Vendas de veículos disparam; eletrificação muda a cadeia de suprimentos

Esses foram alguns dos destaques do Conecta Autos 2024, que reuniu profissionais do setor automotivo, em sua 4ª edição. Confira!

Por Karin Fuchs

Na 4ª edição do Conecta Autos do Grupo OLX, com o tema “Sua voz no comando”, os palestrantes apresentaram tendências do mercado, o comportamento das vendas de veículos nesse ano, o futuro das vendas nas lojas e a mobilidade urbana, com a apresentação da pesquisa “Tendências do Consumidor – Mobilidade Urbana 2024” do Data OLX Autos, e a participação de especialistas que debateram o tema, divididos em dois painéis.

Durante a abertura do evento, Flavio Passos, VP de Autos e Bens de Consumo do Grupo OLX, anunciou a criação do Índice de Veículos Usados Regionalizado, uma parceria do Grupo OLX com a Fenauto. No início deste ano, eles lançaram o Índice Nacional. O Regional vem como um balizador para o lojista se basear no seu estoque e ter o produto que o seu cliente procura.

Recorde de vendas – Raphael Galante, economista, especializado no setor automotivo e colunista do portal InfoMoney, mostrou um mercado bastante aquecido. De janeiro a maio deste ano, entre novos e usados, foram 5,32 milhões de veículos vendidos. “Nunca se vendeu tanto carro como nesse ano, principalmente pela taxa de juros caindo e mais crédito ao consumidor. O crédito para veículos explodiu. Em abril deste ano foram R$ 22,5 bilhões em concessões, o melhor mês na série histórica do Banco Central. Um crescimento de 57% na liberação de crédito para o financiamento de carros, em relação ao mesmo período do ano passado. E vai continuar aquecida a concessão de crédito”, analisou.

Presidente da Fenauto, Enilson Sales, projetou que se não houver nenhum contratempo, a comercialização de veículos seminovos e usados pode ultrapassar a marca de 15 milhões nesse ano. Em 2023, foram 14,5 milhões. “Superamos um imprevisto monumental, deixamos de ter 5 mil carros/dia sendo comercializados na região Metropolitana de Porto Alegre e nas cidades afetadas, talvez esse número fosse maior se não tivéssemos as enchentes no Sul. Tem uma porção de coisas acontecendo no mundo que podem afetar a gente. Porém, se não afetarem tanto, a economia brasileira é uma das mais resilientes do mundo, vamos bater a marca dos R$ 15 milhões”, afirmou.

Eletrificação – Ricardo Roa, Head do Setor Automotivo da KPMG Brasil, apresentou as tendências na transformação digital do setor automotivo. “A mudança para conjuntos elétricos está acelerando, a conectividade transformando a experiência e, cada vez mais, se tornando uma experiência e não um produto. Os veículos elétricos têm 60% menos componentes do que os a combustão, haverá uma transformação da cadeia de suprimentos moldando e modificando componentes que deixarão de existir com a eletrificação”.

Em outro painel, sobre mobilidade, Milene Sipas, diretora Comercial do Grupo HBW, VW Brasilwagen, Honda SP Japan e BYD HBW, falou sobre a motivação para a compra de eletrificados e a precificação na troca. “O consumidor analisa sempre o custo/benefício. Em São Paulo, mobilidade urbana é tudo, ter um veículo que lhe dá a disponibilidade de andar livremente sem a preocupação do rodízio. Mas, o que faz o consumidor procurar mais a concessionária que vende um veículo híbrido e elétrico são as inovações. O produto traz muito mais benefícios ao custo, pois a tecnologia empregada é alta e eles (fabricantes) conseguem baixar o valor do automóvel, e o benefício de financiamento. Tudo isso faz com que eles analisem se vale a pena continuar com o carro a combustão ou entrar no modal de sustentabilidade. E o quanto custa de fato ter um carro elétrico ou híbrido (o custo para rodar comparado ao combustível)”.

Sobre a precificação no momento da troca, Milene comparou que quando o veículo a combustão 0km sai da concessionária, a perda média é de 20%, o que não acontece com o carro elétrico. “Geralmente, o consumidor que vai comprar esse carro tem a garantia de 8 anos para a bateria, de 5 anos para o veículo e basicamente as três primeiras revisões inclusas. Tudo isso demonstra que ao longo de dois, três anos, a economia que se tem de não ter combustível, faz com que segure o preço do automóvel. Claro que há uma perda (de valor), mas, por outro lado, muitas montadoras trabalham com a precificação, meio que garantida pelos bônus que elas oferecem”.

