E não só do ano, julho superou o mesmo mês de 2023, quando vigorava a MP 1.175. Os resultados também foram positivos nas transações de seminovos e usados
Por Karin Fuchs
Julho terminou como o melhor mês do ano em volume de produção e vendas de veículos novos. Foram 241.000 unidades vendidas, alta de 12,6% sobre o mês anterior, e com uma média diária de 10.500 unidades emplacadas. No acumulado do ano foram 1.385.000 unidades, 13,2% acima do mesmo período de 2023. Já a produção chegou a 247.000 veículos, 16,9% acima do mês de junho e o melhor resultado também desde outubro de 2019, segundo balanço da Anfavea.
Na rede de concessionárias associadas à Fenabrave foram 419.829 unidades emplacadas, incluindo motocicletas, representando um crescimento de 4,9% sobre junho. O mês de julho teve três dias úteis a mais que junho e todos os segmentos, excluindo motocicletas, tiveram alta em relação ao mês anterior e a julho de 2023. No acumulado do ano, a entidade computou 2.607.666 unidades emplacadas, 15,98% acima do mesmo período do ano passado.
No segmento de seminovos e usados, as vendas em julho computadas pela Fenauto cresceram 13,3% sobre o mês anterior e 20,4% ante julho de 2023, somando 1.467.096 unidades. De janeiro a julho, com 8.810.848 veículos vendidos, a alta foi de 9,2% sobre o mesmo período de 2023.
Segundo Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, o volume de vendas em julho foi tão relevante que até superou o resultado de julho de 2023, quando vigorava a MP 1.175 do Governo Federal. “No ano passado nós tivemos em julho o efeito da MP dos descontos, naquele momento, elevou-se muito o volume de emplacamentos e, ainda assim, estamos mantendo um bom crescimento quando falamos de mercado, produção local e emplacamentos”, afirmou. Em julho, o volume de emplacamentos foi 7% maior do que em julho de 2023.
Quanto ao resultado do acumulado do ano, disse o presidente da Anfavea, “já emplacamos 1.385.000 unidades, um número bastante superior ao que tínhamos em 2021, 2022 e em 2023, mostrando um crescimento desse mercado de forma mais sustentada”.
“Apesar da sazonalidade de meio de ano, o resultado foi excelente, tanto que este foi o melhor mês de julho desde 2014. O acumulado dos sete meses revela crescimento em linha com nossas projeções para 2024. E a oferta de crédito continua a ter influência positiva nas vendas”, comentou Andreta Jr., presidente da Fenabrave.
A Fenauto também comemorou os bons resultados. “Os constantes resultados positivos desde o começo do ano mostram que o segmento vive um momento especial. Se as condições da economia se mantiverem nos próximos meses, deveremos ter um resultado expressivo até o final do ano que, segundo nossas análises, deve chegar a um total aproximado entre 15 e 15,5 milhões de unidades, um dos melhores já alcançados na história do setor”, disse o presidente da entidade, Enilson Sales.
Participação dos importados
Em julho foram emplacados 41.000 automóveis e comerciais leves importados, 7,8% acima do mês anterior. No volume de emplacamentos desta categoria, a participação dos importados foi de 17% no mês de julho. “As importações continuam superando as exportações e a conta do que importamos e exportamos é muito importante, não só em termos de autoveículos, mas de peças”, disse Leite.
Ainda que as exportações tenham crescido 35% de junho para julho, chegando a 39.000 unidades, no acumulado do ano, foram 204.400 unidades exportadas, 21,7% abaixo dos sete primeiros meses do ano passado. “O desafio das nossas exportações é grande, começamos o ano em um ritmo baixo. Este crescimento de 35% se deve em especial à Argentina e ao crescimento dos destinos de nossas exportações. Todos os países destinos de nossas exportações estão aquém do que vinham se comportando nos anteriores, mas o crescimento das exportações aconteceu de uma forma bem positiva”.
