uma recuperação em 2024, mas não há realmente certeza”.

Nos Estados Unidos, “os novos registros de veículos elétricos ainda crescem a um bom ritmo, mas limitados ao mercado de marcas de luxo. Porém, segundo dados da consultoria Experian, os segmentos de altas vendas não conseguem avançar sobre modelos a gasolina e híbridos”, comentou.

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