Agosto tem cenário positivo na venda de veículos novos e melhor média diária

Segundo a Fenabrave, o volume de emplacamentos pode até superar os 16,7% previstos para este ano. No segmento de seminovos e usados, a expectativa da Fenauto é chegar a 15,5 milhões de unidades comercializadas

Por Karin Fuchs

Mais uma vez, a Anfavea computa números positivos do setor. Foram 237.000 veículos vendidos em agosto, somando todas as categorias, e a melhor média diária do ano, com 10,8 mil unidades/dia, 19,5% acima do mesmo mês de 2023. Em relação ao mês anterior houve uma estabilidade, considerando que agosto tem um dia útil a menos que julho. Agosto também foi o mês da retomada do segmento de pesados.

Destaque também para a produção de veículos. “Chegamos em agosto com uma produção bastante robusta, na ordem de 260.000 unidades, 5,2% acima do mês anterior, que já tinha sido o melhor desde outubro de 2019”, comentou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. No acumulado do ano, foram produzidas 1.644.000 unidades, 6,6% a mais que no mesmo período de 2023.

No balanço da Fenabrave, agosto foi o melhor mês do ano no volume de emplacamentos, incluindo motocicletas, implementos rodoviários e outros, totalizando 422.869 unidades, 13,83% acima de agosto de 2023 e 0,74% a mais que no mês anterior. Já as transações de seminovos e usados, com 1.427.548 unidades em agosto, incluído motocicletas, houve uma retração de 2,7% comparado ao mês anterior, porém, 3,8% superior a agosto de 2023, segundo a Fenauto.

Acumulado

No acumulado do ano até agosto, a Anfavea totalizou 1.623.000 veículos emplacados, resultado 13,3% superior ao período de janeiro a agosto de 2023. Desse total, automóveis e comerciais leves somaram 1.529.600 unidades. Já a Fenabrave computou 3.030.419 unidades emplacadas no mesmo período, incluindo motocicletas, implementos rodoviários e outros, 15,67% acima dos oito primeiros meses de 2023. Nesta conta, automóveis somaram 1.197.812 unidades, 12,62% acima do mesmo período de 2023, e 329.616 comerciais leves, resultado 16,3% superior na mesma base de comparação.

Segundo o presidente da Fenabrave, Andreta Jr., fatores como as taxas de juros, a definição das eleições municipais que destravariam as compras de ônibus, por meio de programas como o “Caminho da Escola”, hoje com pedidos bloqueados até o fim do período eleitoral, além da melhora dos preços das commodities que impactam as vendas de caminhões, implementos rodoviários e máquinas agrícolas podem influenciar os resultados até o final do ano. “De qualquer forma, estamos caminhando para fechar o ano como previu a Fenabrave, e a depender dos fatores mencionados, podemos até superar os 16,7% esperados para o desempenho do setor como um todo”.

E no balanço da Fenauto, foram 10.238.396 veículos transacionados de janeiro a agosto deste ano, 8,4% acima do mesmo período do ano passado. Automóveis totalizaram 6.416.147 unidades e comerciais leves, 1.117.035. Quando comparado ao mesmo período de 2023, o crescimento foi de 8,6% e 9,7%, respectivamente. A previsão da entidade é terminar o ano com 15.500.000 unidades comercializadas. “Teremos eleições em outubro, o que pode provocar algum impacto nas vendas, mas continuamos acreditando na manutenção desse movimento positivo até o final do ano, com a expectativa de fecharmos 2024 com algo em torno de 15.500.000 unidades comercializadas”, afirmou o presidente da entidade, Enilson Sales.

Eletrificados

No acumulado do ano até agosto foram 109.000 automóveis e comerciais leves eletrificados emplacados, sendo 41.000, 100% elétrico. Híbridos e híbridos plug-in tiveram uma participação similar. “Tudo indica que chegaremos até o final do ano com 100.000 unidades de veículos puramente elétricos emplacados”, disse Leite.

Nas contas da Fenabrave, com quase 70.000 automóveis e comerciais leves híbridos e híbridos plug-in emplacados nesse ano, o resultado é 58% superior ao período de janeiro a agosto de 2023. Já os emplacamentos de veículos puramente elétricos cresceram 594,80% na mesma base de comparação. “É um mercado em processo de consolidação e que atrai um determinado perfil de brasileiros para a mobilidade”, analisou Andreta Jr, referindo-se ao mercado de veículos 100% elétricos.

Caminhões e ônibus

Segundo o vice-presidente da Anfavea, Eduardo Freitas, “o segmento de pesados comemora o retorno da normalidade depois de um ano de 2023 muito desafiador. Ultrapassamos a barreira de 500 unidades emplacadas no volume diário de agosto. O segmento de caminhões segue sendo puxado fortemente por pesados e semipesados”.

