A alta de 10,9% para vendas de autoveículos está bem acima do previsto anteriormente. Em contrapartida, a previsão é de uma queda de 20,8% nas exportações, refletindo na produção anual
Por Karin Fuchs
A Anfavea, em sua coletiva mensal, divulgou novas projeções para o fechamento do ano. A perspectiva é de um aumento de 10,9% nas vendas, ante 6,1% previsto anteriormente. “Fechamos 2023 com 2,309 milhões de unidades emplacadas e chegaremos a 2,560 milhões neste ano. Para esse crescimento se concretizar, o mercado tem que ser, mês a mês, entre 5% e 6% superior ao que foi no ano passado. O que é possível. Até agora, crescemos 14,6%”, disse o presidente da entidade, Márcio de Lima Leite.
No 1º semestre, o setor computou 1,144 milhão de autoveículos emplacados, como dito pelo executivo, um crescimento de 14,4% sobre o 1º semestre de 2023. Para veículos leves, a alta prevista é de 5,7% sobre 2023, com 2,417 unidades emplacadas e alta de 13,8% para os pesados, somando 143 mil unidades. No 1º semestre, comparado ao mesmo período de 2023, o melhor desempenho foi para os pesados. Caminhões fecharam o semestre com elevação de 36,5% na produção e de 8% nas vendas. A produção de ônibus cresceu 53,8%, mas as vendas retraíram 21,8%.
Quanto às novas tecnologias de automóveis e comerciais leves (híbridos, híbridos plug-in e elétricos), a Anfavea prevê um volume entre 130 mil e 150 mil unidades emplacadas até o final do ano. Em 2023, foram 93,9 mil unidades. Somente no 1º semestre deste ano foram 79,3 mil unidades, sendo 31,2 mil puramente elétricos, a maior parte importada.
Importações disparam
O setor tem vivenciado um aumento expressivo de participação dos importados. No 1º semestre foram quase 200 mil modelos emplacados, 38% acima do mesmo período de 2023 ou 54 mil unidades a mais. A maioria vinda da China (78%), uma alta de 449% sobre o 1º semestre de 2023. “Dependendo da origem, a importação de veículos tem reflexo direto na indústria brasileira ou não impacta o setor automotivo, a não ser na perda de vendas e de autopeças”, disse Leite, mostrando a relevância da Argentina.
“A Argentina representava 65% das nossas importações, hoje, é de apenas 45%. A China, em 2023, representava 7% do total de vendas de produtos importados, hoje 26%. A importação da Argentina pode ser ruim por estar trazendo produto importado, porém, as fábricas são complementares. A indústria de autopeças do Brasil exporta para a Argentina, isso faz crescer o mercado de autopeças e a Argentina manda carros para o Brasil. Estamos tendo um aumento significativo de importações extrazona, aquelas que não beneficiam o setor de autopeças, os fabricantes de veículos, Pesquisa e Desenvolvimento e nem os trabalhadores”. O setor defende a elevação do Imposto de Importação para 35%, como ocorre com outros importados.
Exportação e produção estagnada
No 1º semestre, apenas 165,3 mil autoveículos foram exportados, uma queda de 28,3% sobre o mesmo período de 2023. É o pior resultado desde 2009, exceto em 2020, auge da pandemia, empurrando para a queda de produção, que foi revista de 6,1% para 4,9% para este ano. A produção acumulada no 1º semestre foi de 1,138 milhão de unidades, apenas 0,5% acima do mesmo período de 2023. “Se os emplacamentos de importados e as exportações do 1º semestre de 2024 tivessem sido iguais aos volumes registrados no mesmo período de 2023, o aumento da produção seria de 11%, o que dá uma dimensão do desafio que precisamos enfrentar”, comentou Leite.
Balança comercial: autoveículos e autopeças
As exportações de autoveículos caíram 29% no 1º semestre comparado ao mesmo período de 2023, já as importações cresceram 11% na mesma base comparativa. “Nos últimos anos, pelo menos desde 2010, é a primeira vez que as nossas exportações são menores do que as importações. Hoje, nós temos um déficit comercial”, lamentou o presidente da Anfavea.
Em autopeças, a queda foi de 17% nas exportações e de 9% nas importações, o que não significa um bom sinalizador. “Quando a importação de autopeças é reduzida, para localizar a produção é muito bom, ou tem a lógica de complementariedade entre as fábricas do Brasil e da Argentina. Mas, caíram as importações de autopeças porque aumentaram as importações de veículos acabados”, expôs Leite.
O resultado, disse ele, é duplamente desastroso. “Isso tira emprego das autopeças e das montadoras, o efeito é duas vezes desastroso. Se o Brasil tivesse uma política de exportação de autopeças para a China…, mas, no nosso setor temos importações e não temos exportações para lá, afetando o setor de autopeças e os fabricantes”.
Junho
O mês de junho foi o melhor em média diária de vendas, desde junho de 2019, totalizando uma média de 10.715 unidades. “Praticamente, a mesma de antes da pandemia, o mercado está voltando bastante aquecido”, comentou Leite. Incluindo o segmento de leves e pesados, o volume de emplacamentos foi 10,3% superior ao mês anterior e 13,1% acima de junho do ano passado.
Entre os pesados, caminhões tiveram um acréscimo de 4,6% sobre o mês anterior e de 26,6% comparado a junho de 2023. E o volume de emplacamentos de ônibus cresceu 35% em relação a maio e com uma queda de 2,2% comparado a junho do ano passado.






