Iniciativas do setor automotivo em prol da preservação do meio ambiente

As legislações estão mais severas em relação às boas práticas ambientais e a luta continua pela volta da Inspeção Técnica Veicular

Por Karin Fuchs

Hoje, 5 de junho, é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data foi criada em 1972 pela Organização das Nações Unidas, durante a Conferência de Estocolmo, com o objetivo de chamar atenção para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais. No setor automotivo, uma das iniciativas no Brasil foi a criação do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), em 1986, com o objetivo de reduzir os índices de emissões produzidos por caminhões e ônibus urbanos.

De lá para cá, o programa incluiu outras categorias, entre eles, o de veículos leves. Hoje vigoram as fases MAR-1, para máquinas agrícolas e rodoviárias, a L-7 para veículos leves e P-8 para veículos pesados, iniciadas em 1º de janeiro de 2022. Desde o início, o programa atingiu uma redução de até 98% na emissão de poluentes, segundo o Ibama.

José Arnaldo Laguna, presidente do Conarem

Uma luta do setor

Outra iniciativa foi a Inspeção Técnica Veicular, cujo objetivo era garantir que os automóveis estivessem em conformidade com as legislações de trânsito, de segurança e ambientais. Ela vigorou por um tempo em alguns estados do Brasil e, apesar de ter sido regulamentado o Programa de Inspeção Técnica Veicular, pela Resolução nº 716/2017 do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), para que vigorasse em todo o País a partir de 2019, ele não vingou, e o retorno da Inspeção Técnica Veicular continua sendo um pleito das entidades que representam o setor da reposição automotiva.

Inclusive, o retorno da Inspeção Técnica Veicular é um dos pilares da Carta de Fortaleza. Assinada às vésperas da Autop 2022, ela representa a união das entidades do setor, foi assinada pelas suas principais lideranças, em prol de mais representatividade em defesa do setor. Na época, defendeu o presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças (Ce), Ranieri Leitão, “a Inspeção Técnica Veicular é uma pauta importante, é uma medida de segurança, uma vez que acidentes também acontecem porque os carros não estão revisados e nem inspecionados”.

Ranieri Leitão, presidente do Sincopeças Brasil e do Sistema Sincopeças/Assopeças (Ce)

Consultoria gratuita

Por parte do Conarem, que representa o setor de retíficas, foi feita uma parceria com a assessoria Judi Cantarin para oferecer uma consultoria gratuita de gestão aos parceiros da entidade. “O Conarem sempre estimulou as boas práticas ambientais nas retíficas de motores. Com as leis cada vez mais rigorosas, que podem gerar, além de pesadas multas, até reclusão do dono da retífica e paralisação da atividade, resolvemos contratar uma consultoria de gestão ambiental, que está disponível, gratuitamente, aos nossos associados”, validou o presidente da entidade, José Arnaldo Laguna.

As exigências das legislações vão desde licença ambiental, cadastros nos órgãos ambientais pertinentes à atividade, contratação de empresas homologadas para o descarte dos resíduos sólidos contaminados e do OLUC, até a conscientização do time para os cuidados destes resíduos contaminados dentro da retífica. Incluindo, cuidados para não contaminarem o solo.

Conforme alertou Laguna, “não é permitido desmontar o motor ou fazer a manutenção num pátio de brita, pois não há uma blindagem e o óleo pode contaminar o solo, o que geraria multa, processo criminal de contaminação do meio ambiente, além de ter que solucionar o problema, inclusive, com preparação do novo solo, descarte do solo contaminado em aterro industrial, um processo bem custoso”.

Todos esses quesitos e muito mais serão abordados durante a consultoria da Judi Cantarin aos parceiros do Conarem. “A iniciativa da contratação da assessoria foi com o intuito de trazer as informações corretas sobre as legislações ambientais para o setor de retíficas para que o empresário não seja surpreendido com uma fiscalização, para que não cometa uma falha por não entender a complexidade da legislação e para mostrar o melhor caminho para cumprir todas as exigências ambientais, que não são poucas”, explicou Laguna.

Economia de água

Em uma cartilha lançada em 2023 pela FecomercioSP, o consumo de água por veículo em uma lava-rápido chega a 250 litros. Imagina isso multiplicado por vários carros que ao longo do mês passam neste lava-rápido. Entre outras iniciativas, a Wash Me, uma startup especializada em gestão de lavagem ecológica, fundada em 2019, desenvolveu uma técnica de lavagem ecológica que utiliza apenas um copo d’água por veículo.

CEO da Wash Me, João Salvatori

De lá para cá, somando milhares de veículos lavados, a economia foi de mais de 175 milhões de litros de água; até 100 vezes mais econômico em termos de consumo de água em comparação com as técnicas tradicionais. Além disso, os produtos utilizados são biodegradáveis e não agridem o meio ambiente. E, ainda, a Wash evitou a emissão de cerca de 1,3 tonelada de CO2 e 444 mil litros de combustível, uma vez que a lavagem ocorre in loco, tornando desnecessário qualquer deslocamento das frotas.

De acordo com o CEO da Wash Me, João Salvatori, “a lavagem ecológica que realizamos não é vantajosa apenas para o equilíbrio do meio ambiente. Nós utilizamos o mínimo de recursos naturais e isso também gera redução de custos para a manutenção da frota e, através dos relatórios, conseguimos mostrar essa economia de forma concreta para os nossos parceiros”. No Dia Mundial do Meio Ambiente e ao longo do ano, que venham mais iniciativas!

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