Em números, foram 11.500 caminhões emplacados em agosto, 1,6% acima do mês anterior e 23,7% superior ao resultado do mesmo mês de 2023. No acumulado do ano, 79.600 caminhões foram emplacados, 13,4% acima do mesmo período de 2023. No segmento de ônibus, com 2.400 unidades emplacadas em agosto, a alta foi de 3,4% sobre o mês anterior e 64,7% sobre agosto do ano passado. Já no acumulado do ano, 13.800 ônibus foram emplacados, representando uma queda de 3,7% quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Quanto ao volume de produção, em agosto foram 13.101 caminhões produzidos, 10% acima do mês anterior e no acumulado do ano houve um aumento de 36,1%, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Em agosto foram produzidos 2.156 ônibus, representando uma queda mensal de 1,8% e um crescimento anual de 5,3%.

Sobre os resultados para ônibus, Freitas comentou que há um tempo maior entre o momento em que se produz o chassis até ser encarroçado e efetivamente emplacado. “No acumulado do ano, ônibus ainda aparece com um pequeno número negativo, mas olhando para a produção, há um acompanhamento. No Programa Caminho da Escola já foram contratadas mais de 7.000 unidades, mas até o momento, apenas 1.600 foram emplacadas”.

Na análise do presidente da Fenabrave, Andreta Jr, “o segmento de ônibus foi o único que enfrentou retração no primeiro semestre de 2024, em função dos pedidos do Programa Caminho da Escola não terem sido efetivados, em decorrência do período eleitoral. No entanto, acreditamos que nos últimos dois meses do ano, após as eleições e sem os impedimentos dos Prefeitos realizarem novos pedidos, o desempenho do segmento poderá ser semelhante a 2023, conforme apontam nossas projeções”.

Exportação e importação

O ano de 2024 tem sido bastante desafiador para as exportações, devido à queda dos mercados dos países destinos do Brasil. “Desde o início do ano, as exportações estão bastante tímidas. Em junho houve o primeiro crescimento, com 39 mil unidades exportadas e 38 mil em agosto. O mês teve um dia a menos, o que impacta as exportações”, avaliou o presidente da Anfavea. Apesar da queda, agosto foi o segundo melhor mês do ano para a exportação de veículos. Já no acumulado do ano, a retração foi de 17,9% comparado a janeiro a agosto do ano passado.

No que tange às importações, a Anfavea prevê que até o final do ano deverão chegar à marca de 400.000 a 500.000 unidades, o que representa a metade do volume de importações da América Latina. “Estamos importando metade desse mercado. Quando as importações vêm da Argentina é muito bom, porque ela é parceira, e nós fornecemos muitas peças para lá. Embora tenha um impacto direto no setor na montagem de veículos, isso acaba beneficiando o setor de autopeças brasileira, que é uma cadeia e estamos todos juntos. Percebemos que essas importações têm ocorrido, principalmente, de outros países e isso é uma preocupação, pois hoje a balança comercial é negativa”.

No acumulado do ano, as importações totalizaram 270.000 unidades, 35% acima do mesmo período de 2023, com destaque para as importações da China, que cresceram 339% no período, seguida pelo México, com um acréscimo de 45%. “Outros países tiveram um crescimento maior, mais têm uma participação menor”, disse Leite, a exemplo das importações da Tailândia que cresceram 162% no ano, porém, o país tem apenas uma participação de 2% no mercado brasileiro.

Estoque de importados

Durante a coletiva da Anfavea para apresentar os números de agosto e do acumulado do ano, Leite chamou a atenção para o estoque de veículos eletrificados importados no Brasil com o retorno do Imposto de Importação. Até o terceiro trimestre de 2023 havia um equilíbrio entre importação e emplacamento. Hoje, o estoque é de cerca de 80 mil unidades, que foram importadas antes do aumento do imposto.

“Este estoque é geralmente de empresas que estão chegando ao Brasil. É o maior volume à espera do consumidor, desde que começamos a monitorar as importações. Ainda não sabemos como isso impactará o mercado. Nunca tínhamos convivido com essa situação. Esse volume não está mapeado dentro do estoque das fabricantes locais, é das que ainda não fabricam no Brasil”, alertou o presidente da Anfavea.  

Seminovos e usados mais procurados em agosto

Fonte: Fenauto

 

Auto

VW – GOL                    69.871 unidades

FIAT – UNO                  37.833 unidades

FIAT – PALIO                36.519 unidades

 

Comerciais leves

FIAT – STRADA             32.637 unidades

VW – SAVEIRO             21.302 unidades

GM – S10                     15.674 unidades

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