Carros não concorrem com o transporte público – No painel Mobilidade urbana: Desafios e oportunidades para o setor, que teve a participação de Milene Sipas, Sergio Avelleda, sócio e fundador da Urucuia: Mobilidade Urbana e Coordenador do Núcleo de Mobilidade Urbana do Laboratório Arq. Futuro de Cidades do Insper, falou sobre os problemas de mobilidade urbana e que mais eficiência ao transporte público não se coloca contra o automóvel.

“São Paulo tem muitos problemas de mobilidade urbana, linhas de metrô congestionadas, ônibus que não são eficientes e congestionamentos de carros. O problema está no planejamento urbano. Com as pessoas cada vez mais distantes de seus empregos, nós começamos a ter problemas seríssimos. As cidades saudáveis do mundo se desenvolveram levando emprego e trabalho para regiões distintas. Em São Paulo há uma concentração em poucas áreas, isso leva a uma demanda de mobilidade muito alta”, explanou.

Segundo ele, “um ônibus transporta 80 pessoas, precisamos levar mais eficiência ao transporte público, mas isso não se coloca contra o automóvel. Quanto mais eficiente for o transporte público, mais eficiente deverá ser o trânsito, pois as pessoas usarão o automóvel de forma mais racional”, defendeu.

Ainda de acordo com ele, “o mundo tem hoje 1,750 bilhão de carros, as projeções para 2050 é de 3,5 bilhões no mundo e esse crescimento não será dado no hemisfério Norte, mas na China, Índia, Brasil, México, países que estão crescendo a renda. O espaço urbano está dado, não será dobrado. Ou começamos enxergar o carro como um elemento que se integra aos outros meios de transporte, a gente favorece essa integração para que as viagens sejam mais sustentáveis, mais eficientes, ou teremos cada vez mais engarrafamentos”.

Tendências de mobilidade – Taiane Martins, gerente de Insights e Pesquisas no Grupo OLX, e Keyi Ussami, head de Economia no Grupo OLX, apresentaram a pesquisa “Tendências do Consumidor – Mobilidade Urbana 2024” do Data OLX Autos, com a participação de mais de 2 mil entrevistados. Assim como na edição anterior, de 2023, foi mapeado o comportamento dos indivíduos em suas rotinas relacionadas à locomoção.

“Sobre interesse, o que observamos nesse público é que cerca de 7 a cada 10 usuários têm interesse de comprar um automóvel nos próximos seis meses, além disso, sobre o tipo de automóvel, principalmente usados e seminovos para uso próprio e 1,7 pessoas vai compartilhar esse meio de transporte”, afirmou Taiane.

Em relação à possibilidade de compra, a maioria (46%) disse que não considera veículos híbridos ou elétricos, 36% afirmaram a preferência por esses tipos de veículos e 21% não souberam dizer. Quanto às novas tecnologias, comentou Keyi, “o importante é que elas tenham demonstrações explicações”.

Quanto à assinatura de um automóvel, Taiane disse que “três em cada dez disseram que considerariam e a maioria 60%, disseram que alugariam um automóvel para fazer deslocamentos, inclusive para grandes distâncias e viagens. Em suma, quando comparada à edição 2023, o automóvel continua sendo o principal meio de locomoção. Nessa edição 80% dos participantes tinham algum tipo de veículo, a maioria (92%) carros, seguido por motocicletas (37%) e por outros tipos (39%)”.

O que muda nas revendas – Alfredo Soares, sócio e fundador da G4 Educação, foi enfático ao dizer que é preciso desapegar da forma atual das vendas, do vendedor e das empresas, seguindo o comportamento do consumidor. “O varejo é uma expressão do comportamento de consumo. Não focar mais em vender mais, mas em vender melhor. É uma relação de confiança”. Segundo ele, “as empresas quebram por venderem errado, elas não sabem quanto custa adquirir um cliente e estão vendo só o faturamento e a movimentação que elas têm, não olham para a sua margem de negócio e acham que a conta fecha, ficando refém de adquirir novos clientes sem parar e sem construir a sua marca”.

Soares fez um paralelo com um vendedor de brigadeiro no farol. “Se eu fosse esse vendedor, a primeira coisa que eu faria seria entender o comportamento de compra de quem compra brigadeiro, o período com mais potencial de venda e focar nesse período. Analisaria o perfil do carro, quantos pessoas estão nele, se é homem ou mulher. Vender melhor é uma questão de mentalidade e não de tecnologia, são as perguntas que você começa a se provocar para começar a criar os dados para a tomada de decisão”.

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