Os meus dias com o Dolphin e a experiência de pilotar o carro elétrico

Na cidade e na estrada, ele é uma delícia para dirigir. Ágil, confortável e seguro, ele ultrapassa os limites urbanos, desde que, como aprendi com um proprietário de um BYD Dolphin Mini, “quem tem um carro elétrico só precisa programar o roteiro”

Por Karin Fuchs

Por quase uma semana, eu fiquei com um Dolphin GS 180EV cedido pela BYD. Nós, jornalistas da área automotiva, estamos acostumados a retirar carros das montadoras para fazermos avaliações, testes e comparativos. Mas eu quis fazer essa matéria de forma diferente, mostrando a minha experiência com o Dolphin, como uma consumidora que ama carros!

Carregador no posto de combustível

Eu já tive a oportunidade de dirigir um Dolphin, em um evento que a BYD promoveu para o lançamento do novo TAN EV 2024, no mês de abril, no Haras Tuiuti, no interior de São Paulo. Lá, pudemos testar no campo de provas outros modelos da marca, mas confesso que me apaixonei pelo Dolphin. E neste mês de maio, quando o assessor de imprensa da marca, Ricardo Ghigonetto, me disse que a BYD estava disponibilizando um modelo para eu testar, em nome do Balcão Automotivo, eu adorei.

Carregamento no shopping

Dirigir em um campo de provas ou fazer um teste drive antes de decidir pela compra de um carro é muito diferente de ter uma experiência com ele no dia a dia. Não só na cidade, eu aproveitei também para fazer uma pequena viagem para o interior para sentir o Dolphin na estrada, nas companhias da minha irmã, Helga, e de minha tia, Adenir, que ao ver o carro, logo me perguntou: “Você trocou de carro de novo?” O meu atual, eu comprei em abril do ano passado.  

Na cidade

Todos nós sabemos que dirigir em São Paulo nem sempre é uma tarefa fácil, o trânsito é uma loucura, incluindo os motoboys insanos que cruzam os veículos. Mas logo que retirei o Dolphin na BYD, percebi o quanto o carro é ágil, firme e seguro. Gostei muito da visibilidade. Os vidros dianteiros do motorista e do passageiro têm o que chamávamos no passado de quebra-vento. Hoje eles não abrem mais e ficam localizados próximos ao para-brisa. No Dolphin, além da visibilidade, eles eliminam alguns do que chamamos de ponto cego.

Carregando em casa

No dia a dia na cidade, o Dolphin é uma delícia de dirigir, fácil de estacionar e não chama a atenção, o que para mim é uma grande vantagem, pois eu não gosto muito de ar-condicionado e costumo andar com os vidros meio abertos. Ainda que não chame a atenção, eu percebi que as pessoas olham para o carro, imagino que seja pelo seu design elegante. Uma das vezes que eu estava tirando o carro da garagem, uma viatura da polícia militar parou e esperou eu sair e fechar o portão. Ambos os policiais, um homem e uma mulher, me fizeram perguntas sobre o Dolphin, entre elas, se eu estava gostando do carro. “O carro é top”, respondi.

Dolphin na estrada de terra

Adorei também os bancos do Dolphin, eles são ergométricos, ultra confortáveis e possibilitam ao motorista uma regulagem ideal, uma vez que o teto do carro não é baixo. Eu já tive um carro hatch que o teto era muito baixo. Para longas distâncias, isso era muito cansativo e desconfortável, o que me fez trocar de carro.

A altura do Dolphin também é ideal para um modelo hatch e para quem tem pets. O meu amigão e companheiro Gustavo estava louco para entrar no carro, o que para ele seria mais fácil do que no meu SUV. Muitas vezes, ele não consegue pular direto para o banco, o que ele faz pelo assoalho. Mas como o carro não é meu, Gustavo não pôde passear de Dolphin.

Tempo de carregando em casa, na tomada comum

A hora da recarga

Depois de rodar bem na cidade, foi a hora de recarregá-lo. O carro saiu da BYD com autonomia de 400 km e agora, estava com 46% de carga. A primeira coisa que pensei foi ir até um shopping center, sem imaginar que seria enganada. No estacionamento, eu fui informada que havia duas opções: ir até o ponto de recarga e fazê-la eu mesma, o que segundo me informaram, levaria umas duas horas, se não tivesse ninguém na minha frente, ou pagar pelo valet, que eles mesmos se encarregariam dessa tarefa, no mesmo tempo estimado.