A China continua aumentando a sua participação no volume de veículos importados emplacados. De janeiro a julho de 2023 foram 173.270 unidades importadas e no mesmo período deste ano, 238.953 unidades, alta de 38%. Deste total, os veículos chineses responderam por 62.220 unidades, um volume 414% superior ao mesmo período do ano passado e com uma participação de 26% no mercado de importados.
Ainda que a Argentina se mantenha como a principal fornecedora para o Brasil, a sua participação caiu de 65% para 46% comparando os setes primeiros meses deste ano com o mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, a participação da China passou de 7% para 26%.
Eletrificados
Pela primeira vez neste ano, o volume de veículos híbridos plug-in emplacados no segmento de automóveis e comerciais leves no mês de julho superaram os 100% elétricos, com 5.192 unidades e 4.698 unidades, respectivamente. E os híbridos totalizaram 4.697 unidades. “Os veículos elétricos vêm mantendo uma oscilação natural, principalmente em função do volume das importações. Os híbridos plug-in demonstraram um crescimento importante, uma tendência, que vem ganhando força de forma mais consistente no volume de emplacamentos com novas tecnologias de propulsão”, disse Leite.
No acumulado do ano, segundo a Fenabrave, o volume de emplacamentos de automóveis e comerciais leves híbridos e híbridos plug-in se aproxima de 60.000 unidades, alta de 67,83% quando comparado ao mesmo período de 2023 e no comparativo de junho a julho, o crescimento no volume de emplacamentos foi de 15,28%. Já os 100% elétricos tiveram uma queda de 9,39% na mesma base de comparação, porém, uma expansão de 658,03% quando analisados os sete primeiros meses desse ano com o mesmo período do ano passado. “Apesar dos percentuais expressivos, a participação de veículos elétricos nos emplacamentos de autos e leves ainda é inferior a 3% do total comercializado no mercado”, analisou Andreta Jr.
Pesados
No segmento de pesados, as vendas de caminhões no mês de julho somaram 11.400 unidades, 14,7% acima do mês anterior e no acumulado, 68.100 unidades, 11,8% superior ao mesmo período de 2023. Ônibus tiveram um crescimento bem maior, de 43,4% sobre junho, com 2.500 unidades, e no acumulado do ano houve uma retração de 11,4%, comparada aos sete primeiros meses de 2023, chegando a 11.400 unidades.
A alta relevante das vendas de ônibus coincide com a realização da Lat.Bus, a maior feira do segmento da América Latina. “Ao participar do maior evento de transporte público da América Latina, a Anfavea reafirma seu compromisso com a mobilidade ambientalmente responsável e com o principal modal de transporte urbano, que é o ônibus. Nesta edição da Lat.Bus, nossas associadas apresentam o que há de mais moderno em termos de tecnologias nacionais de propulsão ligadas à descarbonização, segurança e eficiência para o transporte público”, destacou na cerimônia de abertura o presidente da Anfavea.
Produção
Em julho, com 247.000 unidades produzidas, o resultado foi 16,9% superior ao mês anterior, impulsionado por automóveis e comerciais leves, enquanto a produção de pesados teve uma retração: de 2,7% para caminhões (11.900 unidades) e de 16,6% para ônibus (2.200 unidades), na mesma base de comparação.
“Nós tivemos um ano marcado por paralisações de fábricas, o que não ocorreu em julho. A produção também foi impactada por julho ter tido três dias úteis a mais que junho e pela concentração de embarques e pela entrega de veículos que aguardavam autopeças produzidas no Rio Grande do Sul”, comentou o presidente da Anfavea.
No acumulado do ano, a produção de veículos foi de 1.385.000 unidades, 5,3% superior aos sete primeiros meses de 2023. No segmento de pesados, ônibus registraram uma alta de 47,4%, com 16.900 unidades produzidas e caminhões, um crescimento de 41,5%, com um total de 76.300 unidades.
BOX
Seminovos e usados mais procurados em julho
Fonte: Fenauto
AUTO
VW – GOL 71.376
FIAT – UNO 38.620
FIAT – PALIO 37.601
COMERCIAIS LEVES
FIAT – STRADA 33.232
VW – SAVEIRO 21.134
GM – S10 16.116