Mercado de veículos é aquecido e pesados retornam com força ao cenário

Os números das entidades, Anfavea, Fenabrave e Fenauto, mostram que este ano está bem movimentado e com aumento da média diária de vendas

Por Karin Fuchs

A produção e vendas de veículos novos em março, tanto no segmento de leves como de pesados, refletem o bom momento em que o setor está vivendo. A média diária de vendas de automóveis e comerciais leves, um dos mais importantes termômetros do setor, também cresceu. Já as vendas na primeira semana de abril foram as melhores para o período, desde o ano de 2014, conforme os dados da Anfavea. 

Em março, saíram da linha de produção 196.000 unidades (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus), 3,2% acima do mês anterior. “A produção de março, próxima ao patamar de 200.000 unidades, foi a melhor desde novembro (2023) e ela vai se ajustando à crescente demanda de mercado”, comentou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. Já no primeiro trimestre, com 538.000 unidades produzidas, o resultado ficou praticamente estagnado com o mesmo período do ano passado.

No que tange às vendas, foram quase 188.000 unidades (todas as categorias) em março, alta foi de 13,6% sob o mês anterior. No acumulado do trimestre foram 515.000 unidades, 9,1% acima do primeiro trimestre de 2023, incluindo também todas as categorias. Já as vendas diretas tiveram uma participação de 46% do total de emplacamentos de automóveis e comerciais leves no mês de março, e as locadoras projetam uma aquisição de 700.000 unidades até o final deste ano, acima das 590.000 unidades emplacadas em 2023.

“O pulso da indústria automobilística, onde nos baseamos, é a média diária de emplacamentos. Março deste ano, com 9.400 unidades, é uma boa média diária e significa que o mercado vem crescendo, se recompondo. Essa é uma curva importante para o nosso setor”, afirmou o presidente da Anfavea. Para se ter uma ideia, a média diária cresceu 7,9% em relação ao mês anterior, 8,5% quando comparado a março de 2023 e 12,5% nos comparativos entre os primeiros trimestres deste ano e de 2023. 

Novas tecnologias – No primeiro trimestre foram emplacados 36.000 automóveis e comerciais leves eletrificados, sendo 14.100 elétricos, 11.600 híbridos e 10.300 híbridos plug-in. Híbridos e híbridos plug-in tiveram uma participação de 4,6% de mercado e os 100% elétricos, de 2,9%. Em todo o ano de 2023 foram 93.900 unidades emplacadas com essas tecnologias. Sobre o  volume expressivo de veículos 100% elétricos, explicou Leite, “de maneira geral, para os híbridos e a combustão há um desembaraço maior no setor aduaneiro, o que não acontece com os elétricos, que não precisam de qualquer aprovação ambiental para entrar no País”.

Retomada do segmento de pesados – Em números, o vice-presidente da Anfavea, Eduardo Freitas, mostrou que março foi positivo para caminhões e ônibus. “Foram 9.900 unidades de caminhões emplacadas, com um crescimento expressivo de 18% em relação ao mês anterior, e com uma média diária de 495.000 unidades. Quando olhamos para o primeiro trimestre, houve um decréscimo de 7,5%, efeito da introdução do Proconve P8”.

Isso porque no primeiro trimestre do ano passado ainda havia muita disponibilidade de modelos P7. “Houve bastante antecipação de compra, e neste ano a gente já volta a ter uma acomodação dos produtos P8”, justificou. Em março, a produção de caminhões cresceu 15,8%, acima do mês anterior.

No segmento de ônibus, o cenário não foi muito diferente, influenciado também pelo programa Caminho da Escola, além da mudança de tecnologia para o P8, com 1.600 unidades emplacadas em março, contra 1.300 no mês anterior. Porém, ao comparar com março de 2023, o decréscimo foi de 37%.

“O resultado está muito associado às entregas do programa Caminho da Escola, que teve uma licitação grande em meados de 2022, e essas entregas aconteceram principalmente em março de 2023. Olhando para os emplacamentos de ônibus neste ano, comparando com 2021 e 2022, observamos que o mercado está vindo com uma tendência positiva. A comparação com 2023 pode levar a uma interpretação de queda expressiva, o que não é o caso, pois a base de 2023 é muito forte”, esclareceu Freitas.

Reflexo disso é o aumento de produção no mês passado, 34,1% acima de março de 2023, chegando a 2.600 unidades. “O que já significa a produção para programas como Caminho da Escola. Temos que lembrar que este é um ano eleitoral e as entregas se concentram no 1º semestre, antes das eleições municipais”, afirmou Freitas. No acumulado do primeiro trimestre, a produção de ônibus foi 60% acima do mesmo período de 2023.

Na rede de concessionários – Pelo balanço da Fenabrave, foram emplacadas 358.797 unidades (incluindo todas as categorias + motos) em março, 12,36% superior ao mesmo mês de 2023. No mesmo mês, automóveis responderam por 137.889 unidades, uma queda de 5,65% na comparação com março de 2023. Já no acumulado do ano, com 1.000.635 unidades emplacadas, o crescimento foi de 13,87%. Automóveis com 376.691 unidades tiveram um alta de 9,93%; ambos comparados ao primeiro trimestre de 2023. 

Segundo o presidente da Fenabrave, Andreta Jr., “os segmentos de maior volume vêm acumulando resultados consistentes neste início de ano, impulsionados, principalmente, pela melhora no ambiente de crédito. Ao analisarmos o volume, em dias úteis, notamos que a alta nas vendas diárias sobre março de 2023 foi superior a 13%. No trimestre, a evolução nas vendas diárias foi de quase 18%, o que demonstra o bom momento do setor automotivo”.

Transações de usados – Com base também nos números da Fenabrave, no primeiro trimestre deste ano foram 3.521.189 unidades transacionadas, 4,9% superior ao mesmo período de 2023. “O volume total do trimestre está próximo ao registrado em 2021 (quando foram transacionados 3.586.957 veículos), que foi um ano de recorde histórico para usados”, comparou Andreta Jr.

No período, o destaque foi para automóveis, com 2.222.371 unidades transacionadas, resultado 5,46% superior ao primeiro trimestre de 2023. Somente em março, o volume foi de 735.791 unidades, 9,41% inferior ao mesmo mês de 2023. Os modelos usados, com até 3 anos de fabricação, representaram 10,4% do total transacionado no mês. No ano, estes veículos acumulam participação de 10%.

Números da Fenauto – No acumulado do ano, até março, a entidade computou 3.525.531 veículos comercializados, um volume 4,9% maior do que o mesmo período de 2023. Somente em março foram comercializadas 1.181.376 unidades, 3,4% acima de fevereiro. A média diária de vendas

tem se mantido em torno de 60.000 mil unidades, a melhor já registrada para o mês de março nos últimos seis anos.

Nas palavras do presidente da Fenauto, Enilson Sales, “estamos mantendo uma média diária de vendas que é a melhor dos últimos anos, sustentando a nossa expectativa de bons resultados para 2024. Nossa projeção é de fecharmos o ano com um saldo de 14,5 ou 15 milhões de veículos usados vendidos”.

Os mais vendidos em março

Fonte: Fenauto

AUTO

VW – GOL 57.041 unidades

FIAT – UNO 32.138 unidades 

FIAT – PALIO 30.627 unidades 

COMERCIAIS LEVES

FIAT – STRADA 26.074 unidades 

VW – SAVEIRO 17.257 unidades 

TOYOTA – HILUX 12.298 unidades 

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