Escolhi a segunda opção e duas horas depois, para a minha surpresa, o painel indicava apenas 56% de carga, lembrando que ele estava com 46%. Claro que eu reclamei, mas de nada adiantou, ficou o dito pelo não dito, uma decepção total. Como o Dolphin vem equipado com um adaptador para tomada comum de 127 ou 220V, decidi carregá-lo na minha casa. Porém, ao olhar o painel, o tempo estimado era de 13 horas para a recarga total e logo desisti.

Gustavo queria passear de Dolphin

No dia seguinte, descobri um ponto de recarga em um posto de combustível próximo à minha casa. Fui até lá com a minha irmã, Helga, entender como funcionava. A minha sorte é que o Marcelo, proprietário de um BYD Dolphin Mini, estava lá e me orientou. Antes disso, perguntei aos funcionários do posto como funcionava e ninguém sabia responder, alegando que o ponto de recarga era terceirizado.

Com as dicas de Marcelo, eu baixei o aplicativo, fiz o cadastro, o que é muito fácil. Em menos de 30 minutos, o Dolphin estava 100% carregado. Aliás, o Marcelo nos contou que deixou outros carros que ele tem na garagem e só anda com o seu elétrico. Morador de Jundiaí, ele vem para São Paulo, vai para o litoral e volta para Jundiaí, desmistificando que esse tipo de carro é somente para uso urbano. “Quem tem carro elétrico só precisa programar o roteiro”, orientou. Em sua casa, Marcelo tem um carregador wallbox que leva, segundo ele, 4 horas para a recarga total.  

Rumo ao interior

Agora era a hora de sentir o carro na estrada. Com a minha irmã no banco do passageiro e a minha tia no banco de trás, fomos para Cabreúva, interior de São Paulo. O nosso roteiro incluiu uma visita ao Pé de Morro Produtos Nascidos no Japi o que eu indico para quem gosta de queijos e com a opção de fazer um piquenique em um lugar incrível.

Na estrada o desempenho do carro é nota 1000, ele responde muito bem e ainda tem mais potência se fosse permitida uma velocidade maior. No banco traseiro, a minha tia, Adenir, só fazia elogios. “A estampa do estofado é muito bonita, o carro é muito confortável, ele é bonito e silencioso, vou até tirar a minha sonequinha”, dizia ela. E aqui vale uma observação, pela distância entre eixos de 2,7 metros, o Dolphin oferece mais espaço internamente e mais conforto para as pernas para quem vai no banco traseiro.

Pegamos também um trecho de estrada de terra para chegarmos ao Pé de Morro Produtos Nascidos, no Japi. Da mesma forma, o Dolphin se mostrou firme, sem em nenhum momento derrapar. Depois do passeio, foi a hora de voltarmos para São Paulo e a autonomia do Dolphin foi fidedigna. Calculamos exatamente o quanto gastaríamos entre a ida e a volta, pois como orientou Marcelo, “quem tem carro elétrico só precisa programar o roteiro”.

A hora de devolver o carro

A minha irmã, que não tem a mesma paixão por carros como eu, se encantou pelo Dolphin. “Esse carro é a minha cara, é silencioso. Quero esse carro para mim!”, afirmava Helga. Aliás, um silêncio que eu estranhei no início, principalmente na hora de ligar e desligar. E não foi só eu. Um dia, ao sair da minha garagem encontrei a minha vizinha, Ana Paula, ela olhou para mim e perguntou: “O carro está ligado?”. Sim, ele estava.  

Confesso que o difícil foi devolver o Dolphin no dia programado. Agora eu entendo o porquê nas estatísticas da Anfavea os 100% elétricos estão conquistando cada vez mais consumidores. Tanto que em todo o ano de 2023 foram emplacados 93,9 mil modelos eletrificados (100% elétricos, híbridos + híbridos plug-in), entre automóveis e comerciais leves. Desse total, os 100% elétricos somaram 19,3 mil unidades. Já este ano, no primeiro quadrimestre, entre os 51,3 mil eletrificados, os 100% elétricos totalizaram 20,8 mil unidades, representando 3% das vendas no mercado de veículos leves.

 

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